A fé na Arte de Produzir Efeitos sem Causa

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 16/05/2022)

Está muito difundida a teoria que o escritor Lourenço Mutarelli ficcionou num romance a que deu o título: A arte de produzir efeito sem causa (2008). Uma reflexão acerca dos fenómenos da desrazão (da ilógica) e do nonsense. Uma tese sobre o absurdo, que renega o princípio lógico da causalidade, que determina que todo efeito deve ser consequência de alguma causa.

A afirmação muito explorada de que na Ucrânia ocorre uma invasão determinada por um imperador louco, assenta na crença de que os grandes fenómenos sociais, como uma grande guerra, uma grande revolução, um fenómeno de domínio como o colonialismo, ou a escravatura, por exemplo, podem não ter outra causa se não o impulso emocional e descontrolado de um homem.

Há até historiadores e cientistas ditos sociais que defendem com arreganho a tese de que há uma invasão sem causa, apenas determinada por um ser diabólico que habita um palácio assombrado, com enormes mesas e tetos altos!

As centrais de manipulação de massas, que existem com vários nomes, umas públicas, diretamente dependentes dos Estados e outras privadas: Agências de Comunicação, de Relações Publicas, de Publicidade, com assessores contratados entre antigos políticos ou jornalistas avençados, conseguiram fazer passar a mensagem de que a Rússia tinha invadido a Ucrânia sem razão, apenas por puro imperialismo ou paranoia de um antigo agente do KGB apoiado por um sinistro Rasputine, a que foi dado o nome de Lavrov!

A arte de produzir este efeito sem causa tem sido um sucesso de aceitação, do tipo das igrejas evangélicas (velhas utilizadoras da doutrina da criatura não gerada). O êxito é tanto mais de exaltar quanto a falácia vendida como efeito sem causa é desmentida pelos autores dos efeitos.

A narrativa do efeito — a invasão da Rússia à Ucrânia — sem causa racional é desmentida pelos autores em declarações públicas: O atual secretário geral da NATO, um economista norueguês que já está nomeado para o Banco Central do seu país e que, de facto, é um desastrado, tem-se encarregado de descobrir as reais causas para a invasão da Rússia, obrigando os profissionais da manipulação ao duplo trabalho de inventarem causas fantasiosas — tornar o nonsense comestível pelas opiniões públicas — e de apagarem as pistas deixadas pelo senhor Jens Stoltenberg.

Lembrava o Secretário-geral da NATO com a candura de um sacristão, à entrada para a reunião extraordinária dos ministros da Defesa, em Bruxelas, a 16 de Março de 2021, que durante muitos anos (desde quando?) a NATO, treinou “dezenas de milhares de tropas ucranianas e fornecemos grandes quantidades de equipamentos críticos para ajudar a Ucrânia a defender o seu direito à autodefesa” https://rr.sapo.pt/noticia/mundo/2022/03/16/nato-permanece-unida-no-apoio-a-ucrania/276558/

Além de explicar a antiguidade da manobra de provocar a Rússia e de preparar a Ucrânia para a chamar à guerra, o cândido Secretário-geral encarregou-se de explicar a causa do efeito que é a guerra que hoje se trava na Ucrânia, causando o sofrimento que é visível nos povos e explorado até à exaustão pelos meios de propaganda.

A causa para espoletar a intervenção da Rússia pretende obter o efeito de a enfraquecer e de permitir aos Estados Unidos enfrentarem a nova ordem mundial numa posição de domínio. Numa reunião a 6 de Abril, Jens Stoltenberg explicou: “(…) seja quando for que a guerra acabe, terá implicações a longo prazo para a nossa segurança, pois vimos a disponibilidade do presidente Vladimir Putin em usar força militar para atingir os seus objetivos” (a NATO, como se sabe, não dispõe de força militar, é uma igreja missionária!), mas o esclarecedor vem a seguir: Stoltenberg abordou também um dos tópicos da reunião da Aliança de quarta-feira, o da definição de um novo “conceito estratégico da NATO” (citado pelo The Guardian): “Neste conceito, precisamos de abordar as consequências securitárias das agressivas ações russas, o equilíbrio de poder mundial em mudança, as consequências securitárias de uma China muito mais forte, e os desafios que Rússia e China estão a impor juntos a uma ordem internacional de valores democráticos baseada em regras. Definiremos a estratégia sobre como lidar com terrorismo ciber e híbrido, bem como as consequências das alterações climáticas para a segurança”, acrescentou.

Isto é bem claro: a guerra na Ucrânia, a tal do efeito sem outra causa senão a maldade do chefe russo, conduzida pelos EUA através da NATO, o seu braço armado para a Europa, faz parte de uma manobra estratégica de domínio planetário dos EUA a longo prazo, que tem como inimigos a Rússia e a China e teve como primeiras vítimas os ucranianos e o projeto de uma União Europeia autónoma, regida pelos seus valores e interesses.

Com esta apresentação em claro dos inimigos e dos objetivos talvez se perceba a causa daquela que foi considerada uma vergonhosa retirada dos EUA do Afeganistão (Agosto de 2021) após 20 anos de ocupação: Interessava concentrar forças na Europa para “desgastar” a Rússia e a China. Os “afegões” (como designava aqueles povos o escritor Luiz Pacheco) que se danassem, as mulheres que voltem à burka, as raparigas que sejam analfabetas! O decisivo é a invasão russa! Afinal havia uma causa para a retirada americana de Cabul: a guerra na Ucrânia que iria ter lugar dentro de seis meses (Fev 2022)!

Reduzir a manobra de grande estratégia da criar um casus belli na Ucrânia que levasse a Rússia a intervir a um caso de efeito sem causa, de maus invasores e infelizes invadidos, parece-me muito próximo do absurdo, mas talvez seja reconfortante para almas sensíveis.


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13 pensamentos sobre “A fé na Arte de Produzir Efeitos sem Causa

  1. Certo. Este blogue, e artigos como deste têm sido um bom exemplo de espécie de central de manipulação de massas, mas para o lado do olho esquerdo estrábico-radical.

    • O Carlos Matos Gomes fez um pequeno texto, censurado na MainStreamMedia (MSM) ocidental, onde se limita a citar o que a NATO disse.

      Você chama-lhe manipulação de massas…
      Noção? ZERO!

      Vá lá dar armas da NATO a NeoNazis ucranianos, a genocidas Israelitas, a belicistas Azeris, Turcos, e Sauditas, que fica mais descansado… São as “armas do bem” das “guerras pró-democracia” em nome da “aliança defensiva”.

      Nem a propaganda de Goebbels chegou a este ponto!

  2. É obvio que qualquer guerra tem uma causa qualquer. O Hitler quando invadiu a Polónia lá teria as suas razões. O Putin certamente tambem tem as dele. Essas razoes tornam aceitaveis as invsões de ambos?

    • OSCE: Donbass estava a ser bombardeado milhares de vezes por dia, pelos NeoNazis (40% ou 102 mil tropas do exército ucraniano) armados pela NATO, que acertavam em zonas zivis em redor de Donetsk e Lugansk, em violação dos acordos de PAZ de Misnk, e com Zelensky a prometer alargar essa guerra à Crimeia e obter armas nucleares.
      Tudo isto na semana ANTES da Rússia decidir usar o precedente da “rules based world order” que a NATO fez na Jugoslávia em geral e no Kosovo em particular.

      Agora em pergunto-lhe: se você vivesse no Donbass, naquelas zonas onde enterram +13 mil pessoas e de onde fugiram +1.5 milhões ao longo de 8 anos, o que é que gostaria que a Rússia fizesse quando em 22-Fevereiro-2022 lhe caísse um míssil Tochka-U sobre a sua mulher e os seus filhos?

      Eu, mantendo todo o respeito pela posição de quem é a favor da paz (mas sem respeito algum pelos avençados/manipulados da organização terrorista fundada também pela ditadura fascista portuguesa: NATO), digo-lhe a minha resposta: Z.

      E vou ainda mais além: com Putin ou sem Putin, esta invasão teria acontecido. Mas poderia ter sido evitada se a NATO tivesse sido dissolvida e os EUA já tivessem tido uma revolução para instalar lá uma Democracia no local dos escombros do atual regime oligárquico de traços fascistas.

  3. Toda esta agitação, permite a alguns avançar com as suas ideias de despovoar o planeta…e não concordo que ninguém utilize energia nuclear…os americanos fazem-no regularmente com munições sujas:
    As munições de urânio empobrecido dão uma série de cancros a longo prazo…Kosovo, Iraque e Afeganistão são mal pagos e mal tratados para saber isto…então, financeiramente falando, explodir um míssil que encolhe uma capital custa muito menos…não esqueçamos que fazer uma guerra torna possível mascarar uma enorme falência geral americana e ocidental…e então o sistema pode fazer o que quiser através de uma paralisia geral do resto da população…Certo?

    Durante séculos as guerras – mesmo a última – não tiveram qualquer influência sobre a população do planeta, isto pode mudar com a próxima.

    Teremos uma guerra nuclear?As pessoas na sua imaginação pensam que isso é inconcebível porque tudo seria irradiado.
    Mas não é verdade. As ilhas de Nagasaki e Hiroshima ainda são habitadas e se temos medo do nuclear os Estados jogam com ela, mas sabem muito bem que não é impossível.
    Especialmente porque seriam utilizadas bombas tácticas em seu lugar. Que só atingem pequenas áreas.
    E não esqueçamos que as guerras de relva acabaram.

    Por mais que não queira numa “guerra nuclear”, não creio que seja impossível para a Rússia puxar o gatilho uma vez para acalmar toda a gente.

    Neste momento, todos dizem “se alguém atirar uma bomba, nós também responderemos atirando uma”, excepto que na prática seria suicídio. Por mais que os líderes não hesitem em enviar pequenas pessoas para morrer na frente, se é uma questão de arriscar as suas próprias vidas, tenho algumas dúvidas sobre a sua temeridade.

    Parece não esquecer que os tempos E AS ARMAS mudaram!
    Já não usamos bombas nucleares como em 1945, mas “mini-bombas” que podem destruir apenas uma parte de uma cidade, muito menos “volumosas”, mas terrivelmente mais eficazes.

    Os russos não hesitaram em queimar Moscovo antes de Napoleão. Não hesitarão em utilizar o nuclear para sair da armadilha de Biden e dos seus camaradas.

    A NATO está a implodir diante dos nossos olhos. A UE também . E algumas pessoas querem ainda mais escravidão????

    Hoje em dia, se há interesse na guerra, é preferível reduzir a população dos países não produtores de petróleo e de matérias-primas que estão a desviar o petróleo e a matéria-prima dos países produtores. Nestas condições, não importa se o país não produtor é ou não irradiado.
    Faz e não sei. Mas se um país se sente capaz de deter os mísseis nucleares do inimigo, porque não destruiria a capital ou o centro de decisão dos seus inimigos com um míssil nuclear táctico?
    Creio que no ponto de ruptura em que chegámos tudo é possível, porque em qualquer caso os EUA não vão querer perder este conflito contra os russos e vice-versa.

    Os nossos cegos e arrumadores de guerra só estão a perpetuar a história no seu ponto mais medíocre porque ela é escrita por mediocridades banhadas pelo seu cinzentismo.
    Tenhoa impressão de que o nosso país poderia ser resumido da seguinte forma:
    “Portugal é um país estranho!”

    +1000 , Os russos são determinados, nunca falam em vão,
    avisam 1 vez, depois 2 vezes, e a 3ª vez que atacam….
    Sinceramente na UE, (e o mesmo para Portugal… ),
    Lisboa e Açores serão os primeiros a serem atacados.

    Quando vi os americanos saírem do Afeganistão,
    Eu disse a mim próprio que eles tinham certamente em mente reorientar as suas tropas no Pacífico, tendo em vista uma eventual acrobacia de guerra (provavelmente planeada….) com a China… -> uma vez que os negócios da América, o que faz a sua indústria circular, é o negócio da “Guerra” … <-

    Eu estava longe (e não era o único…) de suspeitar que os Amerloques a partir do Afeganistão, viriam colocar o Caos na Europa Continental, para semear e espalhar o Fogo por todo o lado… !!

    Tanto mais que os "peões americanos" que nos servem como chamados "Líderes", seja nas capitais dos países europeus ou na UE de Bruxelas, são todos subservientes e "Sob as ordens" de Washington…

    Sabem bem que a corajosa ovelha BIDEN/OBAMA e os seus Estarolas levam ao Matadouro, que se houver guerra na Europa, então Cruela Von der La_Hyena, ela, irá refugiar-se nos Estados Unidos ou nos paraísos OFF-Shore, e que continuará a rir-se disso….

    Neste caso, a Europa é o peru da farsa. Os líderes estão a receber ordens dos EUA. Teremos de aprender a ser pobres. Uma vez que a propriedade privada é confiscada àqueles que nada têm a ver com ela, não podemos esperar que o resto do mundo confie nos ocidentais no futuro. Soube recentemente que os EUA estão a ameaçar a Arábia Saudita com sanções se não aumentarem a sua produção de petróleo. Investir no Ocidente vai ser um grande risco para qualquer um ou qualquer país que não cumpra a linha imposta pelos EUA e os seus vassalos.

    A Finlândia no tratado de paz generosamente dado em 1944 pelo pequeno pai dos povos, não em 1940, como dizem os meios de propaganda geral. Estipula uma neutralidade total. Assim, a Finlândia irá declarar guerra à Rússia.

    Sendo este o caso, Putin está aparentemente numa situação difícil. Para sair dela sem grandes danos, ele pode voltar atrás, mas está a correr grandes riscos para o seu futuro.

    Outra solução é ir mais longe, e aqui temos de pensar nas doutrinas "atómicas" envolvidas: para o Ocidente, é o princípio da dissuasão: responde-se massivamente a um carregamento de bombas com ogivas nucleares, para os russos também, claro, mas para restaurar uma situação que está cada vez mais comprometida, eles poderiam usar conchas nucleares tácticas. Se for menor do que uma bomba, os danos para o "alvo" são consideráveis. E, neste caso?

    As armas nucleares podem ser utilizadas por várias razões, a primeira é que os falcões do lobby militarista dos EUA mudaram a sua doutrina e acreditam numa vitória que não é possível mas certa, a segunda é que são Frankistas Estraussianos e que esta tem sido a sua doutrina há mais de 200 anos, e são eles que estão no comando (Nuland entre outros), A terceira é que os russos começam a perder a paciência e compreenderam o que já não querem acreditar, nomeadamente que os EUA são um bando de bandidos assassinos que os querem matar e que, por outro lado, têm as armas para colocar os EUA no caixote do lixo da história para sempre, mas o tempo está a esgotar-se antes que os russos recuperem a sua tecnologia militar, pelo que a janela de oportunidade para o fazer não ficará aberta por muito tempo; Putin disse-o, não haverá planeta sem a Rússia, é claro; os únicos que acreditam sobreviver ao fogo nuclear são os russos.

    Também as sanções devem continuar a ser o privilégio do Ocidente ? Os russos vão sofrer sem reagir ? Somos governados por mediocres da mais alta ordem, o que é visto todos os dias. Sim, a Rússia tem razão em cortar a electricidade, o gás, o petróleo e ainda mais para a Europa, como resposta às sanções. É uma boa guerra. É a resposta da pastora à pastora. Tenho a certeza que a Europa, em necessidade, estará de joelhos dentro de 6 meses a um ano. Especialmente se a China, a fábrica do mundo, se alinha discretamente com a Rússia, reduzindo drasticamente as suas exportações, a fim de pôr fim à hegemonia americana. A agitação e os tumultos serão muito violentos aqui e ali.

    Na minha opinião,e espero estar enganado,até gostava de estar muito enganado.
    1 Teremos guerra, 3º do nome.

    2 As armas nucleares tácticas e não estratégicas serão utilizadas.

    3 Não será o apocalipse nuclear dos anos 60/70, mas mais provavelmente o apocalipse bíblico. Não são necessariamente os exércitos que irão devastar tudo, mas os efeitos colaterais da fome, da guerra civil …

    A Europa voltará ao mesmo estado que em 1914/18,
    Por outro lado, o despovoamento será muito pior.

    Muitos de nós tínhamos grandes dúvidas sobre a "inteligência" e a "previsão" dos nossos líderes. Essa dúvida foi agora eliminada. São irrevogavelmente muito maus.

  4. Isto de efeitos terem origem em causas causa estranheza nos neurónios do leitor médio, donde se deduz que médio corresponde a um QI < 80….que será o caso dos 'respondentes' acima.A ignorância é atrevida…. devem ser 'jornalistas' ou qq coisa semelhante como 'cientistas' sociais.

    • É capaz de estar certo.
      Só um reparo em relação ao QI (Quociente de inteligência): como a própria métrica indica, o “médio” (que não é bem a média, mas sim o valor expectável normal) é o valor 100. Ou melhor, é um valor de inteligência atingido por 99 em cada 100 pessoas e ultrapassado pelos 1% mais inteligentes. O QI < 80 seria abaixo da média expectável, ou seja, algo mais comum pois seria um valor atingido por 79 em cada 80 pessoas. Um QI acima da média é atingido por um menor número de pessoas, por exemplo naqueles testes engraçados online o meu último score de 145 indica que há 1 em cada 145 pessoas a atingir aquele valor.

      Fazendo as contas à população Mundial de 7 mil milhões:
      QI < 80 = 79 em 80 abaixo disso = 98,75% = 6 mil 923 milhões de pessoas com 80 ou menos nesse teste. Ou dito de outra maneira, 2,25% têm um valor igual ou acima disso, ou seja 157.5 milhões de pessoas.
      No meu caso, os 145 indicam que há uma pessoa a atingir pelo menos esse valor em cada 145, ou seja 0,69%, ou pouco mais de 48 milhões de pessoas por entre a atual população Mundial.

      Note-se a distribuição gaussiana/normalizada dos resultados esperados na população total, onde realcei os dois "NOT" importantes:
      «IQ scales are ordinally scaled. The raw score of the norming sample is usually (rank order) transformed to a normal distribution with mean 100 and standard deviation 15. While one standard deviation is 15 points, and two SDs are 30 points, and so on, this does NOT imply that mental ability is linearly related to IQ, such that IQ 50 would mean half the cognitive ability of IQ 100. In particular, IQ points are NOT percentage points.»

      Mas o teste tem muitos problemas. É limitado no tipo de inteligência que avalia (só a lógica, geometria, matemática, e vocabulário), deixando de fora muitos outros tipos de inteligência: emocional, social, coordenação, etc.
      E tem também uma polémica associada: as médias de QI são diferentes de continente para continente, levantando algumas questões de xenofobia/racismo, quando na realidade a única coisa que se pode inferir desses dados são os diferentes estágios de desenvolvimento dos diferentes sistema de educação, diretamente ligados ao desenvolvimento humano e económico de cada país.

      E lembre-se que o termo do QI (ou IQ em inglês) vem do Intelligenzquotient de um psicólogo alemão de 1912. Sabemos bem o tipo de pessoas que nessa época andou a ler esse tipo de classificações "científicas" de diferentes tipos de humano para encontrar os "superiores" e excluir os "inferiores"…

      https://en.wikipedia.org/wiki/Intelligence_quotient#IQ_testing_and_the_eugenics_movement_in_the_United_States

      E no meu caso particular, por curiosidade (e porque sempre achei graça àquele tipo de testes/perguntas) já deu resultados entre os 125 e os 155. Se fosse uma coisa exacta, não podia variar tanto. Pelo contrário, até factores como a idade, ou actual estado psicológico (ou de cansaço) influenciam o resultado final. Até uma noite bem dormida e um bom pequeno almoço podem influenciar o resultado final. Ou seja, para além do QI só testar algumas partes da inteligência, o seu resultado é apenas uma estimativa.

      E como dizia Einstein, não vale a pena julgar um peixe pela sua capacidade de trepar uma árvore.
      Ou seja, há melhores argumentos para usar. Esqueça essa medição limitada chamada QI.

    • Bem,é frequentemente mais inteligente não se submeter a testes chamados inteligência, brincadeira à parte só podemos medir o que é unidimensional, quando sabemos que foi o exército dos EUA que deu origem a esta fábula de QI durante a segunda guerra cujos critérios estão mais relacionados com o comprimento da barba do capitão e a espessura inoxidável dos confetes em vôo..

      Conheço trolhas com QI de 30 mais inteligentes que doutores com QI de 80..Neste planeta os QI existem para os que dizem que são inteligentes,e é por isso que estamos à beira da auto destruição,deve ser por esta gente terem QI de 80 ou 120..

      QI superiores a 80 na lingua original (“Planeta Estúpido” )…

      Quando tivermos compreendido a bosta civilizacional em que nos encontramos, será que queremos reproduzir e transmitir à nossa descendência aquilo que nós próprios rejeitamos?

      Daí o filme Idiocracia, que tem vindo a explicar isto há vários anos. É um filme muito estúpido, mas vale a pena ver.
      O problema é saber quando é que a Idiocracia vai passar de ficção a documentário.

      Há alguns anos atrás, em 2006, foi lançado um filme de ficção científica “IDIOCRACIA”. É a história de um casal que, após uma experiência, se encontra 500 anos mais tarde. Descobrem um mundo de idiotas que herdaram tecnologia avançada…. que é exactamente o que está a acontecer.
      Para aqueles que estão interessados:

      Dito isto, o cretinismo não afecta apenas as “classes trabalhadoras”, basta ouvir os vários apresentadores, oradores e apresentadores de televisão para perceber isto, ou melhor ainda ler as “notícias” rolando na parte inferior do ecrã durante certas emissões, a sua redacção valem o seu peso em Idiotas.

      Para aqueles que desenham paralelos com o filme “Idiocracia”, não se devem esquecer que o ponto alto do filme é quando aprendemos que os legumes murcham porque são regados com soda.

      Para comparar, prefiro “Big Brother,ou outros que não me lembro ” onde aprendemos que os “verdadeiros idiotas”, demasiado vaidosos para se reconhecerem uns aos outros, preferem tentar encobrir o óbvio fazendo troça de outros “idiotas simpáticos”, numa paródia de um jantar amigável…

      Quem são os mais estúpidos?
      Excepto eu, claro, que estou a desperdiçar o meu tempo a tentar perceber.

      Mas uma coisa é certa: somos dominados por idiotas!!!
      Então, quanto é que valemos ???

      Mas muito antes do QI, existem os princípios da vida, a projecção do próprio futuro.
      Aí está a bosta de cima: só há macacos ansiosos por consumir, mesmo da lama.
      Olhem à vossa volta, gente gorda, gente doente, gente lenta, cobardes, … Quantas mentes fortes, pessoas brilhantes? não se incomodem, são muito poucas.

      Esquecemos que os idiotas conseguem obter salários demenciais em comparação com aqueles que fizeram longos estudos (cientistas médicos,etc,etc.)

      Quanto à noção de “idiotas”, não confundem “idiotas pobres” com “idiotas pobres”?

      Atenciosamente.

      • «O problema é saber quando é que a Idiocracia vai passar de ficção a documentário»

        Quando? Já aconteceu!

        Em Portugal em particular temos gente de “esquerda” a votar em quem defende o offshore da Madeira, o gasto de dinheiro público para compensar imparidades de gatunos, a lei laboral dos Capital-Fascistas do PSD e da troika, e agora até um Ministro ex-comentador que diz que a precariedade até é uma coisa boa.

        E no Ocidente em geral, temos gente que “quer a paz” através da entrada da NATO na guerra, gente que acredita em toda a propaganda obviamente falsa da imprensa, gente que vê uma suástica numa pele ucraniana que tentou chacinar o Donbass mas acha que o Russo é que é o agressor.

        E nem vou falar dos terraplanistas, dos negacionistas da exploração espacial, ou dos que de um lado dizem que as vacinas têm chips, e do outro lado os que queriam as vacinas obrigatórias e quase com pena de prisão domiciliária para quem as recusasse.

        Nada disto seria possível se não estivéssemos já em plena Idiocracia.

        Quanto ao filme, é uma comédia com ficção científica, um dos meus géneros preferidos. Recomendo.
        Mas para compreender ainda melhor o que se está a passar no Ocidente, se calhar há outro filme mais adequado: Die Welle (A Onda, 2008)

        https://timeline.com/this-1967-classroom-experiment-proved-how-easy-it-was-for-americans-to-become-nazis-ab63cedaf7dd

  5. Neste caso quem fabricou as causas ficou completamente desorientado com os efeitos, e ainda a procissão vai no adro… é que se a NATO andou anos a treinar milhares de ucranianos e continua a fornecer-lhes equipamento e orientação, e se pensavam que isto se resolvia como uma overdose de propaganda e sanções económicas, isso diz muito sobre a visão da NATO e dos neocons aventureiros. Nada de novo, afinal já alguém tinha declarado a sua morte cerebral e assim de repente não me lembro de nenhum conflito de onde tenha saído bem. Mas vejamos alguns dos efeitos

    As sanções económicas foram um tiro que saiu pela culatra, a inflação dispara enquanto a cotação do rublo sobe, e eles insistem…

    A Ucrânia é neste momento um cadáver ambulante e a única coisa que ganhou até agora foi a Eurovisão…

    Os EUA são um caldeirão de problemas, sendo talvez o menor deles os tiroteios em supermercados… a propósito o puto que andou a matar gente em Buffalo usava os mesmos símbolos que os Azov, irónico não?…
    https://www.rt.com/news/555557-azov-nazi-symbol-buffalo/

    O UK está em tal estado que nem os refugiados ucranianos querem ir para lá…

    A UE lá vai aos tropeções, fechando os olhos ao nazismo e ao facto da Ucrânia lhe ter cortado o gás, outra ironia, e caminhando alegremente para um desastre económico, energético e alimentar, se chegarmos ao Natal vamos comer propaganda e vamos às bombas encher os depósitos com propaganda…

    E o que tira a NATO da cartola? a entrada da Finlândia e da Suécia no clube, que ninguém sabe quando entrarão ou sequer se chegarão a entrar, portanto mais show off, uma pequena vitória à Zelensky…

    Se o Putin não se está a rir com estes efeitos, é porque está mesmo doente como diz a propaganda.

    • «As sanções económicas foram um tiro que saiu pela culatra, a inflação dispara enquanto a cotação do rublo sobe, e eles insistem»
      Certo, e isso nem é o pior. O pior (para o Ocidente que se queria imperador do Mundo unipolar), é que isto é o princípio do fim da dólar, é a oportunidade para a moeda alternativa criada pelos países da SCO e BRICS e não-alinhados. E há ainda o sistema alternativo ao SWIFT.
      E esperem só pela chegada do Inverno, que é quando me parece que a Rússia pode aplicar as contra-sanções, por exemplo o corte total de gás e petróleo para a Europa inimiga. Quero ver quantos governos ocidentais chegam à próxima Primavera…

      «E o que tira a NATO da cartola? a entrada da Finlândia e da Suécia no clube»
      A Suécia já lá estava de facto, mas faltava só a assinatura para ser de jure.
      A Finlândia é diferente, é uma loucura. Dizem que é uma opção do governo liderado pela opinião pública. Tendo em conta a propaganda e falsidade que aí anda, mesmo esta justificação me parece ilegítima neste momento!
      Ainda assim, como alguém já me disse, se na Rússia se joga tão bem xadrez, então esta jogada já estaria antecipada. Até agora Croácia, Hungria, e Turquia, dizem que não. A confirmar-se (basta um, pois para a adesão ser aceite é preciso unanimidade) será a humilhação desses 2 países Nórdicos e da NATO.
      Ou então têm de aceitar as pretensões de Croatas, Húngaros, e Turcos, os últimos dos quais pedem “só” que os nórdicos decidam entre continuar a ser decentes em relação ao PKK e Curdos, ou tomar posições e medidas indecentes em nome da aliança militar dos EUA.

      Para já, nos vários tabuleiros, a Rússia está a fazer ‘cheque’ em todos: Ucrânia, sanções, NATO, Mundo multipolar (união da CSTO e EUEA, alargamento dos BRICS, reforço da SCO, cada vez mais aliados no Médio Oriente). Vamos ver em quantos é que o Ocidente verá a Rússia (e companhia) a fazer ‘mate’.
      Na parte que me toda, preferia que os líderes Europeus vissem umas quantas jogadas mais à frente antes de abdicarem dos peões todos, mas pelo que se vai vendo, nem sequer as regras do jogo sabem!

  6. Li e concordo com o que foi escrito, li os comentários e acho que a maioria das pessoas que ele este artigo de opinião não entendeu patavina do mesmo!!!

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