Os sargentos Cotrim de Figueiredo e Tiago Mayan Gonçalves e o arraial da IL

(Carlos Esperança, 14/06/2021)

Que os sargentos da Iniciativa Liberal (IL) usem a liberdade de manifestação dos partidos políticos é um direito que a CRP lhes consente, mesmo contrariando as recomendações da Direção Geral de Saúde.

Que condenassem a festa do Avante, onde se cumpriram as recomendações sanitárias, e organizassem o seu arraial de forma anárquica, perigosa e provocatória, é a incoerência de quem julga que o dinheiro pode tudo.

Que, por palavras, manifestassem as divergências políticas em relação a António Costa, Catarina Martins, Jerónimo de Sousa, Rui Rio, Eduardo Cabrita, Augusto Santos Silva, Fernando Medina e Marta Temido, era a afirmação ideológica, mas usar as caras como alvo das flechas foi uma pulsão assassina de quem, à semelhança da Inquisição, os quis matar em efígie, na impossibilidade de o fazer fisicamente.

Já, na apoteose da diversão, ao escolherem como alvo das setas o político, jornalista, escritor e médico argentino-cubano, “Che” Guevara, o guerrilheiro assassinado em 9 de outubro de 1967, que faria no dia de hoje 93 anos, manifestaram a vocação assassina do sargento Mario Terán Salazar que, antes dos disparos ainda ouviu da vítima:

– “Acalme-se, vai matar um homem.”

Cotrim de Figueiredo e Tiago Mayan Gonçalves não se preparam para governar, treinam para carrascos. E não têm como o seu ídolo, o sargento Mario Terán Salazar, alguém que lhes diga “acalmem-se, vão matar homens e mulheres sem os quais não há democracia”.

Ao dispararem sobre a imagem de um guerrilheiro assassinado a sangue frio, treinaram para escrever os nomes num rol de psicopatas.

Quanto aos políticos portugueses que perfuraram com setas, de Jerónimo de Sousa a Rui Rio, foi a democracia que visaram no tiro ao alvo e no gozo alarve de eliminarem os adversários no arraial de Santo António.

Foi um arraial de perversidade de dois facínoras perante o ar alarve dos sequazes, entre sardinhas e bifanas.


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4 pensamentos sobre “Os sargentos Cotrim de Figueiredo e Tiago Mayan Gonçalves e o arraial da IL

  1. ??????

    Pegam com os gajos do IL por terem sido simbolicamente agressivos contrapondo com as “virtudes” de um guerrilheiro que fuzilou milhares de pessoas ??? Falando do comandante de uma prisão sob cujas ordens fotam feitas execuções sumárias, como se tivesse sido apenas um “médico” e “jornalista” ???

    Pelo amor do vosso deus, Marx, o gajo até discursou na ONU a gabar-se que sim, estavam a fuzilar e que iam continuar a fuzilar.

    Eu acho que o que o il fez é incitamento à violênca e deviam responder por isso.

    E aliás mostra bem a merda de gente que os capitalistas liberais são.

    Mas estas atitudes de branqueamento de ditaduras por parte da extrema esquerda provam que de facto a exteema esquerda é idêntica ao fascismo.

  2. O senhor Carlos Esperança deveria ter um pouco mais de respeito e cuidado com os termos utilizados , sobretudo quando chama “sargentos” aos dois elementos do IL a quem se refere.
    Os Sargentos de Portugal deveriam merecer-lhe mais respeito…no mínimo!
    Julgo que conhecerá pouco sobre a realidade dos Sargentos e sobre os seus contributos para a História de Portugal, como aliás, infelizmente se verifica de uma forma generalizada na sociedade portuguesa!
    O esteriótipo do sargento, “ser rude e bruto que seguiu a carreira das armas”, por muito que alguns ainda gostassem de alimentar, felizmente não se verifica.
    Portanto, chamar “sargentos” a dois elementos do IL é um erro grave e uma ofensa a uma valorosa classe de servidores da Nação.
    Melhores cumprimentos
    António Lima Coelho
    Presidente da Direcção da Associação Nacional de Sargentos

  3. Exmo. Senhor
    António Lima Coelho
    Presidente da Associação Nacional de Sargentos
    Só a necessidade de esclarecer o lamentável equívoco, que não pensei possível através do que escrevi, e a consideração que tenho pelos Sargentos me levam à resposta que se me afigura necessária.
    Assim, para que não restem dúvidas sobre a consideração que tenho pelos Sargentos, aproveito para lhe dizer o seguinte:
    1 – Sou neto de um 1.º Sargento que muito admirei;
    2 – Estive detido durante 4 horas, no fim do 1.º ciclo da recruta, Caldas da Rainha, pelo capitão Coimbra, por recusa de passar ao segundo ciclo de oficiais milicianos, em Mafra, para onde tinha sido designado;
    3 – Fui Sargento durante cerca de 30 meses, 24 como Furriel e 6 como 2.º Sargento, na guerra colonial, depois de ter sido soldado instruendo e cabo miliciano;
    4 – Há décadas que sou um promotor do jantar anual do 31 de Janeiro, comemorativo da Revolta de 31 de janeiro de 1891 (Revolta dos Sargentos, que protagonizaram a primeira tentativa de derrube da monarquia e de implantação da República em Portugal) onde evoco o ato heroico evoco;
    5 – Na foto que encima o meu mural do Faceboock está um distinto Sargento que convidei para a inauguração do Monumento ao 25 de Abril em Almeida, de que tinha sido eu o presidente da Comissão Promotora.
    Dito isto, resta-me referir o facto que deu origem à interpretação errónea do que afirmei.
    A qualificação de sargentos para aos 2 políticos da IL, sem lhes reconhecer mérito para isso, deve-se ao facto de ser essa a patente do carrasco de Che Guevara, qualificação que poderia ser de cabos, tenentes ou coronéis, se acaso o torcionário tivesse esse posto.
    Esperando que não reste a mais leve dúvida sobre a consideração que me merecem os Sargentos,
    Apresento a todos os membros da Associação Nacional de Sargentos, onde tenho amigos, as minhas saudações republicanas e democráticas.

    Carlos Esperança
    (Ex sargento-mil.º)

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