Tanta verdade junta mereceu publicação – take VI

(Carlos Marques, 17/04/2022)


(Este texto resulta de um comentário a um artigo de que publicámos do Major-General Carlos Branco, ver aqui. Perante tanta verdade junta, resolvi dar-lhe o destaque que, penso, merece.

Estátua de Sal, 17/04/2022)


Mais um grande texto do Major-General Carlos Branco. A definição dos 3 tipos de comentadores/propagandistas é deliciosa, e acerta a 100% naquilo que se sente ao ver os canais mainstream, mesmo por parte de quem não tinha essas definições na ponta da língua. Quanto ao texto, vou citar esta parte, que é exatamente aquilo que eu ainda pergunto sobre Bucha, e dar as respostas incómodas que os ukronazis e suas cheerleaders ocidentais não toleram que venham a ser dadas por uma investigação independente:

1) «Porque é que o presidente da Câmara, na visita que fez à cidade no dia 31 de Março, após a retirada russa, disse que estava tudo bem e não referiu quaisquer cadáveres (entrevista ao canal Ukraine 24, a 1 de Abril)?»

2) «Porque é que a Guarda Nacional ucraniana, na operação de limpeza realizada no dia 1 de Abril, não deu conta de mortos nas ruas?»
– O autarca não referiu cadáveres e a Polícia Nacional não deu conta de mortos, porque não viram nenhuns. Simples. E inclino-me mais para a possibilidade de não os terem visto, porque não existiam. Estes vídeos foram muitas vezes mostrados na RT, censurada no Ocidente. Se isso não diz tudo, diz muita coisa.

3) «Porque é que a primeira menção aos mortos só é feita três dias após a partida das tropas russas?»
– Lá está, porque só 3 dias depois é que tinham corpos para mostrar. Se estivessem em valas comuns, tinham desculpa “ah e tal, só agora é que vimos a terra mexida”. Mas não! Estavam no meio da estrada. Também aqui há vídeos esclarecedores, que mostram os ucranianos a mover e a posicionar os corpos nos locais e posições mais tarde filmados para Ocidental ver…

4) «Porque é que a esmagadora maioria dos corpos tinham uma braçadeira branca?»

5) «Porque é que corpos encontrados em outras partes da cidade se encontravam próximos de restos da ajuda alimentar russa?»
– Aqui, basta saber o que se passou na Ucrânia desde 2014, com vídeos, reportagens, documentários, e relatórios elaborados pela Amnistia Internacional, Human Rights Watch, e ONU: a limpeza étnica levada a cabo contra os que foram e são contra o golpe nazi-fascista pró-NATO de 2014. Desaparecimentos, detenções arbitrárias, espancamentos e tortura, “justiça” no meio da rua, gente amarrada a postes e cara pintada de verde com algo tóxico, etc. Se a língua russa e canais russos e partidos pró-Russos (ou moderados como o das Regiões no poder de 2010 até 2014) foram todos proibidos na Ucrânia, imagine-se o que esta gente (Ukronazis de Azov, do SBU, etc) terá feito a quem usou braçadeira branca que indica colaboração/tolerância para com o exército russo. Não é preciso imaginar, vimos o resultado em Bucha…

6) «Não é notável a coincidência dos corpos na estrada se encontrarem em posições alternadas com uma separação regular entre eles?

7) «Será que estamos esquecidos do comportamento das tropas russas noutros locais, quando confrontadas com população hostil, tantas vezes mostrada nas televisões?»
– Exatamente. E querem-nos convencer que os observadores dos satélites Maxar, que andavam naquela região o tempo todo, e que viam tudo, mas só viram corpos (na realidade meia dúzia de pixels mais negros, que tanto podem ser corpos, como edições da imagem, como poças ou lixo ou destroços) tantos dias após os russos saírem? E há ainda a acusação, vinda da Rússia, de que o tal satélite da Maxar, não tinha uma órbita compatível com as fotografias tiradas alegadamente naquela data (19-Março), ou a pergunta feita por outro nosso militar sobre o estado de decomposição dos corpos, que teria de ser muito mais avançado caso essa data fosse verdadeira. E depois todos vimos, ou devíamos ter visto, os militares russos “da linha de trás” (os dos camiões, das operações de estabilização da ocupação, de distribuição de água e comida, etc), nos locais onde houve manifestantes locais, a recuar lentamente e em paz perante essas pessoas. O oposto do que os Ukronazis fizeram aos ucranianos russófonos nos últimos 8 anos, chegando a matar +13 mil no Donbass, provocar 1 milhão e meio de refugiados dessa guerra no Donbass, já para não falar de refugiados não contabilizados que fugiram de outras zonas, para por exemplo evitarem o mesmo destino dos desgraçados queimados vivos em Odessa.

Há quem diga no SouthFront que a Rússia cometeu um erro ao não esperar que a Ucrânia atacasse primeiro. Eu pergunto: onde estiveram nestes 8 anos? Os bombardeamentos de Lugansk e Odessa, e a promessa de atacar também a Crimeia, não foram um primeiro passo suficiente para justificar a defesa por parte da Rússia?

E por cá outros dizem que a guerra é injustificada, que a NATO isto e os EUA isso e o regime ucraniano aquilo. Mas no final dizem que a invasão é indesculpável e só a Rússia é culpada? É uma incoerência argumentativa, principalmente no último texto do Miguel Sousa Tavares (que de resto é muito bom), que já me vai fazendo comichão.

Então se Espanha tiver um golpe de Estado patrocinado por um inimigo histórico de Portugal (que passe a vida a dizer que nos quer destruir) que coloca o VOX no poder, em que as línguas catalã e basca voltam a ser proibidas como no tempo de Franco, em que há uma guerra contra a Galiza durante 8 anos com bombardeamentos junto à nossa fronteira, em que esse povo galego diz que quer fazer um referendo à independência e logo a seguir fazer um referendo sobre a adesão a Portugal, e se 8 anos depois desta situação, o líder de Espanha tem batalhões nazi-fascista prontos a invadir uma parte de Portugal, e ameaça o nosso país com armas biológicas e nucleares, Portugal deve ficar à espera do “primeiro passo”, e é “inadmissível” que use a sua superioridade militar (o cenário é hipotético, claro) para tomar medidas militares de defesa, para desmilitarizar e desfascizar/desnazificar Espanha?

Fica a minha primeira pergunta para quem quiser debater a sério. Para quem quiser ir além do «Kumbaya» ou do «põe tua mão na mão do meu senhor da Galileia» que é aquilo em que se tornou de um lado a propaganda da treta “a NATO é defensiva e vai-nos salvar”, e do outro lado os da incoerência “A Rússia foi provocada e ameaçada e o Donbass bombardeado durante 8 anos, mas ninguém podia intervir, logo a culpa agora passa toda para a Rússia”.

Só há uma posição internacional que eu acho totalmente correta, sem qualquer incoerência, e que é o que a Europa toda defenderia se tivesse vergonha e decência: a da Sérvia e dos Sérvios. Condenam TODAS as guerras em qualquer Continente; sabem quem é o Diabo na Terra (EUA/NATO) que planeou, financiou, golpeou, armou, ameaçou e provocou esta desgraça na Ucrânia; não enviam armas para o conflito; e recusam aplicar sanções pois continuam a ter boas relações diplomáticas e económicas com a Rússia.

E aqui chegado, deixo a segunda pergunta para quem quiser debater a sério: qual seria a inflação (entre outras mazelas) na economia europeia se a Europa se tivesse recusado imitar o polícia do Mundo na guerra económica contra a Rússia iniciado já no longínquo 2008?

E a terceira pergunta para quem quiser debater a sério, a pergunta do milhão de dólares: qual seria a situação na Ucrânia se em vez de armas europeias, tivesse recebido incentivos (ou até ordens, como aquelas que se fazem em nome de uma décima do défice orçamental pelos ditadores de Bruxelas e Frankfurt) para cumprir os acordos de PAZ de Minsk?

E finalmente, a quarta e última pergunta para quem ainda tiver decência e honestidade argumentativa: se o acordo de neutralidade entre Finlândia e União Soviética foi o que garantiu um “modus vivendi” e a paz naquela região durante tantas décadas, e evitou uma corrida ao armamento naquela zona, um acordo feito em nome da vida e desenvolvimento e diplomacia, mesmo estando do outro lado o “2º pior nome da história da Humanidade”, então qual é mesmo a intenção da mais recente provocação da NATO de colocar a palerma da 1ª Ministra Finlandesa a prometer que entra na NATO já neste Verão, sem referendo nem nada? É para ajudar a resolver o conflito? É porque estas décadas todas de paz naquela região a incomodam? É porque uma invasão Russa que terá matado à volta de 2000 civis na Ucrânia (para impedir a Ucrânia de matar ainda mais do que os já mais de 13 mil mortos no Donbass) é pior que um estalinismo que matou milhões? É porque alguém em Washington a anda a ameaçar a Finlândia de que será a próxima Jugoslávia? É porque tem curiosidade em ver como funcionam as armas da NATO usadas para matar milhões no Médio Oriente? É por ter curiosidade em ver Helsínquia a brilhar à noite com a radioatividade das bombas que vão fazer o seu país desaparecer do mapa?

Está tudo doido!!


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4 pensamentos sobre “Tanta verdade junta mereceu publicação – take VI

  1. Obrigado pelo destaque.

    Hoje vi na RT a reportagem na zona industrial de Ilich (Mariupol), onde se renderam os +1000 ucranianos que lá estavam, ainda com algumas munições, mas já sem condições.
    São combatentes que se tornaram POW (prisoners of war), todos tratados com dignidade, e vários feridos já assistidos.
    O jornalista passou pelos Hummers militares e um soldado atrás dele lembrou-se de fazer um número à “emplastro” e dizer algo como: thank you Biden, for the Humvees.
    Biden tem-se fartado de ouvir isto, já desde o Verão passado no Afeganistão.
    O que interessa é que o oligarca que os produziu e vendeu, já lucrou o que tinha a lucrar. Só não podia era estar muito mais tempo à espera da guerra seguinte…

    Vi também a ajuda humanitária distribuída pela Rússia aos civis ocupados.
    Vi o jornalista de guerra da RT (de quem não tenho razões para desconfiar neste tipo de reportagem, pois já no Afeganistão era o primeiro a falar a verdade no local e a desmentir logo a propaganda dos EUA difundida pela “imprensa livre” sem qualquer verificação) a percorrer os buracos em que os últimos militares ucranianos se escondiam, onde alguns deixaram as fardas para trás para provavelmente tentar passar escondidos num corredor humanitário. É por isso que a Rússia agora revista toda a gente à procura de sinais (como símbolos militares ou tatuagens nazi, já para não falar de algo que revele que são mercenários de outros países) antes de deixar passar.
    O mais recente é um britânico, que também passou pela Síria. Diz que o Zelensly até prendeu um líder da oposição e agora queria trocá-lo por este britânico, mas não pelos seus próprios soldados ucranianos… Sem comentários.

    Destes ucranianos cercados, só morreram os loucos que, perante a derrota certa, deram a vida em nome de uma última tentativa de furar ao cerco, não em direção a Norte, mas em direção aos outros loucos encurralados na Azovstal.
    Isto em nome da liderança descrita no parágrafo atrás…
    Os que se renderam já estão em segurança detidos pela Rússia cumprindo as regras de guerra, e nas zonas em que se renderam já parou a guerra. Naquela parte Sul de uma enorme Ucrânia, a guerra já só está numa zona industrial costeira.

    Portanto, se a Rússia quisesse parar de perder tempo, e seguir o “bom exemplo” dos EUA/NATO, bastavam umas passagens de drones para terraplanar aqueles cerca de 2 mil militares.
    Aliás, se fossem os EUA/NATO, até um casamento terraplanavam à bomba só para acertar num dos convidados… E quem (Assange) denunciou isto está preso.
    Mas não. Nesta madrugada a Rússia esteve a anunciar uma janela temporal para que, tal como na fábrica Ilich, o fim fosse uma rendição suficientemente pacífica para salvar vidas. Um “corredor humanitário” para os encurralados do exército inimigo!

    Um exército que trata assim o inimigo, não é um exército que faz aquilo de que é acusado em Bucha!

    Do outro lado, de Kiev, veio apenas a repetição da ordem do costume: se é para perder, que seja até ao último homem…
    Este desrespeito pela vida humana é algo que só podia vir de quem convive tão bem com ultra-nacionalistas, com limpezas étnicas, e que ainda só conheceu a guerra pela TV, não viu um único míssil cair perto de si em Kiev, e ainda só fez a guerra através do Zoom.

    Imaginem só um lunático destes, que recusou acordos de paz de Minsk, a dar o “primeiro passo” para destruir o resto do Donbass. Um passo dado pelos que passaram 8 anos a perseguir ucranianos russófonos, a fazer desaparecer gente, e a matar +13 mil no tal “tempo de paz”.
    Se a Rússia estivesse à espera disso, quantas Bucha é que esses Ukronazis ia fazer em Donetsk e Lugansk?

    E quantos segundos daria a “imprensa livre” do Ocidente a essa tragédia?
    Os mesmos que tem dado nesta semana aos bombardeamentos e assassinatos de Israel contra a Síria e contra a Palestina respetivamente: ZERO.
    Assim, com tal manipulação/omissão, é fácil convenver os Ocidentais de que não havia guerra na Ucrânia antes de 2022. Aliás, muitos dos próprios Ucranianos foram de tal forma enganados que não têm noção disso no próprio país!
    Faz lembrar os Portugueses que nunca repararam que viviam numa ditadura fascista, ou os Espanhóis que ainda hoje acham que as valas comuns cheias de republicanos e outros opositores são uma invenção da Esquerda ou das pessoas das Autonomias.
    A propaganda num regime autoritário é isto: é viver a mentira pensando que se vive a verdade, e acreditando que quem diz o contrário só pode ser um inimigo.

    *Não havia guerra no Donbass, e também não há guerra no Iémen, nem na Síria, nem na Líbia, nem no Mali, nem Apartheid em Israel/Palestina, nem fome no Afeganistão. A NATO só se defende, os EUA só distribuem democracia, e a Europa compra petróleo a Sauditas em nome da liberdade. O Azov não é nazi pois aquilo é só um símbolo que parece o das SS e agora é bem intencionado, mas Mélenchon é que é um perigo extremista, pois isso de distribuir riqueza é Estalinismo. O Euro é uma maravilha, e Portugal faliu por causa da meia dúzia de milhões que Sócrates recebeu do amigo. Os offshore e os 0% de impostos pagos pelo Musk são coisa boa, mas o mal do Mundo é uma piscina na casa da Ana Gomes ou a Mortágua que foi paga pelo tempo que deu ao comentário na SIC. A Ucrânia pode aderir à NATO, mas a Catalunha não pode sequer votar. A expansão dos sistema de mísseis da NATO não é uma ameaça, mas os telemóveis da Huawei são tão perigosos que a China inteira tem de sofrer sanções. E Bucha é o que a TV disser que é: CNN mostrou, a Casa Branca comentou, está decidido! A UE é tão insubstituível que temos de preparar os nossos jovens para ir à guerra em seu nome, e já sem nacionalidade no cartão do cidadão. A existência do Chega justifica violar a Constituição, e o pacifismo do PCP justifica a sua ilegalização. E quem disser o contrário, fizer críticas a alguma destas VERDADES INQUESTIONÁVEIS, ou se atrever a fazer perguntas, é Putinista, é populista, é a favor da guerra, não tem pena das pessoas branquinhas filmadas a chorar, e devia ser censurado.*

    E pensava eu em 2017 que o pior que ia escrever na vida era a equação:
    Macron 2017 = Le Pen 2022.
    Não! Há uma bem pior a ganhar corpo:
    Orwell 1984 = Ocidente 2022
    E vamos ver se não se concreriza uma feita por alguns eleitores americanos ainda em 2015:
    Hillary 2016 (Biden 2020) = Terceira Guerra Mundial

  2. Uma vez mais OBRIGADO à Estátua de Sal por nos oferecer aqui estes textos e OBRIGADO também a todos aqueles que os escrevem. São UM VERDADEIRO SERVIÇO PÚBLICO! E um exercício de muita coragem, pois dizer a verdade nos tempos que correm cada vez é mais arriscado. Cerca de meio século após a Revolução do 25 de Abril, quem nos diria que valores como a liberdade, a democracia, a independência iam estar tão espezinhados. Tenho divulgado sempre que posso este blog para que cada vez mais gente venha conhecer a verdade e deixe de viver alienado com as mentiras dos burocratas da União Europeia e do exercito de “trolls” nacionais que tão servilmente cumprem as ordens do Império do Caos e da Mentira, do Sauron que vive do outro lado do Atlântico.

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