O dia em que um vencedor da II Guerra foi apagado da fotografia

(Ana Sá Lopes, in Público, 09/06/2024)

(Alguém tinha que escrever este artigo para desmontar a grande patranha do Ocidente àcerca da Segunda Guerra Mundial. Reescrever a História é o que os fascismos de todos os matizes sempre fizeram. Macron, Biden e companhia, a propósito do desembarque na Normandia, juntaram-se agora à cáfila, aspergidos pelo hissope dos comentadores arregimentados do mainstream. Obrigado Ana Sá Lopes e um elogio pela coragem, que é preciso tê-la para enfrentar tão tenebrosa gente.

Estátua de Sal, 09/06/2024)


O sangue dos jovens das várias repúblicas soviéticas não foi derramado nas praias da Normandia, mas foi efectivamente a Frente Leste que derrotou Hitler.


O passado é uma coisa esquisita. Quando o que as fontes históricas contam nos perturba minimamente, inventamos um outro passado, mitificado. A natureza humana tenta riscar da memória tudo o que a incomoda – um mecanismo de sobrevivência, provavelmente. Estaline apagava os inimigos das fotografias, hoje é a vez de o Ocidente lhe fazer o mesmo.

A História não é uma linha recta, está cheia de sombras, de incongruências, de realpolitik, de cinzentos, de alianças ditas espúrias, de horrores e algumas grandezas. Para alegria do povo (vemos o que se passa ainda em Portugal com o império), precisamos de a simplificar.

Ao assistir às cerimónias dos 80 anos do desembarque da Normandia, é difícil não conter as lágrimas ao lembrar a coragem daqueles jovens que vieram de muitos lugares do planeta para salvar a Europa do nazismo.

O que ficou esquecido é que o sangue dos soldados soviéticos foi determinante para combater o regime nazi. Antes e durante a guerra, Churchill sempre considerou Estaline “um homem abominável” – e foi contra o “inimigo soviético” que centrou a sua campanha eleitoral de 1945, depois da guerra. Aliás, não foi reeleito por várias razões, incluindo porque o eleitorado britânico não compreendia os discursos de Churchill contra o comunismo: a URSS, aliada dos ingleses e dos americanos no combate a Hitler, era olhada com simpatia pelo povo britânico.

O sangue dos jovens das várias repúblicas soviéticas não foi derramado nas praias da Normandia, mas foi efectivamente a Frente Leste que derrotou Hitler. Max Hastings, um historiador totalmente insuspeito de simpatias comunistas, escreve em Os Melhores Anos – Churchill 1940-1945: “Os aliados ocidentais nunca derrotaram os principais exércitos alemães – apenas auxiliaram os russos a destruí-los.”

E mais perturbador ainda: “Não obstante todo o entusiasmo de George Marshall e dos seus colegas com a invasão da Europa, continua a ser impossível acreditar que os Estados Unidos estariam dispostos – como a Grã-Bretanha não estava – a aceitar milhões de baixas para desempenhar o papel de desgaste do Exército Vermelho em Estalinegrado, em Kursk, e em 100 outros banhos de sangue de menores dimensões entre 1942 e 1945.”

E, por fim, “Roosevelt e Churchill tinham a satisfação da superioridade moral sobre Estaline mas é difícil contestar a pretensão do senhor da guerra soviético a ser chamado arquitecto da vitória”.

Uma das explicações para esta superioridade no combate dos soviéticos é que não havia opinião pública na URSS para contestar a morte de soldados em massa, ao contrário do que se passava nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha.

O presente – a invasão da Ucrânia pela Rússia – intrometeu-se na homenagem ao passado, transformando as comemorações do Dia D num dia de combate à Rússia. Sem deixar de concordar que todos os dias devem ser de combate à Rússia e apoio a Kiev, o apagar da União Soviética da fotografia da vitória na II Guerra é replicar no Ocidente os métodos de Estaline.

A França, que organizou a comemoração dos 80 anos do Dia D, decidiu não convidar Putin (que, por acaso, esteve presente nos 70 anos, já depois de anexada a Crimeia). Mas queria convidar alguns representantes russos, herdeiros dos homens que ajudaram a combater o nazismo. A Casa Branca e o Reino Unido fizeram saber a sua discordância. A França recuou.

A organização das comemorações, Mission Libération, chegou a escrever em comunicado: “Contrariamente ao Kremlin, a França não faz revisionismo político da história.” Também um deputado conservador britânico chamado Tobias Ellwood, que chegou a ser ministro da Defesa do Reino Unido – não obstante ser um dos maiores defensores do apoio ocidental à Ucrânia e de um maior investimento na defesa para auxiliar Kiev –, dizia ao jornal Politico em Maio que, se a Rússia não fosse convidada, corria-se o risco de “confundir a geopolítica de hoje com a união de objectivos para derrotar o nazismo no passado”.

Confundiu-se tudo. Procedeu-se ao revisionismo da história. Talvez o Dia D não seja história. Talvez nunca tenha existido. Talvez Estaline não tenha derrotado Hitler. As comemorações desta semana revelaram apenas a geopolítica do presente condimentada com geopsicologia política.


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21 pensamentos sobre “O dia em que um vencedor da II Guerra foi apagado da fotografia

  1. “Uma das explicações para esta superioridade no combate dos soviéticos é que não havia opinião pública na URSS para contestar a morte de soldados em massa, ao contrário do que se passava nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha.”

    A necessidade que uma opinadora cá deste lado tem de dar uma no cravo e outra na ferradura, para não correr o risco de ser ostracizada. Na terrível Rússia comunista comedora de crianças não havia opinião pública, por isso o canibal Estaline pôde mandar para a morte certa quase trinta milhões de soviéticos. Como se comportaria a opinião pública dos EUA e da sua colónia RU se os seus países tivessem sido invadidos e massacrados pelos nazis? Ter-se-iam rendido? É fácil tecer considerações morais sobre quando temos um mar a proteger-nos. Se a Inglaterra não fosse uma ilha, teria sido conquistada pelo hitler numa semana. E os eua em duas ou três, porque são maiores, não porque fossem mais valentes ou fortes. A Rússia fez com os nazis o mesmo ue tinha feito com as tropas napoleónicas: lutou pela sua sobrevivência. E ganhou. Se conhecessem um bocadinho mais de história, estes russófobos todos que por aí espumam de ódio não teriam sido tão decididos no apoio à Ucrânia, quando esse regime nazi e profundamente corrupto decidiu atacar os seus próprios cidadãos do leste, só porque estes queriam continuar a falar a sua língua de sempre, há dez anos.

  2. Ó incansável plagiador, podias ao menos disfarçar um pouco a cópia, mas, ao que parece, a ânsia de armar ao pingarelho com erudição alheia não te deixa tempo nem espaço para “pormenores”. Não tens mesmo um pingo de vergonha na cara?
    ________________________

    Cito:

    “quilômetros” (2×)

    “os russos se retiraram”

    “Moscou”

    “Polônia”

    “a Letônia (…), a Estônia”

    “o que pegou Stalin totalmente de surpresa”
    ________________________

    O que acima copy pastaste, escrito por um brasileiro, escreve-se, em português de Portugal, assim:

    “quilómetros”

    “os russos retiraram-se”

    “Moscovo”

    “Polónia”

    “a Letónia (…), a Estónia”

    “o que apanhou Estaline totalmente de surpresa”
    ________________________

    Que miséria moral, caraças!

  3. Bem,em junho de 1941, a Alemanha assinou um tratado de não-agressão com a Rússia… 2 anos depois resolveu atacá-la. Em outubro, os alemães chegaram a 40 quilômetros do Kremlin. A queda da Russia parecia inevitável. Mas a Russia resistiu.

    Em 1812, Napoleão invadiu a Rússia com uma força militar de 600.000 homens. Adotando a tática da “terra queimada”, os russos se retiraram, não deixando nada para o inimigo. Por fim, decidiram deixar uma cidade deserta para os franceses.
    Segundo alguns historiadores os próprios moscovitas incendiaram a cidade para que não caísse nas mãos dos franceses. Os franceses ficaram sem comida e sem nada .Os russos não deixaram sequer um único saco de farinha para o exército francês. Os franceses não tiveram outra alternativa senão partir de Moscou menos de seis semanas depois de a invadirem, e perderam praticamente todo o seu exército na retirada.

    Em 1939, a Alemanha era aliada da União Soviética, invadiu a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. Depois num espaço de um ano, a União Soviética anexou as últimas 4 das suas 15 repúblicas: a Letônia, a Lituânia, a Estônia e a Moldávia. Em junho de 1941, porém, a Alemanha lançou um forte ataque contra a União Soviética, o que pegou Stalin totalmente de surpresa.

    Em outubro, os alemães chegaram a 40 quilômetros do Kremlin. A queda da Russia parecia inevitável. Mas a Russia resistiu.

  4. E amiguinhos dos nazis era o que não faltava em todo o lado. Foi por saber isso que Rudolf Hess tentou a tal paz separada com a Grã Bretanha. Que lhes deixaria as mais livres contra a União Soviética.
    O problema foi que nem Churchill nem Hitler foram nisso.
    Pelo que o sujeito foi em cana até supostamente se enforcar, corria já o ano de 1986 quando contava 92 anos e já tinha os ossos tão podres que não andava sem ajuda.
    O que nunca ninguém explicou foi como é que um sujeito nessas condições fazia um no corredio a partir de uns fios eléctricos deixados muito a proposito por uns electricistas que lá tinham estado a fazer uns arranjos. E o pendurava com eficácia suficiente para a coisa aguentar com o seu peso, enfim.
    Os suicídios nas cadeias sempre me cheiraram a esturro mas esse sempre me cheirou a feijão queimado.

  5. Realmente o Rogeiro se não nascesse tinha de ser inventado. Tal como alguém disse de Israel.
    Ficamos a saber que ninguém deixou a Alemanha rearmar se ao arrepio do que lhe fora imposto pelas potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial.
    E deixaram justamente porque pensavam que mais tarde ou mais cedo Hitler avançaria contra a União Soviética.
    O que nunca lhes deve ter passado pela cabeca foi que os nazis avancariam e ocupariam quase toda a Europa Ocidental.
    Não se dando ao trabalho de invadir a Península Ibérica por saberem que podiam contar com o colaboracionismo dos regimes fascistas ibéricos.
    Sempre pensaram que o inimigo a destruir se situava a Leste.
    Dai o fechar os olhos ao rearmamento da Alemanha que deu no que deu.
    Se o Rogeiro não sabe isto não sei que lhe faça.
    Saber sabe so que é um aldrabão empedernido sem vergonha nenhuma no focinho. Podia era não nos comer por tontos.
    Qual foi a metralhadora, espingarda, peca de artilharia ou tanque de fabrico Soviético usados no ataque à França?
    Porra, ao menos mintam nos bem.
    Já agora, a burrice francesa de fazer uma linha de defesa, a Linha Maginot, só a guarnecer a fronteira com a Alemanha, esquecendo se de que a Alemanha poderia atacar cilindrando pequenos vizinhos como a Bélgica e usando o seu território foi determinante para a sua rápida derrota.
    Como todos aprendemos na escolinha no tempo em que não se andava a mudar a história para justificar as canalhces do presente.
    E já agora, mesmo que essa teoria estapafúrdia fosse verdade o que é que isso justifica que andemos a armar nazis contra a Rússia de hoje. São as tais comparações entre o olho do cu e a Torre de Beja.
    Efectivamente se houver algum motivo para esta repolhada toda além da falta de vergonha no focinho e tendência para a pilhagem também me esta a escapar.
    Vão ver se o mar dá choco.

  6. Desse senador da nação indispensável, farol da democracia e sei lá mais o que já não me espanto com nada do que dali venha.
    O homem tem realmente um aspecto porcino e até uma cor perigosamente parecida com a de um leitão.
    Bota porco nisso.

  7. Não tenho nada contra as opções de quem edita os textos. Quem é editor tem o direito de escolher o que publica.
    Na maior parte são textos de gente decente que também acredita que devíamos apostar em levantar cedo para trabalhar e não em sonhar com o regresso ao tempo do ouro e escravos em troca de pano ruim e contas de vidro.
    Quando aparecem outros cabe nos a nós a tarefa de meter o pau no traste que tenta justificar a nossa tendência para a pilhagem.
    Ou que até parecem estar a gozar com a nossa cara como o Seixas da Costa e a ideia que somos todos muito putos, honestos e não estamos em guerra com a Rússia lá por estarmos a armar nazis e a mandar para lá mercenários.
    Ou o MST com a sua teoria da crueldade russa que mereceu uma boa dose de pazada.
    E entre outros comentadeiros também houve alguns dos bons como o senhor fiscal que acabou por levar uma corrida em osso por desatar a insultar quem não achava gracinha nenhuma ao genocídio em Gaza.
    Já não era muito certo, mas aí passou se de vez.
    Mas estamos cá para isso.
    Para dizer, por exemplo, que essa senhora devia ir ver se o mar dá choco.

  8. A justificação da Estátua de Sal para a publicação do texto é anacrónica e apressada. O texto é fabricado a partir de uma posição pequeno burguesa e primária, sem nada de novo. Uma pura perda de tempo. Tanto assim é que o texto evita várias palavras que me proponho citar: colaboracionismo, capitalismo, calculismo ianqui, genocídio nazi. O que a jornalista escreveu qualquer pessoa informada sabe e as sérias referem-se a Estaline como o chefe que derrotou sem apelo nem agravo o nazismo capitalista da época. Tendo sofrido 28 milhões de mortos para que o país não desaparecesse, retirar de fotos imagens de traidores foi uma medida higiénica como o foram os campos de trabalho que eram prisões para os apátridas. Correu mal para a Estátua ou para quem a representou esta cena que, bem vistas as coisas, é ridícula por dizer respeito a um texto banal que pouca atenção merece.

  9. Infelizmente o revisionismo histórico não fica por aqui. Ainda ontem, o mais lídimo representante mediático da narrativa NATO, esse insigne jornalista que dá pelo nome de de N. Rogeiro veio inventar uma cena bem inteligente. Afirmou então o paladino dos “valores” que os nazis só conseguiram derrotar a França devido ao auxílio russo à Alemanha consubstanciado no “pacto de aço”. Bem me parecia que essa estrondosa vitória não se deveu ao laissez-faire ocidental nem à genial planificação alemã nem tão pouco à implementação da blitz krieg com que os generais franceses nunca tinham sonhado, atolados como estavam nas concepções estáticas da I Guerra. E depois ainda se queixam que o jornalismo está em crise. Pudera!!!

  10. Pois, a célebre fotografia que foi exibida por todo o lado para nos convencer também que o homem não podia ser muito certo em contas de cabeça como se para ser certo em contas de cabeça não tivéssemos direito a estar em tronco nu quando o calor está de porco.
    Afinal de contas, o homem estava fora de uma localidade e não a tentar entrar num supermercado naquela figura. Podia estar em calçoes de banho que era igual.
    Aliás, também foi filmado em calções de banho num dia em que foi a agua com uns 20 graus abaixo de 0. Ai foi a prova provada que o homem so podia ser doido.
    Eu vou lavar as banhas, ou o que resta delas depois da vacina da covid o ano todo, excepto quando há trovoada que não quero arriscar um raio pelos cornos abaixo especialmente dentro de água. E levo o mesmo tipo de diagnóstico como se quando lá vou em Janeiro fosse com o bestunto deles. Obrigadinho pela parte que me toca.
    Porque o diagnóstico em psiquiatra sem consultar o possível doente foi o primeiro lançado contra o dirigente russo.
    O de cancro, de sangue ou de algures na barriga só começou mais tarde. Até se dizia que a tal mesa de 30 metros onde o Macron teve de sentar o cu era para esconder um grande inchaço na panca.
    E também li claramente lido que as imagens onde ele aparecia mais de 20 minutos eram editadas pois que o homem precisava de tratamento a um cancro de sangue já nas últimas.
    Em Maio de 2022 um jornal, uma publicação, já não sei qual foi, garantia que Putin, que dias antes tinha feito o discurso do dia da vitória sobre a Alemanha Nazi estava terminal com cancro.
    Nesse tempo, no meu serviço, a histeria era mais que muita pelo que quando uma colega se salta com essa, foi a 13 de Maio no mesmo dia em que o João Rendeiro alegadamente se enforcou, salta outro “hoje e só boas notícias”.
    Refreando a vontade de mandar os dois ir ver se o mar dá choco lá fui dizendo com todo o sossego que quem estivesse mesmo já a entregar a alma ao criador por via do cancro estaria no hospital e não a dar um discurso relativamente longo quatro dias antes.

    Mas enfim, já os nazis reconheciam que aqueles pretos das Neves, aqueles subhumanos, tinham uma resistência sobrehumana.
    E deve ser por isso que o homem conseguiu agora dar uma conferência de imprensa de mais de três horas sem manifestar mais decadência física que qualquer homem na sua idade. Já para não falar de nenhum vestígio de desarranjo mental.
    Ou isso ou aquilo que é mais lógico. Que ainda por cima estes bandalhos nunca nos disseram uma verdade sobre a grossa alhada em que nos meteram.
    Quanto a tal fotografia do lombo do cavalo e do lombo do dono do cavalo também pretendia mostrar aos russos a loucura do seu dirigente. A coisa foi contraproducente e os donos dos ginásios agradeceram. Garantiam muitos que nunca tinham tido tantas inscricoes de malta que dizia que queria ter um corpicho daqueles.
    O que causava estranheza do lado de cá. Tinham mesmo de ser uns selvagens esses russos para os senhores quererem ser iguais e as senhoras darem gritinhos. Como é que não viam que era a prova provada que o homem era doido.
    E quanto a nossa necessidade de apoiar um regime cuja diferença com a Alemanha Nazi e só de escala e falta de capacidade bélica, mesmo com as nossas armas maravilhas de causar o estrago que as tropas de Hitler causaram na União Soviética, vão ver se o mar dá choco.
    E sim, Herr Zelensky não teve de penar para chegar ao poder como Hitler teve. Nem teria estaleca para isso.

  11. Herr Zelensky von Pandora Papers não passa de um palhaço e de um cobarde. Foi eleito com 73% dos votos graças a duas promessas: lutar contra a corrupção na Ucrânia e acabar com a guerra no Donbass. Um tipo que já nessa altura, como soubemos pelos Pandora Papers muito antes da invasão russa, tinha criado, com a mulher e amigos, várias offshores para fugir ao fisco no seu país e adquirir imobiliário de luxo no estrangeiro (só em Londres são três apartamentos) vai lutar contra a corrupção em que planeta? Quanto a acabar com a guerra no Donbass, admitindo que a intenção era sincera, meteu-a na gaveta quando os nazis que já nessa época (2019) dominavam as forças armadas e de segurança lhe disseram, preto no branco, que lhe limpariam o sebo se insistisse. Uma deputada do Parlamento de então chegou a ameaçá-lo no Twitter, sem qualquer camuflagem, que a “extravagância” lhe valeria um tiro nos cornos.

    Herr Zelensky von Pandora Papers é, além disso, um boneco a quem agências de relações públicas ocidentais para tal contratadas e pagas a peso de ouro, principalmente americanas, moldaram uma imagem que nos enfiam diariamente pela goela abaixo até ao enjoo, para facilitar a venda do “produto”. Um jornalista americano, há dois anos, contabilizou mais de 130 dessas agências, enxameando todos os departamentos estatais e governamentais daquele desgraçado país. É claro que a imagem do pirilau pianista, como cabeça de cartaz, recebeu atenção acrescida. Sou dos que ainda se lembram de anos a fio e milhares de imagens a gozar com o Putin porque foi filmado uma ou duas vezes em tronco nu, no lombo de um cavalo. De acordo com a propaganda com que nos martelaram subliminarmente a moleirinha durante anos, era a prova de uma “masculinidade tóxica” apenas tolerada nas terras incivilizadas dos pretos das neves, uns rústicos indignos da sofisticação ocidental. Imaginem se o Putin, em vez de ser filmado uma ou duas vezes de peitaça à mostra, em cima de um corcel, andasse há mais de dois anos a martelar-nos a retina com a ridícula e patética exibição permanente daqueles roliços bracinhos nus que Herr Zelensky mostra, pretendendo passar por musculatura viril de um chefe militar de excepção, a barrotar de coragem e capacidade bélica. O gozo não pararia por um segundo, teríamos horas a fio, programas inteiros a ridicularizar “o senhor do Kremlin”, como a criadagem gosta de lhe chamar. E reparem na pose permanente, no andar exageradamente gingão, no modo ridículo e coreografado até ao milímetro como os bracinhos gordinhos do palhacito se balançam ao lado do corpo enquanto anda, tentando acentuar a imagem viril. Insisto: se o Putin fosse filmado desse modo, uma vez que fosse, nunca mais o ridículo o largaria nas ocidentais praias merdiáticas. Pois este palhaço exibe-se assim todos os dias, porque lhe dizem que tem de o fazer, e a criadagem europeia do império excita-se e ejacula pelos olhos, ouvidos e rabinho quase até à desidratação, não se coibindo até de lhe agarrar e afagar carinhosamente os bíceps, como recentemente, para nossa vergonha, fez o beijoqueiro-mor de Belém (outro palhaço), quando o recebeu no aeroporto. Diga-se de passagem que António Costa fez coisa parecida, apenas um pouco menos sexualizada, quando foi ao beija-mão a Kiev. Ai aqueles bracinhos, já estou todo molhadinho!

    E a testa do bicho? Já alguém reparou que o cretino faz (ou fazem-lhe) diariamente a “barba” a uma parte da cornadura, para reduzir o tamanho das patilhas e ficar com uma testa e “entradas” maiores? Experimentem fazer screenshots do lado direito da mona, por exemplo, e é impossível não repararem numa zona rapada, mais escura, na parte da frente da patilha, que, possivelmente, só deixaria de ser perceptível com uma dolorosa depilação. Obviamente, para manter invariável a imagem do “produto”, o desgraçado tem de fazer a barba à testa todos os dias, porque senão a coisa notava-se mais. Ora acontece que as patilhas originais do homem nada têm de mais, de esteticamente desagradável, são (ou seriam) perfeitamente normais. Para o palhaço Zelensky e seus patrocinadores, porém, o pobre homúnculo não passa de um “produto” e a imagem criada, retocada até ao enjoo, é tudo. Alguém, acima dele, decidiu no início da operação de marketing que era assim e agora têm de manter a palhaçada cosmética até ao fim. Não sei quantas horas diárias são precisas, mas não serão, certamente, menos de uma ou duas.

    Pois é, pessoal, se é verdade que o ridículo mata, é bem possível que o pirilau pianista seja o ridículo que nos vai matar a todos.

  12. O meio compromisso com a verdade que a articulista do Público aqui manifesta deixa-me preocupada, mas não espantada. Explico melhor, reconhece que é vergonhoso tentar reescrever a história, apagando a Rússia da fotografia, mas depois insiste que tal nada tem a ver com a necessidade de combater a Rússia todos os dias e apoiar a Ucrânia incondicionalmente. E não me espanta por varias razoes – algumas abstenho-me aqui de mencionar – que tem a ver com o facto de a liberdade de expressão de pensamento estar muito contaminada pela opinião main stream – a opinião pública que, como ela bem deve saber, é a opinião publicada – que também deve sabe por quem é publicada!
    De qualquer modo, é esse condicionamento exercido pelo main stream que nos leva a colocar reservas e à auto censura quando sentimos que dele nos estamos a afastar. Tal é nítido quando se começam frases desta maneira: eu até nem gosto do Putin, não é flor que se cheire, mas la que foi empurrado para o conflito pelos norte americanos lá isso foi! Como quando um antigo ministro socialista, numa manobra de lógica binária tipicamente reducionista, afirmava: bem há um invasor e um invadido, não é?!
    Que um qualquer mortal, o ‘Zé dos anzois’, chamemos-lhe assim, pense de tal maneira, ainda percebo, teve de pescar e faltar à escola porque não lhe foi dada outra oportunidade – ‘é preciso viver primeiro e só depois se pode filosofar’. Mas um ministro? Uma jornalista? O que é que andaram a fazer estes anos todos? A que pesca se dedicaram tão absorvente que os inibiu de aprender o bê– á- bá da politica? Não sabem que os acontecimentos históricos não podem ser isolados do contexto em que ocorrem? Não sabem que para compreender o presente é preciso conhecer o passado? Estranho!
    Será que o ínclito ministro, a ilustre jornalista e muita, muita gente igualmente culta, respeitável, bem falante, têm em comum o “não terem realmente nenhuma vergonha no focinho”. Custa-me a crer, deve haver outra qualquer razão que de momento me está a escapar.

  13. Também ia perguntar isso e dizer que a senhora devia era ir ver se o mar dá megalodonte.
    Combate a Rússia? Va ela combater ao lado dos novos nazistas e que lhe faça bom proveito.
    E claro que a opinião pública russa não se opunha a morte em massa de soldados e a culpa não era só do Estaline ser muito mau.
    Era também de as pessoas saberem que os nazis moviam contra os “sub humanos” uma guerra de extermínio puro e simples ao contrário do que acontecia na frente ocidental em que se pretendia efectivamente destruir os judeus mas o resto da população não tinha de temer o extermínio puro e simples.
    Podia ser uma vida de escravos, a beirar a indigência, mas sempre era vida.
    Agora na União Soviética localidade onde entrassem era destruída e a população morta sem espinhas.
    E quem visse a aldeia arrasada e os corpos violados, fuzilados e queimados dos seus habitantes só não iria combater aquele terror de não tivesse bracos nem pernas.
    Porque os bandidos calculavam que só precisariam manter vivos uns milhões que iriam sendo mortos a medida que as heróicas parideiras arianas fossem produzindo gente para ocupar o “espaço vital”.
    E vendo se a braços com uma guerra de extermínio, claro que as pessoas estavam dispostas a puder quantos soldados fossem precisos para derrotar quem queria simplesmente extermina Los.
    Hoje os russos passam pelo mesmo. Só que desta vez temos toda a Europa Ocidental a apoiar os nazis que têm em Stepan Bandera o seu herói.
    Porque temos a mesma mentalidade de pilhantes e vergonha no focinho não temos nenhuma.

  14. Ai a França queria, era? Convidar a Rússia… a ir à Normandiazinha, a Francinha… queria, batatinhas com enguias, os EUA/Inglaterra cagavam e tu comias…
    Ridicule!
    A ser assim como vem no texto, quando nem o “estado anfitrião” de uma cerimónia consegue impôr a sua visão e tem liberdade para convidar para “sua casa” quem bem entende, penso que se percebe o calibre do senhor Micron… agora tem-lhe dado para ser mais fascizóide e militarista que a Le Pen, armado em galaró de capoeira, o problema é que as pessoas preferem sempre o original à cópia, e é por isso que digo, quanto mais se encostam à mundivisão da extrema-direita, mais lhe caem nos braços (em França, como na Alemanha, como na Áustria, como em Itália, etc). O problema é que é a tendência (muito influenciada por quem controla a divulgação, os tempos de antena e os conteúdos da Comunicação Social europeia e ocidental, importando artificialmente modelos políticos que são transfigurados para fazer do que é o que não parece ser) e os políticos vivem para o presente e para o ganho imediato, quando acordarem mais à frente pode ser que seja tarde e se percebam os defeitos de toda esta deriva e alienação (que de woke e comuna nada têm).

    Outra coisa ridícula, nem uma palavra para a cooptação de nazis para os quadros das potências ocidentais e suas coligações militares, políticas, etc (NATO, por exemplo), e da propaganda Goebbeliana que se constitui a manipulação da realidade histórica para encenações militaristas que ultrapassam evocações e partilhas de memória, desfigurando-as. Só isso explica muita coisa…

    Não me causa confusão que convidem o grande derrotado (a Alemanha), a guerra acabou, e a Pax Americana a todos os satélites submete (nem na sabotagem recente do Nordstream piaram, vão agora recusar-se a participar na cerimónia do dia D onde se enaltece a acção americana em território europeu, francês, que estava ocupado pelos nazis alemães e foi libertado?), mas fazer do Zelenski um destaque, como se lá tivesse ido em lugar da Rússia (aquelas jogadas de marketing e propaganda para pategos, na verdade com laivos de psyop e lavagem cerebral), como se fosse uma mascote (qualquer dia está a fazer anúncios para a Pizza Hut como o Gorbatchov)…

    “Onde pára a democracia?”, dava um bom título para um documentário sobre a actualidade ucraniana. E Hitler também começou por promulgar leis segregacionistas, raciais, identitárias, linguísticas… a diferença é que esse sempre disse ao que vinha, mesmo que com nuances. O Zelensky não, prometia o contrário. Que não ia dividir o país, que havia que respeitar todas as etnias, sobretudo proteger a sua expressão cultural, linguística, social… isso foram as suas promessas de campanha, transpostas da personagegem que representava quando era um protagonista de uma série de TV e interpretava o papel de um político que se tornava líder da nação, e aproveitando a boleia da popularidade televisiva que tinha, uma espécie de político ideal, não filiado nem comprometido com os partidos de poder habituais, um vencedor inesperado, herói do povo e salvador da pátria.
    Alguma semelhança com a realidade é mesmo pura coincidência.

    • Concluindo este meu fio de raciocínio, e tendo em conta todas as diferenças entre as duas realidades históricas, os dois países, os dois líderes políticos, os contextos diversos, a verdade é que Hitler, seguindo a sua linha de rumo, penou bastante, tentou golpes, foi preso, foi reabilitado, foi “encaminhado” (ou protegido), e acabou a ser aprovado e aclamado por grandes massas de germânicos não escondendo ao que ia. Demorou para lá chegar, quando chegou por lá ficou e aguentou-se 12 anos. Primeiro tentou (re)construir o Estado, o seu aparelho, as suas instituições, o exército, a capacidade industrial, científica (nem sempre de forma ortodoxa ou convencional), depois lançou-se ao ataque para ampliar o Lebensraum, na frente oriental e na frente ocidental, para norte e para sul, lançando os dados para a imposição do seu “milénio do III Reich”, que afinal em 12 anos (1933-1945) ficou feito em fanicos. Mas ainda durou uma dúzia de aninhos, mais ou menos os mesmos que levou a lá chegar desde que se propôs a ser o Fürher.
      Isto para estabelecer uma comparação com Zelensky, que foi eleito, como escrevi atrás, na crista da onda da sua popularidade televisiva, emulando o seu papel na série de TV de um cidadão comum que ascendeu a líder político da Ucrânia, um salvador da pátria do povo, só passou pela fase do “encaminhado” ou protegido, não teve de tentar golpes, não teve de ser preso e reabilitado, era um artista de variedades, ganhou popularidade num papel de ficção feito por medida que foi transposto para a realidade e foi aclamado como chefe de estado.
      Ou seja, com a mesma ambição de liderar o seu país, a diferença é que rapidamente, na sua transição para a política, ascendeu ao poder, sendo eleito à primeira (não precisou de tentativas e de muito esforço ou sofrimento para lá chegar), e foi a prometer um mar de rosas para toda a gente, incluindo a população russófona e russófila. Também rapidamente o seu “paraíso ucraniano”, muito mais propagandístico e ficcional que outra coisa, se desfez. A sua prática política, além do discurso, contrariaram as promessas eleitorais prontamente, que apenas serviram para o propósito de alcançar o maior número de votos, conseguindo falar para todos os grupos étnicos (a propósito, a série de TV onde Zelensky “estrelava” era russófona, também com o propósito de alcançar a maior audiência possível). “Valores mais altos” se levantaram…
      Mas o tempo de Zelensky no poder trouxe pouco desenvolvimento real à Ucrânia (acredito que as negociatas tenham disparado, nacionais e transnacionais, e muita oligarquia, incluindo a que patrocinava Zelensky, engordou bastante com ele nos primeiros tempos, tal como o próprio). O que interessa aqui é o tempo em que a ilusão de grandeza, unidade nacional, prosperidade e demais sucessos prometidos levou a desfazer-se e a mostrar um país em apuros, em sarilhos sérios, dividido, quebrado, em guerra civil, corrupto, em colapso político e social, com milhões de emigrantes, deslocados, feridos e mortos. Foi num “pulinho”, Agora as coisas estão muito mais complicadas naquele país, por muitos biliões em tanques e bazucas e cheques e aeronaves e drones que recebam, e as instituições estão de pantanas, já nem sequer há eleições, o que não deixa de ser um sinal. A pergunta que deixo é, quanto mais tempo para o colapso final do regime actual encabeçado por um artista de variedades que teve toda a facilidade em ascender ao poder mas parece não ter especial talento para dirigir e desenvolver o seu país, ao contrário do que dizia e fazia na TV?
      Um populista aparentemente inofensivo e ingénuo, cavalgando a sua celebridade mediática, e com o discurso da Miss Universo pode ser tão perigoso para um país como o demagogo mais irascível, belicista e xenófobo, que diz ao que vem, mesmo que alguns não lhe dêem crédito e pensem que é só garganta. Se calhar até é mais perigoso e auto-destrutivo, mais rapidamente (para terminar com as comparações, a Alemanha Nazi acabou dividida, a Ucrânia do Zelensky, já depois da anexação da Crimeia em 2014, dividida já está, se bem que ele lá se aguenta ao fim de 2 anos e pouco da Operação Militar russa. às custas de rios de dinheiro que lá vão desaguar).

      • Já não havia partidos de oposição, pois Zelensky suspendeu e ilegalizou todos os que não lhe dizem “amén”, por isso o facto de não haver eleições é apenas o culminar desse processo.
        Quanto à série de Zelensky, em russo, será que a televisão ucraniana (que está centralizada e submetida ao controlo do estado) a passaria hoje? Primeiro, o Zelensky de faz de conta, cidadão comum puro e inocente que lá aparecia a subir na vida até ser chefe de Estado é completamente dissonante do real e actual. Depois, sendo a série em russo, e estando a russofonia impedida na rádio-televisão ucraniana, seria engraçado ver o que diria Zelensky do assunto. Permitiria ele que o seu sósia ficcional tivesse tempo de antena a falar russo? Ou censuraria o herói popular original que representou e o fez tornar-se o que se tornou?
        Por último, a reengenharia social de Hitler estava programada (pelo menos nas suas linhas gerais, depois Eichmann e Speer e outros trataram dos pormenores logísticos e operacionais, e arranjaram a “solução final”) e fazia parte do seu discurso (eliminar os judeus, os ciganos, os comunistas, os doentes mentais, os “deficientes”, os homossexuais, etc, purgar a sociedade dos fracos, promover o “arianismo” e a raça nórdica e germânica, escravizando as restantes que não fossem exterminadas).
        Zelensky não foi eleito com base num discurso e programa políticos semelhantes, nem de perto. Foi eleito a promover o contrário, mas uma vez eleito as promessas tornaram-se obsoletas, o controlo da sociedade e a sua reengenharia não são as mesmas do contexto da Alemanha na primeira metade do século XX, mas existem “actores”, os verdadeiros detentores do poder financeiro, militar e político (os herdeiros de Bandera, por exemplo), e ideólogos e corporações às quais interessam toda essa reengenharia social na Ucrânia, que passava por purgar ou pelo menos submeter a população russófila para eliminar toda e qualquer presença ou influência russa, e para isso foram mobilizados os batalhões milicianos neo-nazis Aidar, Dnipro, Tornado, Azov, Kraken, etc, (acompanhados por mercenários estrangeiros de várias origens,) que posteriormente foram integrados no Exército Ucraniano. E esses não pediam “com licença” quando iam fazer “limpezas” na Ucrânia dos outros, que eles queriam toda só para si.
        O resultado de tudo isto é a Ucrânia despedaçada, e não me venham dizer que a culpa é toda e só do Putin, e que o Presidente da Ucrânia não é responsável por nada, é um político exemplar, pobre vítima das circunstâncias, afinal só estava a brincar aos artistas de variedades que se tornam “eminentes estadistas”.

  15. Diz a senhora que ‘sem deixar de concordar que todos os dias devem ser de combate à Rússia e apoio a Kiev’…
    Qual a diferença entre o atual regime de Kiev e o da Alemanha nazi de outrora? Poderá a articulista do Público explicar-nos?

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