(José Gabriel, 09/08/2019)

“A emancipação dos trabalhadores será obra dos trabalhadores”- dizia Marx. Se não forem capazes, contratem uma sociedade de advogados ambiciosos, digo eu.
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E não, não estou a questionar a legalidade e a legitimidade da greve que se anuncia. Muito menos a subscrever a acção e medidas do governo – que raio de serviços mínimos são aqueles? – que parece ansioso por mostrar músculo político e agradar aos eleitores de direita. Estou apenas a lembrar que esta treta do “novo sindicalismo” – parece que já há 15 sindicatos, 15, a querer contratar o dr. Pardal – não tem nada de novo.
O ataque vai-se virando, durante estes eventos, contra o chamado sindicalismo “clássico”. Isto é, o sindicalismo forte e unido com uma forte componente política – não, não tem de ser partidária -, cuja acção não se resuma à reivindicação salarial e a concertações encenadas.
É por isso que a direita exulta com este suposto vendaval de neo-sindicalismo. É que, para ela, uma sociedade de advogados a dirigir – generosa e graciosamente, claro – um sindicato, é modernaço e traz a vantagem de as organizações sindicais não se meterem em política que isso é coisa de senhores doutores. Já se um partido tiver forte presença num sindicato, “ai valha-me deus, ti batata, que isto é tudo uma data de comunistas”.
Nós compreendemos.
Pertenço a um sindicato cujos membros são obrigados a habilitação certificada e ao real exercício da profissão. Os advogados que com ele trabalham fazem-no – como acontece com a maioria dos outros sindicatos – como consultores, não dirigentes, nem sequer sócios. No limite, imagine-se o que pode acontecer se esta prática de infiltrar os sindicatos com profissionais que nada têm a ver com eles se generaliza.
E não, nem isto é novo. É só um conceito de sindicalismo que foi, como outros foram, no tempo histórico próprio, rejeitado no nosso país, onde escolhemos outros caminhos.
Reduzir, qualquer que seja o preço, a acção sindical à exigência de mais uns euros e, ainda pior, à pulverização de corpos profissionais enfraquecendo a luta comum em troca da vantagem de uns poucos, é um caminho. Mas o preço final não é pequeno.

o sindicalismo ” advogado ” por Marx, é passado, agora é um negócio de alguns, em nome de outros.paz à sua alma.
Tenho andado um pouco intrigada, porque é certo e sabido, dito e redito, falado e mostrado em tudo quanto é TV ou jornal, que o Sr. Dr. Pardal, sem carteira profissional de motorista, mas que o é por afinidade, porque consta ter um irmão que o é, ou um pai que o foi, é o Vice Presidente… mas a verdade é que nunca ouvi, nunca o vi e se vi, não fiquei a saber que era, o Sr. PRESIDENTE do sindicato.
Numa página do Facebook, acabei de ler o seguinte comentário: – «O presidente deste sindicato (dos motoristas), sr. Francisco São Bento, tem alguma coisa a ver com a empresa “Francisco São Bento Transportes, Lda”?»
Um espanto!…
Porque me custa a acreditar que seja uma só pessoa a desempenhar dois papeis, peço o favor a quem quer que possa informar-me, se há mais “Franciscos” na terra ou se a mesma pessoa tem o dom da omnipresença, com dualidade de interesses.
É que a ser uma só pessoa, pior que perversão do sindicalismo, é a perversão do sentido de classe trabalhadora.
Hum-bis?
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Serviços Públicos
Governo lança Kit
Emigrante para ajudar
quem chega de férias
O Governo lançou uma
campanha de informação
chamada Kit Emigrante,
dirigido aos portugueses que
vêm a Portugal no Verão. “A
ideia é disponibilizar um
documento com um elenco
daqueles que são os serviços
que mais frequentemente os
cidadãos portugueses que
residem fora de Portugal
solicitam”, explicou o
secretário de Estado Adjunto e
da Modernização
Administrativa. A adesão à
Chave Móvel Digital, a
renovação do Cartão de
Cidadão, de registo criminal, o
pedido ou simulação de
pensões através da Segurança
Social ou da Caixa Geral de
Aposentações são alguns dos
12 serviços do kit.
Fonte: P., 9.8.2019, p. 19.
Nota. Eheheheheh!
Adenda. Toma lá, ó da Estátua (apontamento sobre as origens da cultura de corrupção que medra entre os quadros do PS, work in progress).
https://twitter.com/ArquivoEphemera/status/1160538327466070016
Um artigo que vem ao encontro do que há dias aqui publiquei, no que diz respeito à direcção de um sindicato.
De acordo com a prática que vivi enquanto sindicalista e cumprindo as regras que regem um sindicato, «os órgãos directivos» são eleitos pelos seus associados de entre os seus pares». Isto é, de entre os da sua classe.
«Que um sindicato contrate para seu serviço, um advogado, como conhecedor das leis, para defender os seus associados, compreende-se… Que alguém cuja profissão seja a de advogado, venha a ser o vice-presidente de um sindicato de motoristas, não é mais que a perversão do sentido de classe.»
Por esta ordem de ideias, não será de espantar que um dia um motorista venha a ser presidente do sindicato dos advogados, ou dos juízes, ou das empregadas domésticas, ou dos contabilistas, etc. etc. etc… porque não?
Hum?
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«Tenho uma enorme auto-estima e isso irrita muita gente. Sei aquilo em que posso apostar, de que sou capaz e aquilo em que não me devo meter. Nunca teria aceite [ser administrador da CGD] se não me sentisse à altura.» – Armando Vara.
Fonte: Sol (Confidencial), 16.9.2006, p. 1.