Para uma identificação dos partidos como forças de classe

(Manuel Raposo, in Resistir, 28/02/2024)

O jargão parlamentar e comunicacional impôs na opinião pública uma identificação das forças partidárias segundo critérios de tipo topográfico (esquerda, direita, centro) ou de tipo comportamental (extremista, radical, moderado) que na verdade pouco ou nada nos dizem sobre a sua natureza política. Importa lembrar que os partidos, todos eles, representam classes sociais, mesmo quando a ligação entre aqueles e estas se mostra obscura e difícil de estabelecer…

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8 pensamentos sobre “Para uma identificação dos partidos como forças de classe

  1. Já agora, não tenho simpatia pelo Bloco de Esquerda desde que, apoiaram a, destruição da Líbia e se, desculpam com o seu nem nem para acharem normal todas as nossas aleivosias.
    Ou afirmarem que não valia a pena indignarmo nos con um assassinato, como o de Cassem Soleimani porque o homem não tinha feito nada pela democracia. A esse preço tinha o Trump direito de matar meio mundo. O Bloco de Esquerda também nos pede solidariedade com a Ucrânia sem nos explicar o que Zelensky fez pela democracia. Aliás, o Bloco de Esquerda lá do sitio foi ilegalizado tal como outros 11 partidos e viva a democracia.
    Mas o que é demais não presta.
    Mariana Mortágua disse que o pai foi condenado a prisão perpétua pela PIDE. Ora, os jornais ditos de referência, como o público, acusaram a senhora de mentir. Isto porque tal pena não existia na lei.
    Pois não, mas havia os tribunais plenários e as famigeradas medidas de segurança que permitiam estender indefinidamente as penas de prisão. A prisão perpétua não estava na lei mas era perfeitamente possível e muitos foram os que realmente morreram nas masmorras do regime. Como esses senhores tinham obrigação de saber. Era provável que Camilo Mortágua já tivesse a sentença rezada. Como certamente a tinham Álvaro Cunhal e a cúpula do Partido Comunista detida em Peniche.
    Esvaziar a votação nos partidos da chamada esquerda radical e a única esperanca para garantir que os afilhados de quem lhes paga o ordenado se voltem a sentar na cadeira do poder. Mas um pouco mais de respeito pelos mortos nas masmorras do regime não ficava nada mal aos nossos presstitutos. Porque a prisão perpétua não estava na lei mas era e foi possível.

  2. Quando nas grandes questoes, como a manutenção de boa, pare das leis que atacaram os direitos dos trabalhadores aprovadas nos anos de chumbo 2011 2015 ou na, submissao total e sem qualquer protesto aos ditames de Bruxelas Ps e PSD estão de acordo e natural que haja a tendência de os mete no mesmo saco.
    Mas efectivamente o PS é um mal menor pois que quando a direita chega ao poder quem vive do seu trabalho passa as penas do Inferno. O PS sempre poe um bocadinho de vaselina quando se trata de nós ir ao c…

  3. Não há absolutamente nada de bom a esperar deste sistema eleitoral: tudo está organizado para que a aristocracia sobreviva a si própria. Ou não votamos, e estamos condenados à impotência, ou votamos, e a diferença é infinitesimal, ou mesmo inexistente. Na minha opinião, só uma coisa é certa: esta negação democrática não durará para sempre.

    O dinheiro é obviamente um fator limitativo importante, porque toda a gente vê que esta fragmentação não leva a lado nenhum.

    No contexto político por si só é apenas o ecrã das aparências, é preciso ter alguma ideia da guerra híbrida em que a Europa está envolvida, contra a Rússia e agora os BRICS.
    Dir-me-ão: “Que raio está este idiota a tentar dizer-nos com as suas histórias de conspiração do Deep State?”
    Não se trata de alucinações conspirativas. Todas as eleições desde a crise do Brexit na Europa foram dirigidas através das redes sociais (Twitter e Facebook na altura) pela censura militar de Washington. Após o eclipse do mandato de Trump, o Departamento de Estado dos EUA decidiu que nunca mais os deixaria de lado , fossem eles britânicos, italianos com Salvini ou alemães com a AFD, porque isso significava a eventual dissolução do domínio da NATO sobre a Europa contra a sua guerra híbrida contra o domínio russo sobre a dissidência europeia.

    Assim, deixará de haver dissidência europeia para se opor ao controlo da NATO sobre os seus escravos europeus, potenciais carne para canhão ao serviço da vontade hegemónica americana sobre a Rússia!
    Convido-os vivamente a ver a entrevista com Mike BENZ, especialista mundial em censura e antigo responsável pela cibernética (programação psico-eletrónica) no Departamento de Estado dos EUA: https://odysee.com/@HORIZONS:d/Elo-Trad—rappel-du-16.02.2024—INTERVIEW-de-Mike-BENZ-par-Tucker-CARLSON—L%E2%80%99%C3%89tat-de-s%C3%A9curit%C3%A9-nationale-et-l%E2%80%99inversion-de-la-d%C3%A9mocratie:1

    Neste vídeo perderão todas as suas ilusões sobre a sua pseudo-liberdade eleitoral quando descobrir que não só todas as eleições europeias são dirigidas pela NATO através de Washington, do Departamento de Estado e do Departamento de Defesa (Pentágono).
    Nós, na Europa, estamos sob a influência de um golpe de Estado militar na Europa, na sequência da crise do Brexit, que nos pôs uma trela e que não nos largará enquanto não tiver criado um verdadeiro Estado federalista europeu, acabando com as soberanias nacionais, utilizando toda a força de uma guerra híbrida (não cinética, como na Ucrânia), com propaganda e censura.
    É, portanto, ESSENCIAL esquecer os egos mesquinhos, como outros insensatamente afirmam, se quisermos existir .

    Ao dar ouvidos aos colaboradores da NATO que, na televisão (e nas redes sociais da oposição controlada), tão facilmente manipulam através da ignorância sobre a verdadeira maquinaria da NATO em ação na Europa.
    É WASHINGTON QUE ESTÁ A DIRIGIR A EUROPA! NÃO É VON DER LEYEN OU SHOLTZ! E Portugal está a receber ordens da NATO.

    E se reparar-mos bem os problemas de Portugal são iguais a toda a europa,imigração, saúde,educação,agricultura,etc,etc…

    Esta situação é o resultado de um sistema que se desviou em nome de grandes princípios. O problema é que o culto da imagem e da aparência se sobrepõe aos resultados e à seriedade. O futuro é do colapso e desordem para os próximos anos. A China será o país mais forte, seguida da Rússia e depois da Índia, e a África estará em constante conflito entre ditadores militares. O Irão terá um conflito regional em que os EUA tentarão ajudar, mas que será partilhado com Taiwan. Em suma, os EUA desgastar-se-ão militarmente, enquanto a Europa não esquecerá a Ucrânia e a sua necessidade de consolidação.

    E isto se não acontecer uma 3° guerra mundial,que penso que é o mais certo. Em suma, Trump é uma calamidade à escala mundial. No plano interno, é anti-democrático e arrisca-se a inclinar-se para um autoritarismo que tentará instaurar e que talvez perdure para além do seu mandato. A menos que não termine o seu mandato. É necessária uma limpeza da sociedade americana e das suas instituições para garantir a sobrevivência do sistema a longo prazo, porque no último século o mundo evoluiu sem que o sistema se adaptasse (e houve quem se aproveitasse disso). Ou o episódio Trump conduzirá a isso ou será a queda do sistema.

    A única democracia conhecida na história da humanidade é a da antiga Atenas. A votação de um projeto apresentado em público era feita por seixos, e a pessoa que apresentava o projeto não fazia o bolo à frente dos seixos. Se o seu projeto falhasse, era banido ou executado por fraude.

    Pessoalmente, não diria que a democracia perdeu nesta eleição, mas sobretudo prova que não existe e que tudo está programado para levar as pessoas a consumir quando precisam de enriquecer e depois empurrá-las para a guerra para manter o seu poder e os seus ganhos. Quanto às pessoas, são mais ou menos escravas, consoante a proximidade do poder e o período em que vivem. Quando lhes é atribuído o consumo, têm a única liberdade de usufruir de actividades de lazer, mas quando a taxa de lucro desce, entram em modo metro-boulot-dododo-divisões-tensões, que é apenas um estado de guerra. Agora percebe-se porque é que dizem “estamos em guerra”.

    A burguesia, banqueiros estão em guerra, mas CONTRA nós! E é a mesma coisa na grande maioria dos países, porque vimos que a crise da COVID foi gerida da mesma forma em todo o lado. Por todo o lado, os terráqueos estão a ser mascarados por uma elite global convencida de que a inteligência artificial lhes dará a legitimidade moral que nunca tiveram. É tempo de despertar para este facto e de aproveitar esta crise profunda para transformar a raiva em coragem e o ego em consciência, sem esperar nada .

    Pela minha parte, a verdadeira questão é saber como é que estas eleições podem ser . O que é que isto diz sobre o estado atual de Portugal? Não estarão os países de uma Europa desunida condenados a escolher o seu ministro (se puderem)?

    A democracia, como qualquer função, tem um domínio de definição e não é eterna. Quando o enquadramento não lhe permite existir, atinge os seus limites. Um dos limites do quadro é o bem-estar das populações, outro é a homogeneidade. Os dois são ultrapassados, é tudo. Então, as forças centrífugas são mais fortes e não há nada que se possa fazer.

  4. «Importa lembrar que os partidos, todos eles, representam classes sociais, mesmo quando a ligação entre aqueles e estas se mostra obscura e difícil de estabelecer. Apagar esta matriz significa esconder os interesses de classe que se alinham nas políticas das diversas forças partidárias, não apenas no que por elas é proposto, mas também no que respeita à sua acção prática» (Manuel Raposo, com MC, in “Para uma identificação dos partidos como forças de classe”. Mudar de Vida, 26 Fevereiro 2024).

    O lembrete não podia vir em momento mais oportuno, já que estamos, em Portugal, em plena campanha eleitoral para escolher os deputados do próximo parlamento, uma competição comunicacional onde os partidos políticos são os principais protagonistas. Nesse sentido, o artigo de MR e MC é uma pedrada no charco.

    Não vou, porém, opinar sobre a validade ou invalidade da arrumação que os autores fazem dos partidos políticos portugueses com assento parlamentar à luz do critério de classe que propõem, porque esse critério não é claro, nem, parece-me, consistente. Basta enunciar a categorização e a subcategorização que fazem das classes sociais para nos apercebermos que misturam ou combinam determinações de natureza muito diversa:

    — “alta burguesia”, “média burguesia” (“urbana” e “rural”), “pequena burguesia” (“proprietária”, “assalariada” [??], “urbana”, “rural”, “arruinada”, “mais pobre”, “reformista”, “despolitizada”, “amedrontada”, “desesperada”, “apartidária”], “proletariado” (“operários e outros trabalhadores assalariados” [quais?]; “o proletariado mais miserável”, “classe operária” [uma outra denominação para “proletariado?].

    Em parte nenhuma do artigo os autores nos dizem quais são os fundamentos teóricos, e as delimitações empíricas (em particular as de natureza estatística) em Portugal, da sua categorização e subcategorização das classes sociais, nem que seja através da indicação de uma bibliografia de referência. O que me leva a presumir que acham que elas são óbvias, transparentes ou, pelo menos, razoavelmente bem conhecidas. Mas não são, pelo menos para mim e julgo não serei o único leitor a pensar assim.

    Sugiro, pois, se me for permitido, que os autores nos ofereçam, assim que puderem, outro artigo ou outros artigos onde as duas questões indicadas no parágrafo anterior sejam abordadas. Quando isso suceder, será possível retomar ou encetar a discussão deste seu primeiro artigo em base mais firmes e com resultados mais frutuosos.

  5. A análise ao PCP está muito incompleta para não dizer errada. O PCP transformou se progressivamente de um partido de massas ao longo dos anos 80 para um partido de quadros, a maioria dos quais, devido ao crescimento rápido nos anos 70, recrutados sem experiência de trabalho ou da vida real. O partido tornou se numa máquina desligada da mobilização efectiva de massas para um partido de protesto. Isto verificou se também ao nivel sindical em que se decretavam greves sem previamente se mobilizarem os trabalhadores, propalando se estatisticas falsas de adesão. Em consequência, o declínio da adesão a nível eleitoral foi uma realidade progressivamente evidente que hoje está à vista de todos. A luta sindical e política tem de ser refundada na sua base. Não é atacando e até ofendendo os eleitores trabalhadores que votam em outros partidos nomeadamente no PS que alguma vez se vai alterar o estado de coisas. Um partido só faz sentido para a conquista do poder. Ora não é atacando a base social que é a raiz para o crescimento necessário a essa conquista do poder que se leva a água ao moinho. É trabalhando a pacientemente com se fez antes e logo após o 25 de Abril que se conseguirá inverter a actual trajectória de desastre político. Qualquer que seja o SG está votado ao insucesso.

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