(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 18/03/2026, Revisão da Estátua)

Desnecessário será cotejar a evidência do imenso abismo de gabarito que separa as presentes lideranças ocidentais daquelas que no Leste da Europa, no Médio Oriente e no Extremo-Oriente queremos destruir.
Ao ler o elogio fúnebre de Ali Larijani, do seu cursus honorum, da formação académica e impressionante obra publicada em torno do pensamento de Immanuel Kant, sobretudo os estudos sobre os fundamentos epistemológicos do conhecimento matemático no pensamento do filósofo de Königsberg, bem como sobre a distinção entre o conhecimento metafísico e o conhecimento científico, ou ainda sobre os juízos sintéticos a priori [não derivados da observação empírica], assalta-me a legítima interrogação sobre quem hoje, no mundo globalizado, representa verdadeiramente a tradição intelectual do Ocidente.
Tendo presentes Pete Hegseth, Trump, Kaja Kallas e os nossos insignificantes líderes políticos caseiros, fui confrontado com o recentemente demissionário diretor-adjunto do FBI, Dan Bongino, um verdadeiro homem da rua e exuberante demonstração do embotamento e queda do nosso Ocidente que outrora possuía as chaves para a compreensão do mundo.
O célebre artigo de Engels sobre O papel do Trabalho na transformação do Macaco em Homem merecia uma correção no título, pois entre nós, ocidentais, o que melhor se adequaria no momento seria, tout court, A transformação do Homem em Macaco. Somos governados por escumalha e por babuínos.
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Sim, é um facto, mas estas lideranças ocidentais são só um sintoma da fase terminal de uma civilização doente. Corrupção sistémica, materialismo desenfreado, desigualdade, ausência de cultura, niilismo moral e ético… tudo isto pode gerar outros líderes?
Veja-se como este ministro iraniano, que sabe que será o próximo alvo a abater, é um bom exemplo de outra estrutura intelectual e moral, enfim, de outra civilização muito distante da nossa:
Muito bom artigo.
A escolaridade de Trump deve rondar o sexto ano de escolaridade.
Con cerca de 12 anos o pai, não dando conta do malandro enfiou o numa espécie de reformatório para ricos onde os pais tentavam quebrar lhes a crista.
Por altura do primeiro mandato de Trump um idoso que passara pelo mesmo sítio descrevia um cenário de terror.
Espancados, obrigados a lutar um contra os outros, submetidos a um regime de fome.
Se havia também escola não me parece que houvesse condições para aproveitar alguma coisa.
De lá só saiu com quase 18 anos e depois disso não consta que tenha ido estudar.
Mas o problema não e esse.
Os meus avós maternos eram um exemplo disso mesmo.
O meu avô deixou de lá ir por não ter vocação para saco de pancada e a minha avó fez a escolaridade que o Salazar achava que as mulheres deviam fazer. Três anos de escola, a então chamada terceira classe.
Ao seu tempo, a escolaridade considerada obrigatória era de quatro anos para os rapazes e três anos para as raparigas. As mulheres não precisavam de saber muito.
Mas eram leitores insaciáveis, tinham verdadeira pena de a vida não lhe ter dado oportunidades de aprender, tentaram de todos os modos aprender.
Sabiam que a ignorância era a porta da miséria e do afundar em vícios.
Tentaram sempre fugir dela.
Mas Trump e um ignorante que despreza o conhecimento, despreza a inteligência e, acima de tudo e de uma crueldade intolerável.
O problema de Trump não e a sua ignorância, e a sua crueldade o seu desprezo pela vida humana.
Não e por ser ignorante que e cruel.
Netanyahu e Von der Leyen são, só para citar dois exemplos, pessoas altamente escolarizadas extremamente cruéis.
O problema de Trump não é pensar que há um país chamado Nambia, e o seu desprezo total pela vida humana.
Um desprezo que também e visível em Netanyahu, em especial contra os que ocupam uma terra que criminosamente acredita que lhe foi dada por Deus ou quem se opuser aos seus planos de conquista.
Não e a ignorância que faz a crueldade.
Mas a ignorância torna essa crueldade ainda mais intolerável.
E simplesmente asqueroso ouvir o homem dizer que “o Irão estava a fazer coisas mas”, “vai ser uma honra tomar Cuba” e outro discurso ao nível de um miúdo de 12 anos.
Da a sensação que temos uma criança birrenta ao leme de um país que pode destruir o mundo.
Não que não seja igualmente odioso ouvir o Netanyahu a citar textos bíblicos para justificar campanhas de extermínio.
Em resumo, que grande patranha e que grande sarilho em que muita gente está metida por causa dessas dois trastes cruéis, um ignorante e outro letrado.
Ontem dei por mim a indagar qual seria a escolaridade de Trump. Num mundo em que as habilitações literárias são condição para ocupar cargos de relevo e de responsabilidade, com altas exigências técnicas e de conhecimento, reparo que o nível cultural do presidente americano é muito rudimentar, já para não falar da sua capacidade mental.
Não é por ter um curso superior, uma licenciatura, mestrado ou doutoramento, que alguém é imediatamente e necessariamente apto e competente para o desempenho de uma função, mas a educação e a preparação são importantes.
O cargo de presidente do “país mais poderoso do mundo” não obriga a ser alguém preparado a todos os níveis? Talvez não, mas os resultados de ter
um perfeito idiota a conduzir o país (e a política externa, que condiciona os estados vassalos europeus).
…estão à vista.
Aqui neste link a questão é abordada…
https://www.clrn.org/where-did-trump-go-to-school-a-data-driven-look-at-the-educational-background-of-the-45th-president/
A metáfora dos babuínos acaba por ser injusta para os pobres e simpáticos primatas, que seguem ordens sociais biológicas claras, enquanto a estupidez humana é, frequentemente, uma escolha alimentada pelo ego e pelo poder.
De Bruxelas passando por Washington, resta-nos a perplexidade. É difícil aceitar que aqueles que detêm o destino das democracias ocidentais demonstrem tamanha falta de visão sobre o mundo real. Revisitando o ensaio de Carlo Maria Cipolla, torna-se evidente que a 3.ª lei da estupidez humana nunca foi tão actual. Ver as decisões desta gentalha política à luz do pensamento de Cipolla não é apenas um exercício intelectual; é um aviso de que a inteligência está a ser derrotada pela mediocridade.
(3ª Lei da Estupidez Humana: O estúpido é o tipo de pessoa mais perigoso que existe, porque causa danos aos outros sem obter qualquer benefício para si próprio.)