Alguma água na fervura dos resultados eleitorais

(Vicente Ferreira, in Blog Ladrões de Bicicletas, 18/03/2024)

Uma semana depois das eleições legislativas, este título pode parecer estranho. Embora ainda faltem contar os votos dos emigrantes, com a derrota do PS e o aumento da votação da direita, tudo indica que teremos um governo liderado pelo PSD e apoiado pela IL e pelo CH…

Continuar a ler o artigo aqui.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

9 pensamentos sobre “Alguma água na fervura dos resultados eleitorais

  1. Coitadinhos dos portugueses empurrados para a extrema direita pela arrogância dos partidos que não dizem que a culpa do buraco da camada de ozono é dos ciganos e a culpa dos patrões portugueses não gostarem de pagar salários desde o tempo em que nem o Diabo para cá queria vir e mesmo dos desgraçados que fogem a fome peste e guerra das suas terras para aqui encontrar grunhos capazes de os espancar até à morte, os fazer engolir fumo de tubo de escape e até matar a tiro estando o desgraçado dentro de casa.
    Realmente eu tenho uma pena da cambada de grunhos e racistas que foi votar no Chega que esta noite já nem durmo.

  2. E esta é a realidade que os partidos que estiveram até hoje no poder criaram, pela qual são responsáveis.

    A estratégia do voto útil resultou no reforço da extrema direita! E de quem é a responsabilidade?

    Foi a arrogância sobretudo do PS e de parte da intelectualidade burguesa, dita de esquerda, cujas análises  se fazem mais a partir das suas barrigas do que do cérebro, que empurraram os portugueses para posições que, à primeira leitura,  se apresentam como irracionais.

  3. Sinceramente, ainda não compreendi tão complexas análises político-sociológicas sobre os resultados do Chega, quando tudo me parece tão simples de explicar:
    Votaram no Chega os saudosistas do 24 de abril, que se abstinham ou, à falta de melhor, votavam num CDS ou PSD, mais os «chateados» com os partidos do «Arco do Poder», uns, por eles não fazerem o que deviam, como baixar impostos, outros por fazerem o que não deviam, como acabar com o tradicional matança do porco, que agora só em mataduros certificados!

  4. Se o homem não tivesse ganho popularidade com a gestão da pandemia não teria havido maioria absoluta e se calhar até tínhamos levado com a direita pelos cornos abaixo logo em 2022.
    Tenho muitas críticas ao modo como a pandemia foi gerida aqui e em todo o lado, nomeadanente com a politica de terror e a pressão para meter mos no corpo um veneno. Cartazes nas ruas a mostrar velhos entubados e a legenda “dois metros de distância podiam ajudado a evitar tudo isto” lançando a culpa sobre as famílias que perderam gente para a covid foi o grau 0 da infâmia. Serviços públicos a pressionar funcionários para se irem vacinar, quando nada na Constituição é na lei o permitiam foi o grau 0 da infâmia. Fechar os olhos às empresas que fizeram outro tanto foi o grau 0 da infâmia.
    Mas as pessoas achavam que era assim que devia ser e eu até levei um xingamento de Bolsonaro de um colega insuspeito por dizer que não ia dar terceira dose porra nenhuma.
    Portanto a percepção que, toda a gente tinha era de que tudo estava bem.
    A outros níveis, nomeadanente económicos, a percepção que toda a gente teve foi que se fosse a direita a estar lá aproveitaria logo para descer salários e outras aleivosias semelhantes com a desculpa do forte abrandamento económico.
    E nem metade dos que foram considerados elegíveis teria direito a qualquer apoio, isso era garantido.
    E foi essa também a minha percepção porque não me esqueci do ir além da troika. Era o que toda, a gente dizia, “se lá estivesse o Coelho…”.
    A popularidade foi se esvaindo efectivamente com a erosão provocada por certos tiques de quero, posso e mando, uma tentação vulgar em maiorias absolutas seja quem lá estiver ou já te esqueceste do “homem do leme” e os casos ampliados ate a exaustão por uma comunicação social a soldo.
    Qualquer partido perderia votos, e muitos, com a campanha suja que se fez nas televisões e redes sociais que só não vou quem não quis.
    Também podemos assacar a coisa a falta de dotes oratórios de Pedro Nuno Santos contra quem tem a labia de um vendedor de automóveis.
    Mas com a comunicação social a entrar na campanha o combate foi mesmo desigual e não ter sido pior ainda já foi uma surpresa.
    Podemos fazer as leituras que quisermos especialmente se os resultados nos agradarem e nos quisermos convencer que o jogo foi limpo.
    Mas a popularidade existiu,
    a campanha suja existiu e a brasileirada digna de república das bananas existiu. O resto é conversa. E aguentar mais quatro anos de chumbo.

  5. Ora bem! Vejamos!
    Diz o autor: ” A popularidade ganha com a gestão da pandemia perdeu-se com a maioria absoluta … ” onde e como, é que ele terá medido esta popularidade? Com a “maioria absoluta”‘? Parece que a popularidade tinha pés de barro.

  6. Então, porque isto vai tão mal assim?

    As escolhas económicas estão na origem da grande maioria dos nossos males, enquanto o dinheiro é apenas uma ferramenta que nos poderia permitir fazer grandes coisas colectivamente. Cada um de nós deveria fazer um exame de consciência para saber porque é que as coisas são como são e perguntar-se se isso é realmente um dado adquirido!

    Contrariamente à crença popular, não existe uma única forma certa ou errada de fazer economia. Trata-se de fazer escolhas, escolher prioridades, com vencedores e vencidos.

    Uma economia de base é algo muito simples.
    Todos participam na construção do pote comum, que é redistribuído entre todos, com pelo menos um meio de vida CONVENCIONAL. Depois, distribuir de acordo com as competências reais e manter uma forma de hierarquia FUNCIONAL e não de DOMINÂNCIA. Depois, acrescentar um imposto degressivo para a distribuição, ou seja, para o que se chama “BENS PÚBLICOS”, ou seja, os TÍTULOS PÚBLICOS. E quando for necessário tomar decisões para financiar um bem comum mais substancial, deve haver consulta e votação entre os “FAZEDORES DO POTENCIAL COMUM” … SIMPLESMENTE DEMOCRACIA !!!
    Esta é a base, porque a economia não significa viver do trabalho do vizinho, mas sim poupar dinheiro para distribuir a produção de acordo com os caprichos da vida (clima, etc.) e não os delírios ECONÓMICOS / GUERREIROS da minoria de “DOENTES MENTAIS” da nossa espécie que, ao fazer-nos acreditar que eram a ELITE, tomaram o leme do manicómio .

    O altruísmo dos nossos governos em relação a certos países, a submissão ao Tio Sam, a destruição voluntária e programada dos nossos porta-estandartes industriais, o saque das nossas forças de produção, a deslocalização para obter cada vez mais lucros, a teoria do trickle-down, a evasão fiscal, a clarividência dos nossos vários brilhantes ministros da economia e das finanças ( é sem dúvida o melhor), a estratégia de contenção para evitar a erradicação da raça humana por uma das mais terríveis pandemias conhecidas pela humanidade, a financeirização da economia e a globalização… etc, etc . O darwinismo social está em marcha, e só os mais ricos e os mais corruptos sobreviverão. Portugueses, alegrem-se, pelo menos conhecem o guião do nosso futuro: “1984”.

    A consequência pretendida é que será mais difícil alterar esta norma se amanhã outros decidirem alterá-la. Pois bem, o mesmo se passa com a criação de valor ou de dívida: para mudar as regras, pode tratar-se apenas de uma norma política, mas será sempre necessário um amplo consenso para a mudar. Mas na sociedade actual, onde as classes minoritárias detêm todo o poder (e os dividendos das várias crises), não há razão para que mudem as regras que as beneficiam. Os fundamentos que fizeram o sucesso das nossas sociedades serão a nossa ruína: tal como Veneza, somos um torrão que se afunda na lama e que se vê morrer sem poder fazer nada.

    O liberalismo não resiste a espremer tudo o que é possível (os salários em primeiro lugar) para maximizar a taxa marginal de rendibilidade do capital. Esta falta de sabedoria equivale a uma loucura auto-destrutiva. Em Portugal, a massa monetária das famílias é hoje demasiado baixa, criando uma “isquémia financeira” que se estende lenta mas seguramente a toda a esfera económica. A inflação provocou uma forte erosão dos salários (que não acompanharam o ritmo). Logicamente, o consumo das famílias e o investimento privado vão entrar em colapso, o que leva a uma cascata de falências em todos os sectores, em resultado da “necrose financeira”. As medidas de austeridade vão agravar o empobrecimento galopante das classes médias, alimentando o círculo vicioso da recessão através do consumo e da redução da produção de todos os tipos. O Governo, com falta de receitas fiscais, não terá outra alternativa senão recorrer às poupanças das famílias ou, pior ainda, aumentar as taxas de IVA (ou os muitos outros impostos), o que fará subir os preços e agravará ainda mais a pobreza. Em economia, esta situação catastrófica é conhecida como “estagflação”. Já lá estamos, e é tão grave que é totalmente impronunciável…

    Portugal continua a sua descida aos infernos, prejudicada pelos verdadeiros entraves (dívida e défice públicos, etc.). As conclusões e as soluções são muito claras.
    Acrescentaria que, infelizmente, pouco ou nada será feito pelos actuais dirigentes, a menos que sejam confrontados com um muro sem outra opção. Para além da falta de coragem, os nossos dirigentes são de uma fraqueza sem limites.

    Com as guerras e uma série de outras crises que se seguiram, como aconteceu nos últimos anos. Como é que Portugal não vai acabar por ser despromovido nesta situação?

    É um cocktail explosivo.

Leave a Reply to estatuadesalCancel reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.