Boris Johnson, Brexit, Mentiras e Gravações

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 20/06/2022)

(Com um apontamento ao filme Doctor Strangelove, a Peter Sellers e a Kubrick)

A internet tem também as suas vantagens — desvantagens para os aldrabões. Boris Johnson é hoje um afadigado caixeiro viajante a promover os interesses dos Estados Unidos na Ucrânia, como Blair o foi na invasão americana do Iraque.

(Ver discursos e intervenções de Boris J. aqui)

O produto que Johnson se esfalfa por vender é a entrada da Ucrânia na União Europeia, isto tendo ele sido um dos mais entusiastas ativistas da saída do Reino Unido da UE. O que não servia para o Reino Unido serve e bem para a Ucrânia!

É evidente que a saída do Reino Unido da EU fazia parte da estratégia dos Estados Unidos de barragem de criação de um novo espaço político, económico e militar, de enfraquecimento da EU e da sabotagem de qualquer reforço da ligação da União à Rússia. É evidente que a entrada da Ucrânia na UE serve os propósitos dos Estados Unidos, que à custa dos ucranianos, enfraquecem a UE e dinamitam o estreitamento de relações desta com a Rússia.

Para cumprir a sua missão de sapador, Boris Johnson, como Blair, presta-se a todos os trabalhos sujos. Mente, desdiz-se e, tanto quanto se sabe, ainda se diverte em parties no gabinete.

Voltando à internet, uma busca sobre as afirmações de Boris Johnson sobre a UE no tempo em que ele era contra (2016) deu o resultado que aqui deixo resumido:

6 de Junho de 2016

Votar para ficar na UE é uma opção arriscada

Os perigos da continuação da adesão à UE para a economia, segurança, democracia e fronteiras do Reino Unido — posição dos deputados Michael Gove, Boris Johnson, Gisela Stuart e John Longworth.

A permanência do Reino Unido na UE “ Fecha a Grã-Bretanha num sistema que tem uma maioria permanente de votação para a zona do euro.”

Esta, a zona do euro, na opinião destes deputados, incluindo Boris Johnson, tem graves problemas económicos e está a ficar para trás na Ásia e na América. Tem alto desemprego, altas dívidas e baixo crescimento. Tem uma população que envelhece rapidamente e grandes responsabilidades com pensões não financiadas do setor público. Não conseguiu desenvolver as redes vitais entre universidades de classe mundial (das quais não tem nenhuma entre as 20 melhores), empreendedores e capital de risco, por isso não está liderando em novos campos, como inteligência de máquina, engenharia biológica e manufatura avançada.

Afirmaram os deputados:

O plano oficial da UE não é mudar de direção, é tirar ainda mais poderes da Grã-Bretanha;

A UE e o desonesto Tribunal Europeu são perigosos para a nossa segurança.

Se permanecermos, a UE planeia constituir um exército europeu.

Boris Johnson criticou as ligações entre os argumentos sobre democracia e economia:

Podemos ver em cada estágio de atuação da UE como a perda do controlo democrático se transforma num desastre económico. O projeto europeu vai contra a corrente da História!”

8 de Junho de 2016

Michael Gove e Domique Raab, um deputado e o outro ministro da Justiça, conservadores do grupo de Johnson, ativistas do Vote Leave, o movimento que conduziu ao Brexit, afirmaram no Parlamento que a pertença à União Europeia diminui a segurança do Reino Unido e atacaram o Tribunal de Justiça Europeu. Dominic Raab, argumentou que “deixar a UE permitir-nos-ia retomar o controlo das nossas fronteiras e nossa capacidade de deportar criminosos.” (É com base nesta liberdade que o governo do Reino Unido presidido por Johnson se prepara para deportar Julius Assange.)

Raab salientou que já existem problemas com os estados da UE que dificultam os controlos de fronteira e verificações de passaportes no Reino Unido, com a própria agência de fronteiras da UE, Frontex, admitindo que os documentos são falsificados de forma sistemática. Raab deu um exemplo de um jornal de agente imobiliário de Chipre que anuncia passaportes da UE: “Dado que isso já está a acontecer em grande escala, imagine o quanto esse problema será pior após a próxima onda de adesões à UE.” (Parece que esse problema terá sido resolvido, pois Boris Johnson, depois de ter conduzido à saída do Reino Unido da UE, é agora a favor da entrada nela da Ucrânia, com a correspondente livre circulação de ucranianos (exceto no Reino Unido, presume-se. Johnson abre as portas da casa dos outros. E os outros, coma senhora Ursula Von Der Leyen à cabeça, aplaudem e incentivam a medida!)

Por sua vez, Michael Gove, então secretário da Justiça, afirmava que a adesão da Turquia é um perigo para a segurança. Sobre a Turquia, na altura, disse Gove: “O desenvolvimento democrático daquele país foi revertido sob o presidente Erdogan. Nós e a União Europeia deveríamos protestar da forma mais clara e ruidosa possível contra esta erosão das liberdades democráticas fundamentais. Mas, em vez disso, nós e a União Europeia estamos a fazer concessões atrás de concessões a Erdogan.” (atualmente a Turquia é um aliado com quem o Reino Unido negoceia concessões para a entrada da Suécia e da Finlândia na NATO).

15 de junho de 2016

Os deputados do grupo Vote Leave apresentaram no Parlamento Um novo quadro para retomar o controlo do UK e estabelecer um novo acordo Reino Unido-UE após 23 de junho, que propunha entre outras medidas:

– Projeto de lei financeiro especial: Abolir a taxa de 5% do IVA nas contas de energia doméstica. Isso será pago pelas economias das contribuições do Reino Unido para o orçamento da UE.

– Projeto de Lei do Serviço Nacional de Saúde. Transferência de 100 milhões de Libras por semana para o NHS, além dos planos atuais, a serem pagos pela poupança com as contribuições do Reino Unido para o orçamento da UE, por exemplo, não pagar os biliões que o TJE deu ordem ao Reino Unido para pagar em compensação dos benefícios fiscais concedidos às multinacionais que evitam impostos instalando-se Reino Unido. (um reconhecimento implicito de que o Reino Unido era e é um gigantesco paraíso fiscal!).

– Projeto de Controle de Asilo e Imigração. Fim do direito automático de entrada no Reino Unido de todos os cidadãos da UE. Os cidadãos da UE estarão sujeitos à lei do Reino Unido e não à legislação de imigração da UE. O projeto de lei também abolirá o controle do Tribunal Europeu sobre a política de asilo –

  • Comércio Livre. O Reino Unido abandonará a “política comercial comum” da UE.

– Lei das Comunidades Europeias. Os Tratados da UE deixarão de fazer parte da lei do Reino Unido e a jurisdição do Tribunal Europeu sobre o Reino Unido será banida. O Reino Unido deixaria de fazer contribuições para o orçamento da UE.

16 Junho 2016

Carta de deputados do Vote Leave (Boris Johnson) ao Primeiro-ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros contra a adesão da Turquia à UE:

(…)os eleitores vão querer saber a resposta a duas perguntas:

É política do Governo 1) vetar a adesão da Turquia à União Europeia e a continuação das negociações de adesão, e 2) impedir a extensão da isenção de visto para a Turquia, prevista para este ano?

Se o governo não puder dar essa garantia, o público chegará à conclusão razoável de que a única maneira de evitar ter fronteiras comuns com a Turquia é votar pela saída da UE e retomar o controlo do país em 23 de junho.

Finalmente, pode confirmar se é política do governo não aceitar mais reformas das leis e regulamentos de ‘livre circulação’ da UE?

Com os melhores cumprimentos, Deputado Michael Gove; Deputado Boris Johnson; Deputada Gisela Stuart.

23 de Julho de 2019

Boris Johnson: What is his Brexit plan? By Reality Check team BBC News

O ex-ministro das Relações Exteriores (B. Johnson) prometeu que o Reino Unido deixará a UE em 31 de outubro, “ou o faz, ou morra”, aceitando que um Brexit sem acordo acontecerá se um acordo não puder ser alcançado até lá. Ele considerou morto o acordo de saída negociado pela primeira-ministra Therese May, mas diz que vai “pegar os pedaços” que mereçam ser considerados de interesse — como garantir os direitos de 3,2 milhões de cidadãos da UE no Reino Unido — (que asseguram serviços essenciais)

Termino com o final do discurso de Chris Grayling, deputado conservador do Movimento Vote Leave, a que pertencia Boris Johnson, proferido a 31 de Maio de 2016: “Devemos votar a saída do Reino Unido da União Europeia para proteger nossa soberania e democracia. (agora Johnson propõe a entrada da Ucrânia para esta defender a sua soberania e a sua democracia!)

O deputado Chris Grayling, líder da Câmara dos Comuns, terminou o discurso resumindo-o com a resposta à sua pergunta: Então qual é o problema?

O problema é este: Já estamos fora do Euro e do Espaço Schengen, mas em todo o resto estamos sujeitos a todas as leis introduzidas pela UE e na Zona Euro: Sobre serviços bancários e financeiros; sobre a regulamentação empresarial; sobre política social da UE, na chamada Europa Social. Assim, quando houver novas regras da UE sobre pensões, competências e saúde, elas também se aplicarão a nós. Sem Brexit (opt-out) mais milhões de pessoas podem aceder aos nossos serviços gratuitos à medida que países como Albânia, Sérvia e Turquia se juntam à UE.

O que acontecerá connosco se permanecermos na UE?

A nossa influência diminuirá. A nossa soberania diminuirá. A nossa capacidade de definir o nosso próprio interesse nacional diminuirá. (…)

O deputado do Vote Leave, correligionário de Boris Johnson terminou o seu patriótico discurso afirmando:

Senhoras e senhores, isso (a UE) não é para nós! Quero que vivamos num país independente e soberano!

Para os militantes do Brexit, à cabeça dos quais estava Boris Johnson em 2016 a U E não era para os ingleses, mas para o mesmo Johnson, depois de ter saído da UE, que não servia a independência e a soberania do Reino Unido, já é uma excelente e indispensável organização para a Ucrânia defender a sua independência e soberania!

Em resumo, o racismo inglês no seu melhor. Para quem é (a Ucrânia), bacalhau (a UE) basta!

Uma nave de loucos? O doutor Strangelove está na ponte de comando?

Os líderes da UE, presidentes de Comissão, do Conselho, o Borrell, os chefes de governo ficam muito contentes e honrados com este tratamento de democratas de segunda com que Boris Jonhson os trata. Ele é visita frequente de Zelenski.

É a personalidades como esta, como Boris Johnson, que está entregue a condução da política europeia, do destino de milhões de cidadãos. O Stanley Kubrick bem nos avisou que eles existiam!


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22 pensamentos sobre “Boris Johnson, Brexit, Mentiras e Gravações

  1. E no entanto, escreveram a mais pura das verdades, que se aplica também a Portugal, um país que só sairá da morte lenta se sair do €uro e voltar a ser independente na sua política monetária, financeira, e social, a exemplo dos países Nórdicos (e esta parte só é possível se a Esquerda substituir o P”S”):

    «a zona do euro, na opinião destes deputados, incluindo Boris Johnson, tem graves problemas económicos e está a ficar para trás na Ásia e na América. Tem alto desemprego, altas dívidas e baixo crescimento. Tem uma população que envelhece rapidamente e grandes responsabilidades com pensões não financiadas do setor público. Não conseguiu desenvolver as redes vitais entre universidades de classe mundial (das quais não tem nenhuma entre as 20 melhores), empreendedores e capital de risco, por isso não está liderando em novos campos, como inteligência de máquina, engenharia biológica e manufatura avançada.»

    Só li verdades. Boris Johnson estava certíssimo sobre isto, assim como Francisco Louçã, João Ferreira do Amaral, Jorge Bateira, Ricardo Paes Mamede, ou até o laureado com Nobel da Economia: Joseph Stiglitz. Entre muitíssimos outros, nacionais, europeus, ou do resto do Mundo.

    Desde que sou um cidadão informado sobre a realidade do €uro (ali por volta de 2011), que a minha vida se tornou muito simples: para identificar um fanático ideológico (seja no Europeísmo ou no NeoLiberalismo) ou um completo ignorante em questões económicas, basta saber se é apoiante da permanência de Portugal na ditadura falhada da Zona €uro. Até hoje, este meu método nunca falhou.

    A única forma de Portugal beneficiar da Zona €uro seria com a fórmula da Dinamarca: regressar à moeda própria (no nosso caso o Novo Escudo) com valor adequado à nossa economia (para manter saldo externo equilibrado), e indexada ao poder do €uro após o período de ajuste, mas sempre com possibilidade de flutuação cambial controlada através do ERM: Exchange Rate Mechanism – Mecanismo da Taxa de Câmbio do Banco Central Europeu, no qual Portugal (e todos os outros países) esteve nos anos 90 antes da adesão, de forma a estabilizar a taxa de câmbio.

    Isto foi a minha opinião de 2011 até 2022. Agora que o €uro deixou de ser uma moeda neutral, e foi militarizada para ajudar a roubar e empobrecer outros países que recusam obedecer à “rules based world order” de Washington, a fórmula que passei a defender é a da Suécia: saída ordenada do €uro através do ERM, mas só durante o período de ajustamento (de modo a controlar a velocidade da desvalorização e da inflação), e após esse período (de 5 anos ou pouco mais), fazer então o corte completo com o €uro, saindo do ERM.

    E quiçá voltando a recuperar as reservas de ouro que chegámos a ter (antes da UE nos ordenar para darmos um tiro no próprio pé), e aderindo mas só para pagamentos de comércio internacional, à mais que falada e antecipada nova moeda internacional em preparação pelos BRICS e SCO, em particular a China e Rússia, que dizem que pode ser a substituta do dólar lá mais para a frente nesta metade do século em que se está a fazer o reajustamento para um Mundo Multipolar.

    E porque não cobrir o Alentejo de painéis solares (que outro uso se pode dar a uma terra que será inevitavelmente um deserto durante estas Alterações Climáticas), e fazer de Portugal o maior produtor e fornecedor de electricidade à Europa? E com pagamentos em Novo Escudo? Teríamos uma das moedas mais fortes do Mundo, e uma poupança externa (como a Noruega fez com o petróleo) em vez de uma dívida externa. Podia ser assim? Podia, mas somos governados por traidores de Davos/Bruxelas/Washington que pensam de eleição em eleição, ou pior (como A.Costa) de orçamento em orçamento, e só querem é fazer favores à oligarquia ocidental com contas bancárias na Suíça (o regime cofre da máfia mundial), e só pensam nos saquinhos azuis e futuros tachos que isso lhes garantirá após saírem dos seus des-governos NeoLiberais.

    Ou seja, Portugal podia vir a ser um grande país neste século. Em vez disso, caminha a passos largos para ser um Estado falhado (endividado, envelhecido, empobrecido, privatizado, transformado em colónia de países e interesses maiores, e em campo de férias dos vencedores internacionais do sistema). E a explicação certíssima para isso, foi dada por Boris Johnson e companhia no tal texto de 2016:
    «a zona do euro (…) tem graves problemas económicos e está a ficar para trás»
    Por mais asneiras que o Boris tenha dito e feito entretanto, estas palavras continuam a ser verdade. Factual. E Portugal beneficiaria muitíssimo se tivesse gente com a coragem do Boris para fazer cá o €UROexit.

  2. Assumo-me como ignorante no que a questões de economia diz respeito, mas parece-me que há uma ou outra coisa que não tem muito sentido. E, ainda assim, não me considero um fanático ideológico.

    Por exemplo, porque é que num momento manifestamo-nos contra a saída do Reino Unido da UE, mas no outro exaltamos o desmantelamento da mesma e defendemos que o nosso diminuto país deve perseguir uma política de “soberania”, que não tem nem terá, sem notarmos a contradição ?

    Será necessário apontar o discurso de Chris Grayling onde ele refere todas as razões ou argumentos que justificam a posição do Vote Leave para a saída da UE ?

    Entre as quais não estar preso a políticas bancárias e financeiras da UE, que se aplicavam ao Reino Unido e impediam-mo de fazer fosse o que fosse a nível de perpetuar o domínio de oligarquias capitalistas dos seus empresários ou financeiros da City ?? Ou ainda o facto de eles não quererem estar sujeitos às políticas sociais e económicas da UE, entre as quais não fornecer serviços médicos gratuitos a cidadãos da UE ?

    O que significava carta branca para procederem ao desmantelar do NHS, que para os seu Boris e empresas farmacêuticas ou criação de um serviço de hospitais privados é o mesmo que dizer que aquela gente não vai ter serviços de saúde que lhes sejam favoráveis, mas sim às carreiras dos capitalistas que dominarem o sistema de saúde e seus derivados ???

    Mas isto é normal ? E perante isto e “aquela” ideia de soberania vamos defender a nossa soberania, esquecendo que nós não temos Soberania (a não ser a de ir plantar batatas para o Alentejo ou para a Beira), e muito menos a Rússia que, para além de ter muitos recursos materiais, estabelece acordos comerciais com a China/Índia e está integrada numa organização como o BRICS e procura a cada dia estabelecer mais acordos de cooperação ???

    E nós queremos abandonar a UE porque os Britânicos sabotaram-na de dentro para fazer valer a sua política externa e, principalmente, a dos EUA, que não querem ter uma potência rival do outro lado do Atlântico ????

    Eu gosto tanto da soberania nacional como qualquer outro, mas antes de nos pôrmos a dizer seja o que for convém olhar para a realidade dos factos e não nos deixarmos influenciar, por mais que se possa concordar com essa visão, com o discurso de Putin que é presidente da Rússia!!

    Já viram o tamanho daquele país ???

    Como é que querem manter a soberania portuguesa ??? Vamos minerar lítio no Minho ???

    Sejamos realistas!! Nós e muitos outros precisamos da UE!

    Pelo facto dos Britânicos estarem a miná-la por dentro e por fora (com esta ideia tola da Ucrânia, um verdadeiro estado falhado), é razão para aderirmos à propaganda deles e favorecermos ainda por cima os interesses da política externa dos EUA ???? Estes que não querem uma Europa forte mas uma Europa subjugada ?????

    E nós vamos cair que nem patos ? O Reino Unido enfraqueceu a UE, a Ucrânia vai enfraquecer a UE, Von der Leyen, Macron, Charles Michel e tantos outros enfraquecem a UE, e nós vamos fazer o quê ? Enfraquecê-la ainda mais ?

    Então quem é que quer salvar a UE ? Quem é que quer uma zona económica que beneficie as populações que nela habitam ?

    Quem é que quer uma zona económica que respeite, verdadeiramente, direitos humanos e que vele pelos interesses sociais, culturais, políticos, económicos e tantos outros das pessoas que habitam este continente, hum ?

    Digo outra coisa: um facto histórico bem conhecido é o de que os Nazis advogavam o ideal de autarcia, como os Gregos, que significa a soberania alimentar e industrial de um país.

    Agora, eu só digo isto não porque quero acusar ninguém seja do que for, mas para recordar que uma certa retórica leva-nos para caminhos de que nós não gostamos.

    Recordem-se de Salazar. Também ele queria um país independente. E o que é isso significou ? Uma economia assente em camponeses e trabalhadores industriais.

    E o facto é: Putin pode falar de muita soberania, mas ele sabe que se não fosse a China, a Índia e outros países do mundo ele não teria pernas para andar, porque ele tem uma economia hiper dependente de exportações, embora esteja de momento a investir no desenvolvimento da sua indústria e serviços nacionais.

    Mas, apesar deste desenvolvimento interno, o facto é que ele está farto de estabelecer ou fortalecer acordos económicos e de cooperação, nomeadamente BRICS.

    Portanto, o problema da Europa não é a falta da Soberania dos países, porque foi a Soberania dum país (UK) que pavimentou o caminho para a situação em que estamos. E tem sido a soberania e “segurança” de um outros país que tem sido a responsável por inumeráveis guerras por esse planeta fora.

    E agora vamos submeter-nos ainda mais a esse país em vez de lutar por aquilo que são os nossos interesses enquanto Europeus ?

    Será preciso recordar que Portugal não tem indústria, não tem exército, Marinha, força Aérea, frota pesqueira, independência alimentar e tudo o mais ?

    E nós vamos fazer o quê com essa soberania ? Gostava de saber ao certo.

    Plantar painéis solares ? É assim que vamos sobreviver ? Fornecedor de energia para a Europa ? Como, se nem a Alemanha com campos literalmente pejados de Ventoinhas Eólicas não tem a energia para alimentar a sua indústria ?

    Vamos conquistar as antigas colónias como forma de estabelecer essa soberania, é isso ?

    Onde é que nós vamos buscar essa soberania ?

    Independentemente de a termos ou não, o problema não é a UE.

    O problema é que nós não soubemos defender os nossos interesses dentro dela. O problema é que nós nos acomodámos e não quisemos que ela melhorasse. O problema é que deixámos as coisas andar e ela, como qualquer outra coisa, foi-se degradando…

    Eu concordo com muita coisa neste blog, mas com isto não.

    O problema da Europa não é a Europa, mas aqueles que nela se imiscuem com a intenção de a sabotar internamente e fazê-la vergar de acordo com os interesses da política externa dos EUA como um girassol que se inclina para a luz do luminoso astro…

    Se alguém quiser melhorar a UE, aceitam-se sugestões, mas aniquilá-la para quê ? Para os empresários, financeiros, Bezos, Teslas e outros desse mundo terem carta branca para arruinarem instituições sociais de todos os géneros e fazerem o que se passa no Reino Unido ?

    É isto que nós queremos ? Chamem-me fanático à vontade…

    • A UE não impedia, nem impede, e até continua a facilitar os paraísos fiscais. Idem para a privatização do NHS. O que não permitia que os Tories queriam era impedir a imigração, sendo que, não querendo governar, nem isso fizeram.
      O que faríamos é produzir o que ainda sabemos e não fomos forçados a perder, e o que não faríamos é tentar competir com salários cada vez mais baixos com quem os mantém artificialmente baixos à custa da paridade monetária forçada, que os fundos de coesão estão longe de cobrir, ou não fossem o BCE forçado (e não vai deixar de ser) a violar o seu mandato para cobrir ainda mais. Mas, lá está, só desde que nada se faça à liberdade do capital ou à precarização.
      Ou acha que o nosso querido Costa e os seus Santos Silva algum dia vão ser a favor de reverter a Troika?
      Temos trabalhadores esforçados e desenrascados a sair de boas universidades, e o melhor que lhes temos a oferecer é terem a liberdade de ter algum respeito laboral noutro lado. Vai mesmo correr bem. E a xenofobia de quem os recebe certamente que não aumentará.

      • E isso tudo é razão para se abandonar a UE ? Será que se apercebe que isso são argumentos semelhantes aos conservadores ingleses ?

        É a velha máxima do “estás mal ? Muda-te” que nunca resolveu nada na história da humanidade.

        O senhor se calhar quer fazer uma à Hitler, sendo que ele foi eleito para acabar com o desemprego de 6 milhões e uma inflação descontrolada na Alemanha – o que ele resolveu, mas todos sabemos no que resultou, não é ?

        Não consigo dizer mais nada, já apresentei demasiados dados históricos e não quero insistir nisto.

        O problema é acharmos que há situações perfeitas nesse mundo, quando nunca as houve nem nunca as haverá. Mas achar que abandonar a UE ou outra instituição qualquer vai resolver seja o que fora não vai.

        Isso até é retórica populista utilizada pelo Chega e outros afins com o intuito de lucrarem com a queda e ruína de instituições sociais.

        Em vez disso, podiam aproveitar o abundante conhecimento económico que possuem (que eu admito que não tenho, sem qualquer problema – e não refiro isto a propósito de si ou doutros ironicamente) e ver o que é possível fazer para resolver os problemas de Portugal dentro das instituições, melhorando-as e não arruinando-as: algo que na História da Humanidade nunca resultou em nada.

        A não ser em morte e ruína.

        Portanto: melhorar, sim. Abandonar ? Para quê ?

        Afinal de contas, não é isto o que defendem todos os sociais democratas nórdicos ?

        Se assim não for, das duas uma: ou são marxistas revolucionários ou são monárquicos embuçados que querem é ver se espalham veneno pela cabeça das pessoas.

        • Ah, e o Hitler não resolveu nada para além de transformar o país numa economia militar: os desempregados devem ter ido todos para o exército, porque eles tinham 100.000 efetivos militares quando Hitler se tornou chanceler, e antes da invasão da Polónia tinham 7 milhões, já para não dizer em todo o apoio que Hitler recebeu dos ocidentais que andavam convencidos que era ele que ia resolver o problema das suas crises económicas domésticas, chegando os ingleses a presenteá-lo com 27 toneladas de ouro checoslovaco para o apoiar na invasão da Polónia.

          Acha que é boa ideia seguir os ingleses seja para onde for ?

          Acha que eles não estão a querer polarizar de novo toda a gente, açulando tudo uns contra os outros ? Eles saem da UE num ato populista e no outro querem a Ucrânia cá dentro para mostrar a coesão da UE quando nem sequer fazem parte dela: será que compreende estas táticas pérfidas todas ? Eles querem é destruir a UE duma vez por todas.

          Mas continue a falar da forma como políticos corruptos que não têm nada que ser confundidos com a UE permitiam a proliferação de paraísos fiscais quando, no fundo, se continuarmos a exigir mais políticas sociais para prevenir este tipo de situações é melhor do que pura e simplesmente abandonar tudo a eito!

          Já agora, parece que abandonar a Liga das Nações e não recorrer a ela para evitar a guerra não resolveu muito pelos judeus e pela Segunda Guerra Mundial, não é ?

        • Que parte de que os países do sul gastam tudo em putas e vinho verde, e portanto merecem morrer à fome é que não percebeu? É isto a Europa, a política da Alemanha serve à Alemanha e a quem já conquistou o lugar de a financializar, do resto nem a França cabe. E aguenta-se à custa de martelar e violar regras.
          Se é isso com que se contenta, aproveite a próxima dose de austeridade e aldrabices contente, porque faz parte do plano da metrópole.
          E quando ao redução a Hitler, aproveite para ver de onde surgiu a crise de inflação, e como a falta de alimentos corre sempre bem. Ainda bem que saltamos de cabeça para a frente para uma, que o ecocídio não vai melhorar.
          Vai correr tudo bem, basta acreditar que Bruxelas pensa no povo, porque a única alternativa é Hitler, ou Putin, ou o raio que vos parta, como se os impérios nunca empurrassem a fome para a periferia.

          • Elucide lá como é que a crise da inflação começou.

            Estou a ser sincero, por favor, explique.

            E explique também o que é que faria assim que saísse da UE.

  3. O nosso problema é a não existência de regulação que proteja os nossos pequenos e médios agricultores, mas que favorece os monopólios da agro-indústria.

    O nosso problema é a não proteção dos poucos pescadores e investimento no abundante espaço marítimo que temos.

    O nosso problema é sermos incapazes de nos assumirmos como um país inovador e que faça investimentos nas áreas da economia, da educação, da saúde, do desenvolvimento tecnológico e científico e, em vez disso, vendermos patentes de trabalhos de investigação da FEUP para os EUA…

    O nosso problema não é a Europa, mas é o facto de nós nunca defendemos os nossos interesses no contexto dela. O nosso problema é não investimos adequadamente na proteção dos trabalhadores e dos seus direitos.

    É não fomentarmos a educação e a criação de estruturas estatais dedicadas à investigação…

    Estes são alguns dos NOSSOS problemas. Tem alguma coisa a ver com a Europa necessariamente ? Não. Tem a ver com elites que preferem o lucro fácil e, para tal, enganam as pessoas, defendem a “liberdade, fomentam a propaganda capitalista americana e criamos uma sociedade precária…

    Pronto, é este o nosso problema. É o facto de não termos uma identidade de pensamento. É o facto de não planearmos a longo prazo.

    É o facto de, contrariamente ao que os nossos marinheiros do séc. XV fizeram, não aproveitarmos técnicas náuticas árabes que permitiram a descoberta da costa africana. (Isto tudo entre aspas e adaptado à realidade contemporânea, claro)

    São estes os problemas. É o não investimento em áreas centrais e o desaproveitamento daquilo que nos legam do estrangeiro, desde conhecimento científico, a desenvolvimento tecnológico, a políticas sociais, económicas, culturais, tudo.

    É não aproveitar o que temos e não saber o que fazer para alcançar o que não temos, tudo enquanto integrados numa zona económica, partilhando o que alcançamos e contribuindo para o robustecimento dessa zona económica, de maneira a defender os interesses de todos os que a integram para que ninguém tenha falta do que for.

    Eu não tenho problemas com a Europa e não vou defender a portugalidade frivolamente só porque o contexto político da Rússia moderna me agrada.

  4. Houve um comentário anterior a este que não foi publicado.

    Nele referi o discurso de Chris Grayling, no qual ele refere as razões que levaram o Reino Unido a abandonar a UE: para as suas elites lucrarem com isso mesmo. Não teve nada a ver com defender a soberania do Reino Unido ou o facto da UE ser um estado económico decadente, mas tudo com o facto de eles não quererem estar sujeitos às suas políticas sociais e económicas, onde haveria maior regulação dos seus bancos e fundos financeiros, que eles não queriam ver tolhidos…

    A Rússia e Putin podem ter um discurso de soberania, mas eles são hiper dependentes de exportações e, se não fosse a China e a Índia, eles estariam fod***s… Por mais que eles tenham investimento interno, não se aguentariam nas pernas se não redirecionassem as exportações de petróleo, gás e carvão, assim como de outras matérias primas…

    A Rússia é um país enorme, portanto pode dar-se ao luxo de falar em soberania. Mesmo que não a tenha, assim como a China não a tem…

    A soberania é uma mentira e haverá sempre necessidade de trocas e acordos comerciais, políticos, económicos, culturais, etc…

    A única forma de se ter soberania e independência é fazer o que os Gregos, ou Hitler, ou os EUA fazem atualmente: subjugar colónias e lucrar à custa delas…

    Que soberania é que nós temos ? Não temos exército, Marinha, força aérea, frota pesqueira, indústria, agricultura, pecuária, nada. Não temos nada, e o que temos é precário e desvalorizado em função de interesses externos…

    Vamos plantar painéis solares no Alentejo ?

    Ouçam lá, a Alemanha tem campos pejados de Ventoinhas e não tem soberania elétrica.

    Nós vamos fazer o quê ? Pôr os moinhos do tempo de D. Dinis a funcionar ? Ou vamos voltar aos tempos de Salazar em que o país inteiro trabalhava na agricultura ou na indústria ?

    A soberania alimentar/industrial, ou autarcia, era algo defendido por Nazis… Não estou a acusar ninguém, mas estou a recordar coisas importantes para não enveredarmos por caminhos que a retórica ou as circunstâncias de política externa de um país ou líder nos levam quando esse país está numa posição de força por causa de acordos económicos e políticos criados e fortalecidos em contexto de separação forçada como consequência dos desejos imperiais dos EUA…

    Ninguém é soberano ou totalmente independente. Nem mesmo a Rússia com o BRICS…

    O Reino Unido quis sabotar a UE e lucrar ao mesmo tempo. Plantaram a semente de que a UE é uma porcaria… E ela vai crescendo. A prova é o alastrar de nazis por esse continente fora. A Polónia quer sair da UE lá com as parvoíces do nazi retinto do Duda.

    O Reino Unido quer enfraquecer a UE ao propor e defender a entrada da Ucrânia na UE. O Reino Unido quer integrar juntamente com os Estados Bálticos, Polónia e Turquia (aquela que não queria na UE) uma nova aliança militar e de cooperação política – portanto, quer enfraquecer a UE.

    Será que nos esquecemos de que o Reino Unido é o ponta de lança dos EUA ? Eles querem fragmentar a UE, porque, se ela desaparecer ou estiver neutralizada, os EUA encontram-se indisputados ou, pelo menos, têm menos uma potência rival com que lidar…

    E agora nós queremos sair da UE para ir plantar batatas na Beira ou ir minar lítio no Minho (que, graças a uma divindade, não aconteceu, porque seria um desastre ecológico) ? É essa a soberania que queremos ?

    Onde é que vamos buscar a nossa soberania ?

    Pelo facto de andarem a sabotar a UE desde a sua implementação, ou ainda hoje, é razão para a abandonar e declará-la morta no local do crime ?

    Francamente… E se isto é fanatismo, então não sei o que é ser razoável…

    Não acho que tenha qualquer sentido alinhar com o desejo dos EUA de terem uma Europa subjugada lá porque o Putin tem as suas próprias circunstâncias políticas em funcionamento… Mas lá haverá quem saiba melhor…

    Se queremos criticar as decisões políticas de Portugal e a falta de pensamento inovador ou racional sobre a forma de proceder no futuro é uma coisa.

    Agora, andar a atribuir os nossos males ao facto de uma organização política andar a ser sabotada desde o momento em que foi criada para que não fosse um empecilho à expansão militar e política de um país cuja política externa de segurança está assente na ideia de “expansão” é errado e uma falácia.

    O problema da Europa nunca foi ela, mas sempre aqueles que a tentaram denegrir e classificar como “ingovernável”…

    Houve um comentário anterior a este que, por alguma razão, não foi publicado. E não falo do comentário acima…

    Era um comentário mais forte em que mencionava na mesma a questão dos BRICS, do Reino Unido continuar a sua ideia de sabotar a UE ainda hoje e de a Rússia não ser soberana nem independente… A própria prova é de que ela está dependente de exportações e acordos com a China e a Índia, ou do BRICS ou de investidores estrangeiros do SPIEF…

    Reforçar os investimentos em Portugal é sempre bom, principalmente aqueles que valorizarem os interesses de portugueses em detrimento de multinacionais que querem lucrar com os nosso recursos materiais e humanos…

    Mas para quê sair da UE ? Para sermos engolidos por Espanha na primeira ocasião em que nos atrevermos a tentar relacionar com a Rússia ou outro país qualquer que não agrade à política dos EUA ?

    Não sei se já repararam, mas a posição geográfica portuguesa não é lá muito boa nos tempos que correm…

    • O que vale é que nações soberanas mais pequenas e/ou isoladas que Portugal não existem no continente de colossos como… a Islândia, que pode responder melhor (apesar de ficar a meio) ao colapso da banca.

      • O senhor sabe que a Islândia, em 2011, tinha 130% do PIB como dívida enquanto Portugal tinha 114,4% ?

        O mais curioso é que os salários da função pública no país foram aniquilados na crise e já nem falo dos cortes na educação e na saúde… Isto na Islândia.

        Os bancos colapsaram, 50.000 pessoas (num país que tem agora 350.000) perderam as poupanças e 25% da população foi forçada a um incumprimento hipotecário…

        Não se esqueça da abundante variedade de empregos que existe na Islândia: construção, técnicos informáticos, turismo e profissionais médicos.

        Estas são as 4 áreas principais.

        Eu não percebo nada de economia, mas parece-me que trazer à colação a Islândia não é muito justo para com a situação portuguesa.

        Porque, apesar da troika ter vindo para Portugal, e de se ter procedido a uma política de austeridade, a coisa não se resolveu de qualquer forma como na Islândia, que também fez cortes a tudo para resolver a crise à força bruta – pelo menos, de acordo com as indicações em cima, parece que resolveram a coisa à bruta.

        https://www.policyforum.net/10-year-recovery-lessons-iceland/

        Se tiver paciência, leia…

        Sabe o que eles fizeram ? Nacionalizaram os bancos… O que o nosso PSD não quis fazer.

        O próprio artigo afirma que é um erro querer comparar a Islândia e a sua experiência de recuperação das economias de outros países.

        Sabe porquê ? Porque a moeda da Islândia desvalorizou por 60% na crise e, com a baixa da moeda, investiram no Turismo (coisas mais baratas = mais turistas – lógico, não é ?): o senhor queria ou quer ver um país de Turismo em Portugal para ver se recuperamos economicamente ? Ou quer ver a moeda hiper desvalorizada ?

        É assim que vai recuperar a sua soberania ? Ou isto também é problema da UE ?

        Se calhar quer é liberalizar ainda mais a economia portuguesa que é para ver se acabamos com a dívida de vez, é isso ?

        Mais não consigo dizer e não vou dizer sob o risco de transmitir opiniões ou informações erradas, uma vez que sou um assumido ignorante de matérias económicas.

        • Meu Deus, 130%! Vamos à falência quando lá chegarmos… ah, espera… alguém avise o Japão, pá.
          Não, o ponto é que teve uma crise pior, ignorou temporariamente o colete de forças neoliberal a que não é obrigada por tratado nenhum, e resolveu, não só sem ajuda, mas à revelia do capital internacional. Ter feito antes ou depois ortodoxia neoliberal foi também uma escolha. Aqui, nem a quem se vende o estado, ontem a China era porreira, hoje já é má, azar.
          Porque quanto ao turismo e desvalorização, err, não faltam vendedores de pastéis de bacalhau sem dinheiro para a renda na Flórida da Europa; como é intenção da tal de desvalorização interna, vai dar ao mesmo, mas sem possibilidade escolher diferente e entrar nas cadeias de valor, e sem ser ao serviço do capital estrangeiro.
          Há mais de um século, chamava-se a isso República das Bananas. Hoje, é o bom senso social-democrata.

  5. Eu posso defender Cuba e o seu sistema político, que é extremamente benéfico para a sua população, uma vez que tem mesmo em consideração os seus desejos e interesses.

    Mas sejamos honestos: vamos fazer uma revolução comunista em Portugal ? Como ?

    Vai ser mais outra história semelhante aos coletes amarelos que andavam a reivindicar o fim do Tuning dos carros, juntaram meia dúzia de palermas no Nó de Francos no Porto e a Polícia acabou com aquilo, porque os indivíduos andavam a bloquear o trânsito e a armarem-se em pândegos no meio da rua ?

    • A única razão porque menciono Cuba é simplesmente pelo facto de que este é o melhor exemplo daquilo que acontece a um país que é forçado a isolar-se do mundo inteiro, como consequência de sanções económicas que lhe são impostas e que, entre outras coisas, determinam que qualquer navio que atraque em portos cubanos não pode atracar em portos dos EUA durante 180 dias – ora, isto torna extremamente complicado que alguém esteja disposto a perder possíveis trocas comerciais com os EUA para as ter com Cuba.

      Isto é o que significava assumir-se como “inimigo” dos EUA, sendo que eles colocam Cuba na posição de uma independência e soberania forçadas.

      Alguém imagina Portugal numa situação destas ? Isolando-se da UE, dos EUA, NATO e de outros ?

      A mim parece-me um pouco improvável…

  6. Ainda estão convencidos de que sair da UE vai resultar nalguma coisa ? Então, refiro-vos o seguinte livro: as Farpas de Eça de Queiroz.

    Sabiam que, em 1872(!!!), os professores Portugueses andavam a ganhar 120.000 réis, que era o salário dos professores em 1820, na altura das invasões francesas e antes da revolução liberal, sendo que eles deviam andar a ganhar no mínimo 240.000 réis para poderem fazer frente aos custos de vida de Portugal no final do séc. XIX ? Lembra alguma coisa ?

    Já para não dizer que, num universo de 3000 professores no país inteiro, só qualquer coisa como 200 (!!!) é que tinham sido classificados na altura como idóneos por uma comissão qualquer que existia à Época. Um dia poderei transcrever aqui o que se diz no livro.

    Então a falar do nosso exército é uma risota do íncio ao fim… Essa hei mesmo de transcrever um dia destes para uma pessoa largar umas quantas gargalhadas…

    Isto para dizer o quê ?

    O problema de Portugal é ENDÉMICO!

    Não tem nada a ver com a UE ou o facto de não termos independência monetária, financeira, etc…

    Digam isso aos palermas que, na época, permitiram que o Ultimato Inglês avançasse e que resultou, FINALMENTE, na revolução do 5 de Outubro e que instaurou a República ??

    Nós, quando nos submetem, fazemos as coisas!

    O Problema é que nós, para fazermos seja o que for, precisamos que nos venham à carteira ou aos interesses, porque o resto do tempo as nossas elites querem é andar a arrotar pastéis de Belém e rissóis!!

  7. O problema de Portugal é achar que somos um país extremamente virado para a frente quando, na verdade, somos avessos a inovações, misoneístas, portanto.

    O problema é que, enquanto a Europa inteira andava a implantar Repúblicas atrás de Repúblicas, nós ainda aturávamos as intempéries monárquicas.

    O problema de Portugal é achar que nós alguma vez fizemos fosse o que fosse depois dos Descobrimentos (sem contar com o 25 de Abril e sem querer fazer uma apologia de reconquistas coloniais, por favor…) e andarmos convencidos de que sermos histriónicos, seguirmos a propaganda “democrática e progressista” dos americanos e reclamarmos quando bloqueamos garagens do pessoal, porque não queremos pagar um parquímetro (isto não é uma manifestação a favor de parquímetros) é demonstrar a grandeza do que significa ser português!!

    Enfim, é um país e uma gente curiosa!

    Mas quando vêm as crises, a culpa lá é do raio dos comunistas que não querem que nós sejamos pobres e andemos a ser explorados, mas adoramos o papá Musk e as suas ideias de criar um sistema espacial que envie tanques ou forças de intervenção rápida em naves para apoiar golpes de Estado em África!!!

    Eu bem digo: o pessoal muito gosta de dizer que a História passa a vida a repetir-se.

    (Esse é o slogan mais usado pelos democratas americanos quando querem derrubar os “ditadores” que os impedem de aceder a Lítio ou seja o que for.)

    Concordo… Mas o problema é que esse pessoal não sabe nada de História!

  8. O rafeiro dos EUA.

    Um psicopata pervertido narcisista em 10 Downing Street para começar,com o fracasso do brexit ,ele deixou a UE e depois esqueceu que tinha entrado na servidão.

    Engraçado. “Através de mentiras, Boris Johnson constrói a sua marca”. E os chamados especialistas e entrevistados defendem esta postura. Muito bom para um líder.

    Esta forma de liderar pode fazer as pessoas acreditarem que esta é a forma de se reconectarem com aqueles que já não confiam no estabelecimento. Mas enquanto o foco está na imagem, a realidade está a acumular-se por detrás dela. E as pessoas também perderão a confiança neste tipo de perfil quando ele vier à tona.

    Boris Johnson é o exemplo perfeito das caricaturas, palhaços ou “comediantes” (no sentido de uma pessoa incompetente na política) que chegam ao poder, uma pessoa incompetente, que não tem experiência de poder e que tenta voluntariamente – cumprir as missões do Primeiro-Ministro tanto quanto pode. É uma missão que o ultrapassa, para além dele, faz efectivamente parte das categorias de palhaços, um antigo militar e deputado incompetente já nas suas antigas funções, Zelensky na Ucrânia, que é um verdadeiro comediante no sentido profissional, igualmente incompetente no exercício do poder e cuja situação da guerra com a Rússia o ultrapassa, Biden nos Estados Unidos, que também é incompetente, e se não tivermos cuidado, quem é o futuro presidente palhaço com discursos simplistas igualmente fantasiosos.

    É estranho que a atitude de Boris Johnson em relação à Ucrânia seja tão diferente. O primeiro pensamento é que ele está a tentar manter boas relações comerciais para tirar a Inglaterra dos problemas Brexit. Pensando melhor, perguntamo-nos para onde vai buscar o dinheiro para enviar equipamento militar, depois de tudo o que ainda deve à União Europeia, por causa do Brexit. Sobre a terceira reflexão, dizemos a nós próprios que fez certamente um acordo com os americanos para ajudar estrategicamente a Ucrânia. Boris, não nos vais enganar, não tens os ombros largos para te envolveres nesta guerra sozinho.

    Quem é Boris Johnson? Fácil! o irmão bastardo de Donald Trump.

    “Projecto de lei sobre os povos indígenas da Ucrânia”

    O Presidente Volodymyr Zelensky apresentou ao Parlamento ucraniano um projecto de lei sobre os povos indígenas da Ucrânia. Apenas três povos “indígenas” satisfazem os novos critérios de “nascer no território da Ucrânia, ter uma língua e cultura distintas, ter a consciência de ser um povo indígena da Ucrânia” ou “ser uma minoria étnica no país”, bem como “não ter a sua própria entidade estatal fora da Ucrânia”. Assim, os húngaros, romenos, bielorrussos, judeus e russos que vivem na Ucrânia há várias gerações estão excluídos desta noção. E MUITOS DEFENDEM ESTE TIPO DE PAÍS?

    • Último comentário em resposta ao Sr. Paulo Marques:

      Durante a Guerra Fria, as sanções impostas à URSS não eram uniformes aos países que a integravam, ou seja: países como a Bielorrússia e a Polónia viam políticas de guerra económica muito menos intensas com o intuito de influenciar as populações a verificarem que a vida aliada a potências Ocidentais valia mais a pena do que estar sujeito às precariedades impostas por esses mesmo países ocidentais a um sistema hiper socializado e que oferecia uma alternativa crível ao sistema de interesses capitalista.

      Agora pergunto: será que não se apercebe de que é exatamente a mesma situação que estamos a viver agora ?

      Será que se apercebe do que acontecerá quando 500 milhões de Europeus, daqui por um ano, sentirem a indignação que o Sr. sente quando virem os salários e pensões cortados; dívidas públicas a aumentar vertiginosamente; cortes ao setor público; educação e saúde arruinada; direitos laborais pelo cano abaixo e uma precariedade semelhante à Grande Depressão dos anos 20 ?

      Ouça, o que é que acha que vai acontecer quando esses Europeus (sendo que 69% deles apoia neste momento a UE e a continuação da sua adesão) virem que os seus líderes – ou assim será dito por Boris Johnson, Biden e outros com interesse em derrubar a UE de vez – os andaram a enganar este tempo todo para favorecer canalhas como Zelesnky ?

      Acha que vai ser uma coisa bonita, que nós nos vamos unir todos e que vamos criar uma Europa pacífica ? Ou acha que no vamos virar todos contra aquele que vai levar com as culpas todas: Putin e os Russos ?

      Tem noção do perigo que é esta retórica da sua parte quando tem toda a informação disponível relativa às tentativas de sabotagem da UE por parte dos ingleses e de outros, das causas que conduziram a esta guerra e daquilo que são as práticas imperialistas de subjugação dos EUA, sendo que essas mesmas populações daqui a um ano não vão ter a informação que o senhor tem agora e vão continuar a ser vítimas de propaganda mediática que os vai encarniçar ainda mais contra os Russos ? Tem noção do perigo ??

      Tem noção de que estamos já neste momento a prever um desvio de 2% do PIB para reforço das nossas forças armadas todas ?

      Ouça, o que é que isto lhe faz lembrar ?

      Já pensou em milhões de Europeus a combater contra a Rússia ?

      Acha que vai ser a defender agora o abandono da UE que nos vai resgatar desta loucura e pensar que por nós nos manifestarmos contra a UE – quando de facto devíamos manifestar-nos contra Von der Leyen, a verdadeira criminosa por trás disto tudo – vai resolver alguma coisa, sem considerar que o senhor queixa-se de uma UE fraca, mas quer vê-la ainda mais enfraquecida para não dizer de joelhos e executada a sangue frio ??

      E acha que isto é ser melhor do que Boris Johnson ou evitar aquilo que ele quer impor à Europa com a adesão da Ucrânia à UE para vergá-la de vez ? Pensem em termos gerais!!

      A Ucrânia na UE tem o intuito de enfraquecer a UE pelas costas dos Europeus (omitindo tudo através de propaganda), conduzir a uma grave recessão económica, porque teremos de arcar com os custos de guerra e do Estado Ucraniano, virar os Europeus contra a Europa e as suas ideias de união que vão falhar estrondosamente na crise que aí vem, fomentar nacionalismos e virar tudo isto contra a Rússia!!!

      Quid Bono!! Quem lucra???

      O grande objetivo é este: acabar de vez com a UE e com a sua possibilidade de relacionamento com o Oriente, de maneira a perpetuar uma dependência com os EUA e garantir-lhes uma ínfima possibilidade de manterem a sua dominação económica sobre alguém, nem que seja sobre os seus antigos “Aliados”!

      Lembram-se das palavras de Macron sobre a necessidade de não humilhar a Rússia?

      Desculpem, quem é que vai ser humilhado ? Não são os EUA!

      Alguém se lembra do que aconteceu da última vez em que uma Nação inteira foi humilhada e passou uma grave crise económica ? Não digo mais nada, dêem largas à imaginação!

      Por outro lado, já viram o que tinha sido se o Putin – de quem nós gostamos tanto aqui – de cada vez que os Americanos rasgavam tratados de controlo de Armas nucleares, de mísseis balísticos intercontinentais e coisas que tal se tivesse enfastiado e berrado descontrolado: “Basta! Estou farto destes Americanos que só fazem mer**!! Perco a minha paciência com esta gente que só faz ilegalidades!! Acabou!!!!!! Não querem pensar na conjuntura de segurança mundial e num equilíbrio de poderes ???? Vão mas é levar com a TsarBomba duma vez por todas e acaba-se já com isto!!!!”

      Têm noção do ridículo disto ?

      Diplomacia até ao último instante possível!

      Afinal não é isto o que significa “Resistir sempre” ? Batermo-nos sempre por sociedades mais justas ?

      Isto implica acabar com a UE ?

      Não, implica denunciar práticas maldosas que têm em vista precisamente acabar com ela através de insinuações insidiosas de políticos corruptos!! O problema são as Von der Leyen deste mundo, não as UE!!!

      E isto faz-se com factos e educando as pessoas, não cindindo tudo e mais alguma coisa, isolando-nos do mundo quando as primeiras dificuldades embatem!

      Assim até acabam por vexar as atitudes e ações de um líder como Putin que tanto “admiramos” (é preciso fazer estes reparos, senão lá vêm às revoadas de acusações) pela sua capacidade de se manter calmo, mesmo sob as mais fustigantes intempéries.

      Vamos acabar com a UE para quê ? Vamos ser como a Islândia ? Vamos ser um país de Turismo ?

      Pá, eu sei que as gentes deste blog são de esquerda e que defendem as “putas”, mas vocês querem viver da vossa prostituição económica e social ? É isto que significa recuperar a nossa independência ?

      Depois, reparem nisto: a Rússia está unir-se ao resto do mundo com organizações como o BRICS!! Não está a isolar-se!!!

      Não é a sair da UE que vamos resolver seja o que for, porque já antes da UE tínhamos os mesmo problemas.

      Mas respeito quem assim não pensar!

      (Sem ironias ou sarcasmos)

      • O Portugal pequenino que assina os acordos todos de cruz primeiro que os outros, e que nem é capaz da mínima resistência que brutalmente calcou e destruiu a Grécia, e onde os cidadãos mais vêm o mundo a preto e branco, vai sequer fazer barulhinho contra a hegemonia, quando mais bater o pé?
        Boa sorte com isso. Até porque para bater o pé, como já explicaram vários economistas, é preciso estar pronto para dizer que não a tudo, porque basta (literalmente) um clique para levar à bancarrota em caso contrário.
        Se acha que a Desunião pode ser outra coisa, o ónus não é meu de o provar. Já levo com promessas há algumas décadas, e nenhuma foi a lado nenhum. Mas ninguém se lembra porque há sempre mais para fazer esquecer promessas passadas; a culpa é de fenómenos naturais e imprevisíveis, claro.

        • Desde quando é que o ónus da prova não recai sobre a pessoa que faz alegações ?

          De qualquer forma, já se percebeu que o senhor quer é demolir tudo à força bruta, até a UE, mas não faz a mínima ideia do que faria assim que estivesse livre dela e acabaria por direcionar essa impetuosidade toda para outro sítio qualquer.

          Por outro lado, desiluda-se de que os problemas de Portugal são apenas devidos à UE, porque não são.

          Convença-se disso como antes de si, durante séculos, houve milhões de pessoas que achavam que o problema era sempre ali e acolá, mas quando se mudava o panorama, Ups: de repente descobria-se que afinal andavámos na mesma às aranhas.

          Olhe, pense na Revolução de 1910: tudo ansioso com a República para se vingarem da Monarquia por causa do Ultimato Inglês – considerado uma afronta, na época -, e, pelos vistos, ela só trouxe problemas, descontentamento, a mesma falta de crescimento e resultou no Salazar.

          Pois bem, um final feliz.

          Boa sorte com o Ventura.

          Continue a defender a visão de que combater fome com fome ou crises neoliberais com neoliberalismo é a solução.

          Não tenho mais nada a dizer.

  9. É pena que ninguém se lembre de adaptar umas ventoinhas eólicas recentemente desenvolvidas pelos holandeses, que são pequenas, mas têm um design que lhes permite estar em funcionamento constante, aproveitando as menores movimentações e circulações de ar, para uma utilização aquática, assim como instalar uma rede dessas ventoinhas ao longo da nossa costa inteira e produzir assim eletricidade.

    Ou criar um modelo alternativo de barragem colocado na foz de cada rio que tenhamos, tendo por base cilindros que aproveitem a circulação da água para produzir energia elétrica, mas permitindo a circulação de navios pela colocação desses cilindros no fundo do rio.

    Ou desenvolver algum outro método de produção de eletricidade sem que sejam barragens, tendo em consideração que água é coisa que não nos falta.

    É pena que não haja ideias deste género, mas adaptadas à realidade da vida, a passar pela cabeça de engenheiros portugueses, sem que tenhamos de criticar a UE por tudo e mais alguma coisa quando com um bocadinho de cabeça chegamos a qualquer lado.

    O problema é que já não nos lembramos deste facto, da mesma forma que não nos lembramos que a nossa intrepidez marítima não surgiu do ar, mas das influências árabes que ficaram na península do tempo da sua ocupação ou ainda da ação de personagens como D. Dinis, que deve ter sido o maior visionário que Portugal alguma vez teve, chegando a impactar o país ao nível da agricultura, do comércio, do estabelecimento de fortes de defesa das províncias, da vigilância das fronteiras, plantação de pinhais e regulamentação económica que protegia a população.

    Mas nós achamos que estas coisas estão apenas dependentes de um ou outro indivíduo. Por isso é que depois andamos à procura daqueles indivíduos que venham salvar a terra e assim surgem os Salazares…

    E quando não, queremos substituir as instituições existentes e mais nada.

    Então pergunto: porque é que não acabamos com o SNS de vez ? É diferente a lógica ?

  10. Por último: alguém já considerou o problema da América Latina ? Já viram o problema da Organização dos Estados Americanos ?

    Já viram a história de ditaduras, golpes de estado, ingerências, exploração de recursos naturais, apropriação de território, políticas neoliberais, monopólios de corporações americanas e chacina de povos indígenas, e outras situações que se prolongam há 100 anos ?

    E agora pergunto: quantos daqueles países, neste momento, querem acabar com ou sair da OEA ?

    Nenhum.

    Mesmo que Cuba e Nicarágua tenham sido excluídas da cimeira que está a decorrer neste momento em Los Angeles, mesmo que Biden tenha apelidado por várias ocasiões diversos países como sendo “não-democráticos”, entre outras autênticas bacoradas que não se coadunam com aquilo que esta organização supostamente defende: democracia representativa.

    Pois então o que é que acontece em Cuba, Nicarágua, Bolívia, Colômbia, Guatemala, Chile, entre outros tantos países ?

    E algum deles, após décadas de torturas contínuas às populações, está a pedir o fim da OEA ? Não. Tomam parte nela os que podem, e lutam dentro dela.

    Os que foram excluídos criaram o seu próprio fórum num edifício ao lado.

    Será argumento suficiente ?

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