A Universidade de Coimbra e a missa da Imaculada – 2019

(Carlos Esperança, 07/12/2019)

A Universidade de Coimbra não cria apenas cientistas de elevado mérito e académicos de referência, atrai beatos capazes de conduzirem a caldeirinha com o hissope, atrás dos paramentos do capelão. Mistura Matemática, Física, Biologia e outras ciências com missas e orações, traindo a laicidade, a que a CRP, obriga por indulgências.

O Magnífico Reitor, Amílcar Falcão Ramos, depois de ter proibido a carne de vaca na U. C., como os talibãs a de porco, procura aliviar a alma com missas na capela privativa onde a tradição e dinheiros públicos mantêm um capelão. Ungido com a missa integrada na cerimónia de posse, uma inovação do antecessor, começa o mandato, qual almuadem católico, a convidar docentes e discentes para cerimónias pias em honra da Imaculada.

Falcão Ramos não perde as asas com que voou para reitor, mas empenha a envergadura do cargo ao convidar, com o capelão, professores, alunos e funcionários, para a missa de homenagem à padroeira da Universidade – a Imaculada Conceição –, a 8 de dezembro, às 12H00, na capela de S. Miguel.

Aceita-se que o capelão, no exercício das funções, convide os crentes a assistirem a uma cerimónia da sua religião. Permite, aliás, visitar a soberba capela, relíquia da arte sacra, e, aos devotos, adorarem um dos muitos avatares da mãe de Jesus, virgem desde os inícios da Idade Média, boato milenar para mães de diversos deuses, e que Pio IX, em 8 de dezembro de 1854, tornou dogmaticamente imaculada por decreto pontifício.

O que é inaceitável é que a mais alta entidade académica, de uma Universidade pública, se comporte como diretor de uma escola confessional ou mullah de uma madraça. Quem preside ao areópago da Ciência não pode dedicar-se à fé, sobretudo num país laico, onde a separação das Igrejas e do Estado é obrigatória.

Há anos, uma docente beata, então vice-reitora, propôs a recriação da extinta Faculdade de Teologia, no que fracassou por ter prevalecido o bom senso e a formação cívica do corpo docente, mas teme-se que a onda beata, que ora percorre a Reitoria da U.C., traga na enxurrada o regresso do ensino da única ‘ciência’ sem método nem objeto.

Uma faculdade de Teologia teria certamente licenciaturas em islamismo, cristianismo e judaísmo, bacharelatos em hinduísmo, xintoísmo e budismo, graduações em lançamento de búzios, mestrados em tarô e bruxaria, e doutoramentos exotéricos.

A Universidade deve ser o último reduto da laicidade e não uma vanguarda do convite à genuflexão e à prática litúrgica. Em vez de santuário da sabedoria, onde a Ciência deve ser o único culto, transforma-se em madraça que concede à liturgia a mesma dignidade.

Se a Universidade de Coimbra persiste em homenagear a Virgem, de que necessita para padroeira, é tempo de transformar as igrejas, mesquitas e sinagogas em laboratórios, e a água benta em potável, através da química para que a formação farmacêutica preparou o Reitor.

Ámen.


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7 pensamentos sobre “A Universidade de Coimbra e a missa da Imaculada – 2019

  1. Hoje, a escola não é um local onde se ensina a pensar, a cruzar informação para interpretar o mundo e as coisas. A grande norma foi estabelecida no tempo do Clinton – um tal Goals 2000 – Exige-se apenas o desenvolvimento de competências específicas.

    E daí, alguém que seja habilidoso com o tarot, ou que saiba recitar os ensinamentos bíblicos tem direito a um título universitário; quiçá a um doutoramento em teologia. Alguém que saiba descrever o milagre da transformação da água em vinho ou de caminhar em cima das águas, ganha competência em patranhas; mas o que importa é a competência, seja esta relacionada com física atómica, literatura francesa ou doutas explicações sobre como caminhar na água, Pouco importa o conteúdo mas a qualificação dada ao contentor – 20 pés, 40 pés, por ex.

    Quanto à transformação de água em bebida alcoólica, recentemente houve uns milagreiros ali para o lado de Sacavém, bem competentes na matéria. Talvez possam aceder a uma cátedra em Coimbra.

    As crenças não têm de ter elementos reais em que se ancorarem. Qualquer de nós pode criar e “vender” uma narrativa em como é um descendente do Napoleão… embora Genghis Kahn tenha tido uma descendência muito mais numerosa.
    Se tudo isto é ridículo porque se não tomam apenas como crenças as narrativas religiosas, separando-as dos factos históricos demonstrados, do conhecimento científico ? E se insiste em meter na Universidade tretas sobre uma figura cuja existência nunca se provou (JC)? E cuja primeira referência só surge no século II, mais de 100 anos após a sua suposta morte? Os essénios que se entretinham como cronistas do que se passou na Palestina durante uns 140 anos mais ou menos centrados no “ano zero” referem dezenas de iluminados que acabaram mal dado o seu descrédito como milagreiros e muitos deles tinham um nome corrente à época, de Iesu.

    Razaõ teria tido Pilatos que não era parvo, mas um romano culto, ao ver tanta estupidez. Viu que o assunto do JC era entre imbecis e decidiu deixá-los entregues aos seus devaneios, colocando-se de fora

    Et consumatum est
    VL

  2. Ui?

    Nota. Ó Carlinhos, Rei dos Infiéis: como se aproxima o Natal, que tal?, este ano é que vais surpreender os netinhos, os filhos e as noras que te andam a espetar com chinelos e pijamas e peúgas. Este ano, em troca, vais surpreender toda a gente com com uma série de cenas inspirados na luta da Greta… tem dois dos RRR, o do Reduzir e do Reciclar. Pois é, espertinho, fica a faltar um R qu’isso de Reduzires as carraspanas quando tens no bucho sempre que te postam n’A Estátua de Sal é impossível!…

        • Eheheh!

          Nota. Olha lá, ó bacano: estive aqui a pensar este tempo todo em vocês, profundamente, e surgiu-me num lampejo que a troupe do Aspirina B deveria fazer uma cooperativa dedicada aos trabalhos manuais. Antes viam bem as cenas do Youtube com os vídeos da Enandria, e aprendiam, o Valulupi, o Carlinhos e o Dieter entravam com toneladas de garrafões que, com a mistela que vendem nas suas locandas são meninos para terem, nos respectivos armazéns, paletes de garrafinhas, garrafas, garrafos e garrafões, e, para além disso, a pouca clientela está habituada a dar à corda pois tem no bucho litros e litros do Precioso é o dito que lhes corre nas veias. O que achas, pázinho?

          Enandria Marins
          174 mil subscritores, com jeitinho chegam ainda aos 174.005 ou 174.010 (como ícone surge o insuperável Zé Neves, claro).

          http://www.aspirinab.com, xô!

          • José do Remanso Pernalta
            Ficou lindo amiga, e que fofura esse menorzinho, e de quantos litros? E é de vinho tb?
            O maior e de vinho de 5 lts não é?
            Bjos um abençoado final de semana e fica com Deus

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