O PR e os partidos

(Carlos Esperança, 29/09/2021)

Marcelo, o mais lídimo exemplar da direita democrática, inconformado com os poderes que a CRP lhe confere, aproveita todas as oportunidades para ser notícia, antecipar-se ao PSD e enfraquecer o Governo.

As eleições autárquicas serviram para anunciar ao País a mudança de ciclo político que tenta fazer coincidir com esta legislatura, condicionando as esquerdas para aprovarem os Orçamentos de Estado e fazer chegar ao fim um PS desgastado.

A recente Lei Orgânica n. 3/2021, uma cedência à Nato, foi amplamente aprovada pela AR, com rápida e entusiástica promulgação pelo PR, e unanimemente condenada pelos Chefes de Estado Maior dos três ramos das Forças Armadas. Tudo previsível.

A saída dos atuais CEMs, que rejeitaram a lei, “Os Chefes do Estado-Maior da Armada, do Exército e da Força Aérea dependem hierarquicamente do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas para todos os assuntos militares.”, era inevitável.

A lei que retira poderes a cada ramo das FA, como pretende a Nato, e os concentra no CEMGFA, não pode ser do agrado dos militares como bem o manifestou a A25A.

Houve seguramente do Governo, especialmente do MDN, falta de tato em acertar a data com o PR, o que permitiu a este o espetáculo dado nas televisões e a continuação da sua estratégia pessoal, num assunto com o qual está completamente comprometido.

Ao substituir-se ao seu partido, que votou a lei, conseguiu através dos media, que nunca lhe fazem perguntas embaraçosas, afastar o ónus do apoio à redefinição dos poderes nas FA, embaraçar o Governo, criar enorme ruído mediático e alargar a sua influência no PSD para a inevitável substituição de Rui Rio depois de perder as próximas legislativas.

O PR sai bem desta intriga porque ninguém desmascara Marcelo.


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