Barbárie Taurina já esteve duas vezes proibida em Portugal

(Dieter Dellinger, 18/11/2018)

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As touradas parecem ser anteriores à própria fundação do Reino de Portugal, mas o primeiro documento conhecido sobre este espetáculo é o de que em Lamego, em 1258, D. Sancho II alanceou toiros. Durante séculos toureava-se a cavalo e matava-se o touro com uma lança, alanceava-se.

Contudo, ao longo da história estiveram duas vezes proibidas.

A primeira pela Rainha D. Maria I pouco depois de 1777 como mediada de economia porque até essa data as touradas nunca foram um espetáculo comercial, mas sim uma oferta da Casa Real ou do Senado para diversão do povo na boa tradição latina-romana.

Os nobres e até reis chegavam a lidar touros.

D. Maria I tomou medidas de poupança, vendendo muitos dos seus cavalos e caleches e suprimindo o referido espetáculo, Livro 7 da coleção “O Essencial dos Reis de Portugal” oferecida pelo Expresso há oito semanas.

A segunda vez em que foi proibida, foi em 1836 e 1837 pelo então primeiro ministro conhecido por Passos, o Manuel, para não se confundir com o irmão, também político, ou Passos Manuel, mas que verdadeiramente era Manuel da Silva Passos.

A tourada só passou a ser comercial depois da construção da Praça de Touros de Sant’Ana no século XIX e, principalmente, depois da sua demolição e substituição pela Praça do Campo Pequeno. Pode dizer-se mesmo que a corrida de toiros que deve o seu nome ao toureiro de touros corridos, extremamente perigoso e que tornava impossível mostrar a verdadeira arte taurina só passou a ser comercial com a lide de um só touro na sua vida.

Não tenhamos pois dúvidas que a tourada é um espetáculo civilizacional como bem diz a Ministra da Cultura e como é o teatro, o cinema, concertos de música, ópera e, por fim, os jogos de computador.

Marques Mendes erra ao dizer que ministra esteve mal ao considerar a tourada como um espetáculo de uma dada fase da civilização, a da barbárie. Também a televisão na qual MM falou é um ato civilizacional.

 

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7 pensamentos sobre “ Barbárie Taurina já esteve duas vezes proibida em Portugal

  1. Já o disse aqui uma vez e repito : Substituam os ferros das pontas das bandarilhas por bolas de tinta de paint ball. Sim, essas dos jogos de guerrilha. Rebentam com o impacto, lançam tinta colorida e não fazem sangue. Vão ver como termina a discussão. E o espectáculo continua porque é preciso coragem na mesma para se chegarem perto dos touros.Experimentem ….que me vão dar razão !

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  2. Claro que as proibições não foram mediatizadas, pois não havia Bloco, TV. nem PS para deitar abaixo . Basta ver o relevo que foi dado á posição de Manuel Alegre, notável poeta, que acredita ter muito mais importância do realmente tem.

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  3. Enganaste-me outra vez, ó Dieiter!

    E eu, humildesmente aqui estou e até às paredes confesso que caí na esparrela de ler mais um chorrilho de parvarias da tua lavra… encadeadas sem lógica nenhuma. Vê lá tu que, desta vez, vais até a um sítio imaginário que resolveste apelidar como Lamego (!) e que assim. de canelada em canelada numa alegre coboiada descendente, chegas (de metro?) ao Campo Pequeno e à ministra da cultura e, ainda, ao reflexo do Marques Mendes (e nem se percebe tão singular é essa mistura, as usual).

    Numa meia-dúzia de parágrafos, sublinho, através de umas cenas que, em parte, foram oferecidas à borla pelo Expresso em papel, e, o resto, sabe-se lá de onde vieram.

    Nota, filantrópica. Aqui há uns dias ainda pensei em perder uns segundos contigo e, desta forma, civilizar-te (ena!) um pouco mais, quando te referiste à grandeza da Cimpor. Queria recordar-te, nada contra essas tuas origens prussianas acredita!, mas, recordar-te-ia que este pequeno rectângulo teve uma constante imperial ao longo da sua história em terras do Oriente, no Brasil e em África. Ora. pensei eu, posso pedir mais a outrém que não possui uma vaga, ou nenhuma?, ideia sobre uma eventual importância das suas colónias maternas africanas, por exemplo?

    Não, não se lhe pode pedir mais pelo que não admira, pois, que não tenha sequer este aspecto diante dos olhos.

    Zeca Afonso – Na Coboiada Descendente, qu’ouvi dizer que terá sido dedicado s ti.

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    • javal54 Pippo Bunorrotri Antonio Saramago
      3 bloggers like this.

      Nota. Já o tinha visto por aqui, notei que não escreve nada para além de troar raras interjeições nos posts mais merdosos, mas, aparentemente, os tipos que flanam n’A Estátua de Sal contam, também, com o desinteressado convívio de um outro Cantiflas (este Modernaço, acho).

      https://en.gravatar.com/pippobunorrotri , eu liko também.

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