Beco sem saída?

(Carlos Coutinho, 13/02/2022)

Começam finalmente a chegar do interior da Ucrânia notícias que desmentem a tremenda operação de propaganda belicista que Washington desencadeou há mais de um mês com a mais miserável cumplicidade que se pode imaginar por parte dos governos europeus e de ouros países vassalos dos EUA.

A comunicação social dominante percebeu a grande oportunidade de ‘show off’ e de negócio. E não a desperdiçou, continuando a explorá-la ‘ad nauseam’.

Porém, quando menos se esperava, a RTP acaba de mostrar entrevistas feitas por teleconferência a vários portugueses há anos instalados com os seus negócios ou trabalho em diversas cidades da Ucrânia. Estes mostram-se espantados com o foguetório de que vão sendo informados pelas famílias e pelos noticiários locais.

Aliás, o próprio presidente da Ucrânia tem desmentido “os exageros dos média” estrangeiros, mas só agora vimos portugueses a dizer que fazem uma vida normal, tal como os seus vizinhos ucranianos, e que, para já, não têm receios especiais nem sentem necessidade de voltar à pátria.

Também um militar português, o major-general Carlos Branco, investigador do IPRI-Nova, que não é suspeito de especiais simpatias com os russos, acaba de escrever em “O Jornal Económico” (11.2.2022), que, por sua vez, também não é suspeito de simpatias com os mesmos russos, um extenso e bem fundamentado artigo a que deu o título “Por quem dobram os sinos em Kiev?” (Ver aqui).

Não vou sintetizar esse artigo, por causa da densa análise em que assenta, mas sempre direi que, ao contrário do que imagina o lúcido general, só falta mostrarem-nos na televisão e nos jornais angélicos meninos ucranianos a mexer com um pau nas tripas dos pais, rodeados por botas russas.

Aconteça o que acontecer, será muito difícil alguém mudar as minhas convicções, desde há alguns dias: os russos, que até já foram soviéticos, estão condenados para a História, façam o que fizerem, mas não vão aceitar as armas do inimigo à porta de casa e têm força para tanto; os ocidentais, que estão encurralados no seu próprio pensamento made in Pentágono/NATO, têm já uma enorme bota de mentiras muito difícil de descalçar, mas não vão desistir de alargar o seu poderio “até à soleira da porta” de Putin; a histeria de que falam Moscovo e Kiev (e Kiev, imagine-se!) já foi tão longe que nenhuma das partes sem perder a face pode agora sair do imbróglio em modo paz diplomática; ou seja, é mesmo preciso matar e morrer de ambos os lados da fronteira ucraniana.

É muito difícil imaginar com vai ser o mundo nos próximos anos!


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