Preparem-se

(Virgínia da Silva Veiga, 25/01/2019)

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Estive há pouco a ver a RTP 3. Um debate com três mulheres, uma delas aquela Lourenço, de que nem vale a pena falar, uma jornalista da Lusa, cujo nome não recordo, e a nossa Maria Flor Pedroso.

A nossa Directora de Informação – somos nós quem paga – é, efectivamente, um caso. Uma brilhante pessoa onde se estranha ver ideias absurdas. Que lhe dê tempo, dizem-me. Mas que tempo, que diabo? A RTP ainda ontem emitiu uma reportagem nojenta que fazia de Portugal um País tão corrupto como o pinta o convidado do Goucha e o sobrinho do Barreto, implicando pessoas que nunca na vida foram condenadas por nada e outras que foram absolvidas. Que porcaria de programa era aquele, que hedionda Direcção de Informação temos? – Perguntei-me. Todos os dias me pergunto, aliás. Em frente. Não era o tema.

Vale ao caso, onde quero chegar, que Flor Pedroso parece ter dupla personalidade: uma é ela, outra a que aceitou o cargo que ocupa. Porque, a dada altura, uma opinião que emitiu sobre políticos que comentam no Facebook, defendendo os jornalistas deverem continuar intermediários de opiniões a chegar a terceiros. fez-me tirar uma conclusão que fiz para mim e que se reconduz a uma questão: já se perguntaram? 

Daqui a uns anos, os políticos no activo que não tenham tido uma página no Facebook e interagido com os cidadãos directamente vão ser uma raridade tão grande como um porco a andar de bicicleta.

Hoje, Flor incluída, alguns ainda não pararam para pensar nisso e julgam que tudo se passa à época de outros critérios Os currículos de agora e do futuro têm diferente exigência. 

Quase ouço as conversas de bastidores sempre que alguém pensa numa nomeação: “tás maluco? Aquela gaja? Ó pá, a gaja tem uma página no Facebook e farta-se de fazer comentários. Nem pensar!”

Pois daqui a uns tempos, muito próximos, vai ser exactamente ao contrário: “o quê, esse gajo nunca teve página no Facebook? O tipo nunca se sujeitou a comentários? Esquece. Nem pensar!”.

E percebe-se. As pessoas vão ser também aferidas pelas páginas que têm e a receptividade positiva que merecem. O número de “gostos” é outro assunto, embora também conte.

Quem não tiver página no Facebook, quem não comenta nem se faz comentar vive num mundo que não é este. Sobretudo, podendo nada ter a esconder, facto é que aparenta. Portanto, preparem-se. Ser discreto tem novo critério de aferição, é diferente de não ter coragem para ser exposto. Quem assim for, auguro-lhe fraco futuro em cargos importantes sobretudo por ir ser analisado por chefes, por um júri que desconfiará sempre de tais recatos e, sobretudo, de tal incapacidade de se sujeitar a julgamento público.

Acreditem. E preparem-se.  Flor Pedroso também, nas análises e nas selecções que fizer. Particularmente, nas que faz. É conselho.

Um mamilo de Rubens desafia o capitalismo?

(Pedro Tadeu, in Diário de Notícias, 25/07/2018)

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Quadro de Rubens: O Julgamento de Páris

Os dirigentes do Rubenshuis, de Antuérpia, decidiram gozar com o Facebook: filmaram um vídeo onde se veem dois supostos seguranças a percorrerem o museu, que mostra inúmeras pinturas do século XVI assinadas por Peter Paul Rubens.

Os dois capangas abordam visitantes e perguntam: “tem conta numa rede social?”. Quando o espantado turista responde que sim, os seguranças pedem desculpa mas, justificando-se com as regras em vigor das redes sociais, obrigam-no a afastar-se das pinturas de mulheres nuas que deram reputação de génio ao pintor flamengo e, provavelmente, ocuparam lugar de relevo entre os sonhos eróticos de certas realezas barrocas europeias, que mecenaram o artista.

A piada em vídeo viral da “Casa de Rubens” tem um alvo óbvio – o Facebook, a rede social dominante neste lado do mundo – mas, na verdade, a empresa de Mark Zuckerberg não é citada no vídeo, pois o museu prefere alertar para o reacionarismo das regras que impedem a publicação, nos novos media, de obras artisticas clássicas.

Lembro-me de ler noticias do Facebook censurar uma publicidade que usava uma mulher, símbolo da República Francesa (semelhante à portuguesa), que mostrava os seios enquanto liderava, bandeira tricolor na mão, uma revolta popular (a pintura original é de Eugéne Delacroix).

Lembro-me de ler notícias do Facebook censurar a publicação da foto de uma estatueta com 30 mil anos de uma mulher nua, aparentemente grávida, interpretada pelos arqueólogos como um símbolo de fertilidade, mas entendida pelos gestores da rede social como sendo um “conteúdo impróprio”.

Lembro-me de ler notícias do Facebook censurar a reprodução de um quadro chamado a Origem do Mundo: uma vagina e um par de seios cruamente mundanos, pintados por Gustave Coubert no século XIX, em provocação aos nus desenhados em grandes cenas mitológicas ou oníricas que algo hipocritamente prevaleciam nas artes visuais europeias.

O Facebook, portanto, censura mulheres nuas. É um facto. Foi até divulgado um manual interno da empresa com milhares de indicações complexas aos seus trabalhadores sobre os critérios que devem seguir para eliminar publicações com cariz sexual, violentas, racistas, homofóbicas, terroristas e sei lá que mais.

Provavelmente muitos de nós, por razões ideológicas, culturais ou morais, concordarão com algumas das restrições que o Facebook pretende impor nas suas páginas. Provavelmente acharemos outras ridículas e, até, gravemente ofensivas da liberdade de expressão.

Provavelmente muitos identificarão a dualidade de critérios do Facebook: lesto a cortar mamas das suas páginas mas suspeito de ser conivente com invasões empresariais de privacidade ou utilização abusiva de dados dos seus utilizadores. Mas isso, hoje, não me interessa.

O que me interessa agora é perceber as consequências para uma boa parte do mundo, para os indivíduos, dos atos de censura do Facebook .

O que leva as redes sociais a censurar os seus utilizadores?

É a pressão de um número significativo de utilizadores, de gente influente, de organizações, de instituições, de governos?

É a própria adesão a um certo padrão moral de investidores e dirigentes de redes como o Facebook?

É o medo de perder negócio, de criar uma onda de rejeição, de temer que muitas pessoas passem a fugir de um local com reputação de “má fama?”…

Será um pouco disso tudo, mas creio que a razão prevalecente é a última que alvitrei, a relativa à saúde do negócio: os mamilos das mulheres de Rubens são uma ameaça aos capitais investidos no Facebook.

O problema é o tamanho. O Facebook tem uma dimensão quase global e, ao fazer censura aos seus utilizadores, seja por bons ou por maus motivos, tenha ou não razão, está, inevitavelmente e simultaneamente, a influenciar a moral global: pela repetição, anos e anos a fio, destes atos de censura, o código de conduta social que vigorar no Facebook tenderá a ser a moral vigente nas sociedades onde a empresa domina o mercado das redes sociais.

O que o Facebook está a fazer é que a moral e a ética de uma parte da sociedade se imponha, unilateral e ditatorialmente, a todos os utilizadores.

Porque pode o Facebook atuar como guardião de uma moral, de uma ideologia, que não é, necessariamente, a moral de todos os seus leitores e não é, certamente, a moral de todos os povos?

Porque pode o Facebook impor uma moral que reflete, também e necessariamente, opções e aquisições ideológicas, religiosas, culturais e políticas que, claramente, não são as de todos os seus leitores em todos os países e nações por onde eles se espalham?

Porque pode (e porque tantos lho pedem?) o Facebook impor limites à liberdade de expressão dos indivíduos quando, e bem, criticamos tanto os Estados e os governantes que o tentam fazer?

Dirão: “O Facebook é uma empresa privada e pode fazer o que quiser dentro da sua propriedade”… Pois, mas com o tamanho que tem, o Facebook é muito mais do que uma empresa privada: é uma potencial e perigosa fábrica de mentalidades.

Por isso, em nome do bem comum, a rede social Facebook deveria ser socialmente neutra e, na verdade, não o é. Isto é uma ameaça civilizacional.

Nós os Inimigos que entramos pelas Portas dos Fundos

(Dieter Dellinger, in Facebook, 23/05/2018)

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Ouvi agora na SIC Notícias o Sousa Tavares dizer “deixámos entrar o inimigo pela porta dos fundos”. O inimigo somos nós os facebookistas que estavam a ser muito criticados por darem notícias falsas. Ora, no Facebook e nos blogs é raro alguém dar uma notícia. O que muitos, ou todos como eu fazemos, é desmascarar a falsidade dos noticiários e salientar textos ou acontecimentos que achamos interessantes, por isso, os jornalistas odeiam-nos

Eu sinto-me muito honrado em ser odiado pelo jornalixo dos pasquins e das televisões e sei que isto de Google e Facebook veio para ficar e é uma grande REVOLUÇÃO.

Curiosamente, no almoço do Sócrates verifiquei que alguns jornalistas tratavam-me pelo meu nome, o que significa que eles lêem estas coisas sem grande valor e dão-lhes importância porque não gostam de ser desmascarados.

O jornalixo parece não ter a consciência da diferença que vai entre campanha totalitária contra um governo, um partido e um ex-PM, e Notícia ou até comentário de acontecimento do dia.

A resposta não pode deixar de ser uma campanha contra o jornalixo e talvez não são os jornalistas os culpados, mas sim os proprietários capitalistas dos jornais que em pleno século XXI não podem ouvir falar de socialismo, comunismo, esquerdismo quando, apesar desses nomes, vivemos numa sociedade de direita, isto é, com economia de mercado em que os poderes apenas querem colocar a coleta dos impostos ao serviço dos mais pobres de modo que seja maior o número de pessoas a viverem em condições médias, isto é, nem ricas nem pobres.

O Mexia, por exemplo, deve pagar mais de 50% dos seus 2,2 milhões de ordenado anual em IRS e TSU. Ele ganha muito, mas é obrigado a ceder muito, enquanto de um ordenado mínimo não sai nada para IRS e de ordenados até 1000 euros também não sai grande coisa. Claro, muitos outros recebem de sacos azuis oriundos de offshores.

O Facebbok do grande Zuckerberg é a liberdade total, mesmo para a asneira e o trivial. Somos tão livres aqui como à mesa de um café e isso é que é revolucionário e insuportável para aqueles que julgavam poder ganhar dinheiro com mentiras e campanhas políticas e para continuarem a fazê-lo perdem cada vez mais dinheiro.

Eles, os capitalistas do jornalixo, têm os juízes do seu lado. Por isso somos obrigados a desmascarar os juízes.

Hoje todo o Mundo critica o juiz Conte, indigitado PM da Itália de ter aldrabado o seu currículo com afirmações falsas sobre a sua passagem por universidades onde nunca foi visto.

Nós aqui não ganhamos nada e vamos chamando a atenção de uns e outros para o que se passa em termos do que é verdade ou mentira. E não mentimos, eu digo com orgulho que sou socialista e defendo o PS. Não me escondo com nome falso nem com pseudo independência.