Há petróleo em Alvalade?

(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 05/06/2015)

Nicolau Santos

    Nicolau Santos

Para lá da forma lamentável como a direção do Sporting está a tratar Marco Silva e para lá da surpreendente mudança de Jesus para Alvalade, verdadeiramente espantoso é como de repente há imenso dinheiro em Alvalade. E ou se trata de uma gestão genial ou de uma gestão vudu.

Sim, sabe-se que a SAD teve um resultado positivo de 22,1 milhões de euros nos primeiros nove meses do exercício de 2014-15, para o que contribuíram os 10,7 milhões das receitas da Champions, o aumento da venda de bilhetes (mais 3,4 milhões), patrocínios e publicidade (2,5 milhões), merchandising (um milhão) e direitos de transmissão televisiva (um milhão). No total, as receitas operacionais aumentaram 19 milhões, atingindo os 44 milhões de euros.

Não adianta continuar a desfiar o rosário contabilístico. Do que estamos a tratar é de opções que podem fazer disparar os números no sentido positivo ou de levar o clube para uma situação insustentável. E é isto que importa discutir.

Não, não há petróleo em Alvalade. Mas Bruno de Carvalho conseguiu contratar, Jorge Jesus, algo impensável há uma semana. O que se pode esperar desta contratação do ponto de vista económico? Bom para já, uma enorme expectativa: quem contrata o treinador bicampeão nacional só pode apontar para muito alto, ou seja, a entrada na Champions (o Sporting tem de disputar a pré-eliminatória) e ganhar o campeonato, pelo menos. Não chega a Taça de Portugal ou a Taça da Liga para o investimento que o clube está a fazer.

Depois, surgem as perguntas. É claro que se espera que a contratação de Jesus potencie as receitas em Alvalade. Mas chegará isso para lhe pagar os 6 milhões anuais, mais o prémio de assinatura de cinco milhões? E para os reforços que ele seguramente vai exigir? Não há dinheiro de Álvaro Sobrinho nem da Guiné Equatorial? A SAD diz que não, mas os rumores são mais que muitos. E quem vai patrocinar as camisolas do clube de Alvalade na próxima época, agora que a PT está fora de combate e o BES implodiu? E como passa a ser a política salarial em Alvalade? Acaba-se a contenção?

Bruno de Carvalho fez uma jogada de mestre. Sabia que só podia abafar o despedimento de Marco Silva com a escolha de um nome sonante para o substituir. A contratação de Jorge Jesus foi genial. Resta saber se a história vai acabar bem.

E o que vai acontecer em matéria de utilização dos jogadores da academia de Alcochete? Jesus vai recorrer a ela e lançar novos valores vindos da escola sportinguista ou vai preferir, como fez no Benfica, a contratação de jovens da América Latina, que depois valoriza para serem vendidos a bom preço? Vai haver uma mudança da política desportiva do Sporting nesta matéria?

A outra questão tem a ver com o relacionamento que existirá entre Bruno de Carvalho e Jorge Jesus. Bruno, mais que um presidente, é um adepto com o coração ao pé da boca e a cabeça demasiado quente, Jesus também ferve em pouca água e não teme os confrontos. O potencial explosivo está reunido. Se Bruno pensa que vai continuar a entrar pela cabine adentro aos berros e a vociferar contra os jogadores está certamente enganado. Jesus não lho vai permitir. Veremos, pois, durante quanto tempo vai durar este idílio, nomeadamente quando acontecer uma derrota.

Uma coisa é certa: os jogos entre Sporting e Benfica, a partir de agora, vão ser bem mais tensos do que nos últimos 20 anos. Não sobretudo entre os jogadores, mas principalmente entre as claques organizadas. A polícia terá de estar muito mais atenta.

Finalmente, o caso de Marco Silva, que há menos de uma semana deu ao Sporting o seu primeiro troféu em sete anos, conquistando a Taça de Portugal. Bruno de Carvalho não está só a ser ingrato. Portou-se de forma lamentável ao não comparecer na reunião onde Marco foi despedido. E está a tornar-se patético quando invoca «justa causa» para despedir Marco Silva, com argumentos tão caricatos como não ter usado o fato oficial do Sporting num jogo. É mau de mais para ser verdade. O Sporting não é assim, o Sporting não pode ser assim, sobretudo para os que o servem com dedicação, esforço e devoção, conduzindo-o à glória.

Em qualquer caso, Bruno de Carvalho fez uma jogada de mestre. Sabia que só podia abafar o despedimento de Marco Silva com a escolha de um nome sonante para o substituir. A contratação de Jorge Jesus foi genial. Resta saber se a história vai acabar bem.

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