O oráculo de um ex-maoísta convertido

(Major-General Carlos Branco, in Observador, 23/06/2024)

O major-general critica o teor de criticas que lhe foram feitas na Rádio Observador por José Manuel Fernandes.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

No passado dia 29 de maio, no programa Contra-Corrente da Rádio Observador, José Manuel Fernandes (JMF) colocou em causa a minha honestidade intelectual. Não foi a primeira vez, e lá tive de ir ouvi-lo. Utilizando a posição de que goza no solilóquio do seu oráculo, JMF lançou corajosamente invetivas insidiosas contra mim. Sublinho: contra mim, não contra as minhas ideias. O tema central do programa era a situação na Ucrânia. Fiquei arrebatado com tanta erudição. Aprendi tanta coisa. Até fiquei a saber que não é da NATO que Putin tem medo, mas sim da União Europeia.

Isto foi mesmo dito assim! Indo ao cerne da questão.

Como o mais esclarecido da “cantareira”, JMF consegue ver luz no meio da escuridão. Reparou em algo não acessível ao mais comum dos mortais: “[a maioria] não percebeu as intervenções mais perigosas, que fazem alguns generais que andam por aí, que estão aí todos os dias.” JMF alertava-nos para estarmos atentos a uns tipos perigosos, apontando o dedo delator aos “dissidentes”. Só ele é que tem o direito de “andar por aí”.

JMF atribuiu uma carga negativa ao que eu disse sobre a então anunciada conferência de paz em Genebra: “Atirou-se [Carlos Branco] contra a cimeira da Suíça,” mas sem explicar o que eu disse ou o que ele pensava sobre o assunto. Como se fosse pecado expressar um pensamento crítico. Estava a preparar a audiência para o que viria a seguir.

E prossegue, “entre outras coisas, não daria demasiada importância a estes pontos de vista se não percebesse… como alguns dos vídeos das suas [minhas] prestações têm impacto. Há pessoas que [embora] não o digam pensam o mesmo. Essas pessoas estão espalhadas por mais do que um partido. As suas opiniões não valem por si próprias, mas refletem um pensamento mais alargado. Eu diria que algumas delas valem por si próprias… quem conhece estes militares desde os tempos da academia militar diz-me que não fica surpreendido porque… sabia quais eram as suas opiniões políticas nesse período.”

Não deixa de ser cómico, um acérrimo ex-maoísta/estalinista e chefe de redação no jornal “Voz do Povo” invocar o passado dos outros, com mais de quatro décadas, para um juízo de censura sem contraditório. No fundamental, JMF parece manter-se quase na mesma, continuando a recorrer aos mesmos truques e jogadas de malabarista. JMF recordar-se-á certamente dos tempos em que escrevia cartas anónimas à direção do jornal para “entalar” colegas.

Ou de, em 2003, se prestar a publicar um alegado editorial apologético da invasão do Iraque pelos EUA (o mesmo país que uns anos antes tinha fornecido armas químicas a Sadam Hussein) em nome da “direção editorial” do “Público”, que originou uma veemente resposta de um antigo diretor e um enorme desconforto na redação, ao pretender associar o jornal a uma invasão ilegal.

JMF recordar-se-á certamente da harmonia e da concórdia que esse ato democrático provocou. Não se conseguiu distanciar das práticas dos tempos da “Voz do Povo”. Está-lhe na massa do sangue.

O truque de JMF é baixo: insinuar, denegrir e enlamear. Eu desconhecia ter alguma vez manifestado o meu pensamento político ao longo dos 40 anos de serviço. Alguns camaradas meus, naturalmente no exercício da sua liberdade, inscreveram-se em partidos políticos, concorreram a eleições (não foi o meu caso) e rabiscam no jornal de que JMF é diretor.

Coerentemente continuou a verve. “Mas apesar de tudo fizeram uma carreira, chegaram a generais e estiveram colocados na NATO. E eu interrogo-me como é que nós em Portugal colocamos nesses lugares de responsabilidade, na NATO, adversários da NATO.”

Sendo certo que no passado JMF se referiu à minha pessoa e às funções internacionais que exerci, não posso deixar de desafiar JMF a dizer onde é que já manifestei opiniões “adversárias à NATO”. Tenho vários textos publicados sobre o tema em jornais e revistas de referência. Se não o fizer terei de o considerar manipulador da opinião pública. Sou o único militar português que ocupou por três vezes cargos de relevo nas Nações Unidas e na NATO através de concurso internacional.

Se JMF soubesse do que fala, saberia que a NATO é um fórum onde se confrontam e se digladiam interesses. Saberia que vários ex-chefes militares da NATO manifestaram publicamente posições muito cuidadosas e preocupadas sobre a forma como os acontecimentos na Ucrânia se estão a desenrolar.

Sabemos como se comportam os cristãos-novos. Quando abandonou o maoísmo e se converteu ao “mercado” JMF teve de convencer os seus patrocinadores que era mesmo um tipo fiável. E daí quem se tornou um idiota útil foi JMF e não eu, como me acusou.

Por isso, JMF não debate, denigre. A divergência de opinião é para ele criminosa. Encorajo-o a informar os seus ouvintes daquilo que Kissinger, Kennan, Mearsheimer e tantos outros disseram sobre a expansão da NATO e como anteciparam com rigor o momento que estamos a viver.

JMF é daqueles que acham que os nossos interesses nacionais devem estar sempre subordinados aos interesses de outros, e que essa subordinação não pode ser discutida sob pena de heresia.

Ainda nos recordamos do sentido crítico de JMF quando acreditou nas armas de destruição massiva no Iraque e veio publicamente defender a intervenção norte-americana. “Deixem, pois, Bush e Blair fora” exultava JMF em abril de 2003. Uma comparação das suas previsões com os acontecimentos esvazia qualquer credibilidade que se lhe pudesse atribuir. Devia corar de vergonha e retratar-se publicamente pelo erro de análise. Coisa que até Colin Powell teve a altivez e a coragem de fazer de modo muito claro nos últimos anos da sua vida.

Naquela conversa de amigos do Contra-Corrente, a fingir ser uma coisa séria, JMF interroga-se porque é que sendo a Rússia o maior país do mundo “faz tanta questão em querer mais um bocadinho de território na Europa?”. JMF sabe muito bem que não foram ambições territoriais, mas sim a perspetiva de adesão da Ucrânia à NATO o que motivou a ação da Rússia, possível com a alteração da correlação de forças políticas em Kiev proporcionada pela revolução colorida de 2014.

Sabe, e se não sabe devia saber, que Putin, ao contrário do que fez com as repúblicas georgianas da Abecásia e da Ossétia do Sul, imediatamente reconhecidas pelo Kremlin após a operação militar em 2008, só reconheceu Lugansk e Donetsk passados oito anos após a saída forçada do poder de um presidente democraticamente eleito, nas vésperas da invasão da Ucrânia.

Putin queria manter as duas repúblicas rebeldes na Ucrânia porque ainda alimentava nessa altura a ilusão de poder vir a eleger um novo presidente ucraniano tipo “Yanukovitch”, apesar das novas autoridades instaladas na Bankovka terem ilegalizado o partido vencedor das eleições, para depois convocarem eleições “democráticas”. JMF sabe que está a mentir, e nós sabemos porquê. Exatamente como mentiu sobre as armas de destruição massiva de Sadam Hussein. JMF quer estar bem com os patrocinadores, mas acaba mal com a história.

JMF escolhe seletivamente acontecimentos para compor uma farsa histórica que lhe seja conveniente. Na amálgama das historietas que lucubra deve dizer-nos se o neonazismo na Ucrânia é uma ficção, ou se acredita mesmo que a Ucrânia alguma vez seria capaz de ganhar um conflito contra a Rússia, mesmo com a massiva ajuda internacional.

Um dia destes, não faltará muito tempo, acertaremos contas e veremos quem falou verdade à opinião pública, e quem andou despudoradamente a fazer propaganda e desinformação. Não perderei a oportunidade de o desmascarar. Ao contrário de JMF, a minha lealdade é com a pátria, e com os valores plasmados na Constituição da República portuguesa. É um ato patriótico alertar para os perigos de opções que podem ser dramáticas para o nosso futuro coletivo, fruto de décadas de experiência enquanto militar. Lamento que o bem instalado JMF contribua insidiosamente em sentido contrário nos seus solilóquios radiofónicos.

27 pensamentos sobre “O oráculo de um ex-maoísta convertido

  1. Só para recordar, os neoliberais e oligarcas, ou seja a facção da OTAN (para já) querem 2% do PIB (4% do orçamento) e, se deixarmos , vai querer comer tudo, incluindo vidas humanas. E há quem, entre os partidos burgueses ,aplauda, subscreva e ofereça ainda mais. Mas estão tolos (para não dizer outra coisa)?
    Não participação de tropas portugueses nas guerras imperialistas, desmantelamento da NATO e de todos os pactos militares ofensivos .
    Um Ex-RPA-C e Ex Militar da FP

  2. A sério que ainda há quem pergunte porque e que queremos conquistar a Rússia?pois,a Rússia não tem nada,nem petróleo,nem gas, nem ouro, nem terras raras.nao tem mesmo nada que nos interesse.
    E também há unicórnios cor de rosas.
    E os países que se juntaram a NATO tiveram noutros tempos quem se juntasse aos nazis no sonho de pilhar a então União Soviética,nada mais normal que o façam agora. Querem uma fatia do bolo.
    Ou se calhar os seus dirigentes querem apenas não acabar como o Olof Palme.
    A Ucrânia devia ter sido invadida em 2014 quando os nazis queimaram gente viva.
    Muitas das antigas republicas soviéticas sao estados falhados que só iriam dar era trabalho.
    Mas ainda há gente que acredita que o Pai Natal desce pela chaminé.
    Slava carneirini.

    • Os americanos forneceram armas químicas ao Iraque????
      Ou forneceram-lhes componentes de duplo emprego, que os iraquianos transformaram em armas químicas?

      • Lizard: boa piada a sua. Não deu a mistura até porque as componentes estavam em embalagens distintas. Agora que o lizard é um esperto não há dúvida nenhuma !!! Nem é preciso misturá-lo com bosta nenhuma . E gastou 4 pontos de interrogação, carago …

  3. Agora que vivemos o tempo do “TRIUNFO DOS PORCOS” é um prazer ler um Português lucido, e sem medo, nem patrões, Obrigado

  4. Lidei com JMF nos tempos da voz do Povo/UDP e conheci os seus métodos sociais fascistas com que lidava com os colaboradores do jornal. Não passa de um propagandista, mas perigoso. Como refere, e muito bem, com tempo este vai , como muitos outros, serem desmentidos pelas campanhas de desinformação que fazem.

  5. Mas o senhor general acha verdadeiramente que a NATO pretende atacar a Rússia? Para quê? E acha mesmo que a adesão voluntária de países vizinhos da Rússia à NATO faz parte de uma estratégia de conquista da Rússia? A sério? Não será antes uma forma de se protegerem de possíveis invasões que visam o restabelecimento de algo semelhante à antiga União Soviética, como se está a ver agora com o caso da invasão da Ucrânia e com as ameaças a outras repúblicas independentistas?

    • “estratégia de conquista da Rússia?”

      Que ideia mais estapafúrdia! Claro que não, isso nunca existiu, basta saber um pouco de História! Toda a gente sabe, por exemplo, que Napoleão Bonaparte não passava de um jovem turista que não gostava de viajar sozinho. Apenas por isso se fazia acompanhar, nas suas excitantes viagens, por centenas de milhares de homens. Exactamente, aliás, como o piedoso humanista Adolfo Hitler, outro jovem turista, fervoroso adepto do Inter Rail. E também toda a gente sabe que os pretos das neves da Moscóvia são uns selvagens que detestam turistas civilizados. Não passam de uma cambada de estúpidos ingratos e xenófobos, incapazes de entender os enormes benefícios para a economia moscovita resultantes do generoso afluxo de divisas inerente a esses booms turísticos. Foi esse o único e lamentável motivo que os levou a agredir selvaticamente os referidos turistas, não descansando enquanto não os puseram da Moscóvia para fora a pontapés no cu.

    • Vê-se que a menina é uma ignorante e reage a partir dela. A ignorância misturada com emoções infantis descontroladas produzem o ódio, que é a expressão de um medo primário. Estude/ informe-se. Saiba o que foi a II guerra, quem a vencer e quem a não venceu mas utilizou a derrota nazi para cultivar o nazismo como política própria. Não arrisco perder mais tempo porque a menina não deve ter estrutura mental para conhecimentos complexos. Bem podia ter ficar quieta/calada e evitar o chorrilho de parvoíces que escreveu.

  6. Parabéns Sr. General e obrigado pelas suas intervenções sempre claras. reais e pragmáticas. É das poucas vozes que ainda fazem acreditar a muitos de nós de que o mundo continua a poder ter alguma esperança. Por favor continue a ser essa também nossa voz. Muita força. Obrigado.

  7. Dizer uma coisa e fazer outra, dizer que somos a favor da paz e fazer a guerra,dizer que somos solidários e ser tudo menos isso. Sempre assim foi mas ultimamente é obsceno.
    Um colega meu teve de ir a farmácia comprar o material de sutura para cozer um lanho na cabeça do filho porque na Urgência do Centro de Saúde não havia esse material.
    Mas já tivemos 300 milhões de euros para dar a Herr Zelensky e sua quadrilha.Aposto que daria para muito material de sutura.
    Não vejo serviços noticiosos televisivos desde 2011 por uma questão de higiene mental mas continuo na NET e o que tenho lido do chamado “caso das gêmeas”da me a volta ao bucho.
    Entre dinheiro vivo e material um pais onde a reforma mínima ronda os 200 euros já enterrou certamente 500 milhões de euros na Ucrania.Num pais que nunca nos deu nada a não ser trolhas e putas. Bem,como temos falta de médicos alguns tiveram os diplomas reconhecidos após longos estágios nas limpezas e na construção civil.
    Mas já tivemos inquéritos,buscas,acusações e o raio que o parta em torno de que influências se terão movido para que as crianças fossem salvas.
    Falamos de um gigantesco caso de influências e sei lá mais o que e indignamo nos com o gasto de quatro milhões de euros.
    Já dou de barato porque e que um medicamento custa quatro milhões de euros.Afinal de contas o mercado e sagrado.
    Mas que um pais que tanto apregoa solidariedade esteja agora histérico porque se gastou dinheiro a salvar crianças quando não da nem um pio sobre o dinheiro que se gasta a fazer a guerra há qualquer coisa de simplesmente imoral nisto tudo.
    Mas esta gente já mandou há muito a moral as malvas.
    Eu sei que salvar crianças não nos dá ganhos enquanto que fazer a guerra pode contribuir para dividir a Rússia nos tais 40 e podermos pilhar a vontade o que lá teem.
    E as crianças não valem nada daí que ainda tenhamos trastes a falar no direito a defesa de
    Israel sobre os cadáveres de mais de uma dezena de milhar de crianças palestinianas.
    Dar armas e dinheiro a Herr Zelensky para que este possa matar crianças no Donbass e na Rússia e que e um investimento de valor.Salvar crianças de um pais de onde durante mais de 300 anos sacamos em ouro, diamantes e outros recursos bem mais de quatro milhões de euros e que e uma imoralidade a merecer o devido castigo.
    Faz sentido para a moral retorcida de uma gente que há 500 anos destrói outras terras em nome da civilização e hoje espalha a destruição e a guerra em nome da democracia e dos direitos humanos.
    Um bravo a quem e insultado e ameaçado por manter um pouco de lucidez no meio disto tudo. Essas pessoas são uma luz numa era de trevas.
    Os outros podem ir ver se o mar da choco.

  8. Esses palradores de poleiro, oradores polivalentes que tanto se apresentam como comentadores/opinadores, como directores de informação, como logo a seguir moderadores de debate político, para aparecerem depois a comentar ou moderar as noites de futebol do Euro… enfim, são realmente uma estirpe à parte.
    Vejam bem que na RTP3 nem a tabela com a classificação correcta do grupe F do Euro, no qual Portugal participou, conseguem exibir, e a Turquia aparece com 3 pontos em vez dos 6 que conseguiu (em ex-aequo com a selecção portuguesa)…
    Pode parece inocente, e se calhar é (a ignorância e a desinformação são um hábito, e não é só no tempo de antena dedicado ao futebol) mas nem o “sempre certeiro” Carlos Daniel, outrora como “moderador” de debates eleitorais para as europeias, hoje no papel de expert futebolístico, conseguiu corrigir o erro grosseiro, que foi repetido vários vezes durante a emissão após o jogo.

    • *Turquia aparece com 4 pontos, ou seja 1 empate, 1 vitória e 1 derrota, mas ganhou 2 jogos e perdeu 1
      E os entendidos todos já debitaram mil e uma análises e nenhum conseguiu corrigir o erro.

    • Se nem a discutir futebol há isenção e seriedade, objectividade, se nem a apresentar a pontuação final do grupo conseguem ser honestos e pragmáticos, o que dizer então da imparcialidade dos meios de comunicação social e dos editores, moderadores e opinadores (sempre os mesmos, sempre comprometidos com os agentes, patrocinadores, dirigentes federativos ou clubísticos, alguns fazendo todos os papéis desde apresentadores a cicerones a comentadores, e parciais e fanáticos como poucos, apesar do recurso ao politicamente correcto, pelo menos enquanto conseguem manter a postura), imaginem quando o assunto é política… funciona sempre a mentalidade de claque, e é assim que a informação é administrada, filtrada, manipulada sempre para causar emoções e não analisar racionalmente a realidade, sem palas e filtros e óculos com lentes coloridas.
      Assim, um editor ou director de informação apresenta telejornais, debates políticos ou de actualidades socio-económicas, e também antevisões e análises futebolísticas, e faz o papel tanto de pivot neutral como de entendido ou experto, emitindo não raras vezes opiniões parciais enquanto modera, e fazendo ares de moderado impoluto e imparcial quando opina, muitas vezes dizendo besteiras carregadas de facciosismo.
      A Turquia, esse país não muito chegado e de maioria islâmica, que os pategos chegamos não vêm com bons olhos e até André Pendura diz serem pouco dados ao trabalho, acabar com os mesmos pontos de Portugal, depois da derrota com a Geórgia do super dream team, da selecção de todos nós que é apenas do Jorge Mendes, não ficaria muito bem na fotografia. Como marcaram já no fim ante a Chéquia (ainda mais tarde que o golo que Portugal lhes marcou, conseguindo vencer à pele), os coirões da RTP não se chatearam muito e puseram uma tabela onde Portugal aparecia isolado no 1.o lugar do grupo com 6 pontos, e a Turquia em 2.o só com 4, tal como a Geórgia. E não houve ninguém que corrigisse o lapso(?), não vá o Zé Tuga ficar revoltado ou com ideias, depois de tanta propaganda sobre a super-selecção nacional (que escolhe ou rejeita “craques” por encomenda ou recado), e o pouco que os turcos gostam de trabalhar, ainda por cima maometanos até à ponta dos cabelos…
      E querem vocês seriedade e objectividade destes canais de informação (neste caso o canal público) no tratamento informativo dos conflitos internacionais, quando nem num europeu de futebol com resultados homologados são capazes de apresentar uma tabela com as contas correctas?
      Não existe, os canais noticiosos são canais de propaganda mercantilizados onde se vendem ou promovem produtos e conteúdos por medida, até mesmo os canais públicos onde pouco lhes resta de isenção, ética e deontologia profissional… e olhem que ontem passaram várias horas da emissão a falar do jogo de Portugal, do grupo, do Euro… só não conseguiram apresentar a tabela com os resultados e as contas correctas, um pouco como por vezes acontece nos canais dos clubes quando estão a perder ou perderam um jogo decisivo.
      São pequenos detalhes que todos somados significam que muita coisa vai mal, são sintomas da doença maior que é a manipulação e a lavagem cerebral de massas por parte de orgãos ditos informativos, mas que promovem propaganda e desinformação.

    • Outro episódio caricato neste Euro, um pouco diferente deste, mas com pontos em comum, foi quando o repórter da SIC na Alemanha estava a cobrir uma das aparições públicas da selecção na Alemanha em directo, do lado da pequena multidão que se ajuntou do lado de fora do perímetro vedado, penso que no centro de estágio onde Portugal se instalou, e um grupo de miúdos que por lá passava o empurrou com alguma força.
      Ora, interrompendo o seu directo, o habitual repórter da SIC em eventos aleatórios recreativos e desportivos (não o inefável Nuno Luz, o outro), virou-se contra os “rufias” e o que era uma reportagem sobre o contacto entre o público e a selecção na Alemanha passou a ser sobre o contacto entre o repórter da SIC e os miúdos (caracterizados depois como “árabes que se juntam nestas ocasiões para causar distúrbios e problemas), vendo-se este a perder toda a compostura, sair do plano e a perseguir e agredir os problemáticos “mini-terroristas arábicos”, afiambrando num deles como o próprio referiu depois, na reportagem que deu sequência àquela que fora interrompida por motivos alheios. O mesmo repórter, transformado em protagonista Street Fighter, disse que estava tudo bem com ele, e que ainda lhe tinha dado um prenda, uma lembrança portuguesa.
      Mas isto não chegou para assegurar a dose diária recomendada de ridículo na televisão portuguesa. Os alarmes devem ter soado na redacção ou direcção editorial, e acautelando possíveis queixas ou processos contra o repórter ou o canal, por agressão (televisionada em directo, pelo menos parcialmente, pois o Action Man saiu do plano para pontapear ou esmurrar o “pequeno terrorista islâmico”, mas ainda se viu o seu esforço e coragem hercúleos), logo no noticiário seguinte veio a pivot afirmar que o jornalista tinha sido agredido e posteriormente sentiu dores no braço, tinha deslocado o ombro, e teve de ir ao hospital ser avaliado e examinado, sem nunca dizer o que o herói de plantão, repórter convertido em agente de autoridade ou segurança com cinturão preto de Aikido tinha feito. Isto quando o próprio já tinha dado a cara e afirmado que estava tudo bem com ele e até lhes tinha dado um presente de recordação.
      Vocês estão a ver o nível de demência e de falta de vergonha na cara desta gente? Até lesões inventaram só para acautelar possíveis processos judiciais contra o repórter justiceiro freedom fighter, não fossem os infames delinquentes muçulmanos apresentarem queixa por agressão contra ele à polícia alemã, isto quando o homem estava rijo que nem um pêro e ainda tinha distribuído umas pêras em directo (palavras do próprio Nuno Pereira, que apareceu em directo logo depois, no rescaldo da contenda, ainda a quente após a refrega)…

      https://sicnoticias.pt/especiais/euro-2024/2024-06-17-video-jornalista-da-sic-agredido-na-alemanha-fcc40cc6

  9. Nao há pior fascista que o fascista convertido. Os sujeitos acham que assim conseguirão mais facilmente tachos.Foi o caso do Barroso que serviu de empregado de mesa na Cimeira que decidiu uma invasao criminosa e assim conseguiu chegar ao mais alto tacho europeu.
    Muitos deles nunca foram de esquerda mas pensaram que o vento dos tachos corria para aquele lado.
    Assim que viram que o vento mudou logo começaram a ver as luzes radiosas da “democracia liberal”.
    Para a maior parte deles a traição a convicções que na realidade nunca tiveram foi bastante proveitosa.
    Outros foram com demasiada sede ao pote, cavalgaram a corrupção e viram se nas teias da lei.
    Por mim podiam uns e outros ir vê se o mar da choco.
    Um bravo a quem mantém um pouco de lucidez no meio disto tudo.

  10. Uma fortíssima costela ecológica faz de mim um acérrimo defensor da reciclagem, mas está provado que a reciclagem dos marxistas-leninistas-maoístas da Tugalândia corre sempre mal, dela resultando, invariavelmente, aquele material pastoso e malcheiroso com que só o milagre do autoclismo, em 20 descargas consecutivas, consegue lidar. O Fernandes está apenas a disputar ao Durão Barroso a duvidosa honra de exemplo de catálogo.

      • Compostagem implica alguma utilidade. Não é o caso. Insisto nas 20 descargas consecutivas do autoclismo e dissolução final na ETAR mais próxima, com o resto do cocó.

    • O Camacho, se pensar um pouco, verá que o rótulo marxista-leninista-maoísta é incorrecto e por isso de muito duvidosa utilização. Como é o caso. O fernandes nunca foi maoísta mas um agente da cia, sabendo-o ou em pura ignorância. O que ele farejou foi um futuro promissor pago pelos capitalistas que abusaram dele, com o seu consentimento ou em pura ignorância. A vida profissional do fernandes foi como aquela do sabujo que sempre que vê um pau a ser atirado para longe corre a ir buscá-lo e trazê-lo ao dono na boca de dentes cerrados. Coisas caninas, coisas dos fernandes como esta abencerragem que está longe de ser um homenzinho mas está rico e bem na vida. Não passa de um fascistasinho que escreve e diz umas larachas a gosto dos seus donos. Busca o pau, busca !!!

      • “Marxistas-leninistas-maoístas” era a “qualidade” que os Fernandes, Durões Barrosos e afins atribuíam a si próprios. Maoístas nunca terão sido senão da boca para fora, tal como apenas da boca para fora foram marxistas e/ou leninistas. Era o lado para onde lhes parecia que soprava o vento, nessa época, e a maneira de garantir um lugarzinho confortável entre os happy few, pensavam eles de que. É gente que navega apenas de cabotagem, e mesmo assim muito limitada, pois só conhecem dois portos: a carteira e o umbigo.

Leave a Reply to Aires EstevesCancel reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.