Os fogos e o aquecimento global

(Carlos Esperança, 11/08/2018)

calor

Após duas semanas de combate ao maior fogo florestal da história da Califórnia, com os fortes meios de que dispõe uma das maiores economias mundiais, só ficará sob controlo em setembro, segundo disseram os experientes e bem preparados bombeiros.

Num ano em que a Sibéria atingiu 40º e sofreu incêndios devastadores, a Escandinávia derreteu e a sua floresta foi devorada pelas chamas, o medonho e trágico incêndio de Mati, na Grécia, ou o de Monchique, em Portugal, são apenas uma antecipação do que nos espera no futuro, que já começou, e em cada ano é pior do que no anterior.

Enquanto o gelo derrete nos polos, os glaciares se reduzem metódica e inexoravelmente, e a Terra aquece e caminha para o ponto de não retorno, perante o autismo de dirigentes dos países mais poderosos, em Portugal o fogo é uma arma de arremesso partidário.

No caso português, soma-se ao desordenamento florestal a estrutura fundiária, a incúria e a impossibilidade de avaliar os meios, as empresas e os bombeiros que combatem os incêndios. Os dirigentes e comandantes de bombeiros nunca têm interesses ligados aos incêndios, os meios de combate são sempre inadequados, os bombeiros perpetuamente abnegados e eficientes, só os governantes são incapazes e um bando de malfeitores.

Morrem os rios, secam os lagos, desaparecem as florestas, escasseiam os solos aráveis, avançam os desertos, contaminam-se os lençóis freáticos, reduz-se a biodiversidade, e há quem pense que a vida humana será eterna.

É a miopia, o egoísmo e a insensatez de quem já consumiu os recursos cuja demografia e os hábitos suicidas de alguns impedem a reposição, que vai arrastando o mundo para o abismo que se aproxima.

Explorar os desastres, que os cientistas anunciaram e explicaram, com a incompetência dos governantes de turno, sugerindo que sucedem por não ser governo a oposição, é um péssimo contributo para atenuar os danos e dar alguma esperança ao futuro.

Quem se habitua a enganar os outros, acaba a mentir a si próprio.

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Um pensamento sobre “Os fogos e o aquecimento global

  1. Continua a ser importante chamar as coisas pelos nome alterações climáticas. Sim, há uma tendência de aquecimento (que continuava mesmo que se deixasse de emitir), uma vez que se trata de um aumento de fenómenos extremos, que não se limitam, de todo, à temperatura.

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