Obsessão Marquês

(Joseph Praetorius, in Facebook, 18/03/2026, Revisão da Estátua)

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Examinei os comentadores dos últimos dias a propósito da “Operação Marquês”. É muito interessante a fúria de tal gente. Fúria a soldo, acrescente-se, que tais comentários são pagos. Até parece que o processo tem apenas um arguido.

Queriam, pelos vistos, uma cena como a do assassinato de Kadafi. E imputam a José Sócrates, como se delito fora, a intransigência no exercício dos direitos de defesa, que são os seus, basicamente exigindo que a defesa exista.

Querem também perseguir os advogados renunciantes, que abandonaram o processo, onde, por motivos diversos, não podiam cumprir os inviabilizados deveres de defensores.

Agora houve uma alteração significativa. Massano – em concertação “nacional”, por si anunciada, com o CSM e a PGR – viola a disciplina da designação de defensores oficiosos.

E o tribunal recusa a novo advogado constituído – e já em exercício nestes autos no patrocínio de outra arguida – o prazo de dez dias, para este suficiente, nas concretas circunstâncias do seu desempenho.

É pois lícito concluir que o tribunal impõe o prazo de dez dias àqueles a quem é insuficiente por desconhecimento dos autos e não o concede a quem esse prazo bastaria.

Quer um defensor de encomenda? Um ilegal oficioso permanente, por concertação com o bastonário Massano?

É quanto parece.

Este processo revela, sim, uma descredibilização das instituições judiciárias.

O processo só se aguenta como operação, segundo tudo indica. Com o tribunal sob acompanhamento de uma comissão do CSM. Com pretenso defensor pretensamente nomeado, contra os regulamentos, em concertação do bastonário com o acusador e com o organismo instituidor da comissão de acompanhamento.

A instituição só funciona bem, portanto, se não houver defesa e funcionará maravilhosamente bem se não houver direitos, estando disso a tratar o partido da ministra da justiça…

O sistema também funcionaria melhor, não havendo deveres. Recordo a resistência à distribuição por sorteio, legalmente ordenada e recusada por falta de regulamentação. Os incidentes de recusa deduzidos contra magistrados, a quem os processos foram distribuídos sem sorteios, foram alvo da imputação de sempre: “manobras dilatórias”. Aprenderam a dizer tal coisa e não se calam com isso…

Uma palavra para focar, ao lado, Ricardo Salgado, arguido que, por deterioração rapidíssima, perdeu a capacidade de saber onde está, ou quanto se discute – em situação de demência dolorosamente evidente. Um juiz houve, em Cascais, a tomar a decisão decentíssima de reconhecer que, em tais circunstâncias, tal homem não tem sequer capacidade pera mandatar advogado. Esse arguido está, nestes autos e portanto, sem defesa possível e sem presença possível, também. Coisa tremenda…

E a máquina segue, como se nada fosse. Na execução de pena se verá, diz o tribunal superior, em síntese… Perdeu-se a capacidade de sentir o constrangimento interior de todos os homens diante do sofrimento do outro. Ali assenta a demonstração de Rousseau da bondade originária do Homem. Recordo Aquilino e o seu bravo defensor. Uivam os lobos negros.

Têm a esperança que tudo isto passe em que jurisdição internacional? É que os direitos em causa são compromissos internacionais do Estado Português. E ninguém dispensará previsivelmente este Estado do cumprimento escrupuloso daquilo a que se obrigou.

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10 pensamentos sobre “Obsessão Marquês

  1. Ó senhor Rosa, se eu morrer antes de si, e com a certeza de que o meu domicílio final será no quinto dos infernos, prometo que meto um recurso (ou uma cunha) ao Diabo para lhe oferecer dois neurónios, que irão fazer companhia ao pobre solitário que já tem. Tá a ver? Fca com três! Não é uma riqueza?

  2. Há tanta gente que não diz coisa com coisa e não faz outra coisa senão chafurdar na titica de morcego que existe no fundo da sua caverna.

  3. Como se no Partido do teu CU não houvesse fartura de casos de polícia.
    Quando esse partido tiver anos como teem os tais partidos do sistema não devem haver juízes que cheguem para julgar tanto caso.
    Ele e pedófilos, ele e ladrões de malas, ele e burloes, ele e compra de votos a neo nazis, e só escolher.
    O que admira e que ainda consigam atrair pategos.
    E se ainda nao foram ilegalizados como manda a Constituição e porque também teem muitos amigos.
    Gente a quem interessa que voltemos a cair numa noite fascista.
    Mas não passarão.

  4. Para quem não se preocupa com “o nosso (todos) bolso” quando se trata de pagar os desmandos do Grande Irmão e seus vassalos direitolas ocidentais (honrosa excepção do PM espanhol, socialista por sinal), com uma inflacção que tudo encarece, começando pelos combustíveis, vejo que a Operação Marquês já te faz invocar tal argumento.
    Os dois pesos e duas medidas do fascizóide do costume, para além da desproporção óbvia, comum em pategos que consomem e repetem a propaganda do CU (candidato único) e outras semelhantes…
    Quanto ao Sócrates ter muitos amigos, deve ser uma piada seca direitolas. No Ministério Público, na Procuradoria-Geral da República e na comunicação social de massas não terá assim tantos, pelo que se constata.
    Só o conseguiram foi prender, por mais do que era permitido sem julgamento, porque em julgamento têm sido flops atrás de flops. E de flops percebes tu e o teu CU…

  5. O escritor do artigo sabe o que é um sistema. E os comentadores sabem. Aposto dobrado contra singelo em como não sabem. De qualquer modo se os magistrados do MP, funcionando com independência do PGR, tivessem um mínimo de inteligência já o eng Sócrates há muito estava a sair duma prisão para entrar noutra como o Vale Azevedo.
    De qualquer modo o STJ é uma fraude porque não é supremo e o sistema de justiça e o sistema de justiça deixou de se um sistema aberto e funcional transforma-se num sistema fechado entrópico onde a anulação da decisão prevalece sobre a própria decisão, graças a um sistema chamado de fiscalização concreta da constitucionalidade que um amontoado do concentrado europeu e difuso inglês e norte americano. Será que o Sócrates quando chegar ao Céu tem esperança de fazer um recurso para o diab

  6. Gato escondido com o rabo de fora.
    O que ele escreveria, se fosse alguém que não fosse do PS?

    Este “joseph” que tenha calma, a cena do Torres Couto indignado, vai-se repetir quando prescrever o processo. Até lá, pagamos este circo do nosso (todos) bolso.

    Quem tem amigos, não morre na cadeia. Pelos vistos, são poucos mas bons.

    Depois admiram-se à “esquerda”, que haja tantos “fascistas”.

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