O efeito “do” Centeno…

(Joaquim Vassalo Abreu, 30/07/2019)

Vassalo Abreu

É da nossa natureza perdoarmos mais depressa tudo aquilo que não nos agrada e, quiçá, até nosso fere que é dito ou escrito por aqueles com quem divergimos do que por aqueles por quem, mesmo que nem sempre neles tudo nos agrade, nutrimos simpatia porque, filosoficamente, se regem pelos nossos mesmos princípios. Somos com estes mais exigentes, em suma.

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Por isso mesmo vou muitas vezes “ aos arames” com o Daniel Oliveira, pessoa e pensador por quem nutro admiração intelectual porque, estando em muitas frentes na comunicação e nos midia, na sua permanente intenção de, fazendo quase o pleno, manter uma certa equidistância com todos com quem debate, dando uma no cravo e outra na ferradura, porque, quer queira quer não e por muito que lhe custe tem que emitir opinião, pois para isso é pago, não é capaz de manter uma linha orientadora no seu discurso e, por isso, perde-se imensas vezes no politicamente correcto.

E, depois, mesmo que no fundo o não deseje, vê-mo-lo a abraçar causas que a Direita não desdenha e a tecer considerandos sobre dirigentes e governantes que toda a Esquerda elogia e tem como dela, mas que ele, talvez prisioneiro de anteriores e mal fundadas teses, teima em manter opinião coincidente com a da Direita. Como com Mário Centeno, por exemplo!

Não vou voltar às polémicas que com ele tive e foram aqui publicadas, mas tenho que recordar aqui aquela que aconteceu há uns anos a propósito de um tal Domingues que iria salvar a Caixa e se meteu em infindáveis engenhocas com mensagens e contra-mensagens até ao seu irrevogável desaparecimento. Nessa altura, perante alguma tibieza do Ministro, chamou-lhe de “nabo” em política e afirmou que só estava no Governo para prejudicar Costa!

É claro que isto está-lhe colado à pele como indelével marca e, pela minha parte, sem qualquer instinto sádico, sempre lho recordarei até ele ter a hombridade de fazer mea culpa, o que ainda não sucedeu…

Pois, se não o fizer, terei que o colocar no mesmo espaço desta animosidade para com o Ministro das Finanças com um tal de João Vieira Pereira, que ainda há pouco tempo, sendo nomeado Director do Expresso, me escreveu dizendo que “agora que era Director do Expresso” eu o deveria acompanhar e ler e, portanto, dada a elevação de valor que isso me acrescentaria, teria que assinar o Expresso…

Mas este triste e vetusto economista, mesmo que ainda relativamente jovem se mostra dos tempos do ”laissez faire laissez passer”, como também do “o mercado tudo regula” da escola de Chicago do Friedman, lá porque foi nomeado Director do Expresso , acha-se mesmo muito e julga que nós, eu inclusive, dele bebemos algo de puro e bom… Ledo engano!

E este presunçoso economista teve o desplante de escrever, logo na segunda página do Expresso desta semana, um artigo chamado “ O efeito Centeno” e que eu, para que não tenha que o transcrever na totalidade, apelo a que o tentem ler aqui.

É que, apesar de ser um pequeno tratado sobre o que é desonestidade intelectual, ele é, igualmente, um tratado sobre outras coisas mais prosaicas e simples como: a dor de corno, a inveja, o rancor e a sem vergonhice! Isto tudo, sem tirar nem pôr e onde, lamentavelmente, o Daniel Oliveira aceitou se imiscuir…

Mas que diz ele, afinal? Nota: os sublinhados a negrito são meus!

Diz: “Não vou investir (!!!) mais tempo a escrever que Centeno teve todas as condições para fazer a diferença e não o fez (!!!)! É um facto (Diz ele)! Há oportunidades que não se repetem…e acrescenta: “ não vai ser mais possível aumentar a carga fiscal (como se o pouco ter diminuído fosse o mesmo que ter “violentamente” aumentado!) e os juros da dívida não vão descer mais (como se isso tivesse sido obra do acaso…) e a economia mundial até já está a arrefecer…( mas quando é que ela realmente aqueceu?). Repito: os sublinhamos a negrito são meus!

Ora do exposto se conclui que, para este distinto economista e colunista, daquilo que ele chama de Efeito Centeno surtiu zero, nada! Brilhante conclusão, sem dúvida!

Mas este Vieira Pereira ainda acrescenta, e eu cito porque fazia realmente falta este acrescento e sem ele, devo confessar, o texto do Vieira nunca seria o que é: “…Nem interessa que em quatro anos este Governo não tenha feito uma reforma. Uma que possa exibir com orgulho, uma que deixe uma marca positiva para as próximas gerações. Nada!”.

Como eu disse, este texto nunca seria o mesmo se o colunista economista não falasse das “reformas”. Essas reformas que vão sendo feitas e estão sempre por fazer! Que foram definitivas com o Silva e logo ultrapassadas. Decisivas com a dupla Gaspar/ Coelho e logo ultrapassadas pelo Troikismo! O “Bieira” fala, fala mas…qual reforma? Nem uma cita? Que pobreza Sr. Director, economista e colunista! Não tem “umazinha” para citar: só atoarda para o ar…

E o colunista e economista, para além de director do Expresso ainda acrescenta, coincidindo aqui também com o Daniel Oliveira, ele igualmente colunista do Expresso ( só não tem ainda uma “pluma caprichosa” porque as plumas são mais para mulheres), que acredita pouco no génio político do Centeno ( já que do económico estamos falados…acrescento meu…) já que, isso sim, acredita muito mais no génio político do Costa…

E eu aqui não me ri não senhor! Fiquei foi perplexo perante tanta habilidade argumentativa deste génio das colunas. Ora vejam: financeiramente Centeno foi zero! Um “nabo” como referiu o Daniel Oliveira, irmão do Gusmão, já agora! O efeito de Centeno nulo, óbviamente, como o irmão do Gusmão não pára de dizer…

Génio Político? Isso é o Costa, como ambos e dois pensam, aliás três porque o Gusmão, irmão, também pensa assim…

2 pensamentos sobre “O efeito “do” Centeno…

  1. Olhe que não. O Sr Pereira diz que fez pouco porque senão o mercado tinha sido mais bonzinho, porque que quem lhe paga os almoços lhe diz que o estado só atrapalha. O Daniel afirma que tentar agradar aos mercados não tem os resultados que são vendidos, e que isso até é contrariado, aqui e ali, por artigos do FMI e do BCE. Pelo contrário, os verdadeiros custos para o futuro são o que se destrói agora para um número arbitrário.
    Quanto às taxas de juro, tanto como para os dois anteriores governos, são da responsabilidade do BCE com mandato para estabilizar a inflação (na miragem dos 2%, já que, lá está, a economia não funciona como se vende). Com Ronaldo ou com outro qualquer, no Euro manda o BCE, que também pode pôr a taxa no valor que lhe apetecer.

  2. Off.

    Nota. Envia ao Sancho ó da Estátua, antes de. Vassalo, my fellow citizen, obrigado pelo teu generoso post sobre o Mário Centeno e não sei o quê mas, em troca, aprende também qualquer coisa com o Vasco Pulido Valente. O Vasco nunca lidou com a malta do aparelho do PS apesar de ter feito parte da candidatura de Mário Soares, lê-se e percebe-se.

    @mariofcenteno: Portuguese Minister of Finance, [Friend of @antoniocostapm, I’m Not Friend of Augusto Santos Silva] & President of the Eurogroup. @pt_financas

    https://twitter.com/mariofcenteno/photo

    […]

    29 de Julho
    O posto de “adjunto do secretário de Estado”
    não está previsto pela legislação em vigor, ou
    seja, não existe. O indivíduo para o qual a
    imprensa inventou esta designação é,
    segundo dizem, o chefe de gabinete do dr.
    Neves, seu compadre político e presidente
    da concelhia de Arouca. Não tendo nenhuma
    espécie de autoridade independente ou
    delegada, o “adjunto” não pode ter
    nenhuma espécie de responsabilidade. Não
    percebo por que razão se discute uma coisa
    tão clara e tão simples.

    30 de Julho
    A questão das golas não é principalmente
    uma questão de relações públicas do
    ministro Eduardo Cabrita — é a verificação
    do modo de vida do PS: a pequena
    influência, o pequeno favor, um jeitinho
    para um parente, um amigalhaço, esse
    pequeno comércio que envenena a vida
    política, mas que vai promovendo
    socialmente os apparatchiki do Governo. É
    uma tendência muito triste, que chegou
    para ficar e que não há maneira de impedir.
    Teremos de nos habituar a este mau cheiro.
    O salazarismo também o aguentou e nem
    por isso caiu.

    31 de Julho
    A lei das incompatibilidades é
    inconstitucional, inaplicável e absurda.
    Mas desde 1995 que ela existe e só agora o
    PS deu por isso. E convém compreender
    que ela não pode servir de guarda-chuva à
    gente que não a respeitou e que, certa da
    sua impunidade, tratou da vidinha. Basta
    ler a lista dos familiares que,
    discretamente, têm contratos com o
    Estado para perceber que parte é aleatória
    e que parte assentou no uso impróprio do
    poder político.
    A insistência no tema da corrupção deixa
    de fora o ponto mais sensível de toda esta
    polémica: o Estado e a política são ou não
    são o elevador social por excelência? Na
    larguíssima medida em que o são, coisas
    como a lei das incompatibilidades hão-de
    ser sempre uma irrelevância.

    Fonte: P., 3.8.2019, p. 5.

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