Inqualificável parolice

(Joseph Praetorius, in Facebook, 04/09/2025, Revisão da Estátua)


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O Ministro da Educação quer empurrar-nos dois séculos para trás.

A anunciada instituição das propinas no Ensino Superior, com o fundamento – enunciado do modo mais cretino – em cujos termos as instituições de excelência, que em seu delírio visaria estabelecer, precisam de dinheiro que não pode ser público, significa, portanto, que as instituições actuais, entre as quais aquela onde ele leccionava, são indigentes em razão do financiamento público.

O senado universitário deve excluí-lo dos corpos docentes. É o emprego público que o exclui da genialidade, pelos vistos.

A manifestação de idiotia foi acrescentada. Se não forem os privados deve ser o Estado. Os impostos. Pois claro. É a lógica do utilizador-pagador?

(Também vão aplicar isso ao serviços nacional de saúde, está visto, já estou a ouvi-los: – porque havemos de pagar as doenças alheias? Há lá coisa mais linda que uma população a cair aos bocados por doença, não é?).

Mas o Estado não utiliza? As instituições de excelência, como diz o discurso anómalo, não servem e não serviriam o país? Se não for assim, serviriam ou servirão quem?

Porque quer esta criatura matar o primeiro elevador social? Que sanha alimenta ao mecanismo que o produziu?

Exploremos a anti-logia idiótica. Porque havemos nós de pagar este ministro da educação? Quem o utiliza que o pague. Não? Mas apresta-se a excluir do ensino superior 3/4 dos seus estudantes. E a despedir – portanto e pelo menos – metade dos professores.

É preciso ocupar as ruas e despedir a criatura. Tratando de fazer com que o Ensino Superior Público deixe de lhe pagar. Demitam o governo do avençado. Inteiro.(E vejam lá se não votam nestes idiotas para as autárquicas…)

Às ruas.


O ministro e as suas circunstâncias

O Ministro da Educação nasceu na freguesia da Gafanha da Nazaré e aquela cara podia ser a de um antigo seminarista. Nada diz sobre as suas origens familiares ou sociais. Há vagos ecos referindo origem modesta. Mas nada se publicou ao certo e por ora. O apelido é um nome próprio (Alexandre) e a presença respectiva vem marcada por traços de rusticidade, com alguns amaneiramentos pouco viris.

Foi produto do ensino superior público tendencialmente gratuito. Licenciou-se em Coimbra, onde fez também o mestrado. Em Inglaterra fez o doutoramento na Universidade de Londres, também pública mas não gratuita, no Birkbeck College, instituição conhecida pela sua frequência de estudantes trabalhadores e horários post laborais que Fernando Alexandre não terá utilizado.

Procurei a tese de doutoramento, mas não parece estar editada. E é sempre boa ideia, ad cautelam, passar esses textos ao scanner de programa de detecção de eventuais plágios e as universidades nem sempre o fazem e deviam fazer.

Pretende liquidar boa parte da actual geração universitária e restringir seriamente o acesso das futuras gerações ao Ensino Superior, instituindo propinas no ensino público, como modo, diz, de tornar independentes as universidade públicas e de lhes viabilizar a afirmação como instituições de excelência.

Na verdade, viabiliza a estratégia assumida pela ICAR, (Igreja Católica Apostólica Romana), e verbalizada por antigo Reitor da Universidade Católica em Portugal (Braga da Cruz), que se insurgia pelo facto da frequência do ensino Superior Público não comportar sacrifícios suficientes que permitissem dar aos estudantes a noção do valor da frequência universitária.

Pode ser questão de mentalidade. Na ICAR tudo é esforço e sacrifício, como o indiciará o papel central do abuso na vida do respectivo clero. Mas a utilidade dessa posição é evidentemente a de retirar aos estudantes qualquer disponibilidade para o debate político, revelando-se modo eficaz de extinguir a militância política estudantil, ou de a restringir severamente. Outra utilidade haverá, mais sinistra. Libertar carne barata para canhão em função das guerras ante-visíveis, pelas exclusões de frequência que passarão a regra.

Fernando Alexandre fez agregação na Universidade do Minho, embora não haja menção pública ao trabalho apresentado, nem à data das respectivas provas.

É um não denominacionista. Não se sabe qual é a sua posição político-ideológica, mas apenas o que vai dizendo e fazendo. Apareceu como independente numa secretaria de estado no governo Passos Coelho, de execranda memória, e como independente permanece no governo do avençado do Casino de Espinho. As laudas da imprensa “conservadora” – sendo como são laudas sem motivo – não indiciam nada de bom.

Tem protegido com eficácia a prática delitual, no Conservatório de Braga, de cobrar às famílias dos alunos do primeiro ciclo uma vigilância privada dos pátios de recreio (no montante de cinquenta euros mensais) sob o constrangimento das crianças serem postas ao portão nos intervalos, ou furos, ou faltas de professor. Informado, Alexandre nada fez, imagina-se que para dar aos recreios do primeiro ciclo a possibilidade da excelência. O gang que procede a tais cobranças lucra com isso uns 200.000 euros anuais e até este ano não passava sequer recibos. Os níveis de constrangimento ilícito sobre as crianças cujas famílias recusam pagar tais verbas devem fazer intervir os tribunais criminais.

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8 pensamentos sobre “Inqualificável parolice

  1. E claro que para esta canalha basta aos tugas saber ler, escrever e contar como no tempo da outra senhora.
    Os poderes europeus decidiram há muito que Portugal não deve ser mais que uma estância balnear.
    E para servir canecas de cerveja, limpar vomitado de turistas bêbados, ou até, no caso das mulheres, fazer uns favores sexuais a essa gente ninguém precisa de curso nenhum.
    Para alguma tarefa mais complicada como fazer as contas de gerência dos grandes grupos hoteleiros sempre se podem importar técnicos.
    Esses pagos a peso de ouro pois que os miseráveis ordenados pagos a todos os outros vão permitir isso sek beliscar os lucros.
    E os convidados não vão faltar pois que qualquer economista do Norte da Europa prefere fazer contas ao Sol.
    Por isso toca a dificultar cada vez mais o acesso a faculdade, seus pela via económica seja pelos exames nacionais.
    Porque isto é parecido exigência e por isso vamos lá cortar a vida a quem quer outro futuro que não o de entregar pizzas ou fazer camas em hotéis em nome da exigência e da meritocracia.
    Vão ver se o mar da Kraken.

  2. Ninguém se deve admirar por estas sacanices. É a natureza deles. Mais não fazem que cumprir o que escrevem (claro nas entrelinhas, ninguém vê) nos seus programas. Mais não fazem que cumprir as ordens das BlackRock e GoldemãoSacas que acima de tudo é reduzir a ascensão social ao mínimo dos mínimos, evitando assim a infiltração do poder por elementos não confiáveis nem influenciáveis.
    Acima de tudo nunca esquecer as responsabilidades de um tal que conseguindo criar uma anomalia jurídica assenta em coisa nenhuma conseguiu o almejado lugar ao sol de 30 000 € / mês depois de ter colocado o SNS nacional no caminho do colapso!
    Pim, pim Morra o Parágrafo!

  3. É verdade que o fernandinho vai ó vinho se tem esforçado, como os outros antes dele, para acentuar o plano inclinado em que escorrega o nosso sistema educativo. Desde a crónica e crescente falta de professores à intencional prepotência dos directores e às sucessivas medidas atrabiliárias que chovem sobre as escolas, passando pelo fingimento da ignorância dos números mais incomodativos, entre muitos outros casos, o dito chafurda naquela antiga estratégia de nunca resolver nada, mas criando sempre novos problemas que não existiam antes, para ver se distrai o povão.
    Naturalmente que a continuada degradação do ensino público não constitui nenhum acaso nem incompetência, bem pelo contrário. Enquadra-se bem no caminho há muito traçado para o papel d embrulho desempenhado pelos habitantes do rectângulo. Tendo sido estabelecido pelos poderes bruxelenses instituídos que o burgo deve ser um hub de serviços elementares, segue-se que não há qualquer necessidade de um ensino de qualidade, visto os emigras exigidos pelos empresários não precisarem de qualificações para apanha da azeitona, entregar pizzas, servir bicas ou trabalhar no bâtiment. O facto de esse tipo de pseudo-economia nunca poder levar ao crescimento/desenvolvimento não preocupa mínimamente as elites instaladas que defendem que assim é que tudo está bem. E depois ainda andam aí a tentar convencer o povão que seria bom que os ouvissemos quando nos dizem: vem por aqui…

  4. Já agora. E o telefonemazinho que este traste “muito incomodado” fez, ao reitor da universidade do Porto, acerca do impedimento da entrada ilegal daqueles trinta alunos no curso de medicina? Isto depois de outros telefonemazinhos feitos por “alegadamente” pessoas ligadas ao poder? Esta gente comporta-se e, de facto, são os donos do estado! Grande sarilho em que esmos metidos.

  5. Nota-se que o país vai bem quando o fato de “luto” e a gravata preta começam a ser a indumentária oficial habitual dos seus “grandes líderes” políticos.

    Primeiro o Montesnegros e o Presidente dos Afectos, de ressaca das férias interrompidas, agora o Ministro dos Negócios Estrangeiros, o da Defesa (do Atlético Norte) e também a cereja no topo do bolo, o Alcaide, ou o Edil (que assenta melhor porque rima com vil, e com carril, que é o singular de Carris) de Lisboa, El Chapas, também conhecido como Carlos 30 Moedas, todos tipo Power Rangers em formação, mas sem máscaras e na versão “obscura”, ora no Conselho de Ministros reunidos, ora na primeira fila da igreja na missa evocativa, ora na Praça dos Restauradores junto à Calçada da Glória, depositando flores, e circulando até ao Rossio atrás do PR. O mote? “Que se aprenda com o que aconteceu para que não aconteça de novo”. Pelo menos até à reeleição d’El Chapas, depois o tempo curará as feridas e as explicações não beliscarão o futuro “grande líder” já encaminhado a S. Bento ou a Belém pelos auspícios e augúrios dos vates e dos adivinhos do avental, e pelas preces e profecias dos capelões e dos sacristãos que têm o hábito de usar batina.
    A mensagem é pacificadora, ecuménica, unificadora, e ecoa desde que os fatos saíram do armário para substituir e eclipsar as bermudas, os bonés, os chinelos de praia e as t-shirts de manga-cava à actor de “Marés Vivas”: “não se pode fazer aproveitamento político”. Só se forem os do “costume”, para poderem “apagar a má imagem”, e desfazer “percepções” que tanto são ilusórias como úteis, se o foco não forem os políticos da “praxe”.
    E se em vez da “consternação”, das “condolências”, resumindo, da contínua caça aos votos, mesmo perante desgraças de que “lavam as mãos” mais rápido do que Pilatos, tivessem o pudor de durante alguns dias (quantos mais, melhor) deixarem de fazer as figuras que fazem e de dizer as anormalidades que dizem, e cortassem na propaganda para enrolar e encantar pategos? Se desaparecem e nos poupassem à dupla vergonha e à dupla tortura de ter de levar com as palavras de circunstância, normalmente enviesadas e mencionando os “sacrifícios dos portugueses” como se fossem por sua livre e espontânea vontade, após desgraça atrás de desgraça, incúria atrás de incúria, golpada atrás de golpada?
    A sanidade mental e a ética já se viu que não é o seu forte, quanto mais a competência e a capacidade…

  6. Pois, o bandalho sabe que se o povao não fosse patego o Carlos 30 Moedas tinha de fugir para Israel depois de uma coisa destas.
    Porque se há culpados nesta tragedia um deles e sem dúvida quem descapitalizou a Carris, quem deu a manutenção de equipamentos centenários a privados tendo como único critério o preço de saldo e toda a gente sabe que quando se trata de segurança o barato sai caro e saiu.
    E um desses nomes é sem dúvida o Moedas.
    E claro que o Montenegro sabe que uns coisa destas a menos de dois meses das eleições pode custar caro ao candidato.
    Então, na desumanidade que o caracteriza já veio dizer que qualquer critica as opções desse grandessissimo traste são aproveitamento político.
    Uma indecente parasitacao dos mortos.
    Mas vindo dessa gente já nada me espanta.
    Conheco o Senhor Spinunviva desde os anos da troika e sempre soube que desumanidade era o seu nome do meio. Quem se esqueceu foi quem votou nele duas vezes.
    Isto e uma gente sem decência, sem honra e sem vergonha.
    Como o traste referenciado no artigo que teve a pouca vergonha de dizer que isso de ir estudar na faculdade e um privilégio que não deve ser pago por toda a sociedade por isso as propinas teem mesmo de subir.
    Isto numa altura em que cada vez menos gente vai para a faculdade porque e cada vez mais complicado alugar um quarto e se as propinas subirem haverá ainda menos desses “privilegiados”.
    Esta gente quer mesmo fazeer-nos voltar ao tempo da Outra Senhora em que só meia dúzia de meninos privilegiados ia estudar.
    E os pategos, alguns dos quais até foram estudar só foram porque quase não havia propinas, acham normal.
    Vão ver se o mar da Kraken. E votem no Moedas que não vivo em Lisboa e para o lado que durmo melhor. Se querem ser pategos depois não se queixem.

  7. A (des)propósito: aproveitando politicamente, com magnífico sentido de oportunidade, a tragédia do elevador da Glória, Sua Excremência D. Luís Montesterco apelou “a que não haja aproveitamentos políticos” da tragédia do elevador da Glória. Pronunciando-se compungidamente sobre a referida tragédia, em oportuniquês de lei, como também manda a lei, o chefe da quadrilha do pote aproveitou assim politicamente a desgraça para, esfregando-nos na cara a sua anfíbia tromba de batráquio spinumvivo, parasitar despudoradamente os mortos. Continuando a surfar a oportuna onda da Glória, Sua Excremência D. Luís Montesterco aproveitou ainda a tragédia para promover eleitoralmente o candidato da (sua) quadrilha do pote às próximas eleições autárquicas, D. Carlos Trinta Moedas von Goldman Sachs, magnífico atleta de vozinha aflautada e especialista na pouco olímpica modalidade de passagem a seco entre os pingos da chuva. Oremos! Ou melhor, vomitemos!

    • O “avençado do Casino de Espinho” – genial!

      “Os níveis de constrangimento ilícito sobre as crianças cujas famílias recusam pagar tais verbas devem fazer intervir os tribunais criminais.” — É a escola Al Capone, hoje em dia na moda a partir da Casa Preta!

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