(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 31/10/2025)

O que mais me impressionou pelo ridículo foi a ideia, passada por toda a direita, de que adquirir a nacionalidade portuguesa é um privilégio raro, como se fôssemos um país de excelência e de referência.
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André Ventura é novo demais para ter conhecido na pele o que foi, no seu sufocante dia-a-dia, o Estado Novo, de Oliveira Salazar. Mas isso não é desculpa que sirva: eu também não vivi o nazismo mas não finjo não saber o que foi. André Ventura não ignora — apenas mente, omitindo os factos — que o regime anterior era corrupto até à medula, era corrupto por natureza e da forma mais amoral possível. A corrupção não se pagava habitualmente em dinheiro, pagava-se com empregos ou oportunidades de negócio, de um lado, e com lealdade política, do outro. A “cunha”, o “empenho”, a “palavrinha”, era aquilo que o corruptor de baixo buscava, dando em troca juras de fidelidade a Salazar. Era assim, por exemplo, que a PIDE recrutava muitos dos seus, que lhe chegavam pelo empenho do primo do ministro, do chefe local da Legião ou do partido único, ou mesmo do padre da aldeia. Vir para Lisboa trabalhar na PIDE era mais do que um emprego: era uma forma de promoção pessoal e social e um lugar de poder e intimidação. Em troca, os novos recrutas começavam o “estágio” por participarem “voluntariamente” nas sessões de espancamento dos presos políticos, subindo depois na escala da lealdade e das patifarias (e por isso é que em 25 de Abril de 74 não havia pides inocentes). Mas também havia a alta corrupção, aquela reservada exclusivamente aos fiéis do regime, não apenas aos lugares superiores da Administração Pública (onde só se acedia mediante uma jura de fidelidade), como igualmente aos grandes negócios, no continente e nas colónias, depois de demonstrada suficientemente a obediência inquestionável a Salazar. António Champalimaud atreveu-se a discordar e pagou isso com anos de exílio. Salazar, um homem intelectualmente cobarde, incapaz de enfrentar a discordância e mesmo o debate, foi o grande corruptor da nação, um corruptor de almas e de consciências, a pior das modalidades de corrupção (“O velho abutre é sábio e alisa as suas penas/a podridão lhe agrada e os seus discursos/têm o dom de tornar as almas mais pequenas.”)

Ventura não é ignorante, como finge para melhor cativar a legião de ignorantes que votam no Chega, nem é, menos ainda, estúpido, como outros que o rodeiam. Duvido muito que seja até saudoso do salazarismo ou de um regime como foi o do Estado Novo. O que ele é, sim, é um oportunista e um demagogo sem freio nem vergonha. Para corromper almas e conquistar votos entre a turbamulta dos alienados que o seguem, ele não tem escrúpulos em dizer-lhes tudo o que eles querem ouvir, seja o elogio de Salazar ou o de Estaline, se vier a propósito.
Sim, já oiço os “chegados”dizerem: este é um texto elitista de quem despreza o povo que vota no Chega e que se acha superior só porque leu uns livros e viu uns filmes (e não tem redes sociais). Pois bem, lamento desarmá-los logo: este é mesmo um texto elitista e, sim, eu tenho um profundo desprezo pelo povo do Chega. Mais, não acredito no futuro feliz de uma nação em que o “povo” — ou os políticos como Salazar ou Trump — se empenha numa batalha mortal pelo silenciamento das suas elites. São elas que fazem progredir os países, são elas que lançam as discussões que interessam para o futuro dos povos e para um mundo fundado na liberdade e na justiça. O povo, esse, está mais interessado e mobilizado em votar nas eleições no Benfica do que em votar para defender a democracia nas eleições políticas. E quando o povo ou os políticos obtêm êxito no silenciamento e afastamento das elites, triunfa a mediocridade, o oportunismo e a obediência de rebanho.
De facto, eu não tenho grande admiração pelos portugueses, fui deixando de a ter à medida que eles próprios se foram achando cada vez melhores. Claro que conheci e conheço alguns portugueses notáveis, na sua profissão ou nos seus princípios, mas raramente vi serem-lhes reconhecidos e aproveitados os seus méritos. Ser pensionista, ser sindicalista da Função Pública ou ser influencer das redes sociais é mais reconhecido e mais gratificante. É por isso que eu jamais seria capaz de fazer política, de andar por aí, de aldeia em aldeia, a escutar respeitosamente o estimado povo, gritando que bons que eles são e que horrendos que são os políticos “corruptos” — o discurso de André Ventura. Não, definitivamente não enxergo a superioridade patriótica da ignorância militante ou a vantagem do saudosismo ditatorial.
Neste recente debate parlamentar sobre a nova lei da nacionalidade — feito sob bullying do Chega e cagaço do PSD — o que mais me impressionou pelo ridículo foi a ideia passada por toda a direita de que adquirir a nacionalidade portuguesa é um privilégio raro, como se fôssemos um país de excelência e de referência onde toda a gente quer viver e de que toda a gente gostaria de ser nacional — não podendo, infelizmente para eles, sentirem “o mesmo sangue português a correr nas veias”, na imortal declaração da deputada Cristina Rodrigues, do Chega. Como país de excelência, convém recordar que, a despeito da imensa carga fiscal a que o Estado recorre todos os anos para sustentar o seu sempre maior desvario despesista e a clientela eleitoral dos Governos, nada do que é importante e que o Estado deveria assegurar funciona: a saúde, a educação, a habitação, o investimento público, a justiça, o combate aos incêndios, as fronteiras dos aeroportos, o que quer que seja. Apostamos tudo na monoindústria do turismo de massas, mas nem sequer somos capazes de montar um sistema decente para que os turistas não precisem de horas para passar a fronteira. Não estamos particularmente motivados para fazer filhos ou trabalhar, preferindo antes depender de mão-de-obra importada e mal paga, mas ainda nos damos ao luxo de tratar os imigrantes como indesejáveis e de afixar cartazes a avisá-los de que “Isto não é o Bangladesh” (querendo sugerir o quê? Que se vão embora e deixem avançar para as suas tarefas o povo trabalhador do Chega?). Passaremos a exigir agora aos candidatos “à honra e responsabilidade” de se tornarem cidadãos portugueses (Luís Montenegro dixit), além de saberem falar a língua e estarem cá há 10 anos, conhecimentos da cultura portuguesa, da organização política e valores democráticos da sociedade portuguesa e uma declaração escrita de “adesão aos princípios da República” — coisas que raros votantes e poucos deputados do Chega seriam capazes de ultrapassar sem batota.
Na verdade, os portugueses não têm assim tantas razões de queixa: acreditam que os dinheiros europeus, que nos sustentam há 50 anos, nunca terão fim; acreditam que nunca terão de ser eles a lavar as ruas, tratar dos velhos, apanhar frutos vermelhos ao sol de Verão, andar a pôr tijolos nas casas de que os nossos filhos têm necessidade; acreditam que podem tratar do alto da burra quem veio para cá fazer tudo isso, porque eles, felizes por estarem a viver num país tão extraordinário como Portugal, tudo encaixarão sem se irem embora, e acreditam ainda que, apesar de se trabalhar cada vez menos e pior, a situação deles vai ter obrigatoriamente de melhorar — nem que para isso seja preciso recorrer ao fantasma de Oliveira Salazar ou ao espantalho de André Ventura. Tudo visto, só se arrisca a democracia, que não é assim tão importante. Mas numa coisa somos bons: a fazer ditados para as ocasiões. Como este: nunca sirvas quem serviu.
Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia
Pedro Marques Lopes, Aná Sá Lopes, Miguel Sousa Tavares… Muito bem, em apenas três dias a Estátua reuniu três bons exemplos de quem na nossa imprensa se bate por aquilo que interessa. Que nunca nos faltem textos destes autores! E se eles são parecidos em muitas coisas, ainda assim há um que se destaca:
Obrigado.
Muito boa a análise de Hugo Dionísio. Merece destaque!
E vai tê-lo. 🙂
O primeiro parágrafo do artigo não suscita grande oposição, e mesmo o segundo, até MST chegar ao Estaline. A partir daí, começou o “confusionismo” habitual, e o restante texto é muito incoerente e parece-me um exercício de subjectividade, em que a perspectiva adoptada é a do próprio autor, como se este (e a sua circunstância, o status quo) fossem o centro do universo.
É estranho que mencione Salazar e depois salte para o Estaline na mesma frase, quando podia ter referido líderes do campo político de Salazar e de André Ventura, supostamente o cerne (não confundir com cherne) do artigo.
Parece-me que o CU (candidato único) mais depressa, ou com maior propriedade, teceria elogios a Mussolini e à sua aliança com sectores conservadores da Igreja Católica, das elites industriais e senhorias italianas, ou mesmo a Hitler, com a cobertura que teve da alta finança alemã e da sua aristocracia, além do financiamento trans-atlântico que possibilitou a ascensão e consolidação do III Reich. A nível de elites alemãs, temos vários casos de figuras que colaboraram directamente com o Führer, e que foram proeminentes dirigentes do regime nazi, como Göering, Speer, Rudolf Hess, e por aí fora.
Mas MST preferiu saltar algo forçadamente de Salazar para Estaline, nos “antípodas” do espectro político e até da geografia europeia, e sem sequer passar por Franco, aqui logo ao lado, em Espanha, que tão bem se dava com Salazar, apesar de secretamente ter um plano militar para invadir e anexar Portugal, caso a situação se proporcionasse e não houvesse a protecção dos nossos Grande(s) Irmão(s) anglo-saxões, Inglaterra e posteriormente os EUA, no âmbito da NATO a seguir à II Guerra Mundial. É um salto de pé, mas quando se quer muito uma coisa, consegue-se, quanto mais não seja “inventar”…
E qual é o impulso que faz MST dar esse salto de fé? A intenção de colar imediatamente a extrema-direita ao comunismo, recorrendo à vulgarmente designada “teoria da ferradura”, em que os extremos estão mais perto entre si do que do restante espectro, e sobretudo longe do “centrão” amorfo, resignado e auto.-proclamado “moderado”. Esquece-se é de considerar que neste momento, é a própria actualidade política nacional, que mais uma vez é o tema de fundo artigo (até ao mencionar e descrever do povo português, das elites, e de alguns sectores que particularmente incomodam o cidadão Tavares), que desmente essa teoria. Com quem é que o Governo aprova leis de nacionalidade e imigração? Com quem é que o Chega colabora quando é para cortar direitos cívicos e humanos? Serão estas leis parentes pobres de outras leis mais “antigas”, do tempo em que o Stalin e o Hitler conviviam, ou não – como as leis de Nuremberga, por exemplo? Quem inspira as interpretações que depois produzem decretos-lei como o da Burca?
E é isto que faz abanar todo o edifício argumentativo de MST no restante do artigo, que vai enfraquecendo a cada frase, até se tornar uma salganhada. Por isso não vale a pena distrinçar todas as incongruências, algumas das quais já mencionei mais acima, relativas a elites e ao seu papel de promotores do desenvolvimento civilizacional, social e humano, pois como também já outros disseram, também promoveram guerras, matanças, genocídios, escassez, e todos os crimes relacionados, um dos quais raramente é mencionado na comunicação social de massas, como se não existisse: o terrorismo de Estado. As elites não são nem infalíveis, nem nem omnipotentes, e muito menos puras e imaculadas. Como não é MST, por muito que se considere um aristocrata predestinado e um iluminado.
São também públicos e notórios os encontros do Quarto Pastorinho com os nacionalistas franquistas do Vox, aqui ao lado em Espanha, entre outros, como os Fratelli de Itália… com o PCUS, os cubanos e outros é que ainda não há relatos de convenções e participações em comícios políticos… para o MST talvez isso possa ser estranho, mas sabemos que nem sempre as suas “realidades paralelas” são perceptíveis ou compreensíveis para o comum dos mortais…
https://expresso.pt/politica/2025-09-14-ventura-no-congresso-da-direita-radical-europeia-nao-nos-metem-medo-temos-de-entregar-pedro-sanchez-a-cadeia-08aa3991
Também por aqui aparece um Capelão penitente com a sua folha em riste apregoando que a UE é uma União Soviética, o que não faz sentido em múltiplos aspectos. Além de se poder sair de mote próprio, como aconteceu no Brexit, e as adesões serem normalmente voluntárias e controladas, mesmo com divergências internas, existe uma plétora de “pequenos grandes líderes” nacionais, muitas vezes antagónicos entre si e para os candidatos a pertencer à União. E calha até que a “grande líder”, de seu nome Ursula, até costuma fazer campanhas políticas, e a última vez que cá esteve nesse papel, andou a passear com o candidato da AD, Luís Montenegro, nas eleições a seguir à dissolução do Governo de maioria absoluta do PS. A acreditar em certas lérias, provavelmente enganou-se pensando que estava na Festa do Avante… ou era aí que gostava de estar… por falar em “confusionismos” e alienação…
O CU continuava lá porque o que mandava mais (quase um Frederico II ou Luís IV) tinha a profunda convicção que o CU mandava melhor e podia demiti-lo no dia seguinte. Bastava uma pequena conversa e ele apanhava o comboio para Coimbra ou Santa Comba.
E quando ficou incapaz não tinha para onde ir porque a casa lá do Vimeiro estava incapaz e o dinheiro da conta para pouco chegava e foi mais prático deixá-lo ficar em S. Bento.
E sobre o assassinato do General Humberto Delgado pelo Rosa Casaco e as práticas comuns da PIDE, ainda não arranjou tempo ou desfaçatez para dizer algo?
O mesmo tempo que o amigo teve para falar da pirataria a navios de passageiros e aviões, atentados com mortes feitos pelas suas vitimas presas só por falarem. Das mortes branqueadas ao PRP-BR, etc.
Isso é algum tipo de linguagem autista, ou (semi-)codificada? Se for, avise e passe para cá a matriz… em caso de autismo, só recorrendo às linhas de apoio gratuitas…
Se é de criptografia, e pirataria em águas internacionais que se trata, realmentr tem razão, uma vergonha o que Israel fez à flotilha internacional da sociedade civil, com a conivência dos ministros portugueses que nem tiveram a ombridade de defender intransigentemente os cidadãos portugueses que dela faziam parte…
Excelente! Subscrevo, pois para traçar um retrato fiel da sociedade lusitana, neste temposd modernos de Ventura, não são necessárias mais palavras…. uma pedrada no charco das águas emporcalhadas pelo neofascita André ventura e seus apaniguados, extremamente suadosistas de um país aprolo e ignorante e só de alguns! Um abraço de Prabéns ao autor, Miguel Sousa Tavares.
Entretanto, passando do Miguelito para algo sobre o qual muito boa gente deveria refletir, a propósito de outras «elites» (para não dizer psicopatas belicistas) que se vai tendo por aí, em particular na UE:
https://www.youtube.com/watch?v=rpQop5vPm24&t=3074s (permite, para quem precise de legendas em português)🥸
Sobre o Tavares, excelso elemento de vanguarda da elite que ilumina e pastoreia as massas ignaras, já aqui para baixo ficou tudo (ou quase tudo) dito. Acrescento apenas uma pikena nota: com amigos destes, no combate ao 4° pastorinho, quem é que precisa de inimigos?
E já agora meu escravo que se diz alforriado,
Se o bandalho do quarto Pastorinho defendesse a Primeira República e criticasse o regime tal como defende o salazarismo e ataca a democracia já estaria há anos a apodrecer em Caxias ou Peniche.
E não apenas a contas com queixas que pedem o que está previsto na lei para bandalhos que defendem fascismo e vomitam odio.
Vai ver se o mar da megalodonte e chamar carroceiro ao diabo que te carregue.
Este artigo do MST, é dos mais elucidativos quanto à sua posição política: Tem nos sindicatos, nós trabalhsdores e no PCP, os seus ódios de estimação. Neste tipo de texto, atira para todo o lado, tentando fazer crer que é “independente”, mas a verdade é que para os seus verdadeiros amigos, usa balas de espuma para não magoar. Para os restantes, balas a sério. A sua falta de carácter é repugnante.
“Ser pensionista…é ser mais reconhecido e gratificante”. Em quê e porquê?
Miguel Sousa Tavares não é pensionista? Isto é, não recebe uma pensão? Se não recebe, é porque não atingiu ainda a idade da aposentação ou, se não for o caso, prescinde dela?
Um bom caldo é feito com bons ingredientes, mas usar um podre estraga o melhor manjar. É o caso.
Apoio o restante texto, embora, como profissional da educação (uma palavra ambígua), não deixe de ter sempre presente o azedume de MST pelos docentes (não devereia misturar a árvore com a floresta).
Sobre as classes elitistas e a sua imprescibilidade no progresso das sociedades, MST deveria ter sido esclarecedor, justificativo, pela perigosidade, legítima, da interpretação, que não foi o caso. José Saramago, Prémio Nobel da Literatura, mencionava Jerónimo Melrinho, seu avô, guardador de porcos, que não sabia ler nem escrever como o homem mais sábio que conhecera na sua vida.
Continuem discutindo o sexo dos anjos.
Entretanto:
https://rtbrasil.info/noticias/21720-enviado-putin-classifica-ataque-faca/
A resposta a isto, está aqui:
https://folhanacional.pt/2025/11/01/queixas-na-cne-contra-ventura-pedem-prisao-ate-5-anos-e-proibicao-de-falar-em-publico-do-candidato-presidencial/
Afinal os “democratas” é que são os fascistas.
Mais baba de cegonha e de caminho vão além do Salazar, os votos contra, são contados a favor. Guerra é Paz, não é assim?
Quanto ao comentário do Hugo Dionisio (sic), só entranho que ele não use a linguagem que um par de xarrocos aqui usam, para dizerem que têm razão. Quanto ao comentário em si, nada contra, é a sua opinião. Diz o que pensa, sem ter que ser carroceiro.
A Folha Nacional é o folheto do Chega? Não admira que o cites com tanta paixão, sugerindo até que oferece “respostas” – só se for aos pategos.
Quanto à Lei, é a Lei. Está descansado que no actual regime os Rosa Casacos e quejandos não têm licença para matar (ainda), por muito que o CU (candidato único) e os beija-CUs como Pedro Pinto apelem a que a polícia dispare primeiro, e a matar, e pergunte depois! Isso sim, seria a “democracia” a que os pategos como tu aspiram!
Já agora, por falar nisso, ontem houve um tiroteio no bairro do Zambujal, a polícia interveio e deteve vários cidadãos. Curiosamente não houve vítimas mortais, e nem consta que tenha havido feridos graves. Já viste, patego? É possível haver um tiroteio, com múltiplos disparos, seguido de intervenção policial proporcional sem que haja mortos, ao contrário do polícia homicida, herói de AVentura, que com dois tiros matou Odair Moniz. E esta, hein? Está de parabéns a Polícia de Segurança Pública por esta actuação “imaculada”, e por não seguir as recomendações do “democrata” Pedro Pinto, o homem que levou banhada eleitoral em Faro. Por que será?
Podes continuar a cuspir a bílis toda, Capelão, aqui só enganas pategos com esses coros dignos de um beija-CU.
Estou muitas vezes de acordo com MST. As vezes em que não estou, a discordância é normalmente violenta e até epidérmica. MST tem a inteligência dos sábios, mas a arrogância mental dos aritocratas ociosos. O que o torna extremamente contraditório e paradoxal. O que também nunca esconde – ele tem o condão de nada esconder, o que é bom – é a sua visão de classe: MST não se julga “trabalhador”, não se julga “povo”, julgando-se aristocrata, o que é tão contraditório vindo de onde vem (pelo menos em parte). Neste texto, conseguimos ver este MST a cada vez que mudamos de parágrafo. Se num parágrafo somos incitados a quase bater-lhe palmas, no outro levamos uma chapada para nos acordar. Alguns exemplos: ao referir que Ventura elogia oportunísticamente Salazar, também diz que o faria por “Staline”. Nada mais falso! Em nenhum dia do mundo ouviríamos Ventura elogiar Staline. Talvez na Rússia, onde, por razões que a maioria dos russos bem explicarão, mas a maioria dos ocidentais não compreenderá (como MST), Staline é uma figura reconhecida. Mas em Portugal, jamais. Ventura faz do reacionarismo, da pequenez fascista e salazarista, da estupidez obscurantista e da demagogia cobarde as suas bandeiras preferenciais, tendo como alvo do ataque precisamente o PCP, e não é por acaso: o PCP representa o contrário, o antagonismo, o culpado que persegue. É tanto o faz que arrastou o centrão nessa luta ingrata, invejosa e demagógica contra o PCP, tão própria do ser português tacanho e de rebanho que MST refere. E quem se deixou arrastar pelo Chega (por cagaço ou oportunismo) não foram o PCP, ou mesmo o BE, os “da esquerda radical”. Foram os “moderados” que MST tenta apaziguar no seu texto quando dá em Salazar e, depois, em Staline. como que dizendo “Eu estou a dizer isto tudo do fascismo, mas eu sou do centro e da democracia, estão a ver”? As elites de que MST fala, são as que, como ele também dizem “somos moderados, somos do centro”! Mas são essas “elites”, as tais que “fazem avançar o mundo”, que foram responsáveis pela entrega de empresas públicas à alta corrupção de tipo salazarista, privatizando monopólios para que todos paguemos mais e por serviços piores e sem retorno para o estado. São estas elites quem destruíu o SNS, quem é incapaz de resolver os problemas da habitação, quem criou, com a sua ganância, ociosidade, arrogância e oportunismo, o grave problema da habitação. São estas “elites” quem explora e promove a monocultura do turismo que MST critica, e bem. Ou seja, perante os danos provocados ao povo português (o povo somos todos, por isso é que eu não gosto do termo, preferindo “trabalhadores” e “pobres”), com excepção das “elites” que MST admira, que podem pagar ao privado pelo público que destruíram em nome da “democracia” e da “justiça” que, na opinião de MST, o Chega abomina, MST opta por odiar o povo, o povo lumpenizado por 45 anos de fascismo, pela destruição ddo estado social, pelos salários baixos, a precariedade e, sobretudo, porque as “elites” que MST elogia, nunca foram capazes de generalizar uma educação universal de qualidade, que não distinga entre filhos dos pobres e filhos das “elites” que MST admira. Então, porque tudo falha, porque essas “elites” que lhe pagam a peso de ouro para dizer o que também muitos outros diriam (porque sendo da “elite” MST não é único), falharam na criação de um estado verdadeiramente democrático, apesar de terem recebido todas as possibilidades para tal (industria, sector empresarial público com energia barata, pescas, agricultura), MST opta por culpar os que são como são precisamente porque estão do lado receptor dessas elites, as mesmas que, nas SIC, TVI e outros, tanto mentem, desinformam e promovem Ventura. Mas onde se vê que, afinal, MST não gosta de todas as “elites” mas apenas de algumas, porventura as “sofisticadas” e “aristocratizadas”, que vivem à margem das dificuldades do mundo, é quando MST critica os “sindicalistas da função pública”! Afinal, nesse caso, MST já não gosta de “elites”, abominando quem organiza o povo trabalhador para que os trabalhadores da função pública também não sofram os efeitos produzidos pela tal “elite” que MST considera da “democracia e da justiça” (MST disse que Montenegro era o melhor PM possível, p.e.) e que é responsável por tal estado de funcionamento das coisas. Como se os trabalhadores da função pública fossem uns privilegiados, discurso que tão bem cabe ao Chega,s e dele necessitar. Afinal, MST também é capaz desse discurso demagógico, como se todos os trabalhadores e todos os sindicalistas da função pública fossem iguais. O problema de MST é mesmo de classe e é por isso que ele não reconhece o papel de certas “elites”, mas sim de outras, mas, sobretudo, é o seu enviesamento de classe – para as classes proprietárias – que faz com que considere o Chega um resultado do acaso, algo de insolúvel, como se, em períodos de esperança, de maior aposta nas condições de vida, crescimento salarial, de maior força sindical da CGTP-IN e do PCP e de capacidade deste em arrastar o PS, não tivesse sido essa esperança que, à data, foi bloqueando o Chega, a reacção, o fascismo. Tal, demonstra que o Chega não é um problema raro ou um mero anacronismo do passado. Não, o Chega representa a desistência de uns e a vitória de outros em derrotarem as forças progressistas – de classe – que empurravam este país para o desenvolvimento, que fizeram o 25 de abril, as nacionalizações no PREC, promoveram a democratização e a CRP, destruindo com isso a esperança e fomentando o obscurantismo. Para destruírem essas forças e ficarem com o monopólio do centrão, tais forças, “democráticas e moderadas”, não apenas fomentaram a mentira, a concentração e a censura na comunicação social, a inevitabilidade da guerra, do desemprego, da perda da habitação. Nesse desespero, que é causado pelos “moderados”, prolifera o Chega. Mas o Chega é também o resultado do apoio de muitos empresários, que o MST raramente critica. MST tem razão quando refere que o fascismo é a corrupção e o Chega mente. Mas MST também mente quando aparenta não saber por que raio existe um Chega e quem permitiu que ele existisse. É que se são as elites que comandam o mundo, como pôde chegar-se a tal estado, quando temos uma CRP que proíbe os partidos como o Chega? Afinal, MST também se preocupa com os seus salários, e talvez seja por isso que coloca os “sindicalistas” ao nível dos “influencers das redes sociais”. Uns e outros, ameaçam interesses que MST representa, uns porque combatem os seus interesses de classe, outros porque roubam o negócio de onde provém o seu avultado salário. Não, MST, afinal, não é assim tão livre!
Boa análise Hugo Dionísio!
Subscrevo na totalidade.
Excelente comentário. Vou transformar em artigo e publicar. 🙂
Nem mais!
Ah! Só mais uma coisita:
Como o Miguelito diz que são as elites que fazem progredir os países, sendo o povo ignaro, se calhar, o melhor, é, «democraticamente», retirar o direito de voto a este, não?
Está bem visto.
O “elite” MST acha que a carga fiscal é grande…
É mentira, é das mais baixas da Europa ocidental.
Ele acha que o povo não vale nada. É uma alarvidade que o MST partilha com as “elites” Salazaristas!
Acha que o povo “trabalha menos e pior”… É mentira, a produtividade tem subido muito acima dks salários!
E isto enquanto ele recebe avença do grupo Impresa para escrever e dizer umas tonterias preconceituosas.
O MST é uma das “elites” que acha que vivemos à custa de fundos da UE.
É mentira, somos contribuintes líquidos da UE. Já pagámos mais para lá (e de volta, via juros) do que aquilo que recebemos.
Sendo que o que “recebemos” nao6foi de borla, foi em troca de nos desindustrializarmos!
Com “elites” assim, não admira que o país esteja em acelerada marcha para o buraco.
Já dizia alguém do PCP, agora não lembro quem, mas passo a parafrasear: cuidado com quem despreza o povo. Dessa gentinha, dessa “elite”, não pode vir nada de bom.
Eu mantenho o que tenho vindo a dizer: o povo “pensa” o que a máquina de propaganda do regime (da qual o MST é parte activa!) diz ao povo para pensar.
O povo toma más decisões pois é vítima dessa manipulação, não é por ser “um povo que não vale nada”.
Quem realmente se preocupa com o povo, NUNCA foram as elites (sejam elas mais Salazaristas ou mais Globalistas/Liberais), mas sim quem, ao falar de um povo, não se coloca de fora, e percebe que dele faz parte.
É preciso informar, educar, acarinhar.
O desprezo é o ponto de vista da “elite” que, essa sim, sempre viveu à custa deste povo, quer no Velho regime, quer no “Novo” regime, quer no Actual regime.
Mas, guess what? Os regimes vão e vêm, mas o povo fica!
Os textos do MST normalmente são como os relógios avariados: não prestam, mas lá vão acertando duas vezes nas horas ao longo do dia.
Mas este texto do MST não tem nada que se aproveite (nem sequer a crítica ao Ventura, onde o MST branqueia o seu fascismo/salazarismo!), e é das coisas mais nojentas que já li neste blog.
Óh Estátua, p*ta que pariu! Se publicas uma alarvidade destas, então fazes parte do problema!!
Que venha a próxima revolução, e que as “elites” vão todas pró car*lho!!!
Se são mais Salazaristas ou mais Liberais, se são mais Nacionalistas ou mais Europeístas, se são Conservadoras ou Woke, etc, isso não interessa nada. Não vale a pena perdermos tempo a distinguir essas meras nuances. São todas IGUALMENTE inimigas do povo português!
Salvam-se aqueles que, sem se colocarem de fora do povo, atingem um elevado grau de intelectualidade e conhecimento e sabedoria. Infelizmente metade deles estão nos quadros do PCP (dispenso), e a outra metade tem tanto nojo do regime em que vivemos, que fica alienada ou é cancelada pelos órgãos de comunicação do regime, e não tem uma voz que chegue aos portugueses que tanto os precisavam de ouvir.
E se vires bem as coisas, foi exatamente isso que estas “elites” Liberais e EU-ropeístas e USAtlantistas fizeram.
Votaste para aderir à UE? Não.
Votaste no Tratado de Lisboa? Não.
Votaste para aderir à €uro-ditadura e suas regras de imposição de austeridade/Neoliberalismo permanente? Não.
Votaste para violar a Constituição mantendo-nos na NATO? Não.
Votaste a favor do colonialismo/sionismo/”israel”? Não.
Votaste para se darem milhares de milhões à banca privada? Não.
Votaste para ter um offshore na Madeira para ajudar os ricos a fugir aos impostos? Não.
Votaste para esbanjar milhões em altares-palco e manter 15% do país sem saneamento básico? Não.
Votaste para dar armas a nazis e prolongar guerras proxy dos EUA contra outros países? Não.
Votastes para invadir o Iraque e o Afeganistão, e destruir a Sérvia e a Líbia? Não.
Votaste para termos o salário minimo congelado nos 405 €/mês em 2012? Não.
Votaste para diminuir o IRC pago pelas grandes e ricas empresas, ao mesmo tempo que alguém com pouco mais que o saleiro mínimo passa logo para os 20% de IRS? Não.
Votaste para Portugal violar a próprio Constituição fazendo CENSURA, sob as ordens da UE, contra os canais de notícias russos, mas ao mesmo tempo manter no ar a emissão do canal i24 (israelita) que promove um GENOCÍDIO? Não.
Votaste para esbanjador milhões na TAP só para depois a encolher e vender ao desbaratao à Lufthansa? Não.
Votaste para não termos qulquer tipo de concorrência nas telecomunicações e termos da net móvel mais cara da Europa (coisa que só agora mudou com a chegada da romena Digi)? Não.
Votaste para termos regras do €uro que implicam cortar no orçamento do SNS e na escola pública e na Segurança Social e no investimento, só para atingir um valor de défice sem qualquer fundamentos matemático? Não.
Votaste para receber ordens de Bruxelas, Frankfurt, Paris, Berlim, e Washington? Não.
Votaste para ter uma RTP a fazer propaganda de regime e branqueamento de fascistas e nazis e terroristas e genocidas, em vez de cumprir a Constituição e dizer a verdade? Não.
Votaste para ter um lei eleitoral onde os partidos do costume têm “maioria absoluta” só com 41% dos votos, e só de 21% dos eleitores, numa falta de proporcionalidade que torna votos fora de Lisboa e Porto em literalmente lixo? Não.
Votaste para chamar o FMI e ter 7% de recessão (devido à austeridade pró-cíclica) em vez de ter soberania orçamental, financeira, económica, e MONETÁRIA? Não.
Etc. Podia estar aqui o dia todo a mostrar exemplos em que as “elites” Liberais/Globalistas como o MST, tão “democratas” como Salazar e Ventura, andaram a oprimir-nos e a implementsr um refime autoritário não-representetivo e nem sequer soberano/independente.
Mas fico-me por estes exemplos.
As “elites” de que o MST faz parte, são tão ou mais ditatoriais que os Salazaristas! Simplesmente o Salazar era da era do fascismo bruto, das botas cardadas e da PIDE, enquanto que estes “democratas” passaram a ser mais refinados na forma de implementar o fascismo e assegurar um regime que só os representa a ele e aos oligarcas que lhes pagam as avenças!
Ótimo!
Salazar escreveu:
Ambicionaria ser isento e talvez pudesse sê-lo. Fujo a dobrar os factos às concepções teóricas e, embora vivenciando certo número de princípios, não sou fundador de sistemas, nem faço questão pessoal de, em algum momento, a realidade se mostre em desacordo com eles.
A autoridade é apenas o atributo do autor. Numa democracia o autor escolhido é o povo. Como o povo não estudou medicina delegou no médico a autoridade para decretar quem fica em casa por doença. O engenheiro Edgar Cardoso calou um bando de jornalistas que tripudiavam o Sporting insinuando que a pala do estádio de Alvalade ameaçava cair. Foi um exercício de autoridade.
Democrata è rasca de verdade
Não merece qualquer abono
Cão que não conhece dono
É só o autor da autoridade
Pesa-lhe tanto a autoridade
Vive no equívoco e no engano
Eleva o povo a soberano
Para calcar sem dó nem piedade.
– São elas (elites) que fazem progredir os países».
Daí os progressos «notáveis» que o nosso tem revelado por via delas e onde milita, naturalmente, o Miguelito, com presença assídua em canais televisivos «eruditos», educadores do povo, como a TVI.
– «É por isso que eu jamais seria capaz de fazer política, de andar por aí, de aldeia em aldeia, a escutar respeitosamente o estimado povo» – Ainda se fosse para escutar um qualquer Ricardo Salgado…
.- «Na verdade, os portugueses (…) acreditam que os dinheiros europeus, que nos sustentam há 50 anos, nunca terão fim; acreditam que nunca terão de ser eles a lavar as ruas, tratar dos velhos, apanhar frutos vermelhos ao sol de Verão, andar a pôr tijolos nas casas de que os nossos filhos têm necessidade».
Tudo trabalhos que o Miguelito, ao invés e como é sabido, tem feito, ainda que elitistamente, com suor e lágrimas, ao longo da vida.
– «Eu não tenho grande admiração pelos portugueses» –
Exceto por ele próprio, Miguelito. Entretanto, só não se percebe, com tanto «amor» aos portugueses, o que é ele, ainda, faz por cá e não emigrou para um qualquer «paraíso», nomeadamente, fiscal, queixando-se , também, dos impostos que suportará (não há nada de que não se queixe, de pensionistas a sindicalistas).
Em suma, receia-se que o Miguelito, em termos de «ego», nada fique a dever ao Ventura!
Ah! O Miguelito «revela» também que «não tem redes sociais» (não concorrendo, assim – adiantamos nós – com qualquer Musk.) Mas deve andar muito por elas, para as poder conhecer e tanto mal delas dizer. Ou não? 🥸
E quantos corruptos foram para a prisão no tempo da outra Senhora?
A corrupção era generalizada e ao contrário do que diz o MST ia das elites do regime ao mais obscuro funcionário civil ou militar.
E se as vezes não era em dinheiro era porque esse não abundava. Mas era em géneros.
Um notário desse tempo que em velho conheci senil e a roubar géneros na praça não fazia absolutamente nada sem levar um por fora.
E no caso de um homem que fazia carros de mula o sujeito exigiu justamente que lhe fizesse um carro que tratou de passar a patacos.
O jogo de cartas a dinheiro era proibido e os guarda mato recebiam géneros de todo o tipo para deixarem os homens irem para a mata jogar.
Isso e outras actividades proibidas que se podiam fazer a coberto do arvoredo.
Um filho de um dessas guarda mato, hoje um homem idoso, diz que era a conta disso que a ele e a irmã nunca faltaram carne, leite, peixe e ovos e ate o luxo supremo dos iogurtes, queijo e presunto.
Os guardas fiscais deixavam passar o contrabando nas zonas fronteiriças e assim alimentavam decentemente as famílias.
Porque a verdade também era esta. Não era por uns tendência tuga para a desonestidade que isto se fazia pelo menos no caso destes funcionários menores.
Fazia se porque os ordenados eram uma miséria e quem fosse honesto passaria necessidades de toda a ordem e mesmo fome. Ele e a sua família.
E gosto muito desse elogio das elites pois que também ele omite uma coisa que sabe muito bem.
Que foram justamente as elites que financiaram o Estado Novo e o alimentarem porque lhes dava jeito trabalhadores miseráveis, sem direitos nenhuns e ignorantes.
E que são as elites de hoje que de Portugal aos Estados Unidos e ao Brasil financiam regiamente o neofascismo e a extrema direita porque os assusta a subida de salários e trabalhadores com direitos.
E justamente pelo apoio da elites que a extrema direita cresce. São elas que financiam as campanhas faraonicas, os outdoors omnipresentes, o exército de boots nas redes sociais e a omnipresença do homem providencial em tudo quanto e serviço noticioso.
Uma das herdeiras do Belmiro saudou com as letras todas o desejo de mudança expresso nas primeiras eleições que, além de darem a vitória ao Montenegro, deram 50 deputados ao Chega para grunhirem na casa da democracia.
Muita gente das elites defende a extrema direita a cara podre.
Ao longo da história as elites foram sim fonte de atraso e muitas vezes de terror sobre os povos tendo os avanços surgido justamente quando os povos se revoltaram contra as elites.
Todos os direitos que ainda temos hoje não foram de graça, foram conquistados com sangue.
Contra as elites que queriam mandar soberanamente sobre uma plebe empobrecida, ignorante e aterrorizada.
Muitos dos grandes artistas do Renascimento não vieram das elites.
O pintor da Mona Lisa de certeza que não veio. Teve como apelido o nome da terra onde vivia por ser filho de escrava russa.
E a biografia de muitos outros também não era lá grande coisa no que a elite diz respeito.
Também não era da elite a refugiada polaca conhecida como Marie Curie e podíamos estar aqui até amanhã a citar nomes de artistas e cientistas que não vieram das elites e contra todas as possibilidades escreveram o seu nome na história contra as elites.
Como ate o filho de sapateiro Louis Braille. Que ficou cego em criança por, na oficina do pai, que ficava na casa onde vivia ter acidentalmente enfiado uma sovela num olho.
As elites sempre fomentaram repressão, ignorância e pobreza e se alguns contribuíram para o progresso muito do processo que melhora vidas fez se contra elas.
Quanto aos portugueses não quererem ter filhos nem trabalhar.
Muitas vezes e a falta de condições de vida que faz muita gente não querer ter filhos ou ter só um. Isso e não saber que vida lhes pode dar num país destes agora ainda por cima ameaçado pela extrema direita.
Quanto a não querer trabalhar deve ser por isso que temos cinco milhões de portugueses a trabalhar em todo o lado.
Eu mesmo já trabalhei fora em trabalhos que não faria aqui. Não por não querer trabalhar mas por saber que não ganharia para comer, nomeadamente na agricultura.
E aguentaria o MST catorze horas a trabalhar numa estufa no Verão ou a acartar sacos de cimento e balde de massa? Pelo ordenado mínimo português ou menos?
Se isto e não querer trabalhar eu calão me confesso.
E a nova Lei da Nacionalidade e uma barbaridade porque e uma barbaridade e não por causa da importância do país.
Digam lá qual e o país a Ocidente que merece que alguém queira ser seu nacional?
Apoiadores de nazis e genocidas? E preciso estar desesperado.
Em resumo, mais uma vez o MST devia ir ver se o mar da choco do grande, do bom para grelhar, em vez de nos encher a pachorra.
Dos dois estados da Nação
O segundo foi o Estado Novo
Este de agora é do povo
Assim o diz a Constituição.
Com minúscula designado
Soberano sem honra nem glória
É único na nossa história
Por políticos rasca apoucado.
É um soberano esquisito
Para políticos pulha ladrão
Em vez de mandar para prisão
Só sabe fazer manguito.
Bizarro comportamento
De soberania bipolar
Rouba e deixa-se roubar
Através do seu orçamento.
Compotamento marado
Aos súbditos extorque dinheiro
Que dá ao guloso banqueiro
A quem vai pedir emprestado.
Este imbecil ignorante, que não diz coisa com coisa, que só se indigna a favor de poderosos e salgados, defende esta tirania de merda vassala de outra tirania vassala de um imperialismo nojento, necessita do morto há mais de 50 anos, do qual não leu absolutamente nada.
Queria ver no actual parlamento haveria a possibilidade de dois deputados trocarem piropos de “filho da puta”. Refiro-me a Francisco de Sousa Tavares e Raúl Rego.