Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos

(Whale Project, in Estátua de Sal, 04/02/2026, revisão da Estátua)


(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos de Alexandre Dugin sobre os ficheiros de Epstein e o impacto da sua revelação (ver aqui). Pelas ideias manifestadas e pela acutilância manifestada, resolvi dar destaque.

Estátua de Sal, 05/02/2026)


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Muito do que está nos ficheiros de Epstein faz Os 120 dias de Sodoma, a obra maldita do Marquês de Sade, parecer um livro para toda a família.

Noutros tempos, condutas desviantes não eram punidas com demissão, ou simples perda de títulos. Isto quando alguém tinha o azar de ser apanhado, já que as elites eram praticamente impunes e isso permitia muita coisa. Mas, Sade caiu na asneira de escrever o que realmente lhe ia na alma, pelo que foi apanhado e sofreu um destino do pior.

Não estou a dizer que os que participaram em orgias – de fazer uma pessoa, que ainda se preze de ser normal, vomitar as tripas -, deva ser tratada com a crueldade com que foi tratado o Marques de Sade que, por ser acusado de chicotear criadas, acabou enfiado num manicómio onde foi torturado até à morte, durante quase duas décadas. Mas, que muitos mereciam acabar os dias na cadeia, isso de certeza.

Sade deu o nome ao prazer da crueldade mas, também ele sofreu crueldade extrema por parte de uma sociedade que era, toda ela, cruel.

Ora, na segunda metade do Século XIX e na segunda metade do Século XX, dizíamos que as nossas elites eram modernas, esclarecidas, iluminadas, solidárias, em resumo, muito melhor que isto. Quando toda a gente nos dizia que tínhamos aprendido alguma coisa com a Segunda Guerra Mundial, acreditávamos numa “aldeia global” em que seríamos todos vizinhos uns dos outros e sabíamos o que eles andavam a fazer. Afinal, não sabíamos porra nenhuma.

Agora, cabe perguntar quantas das crianças que, nos anos 80 e 90, desapareceram na Europa não acabaram na Ilha de Epstein ou outros antros semelhantes. Cabe perguntar quantas ilhas dessas haverá. Cabe perguntar quantas crianças estão ainda a esta hora a ser violadas, torturadas e mortas. Epstein chegou a dizer que a morte de Fidel Castro lhe tinha aberto muitas possibilidades. Sabemos, agora, a que possibilidades ele se referia…

A verdade é que os ficheiros Epstein explicam muita coisa.

Explicam porque é que as nossas elites continuam a achar normal que se ataquem países para sacar recursos, não importa quantos morram, tal como no tempo de Sade.

Explicam porque é que elas querem fazer os direitos dos trabalhadores regredir ao tempo de Sade, com a treta de que isso é liberdade e modernidade.

Explicam porque assistiram de camarote a um genocídio.

Explicam porque Trump diz, à cara podre, que quer voltar a mergulhar o Irão numa monarquia absoluta, sob o comando de um demente, e ninguém se indigna.

Explicam a crueldade dos anos da troika.

Explicam a nossa transformação em cobaias, com resultados terríveis para muitos.

Explicam porque é que um ministro deste nosso governo disse que a gente que ficou sem casa, que use o ordenado de Janeiro para a reconstruir, dado que é suposto ter de esperar até ao fim de Fevereiro, por uns apoios que ninguém sabe bem quais são.

Porque a diferença entre as nossas elites e as do tempo de Sade é apenas tecnológica. E, é também o acesso à tecnologia, que faz a plebe, que somos nós, viver melhor e viver mais tempo que na Idade Média ou no tempo de Sade.

Mas, a mentalidade dessa gente não mudou e é por isso que cometeram barbaridades, e é também por isso que nenhum vai para onde merece ir: a cadeia.

Não são só os sionistas que desprezam todos os outros povos. Para as nossas elites também não valemos uma casca de alho. E, é por isso, que houve crianças que acabaram na Ilha de Epstein.

Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

6 pensamentos sobre “Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos

  1. Escravo que se diz alforriado.
    Tens alguns coisa a ganhar com a nossa volta a um regime como o de Salazar?
    Proveito te faça.
    Vai mas e colar uns cartazes do CU, que sabes muito bem que por aqui quer dizer o bandalho fascista financiado por grandes grupos económicos que querem ganhar com a exploração da saúde e educação totalmente privadas e terem direitos ilimitados sobre os trabalhadores como tinham noutros tempos.
    O CU conta ganhar tempo adiando eleições a conta dos temporais.
    Espera que o desespero dos afectados lhe renda votos.
    O bandalho também deve ter aprendido com Herr Zelensky.
    O meu não vai render de certeza.
    Vai ver se o mar da megalodonte.

  2. Outra patranha e outro sarilho. Cada um que escolha o seu.

    Capitalismo Bom vs Capitalismo Mau.

    Capitalismo Bom, este que temos na UE, USE mais propriamente.
    Capitalismo Mau, o que habita e prospera na China do PCC, Partido Comunista da China, não tive a aleivosia de colocar comas no Comunista, para os mais distraídos.
    Assim linkêmos (o Malaca que já está a fazer tijolo apoiaria o linkêmos, por soar a brasileiro):

    https://oilprice.com/Energy/Energy-General/Europes-Chemical-Industry-Is-Collapsing-Under-Energy-Costs-and-Regulation.html

    “Os investimentos na indústria química europeia estão despencando, o número de paralisações de capacidade ultrapassou 5 milhões de toneladas no ano passado, e os investidores estão migrando para mercados mais promissores, à medida que a UE sufoca o setor com regulamentações. Os custos de energia continuam muito altos para o conforto de qualquer pessoa. A Europa enfrenta mais uma enorme dependência de importações.

    É claro que a retração acelerada da indústria química europeia não coincidiu apenas com as sanções da UE contra a Rússia e a perda do fornecimento de gás natural barato por gasoduto vindo do leste. Insumos energéticos baratos — e gás especificamente — são essenciais para a competitividade de uma indústria que utiliza matérias-primas derivadas do petróleo para a maior parte de sua produção, principalmente gás natural, além de suas consideráveis ​​necessidades energéticas.

    Dito isso, o custo dessa redução de emissões começa a ser reconhecido como possivelmente muito alto, com altos funcionários da UE declarando que priorizarão a competitividade juntamente com as emissões. Foi com base na competitividade que a Comissão concebeu o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM, na sigla em inglês), para taxar as importações mais baratas de bens produzidos em locais com regulamentações de emissões mais flexíveis e energia abundante e barata proveniente de gás e carvão. O maior desses locais, é claro, é a China, e a China está rapidamente conquistando a participação de mercado global dos fabricantes químicos europeus.
    …”

    De vitória em vitória até à derrota final.

    Nada que incomode a “esquerda” festivaleira, fumadora de ‘charros’ uma e bebedora de champanhe francês e apreciadora de perfumes como o Carlos Terrorista, a outra, mas há mais ‘esquerdas’, há quem nuca tenha saído da adolescência, dos grupos e grupelhos.

    O que acham que os Trabalhadores, que vão levar um pontapé no CU, (diz o sítio ‘priberam’, que é equivalente a RABO e TRASEIRO, já que se fosse ÚNICO, teria que pagar ‘royalties’ ao partido do Cunhal, que só por 5 anos, não bateu Salazar no poleiro) farão?

    Continuarão a acreditar nos sindicatos?
    Continuarão a acreditar nos partidos ditos de esquerda?
    Continuarão a acreditar que Amanhã vai estar um lindo dia?
    Continuarão a acreditar que vale a pena perderem o salário e fazer greve?
    Continuarão a aceitar que, os que lhe prometem a felicidade a pataco e aceitaram a DITADURA do CHUCHA BOSTA, deixaram de convocar greves, os defendem?
    Continuarão sem trabalho, enquanto este ” ” novo proletariado” “, o que quer é tele-trabalho, fatias de ‘pizza’ entregues à porta por abexins, esses sim a pataco.

    Os que defendem esta mão-de-obra barata e que batem palmas a um filho da burguesia de antanho, MST, são os tais idiotas úteis que se diz que Lenin falou, do Capitalismo português.

    Já não são idiotas úteis, quando saltam a latir “negacionista das “alterações climáticas” “, mas idiotas mesmo, que com a sua adesão à nova Igreja dos Últimos Dias do Planeta, emprenham pelos ouvidos.

    Alguns já reformados, acham que assim é que deve ser, estão esperançosos que a pensão e os 125€, parece-me que foi o que li, desde que entrem na conta, não se passa nada. Será?
    Não sei, veremos.
    Os outros que, demasiado novos para se reformarem e demasiado velhos para trabalharem, dirão FOMOS ENGANADOS.

    E como acontece desde que o Mundo é Mundo, ficarão furibundos, daí a “esquerda” não gostar de Touradas, por um lado pela incapacidade de pegarem bois pelos cornos, por outro, por temerem que o controlo dos desgraçados lhes escape e que lhes marrem, como parece ser o caso.

  3. A sociedade actual promove a alienação e a indiferença, a dessensibilização com o mundo natural e os seres vivos, alguns até odiando os seus semelhantes (misantropia, xenofobia). Vivemos na era onde a “sabedoria” consiste na “literacia financeira” somada aos “digital skills”, numa sociedade de consumo ultra-capitalista, numa sociedade artificializada, na “sociedade da informação” (controlada pelas agências e centrais de informação, que funcionam como filtros selectivos e censórios), tudo o mais é descartável e acessório, objectificado, para uso e abuso das castas dominantes, das oligarquias e das cúpulas financeiras e políticas, que mantêm o sistema a funcionar sobre tudo o resto, sacrificando o que for preciso por ele, até começando conflitos e guerras pelo controlo dos recursos, das vias e rotas comerciais, e dos mercados internacionais.
    A língua e a cultura de saque e violência do império são utilizadas para moldar a globalização, através da exportação dos seus modelos, dos seus formatos, da sua propaganda, do atlantismo iluminado, do destino manifesto, para tudo e mais alguma coisa, uniformizando e tornando homogénea a diversidade mundial, a pluralidade, a especialidade, arrasando-as e substituindo-as pelas taras e manias anglo-saxónicas. A esquerda não existe, num sistema capitalista em esteróides, mas são todos comunistas que têm de ser caçados, excepto os que seguem o culto do grande líder MAGA.
    Perante esta avalanche de mediocridade moral, ávida ganância e ausência de escrúpulos, como pode haver respeito pela vida, humana e não só? Um país de pilhos, que ainda não parou de saquear e pilhar o resto da humanidade. E muitos que os vêem como exemplo a seguir e se curvam perante ele, chamando-lhe o farol do mundo livre, defensor dos nossos valores e da democracia. As patranhas e a mentira, a propaganda, a dissimulação são também imagens de marca do americanismo cultivado pelas lojas maçónicas, frequentadas pelos Montenegros e Relvas que tão prontos são a curvar-se e a obedecer aos ditames. E assim têm o exclusivo de enriquecer “na sombra”. E alcançar o poder sobre as nossas vidas e os nossos destinos, apesar de se mostrarem tão corruptos e incapazes. A americanização da política, com o Quarto Pastorinho à espreita, enquanto prega a moral e os bons costumes, e vai ao beija-cu ao Trump.

  4. Corrigindo gralhas de tipografo. “Segunda metade do Século XX. Quando toda a gente nos dizia que tínhamos aprendido alguma coisa com a Segunda Guerra Mundial e mais tarde surgiram as tretas da “aldeia global”.
    E as nossas elites claro que não comeram barbaridades, elas cometem barbaridades. Quem come os resultados delas somos nós.
    Isto vai aqui um repolho muito bem apertado.

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