(Giorgio Agamben, in Resistir, 27/05/2024)

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É provável que muito poucos dos que vão votar nas eleições europeias se tenham interrogado sobre o significado político do seu gesto. Uma vez que são chamados a eleger um “parlamento europeu” indefinido, podem acreditar, mais ou menos de boa fé, que estão a fazer algo que corresponde à eleição dos parlamentos dos países de que são cidadãos.
Ler artigo completo aqui.
Na UE o pouco ou nada que riscamos é nestas eleições, que servem para eleger um conjunto de deputados correspondente ao peso demográfico do país no todo dos países membros, pelo que a representatividade é diluída, quase toda assimilada pelos grandes grupos partidários do Parlamento Europeu.
Quanto à censura da RT e Sputnik, no meu caso pessoal (que não trabalho com “credíveis” empresas de sondagens ou telemarketing), via tanto ou tão pouco antes como passei a ver depois, aliás, provavelmente ainda passei a ver mais, mas só quando me deparo com excertos de propaganda russa que os propagandistas do lado de cá usam para alimentar a polémica e puxar o foco para o belicismo, não se lembrando que eles próprios fornecem material (e não é pouco, dado serem tantos e tão prolíficos) aos propagandistas russos para fazer clips do ridículo e publicar nas redes sociais.
Portanto, é provável que até tenha visto mais conteúdos da RT e da Sputnik e mais não sei o quê depois da censura (não só absurda, como reveladora) decretada pela Comissão Europeia.
Acredito que haja outras perspectivas sobre o assunto, cada um vê ou não vê o que entende, mas a censura é inequivocamente um sinal de obsessão pelo domínio do discurso e da narrativa e temor pelo contraditório de outras fontes, e tem havido paralelismos a vários níveis de discurso e imagem oficiais (o dia da Europa “versus” o dia da Vitória, por exemplo), por vezes até confrangedores, no entanto até gostava de ver mais conteúdos documentais russos sobre a Rússia, a Sibéria, o Kamchatka, etc…
Tenho que começar a ver, quando tiver mais tempo, a grelha de programação em cirílico… se precisar de ajuda peço ao senhor capelão para me ajudar a traduzir.
Bom comentário. 🙂
A Inglaterra saiu da União europeia para delirar sozinha com a ameaça russa. Vêem russos em todo o lago e aposto que um em cada cinco britânicos já viu o Putin montado num urso.
Claro que o resto do mundo vê a RT. Porque raio é que no resto do mundo iam deixar de ver um canal lá porque foi proibido no Ocidente?
O tempo em que as nossas opções e o nosso modo de vida eram atractivos para o resto do mundo acabou.
Se calhar teria sido diferente se não os tivéssemos andado a explorar, a apoiar regimes corruptos e ditaduras nefastas. Assim, é como é.
Os teus paralelismos são mais oblíquos e divergentes que as rajadas do Rambo quando vai ajudar os mujahideen a expulsar as forças invasoras soviéticas… sempre a disparar para todo o lado, montado no seu cavalo branco, até bazucadas à von der Leyen!
Agora, voltando à realidade do artigo, que fala sobre o Tratado Europeu e o problema da Constituição Europeia, só gostava de relembrar aos mais esquecidos que o Reino Unido já não faz parte da UE. Isso é que ressalta, eles saltaram e puseram-se ao fresco, com as suas libras e o seu império e o seu chá.
O resto é o visionário que não distingue uma linha de chamada da linha do horizonte (não confundir com a do Oriente, que isso é no metropolitano de Lisboa).
https://fr.sputniknews.africa/20240528/sputnik-et-rt-sont-plus-diffuses-que-les-medias-occidentaux-alertent-des-documents-britanniques-1066773026.html
“Na Grã-Bretanha, existe a preocupação de que o Sputnik e a RT sejam mais amplamente distribuídos do que os meios de comunicação ocidentais. Uma observação que emerge de documentos publicados no site do Parlamento Britânico.
“Hoje, a RT e a Sputnik são transmitidas para todo o mundo… O alcance global das operações internacionais dos meios de comunicação russos é indiscutivelmente maior do que o dos meios de comunicação ocidentais”, diz um documento.
A fonte observa ainda que a Sputnik e a RT “continuam a exercer influência”, apesar da proibição da sua transmissão no Ocidente devido à eclosão do conflito na Ucrânia.” (tradução automática)
A diabolização saiu pela culatra. Cada um lê e decide por si.
‘Mutatis mutandis’, aplica-se ao verborreico mastim-raivoso, que por aqui destila os 2 minutos do ódio, repetindo dia após dia o mesmo discurso.
O efeito da proibição dos ‘media’ russos pode ser medido e quem não é burro, acaba por chegar à conclusão de que erraram e que o tiro tem que ser corrigido.
A mesma capacidade de análise não parece existir no seio da esquerda-tradicional, daí baterem palmas a este discurso raivoso. Bem dito! Apoiado! Vai para destaque! As consequências estão à vista.
Se os leitores-ouvintes-espetadores (ah ah ah ah gosto desta do espeto) não se deixaram enrolar com a diabolização dos ‘media’ russos, porque se haviam de deixar enrolar com a diabolização do discurso da direita?
Tal como, cada medida tomada contra os ‘medias’ russos é um incentivo para ler o que a fonte proibida diz, também esta sanha raivosa só pode ter como efeito, ir conhecer a alternativa ao fim de 50 anos de “amanhãs risonhos…”