(Carlos Esperança, 25/07/2021)

Otelo Saraiva de Carvalho na inauguração da exposição “40 Anos das Eleições Presidenciais – Um Presidente para todos os Portugueses”, em 2016.
(Subscrevo este texto do Carlos Esperança. E porque Otelo foi, de facto, um herói da liberdade, a Direita nunca lhe perdoou. É vê-los hoje a minimizarem o seu papel no 25 de Abril e a empolarem as suas ligações às FP-25. É que ainda têm algum pudor em assumir publicamente que, lá no fundo, lamentam que o 25 de Abril tenha ocorrido.
Quando vejo o fascistóide Ventura hoje a dizer que Otelo morreu no hospital mas devia ter morrido na prisão e a SIC a alinhar com o Ventura, indo aos arquivos buscar um documentário sobre as FP-25 e não imagens do 25 de Abril de 1974, dá-me vontade de vomitar.
Estátua de Sal, 25/07/2021)
Morreu o génio que planeou a mais bela de todas as madrugadas, o comandante militar da Revolução, o homem que converteu em realidade os sonhos dos portugueses.
Ele foi, por mérito e circunstância, o imorredouro maestro da orquestra que tocou o hino da liberdade, o homem de grandeza imensa, na glória e na tristeza do idealismo que não se acalmou, e que deixou na mesa da Pátria.
Na mais bela de todas as Revoluções o homem que havia de escrever o livro comovente “Alvorada em Abril”, não vacilou. É esse o dia que conta na saudade que ora sentimos.
Pôde, num só dia, resgatar todas as noites e o homem assumir as complexas operações que nos conduziram à liberdade.
Podem os oportunistas dizer que é cedo para julgar um herói desta dimensão, como se os heróis não tivessem zonas claras e escuras, grandezas e misérias, e fosse legítimo beliscar a memória de quem escreveu em um só dia a obra de uma vida.
Obrigado, Otelo.
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