Eleições presidenciais e masoquismo

(Carlos Esperança, 13/01/2021)

Repetirei até à exaustão que Marcelo é um democrata, que fez um logo caminho desde a sua juventude, e que, por ele ou com ele, não haverá outra ditadura. Vacinou-o a longa e próxima convivência com os próceres da ditadura fascista.

A comparação com o antecessor, a inteligência, cultura e simpatia, e a capacidade ímpar de se insinuar na opinião pública amoleceu aos adversários a autocrítica, e embotou-lhes o discernimento.

Marcelo é o candidato da direita democrática, aliás, mais à direita do que, por exemplo, Ursula Von der Leyen ou Angela Merkel. Seria injusto julgá-lo pelas cartas a Marcelo Caetano, mas é preocupante que se esqueça o papel maquiavélico na eleição de Cavaco Silva para líder do PSD, de onde saiu para PM, e, depois, na preparação da candidatura do mesmo salazarista para PR, na vivenda de alguém, hoje pouco recomendável.

Os eleitores que se dizem de esquerda, com candidatos para todas as sensibilidades, não podem capitular na coerência, ética e dignidade, votando num adversário. Quanto maior for a percentagem de votos que lhe for atribuída, pior será o seu mandato. O objetivo de Marcelo é deixar a direita no poder, ainda que seja uma direita pior do que a dele.

Basta ver a forma como está a comportar-se em campanha, para prever como decorrerá o segundo mandato. A erosão da esquerda, ainda não visível nas sondagens, já começou e o ideário de um PR beato e de direita, incapaz de se conter no estrito cumprimento das suas funções, há de conduzir o País numa viragem tão grande que pode não ter regresso.

Quem, sendo de esquerda, vota num candidato de direita, não tem força anímica para se opor ao regresso da extrema-direita. Marcelo nunca será um perigo para a democracia, mas será o obreiro do caminho que a porá em perigo.

É de temer a vocação suicida de grande parte do eleitorado que se reclama de esquerda, incapaz de ver no propagandista de si próprio, num comunicador de eleição, ungido dos média, o coveiro da esquerda.

Parece ser a vocação suicida, a que despreza as medidas sanitárias quanto à pandemia, a mesma que conduz ao voto no candidato alheio e artista em propaganda.

5 pensamentos sobre “Eleições presidenciais e masoquismo

  1. O post é notavel pela maneira como o Autor desmente na segunda parte tudo o que escreveu na primeira. Mas acerta quando diz que o Presidente da República é senhor de uma inteligencia superior, o que o levou a acreditar que não precisava de clientelas dentro do Partido para chegar ao poder. A derrota nas eleições para a Camara de Lisboa fizeram-lhe ver o erro, e o seu “populismo” começa aí. Pensando um pouco, alguém acredita que faz parte dos seus planos entregar o poder a Rui Rio acolitado por André Ventura? Onde está a inteligencia do PR, se por um segundo que seja, acreditar que a celebrada “bazuca” financeira que alegadamente aí vem, dadas as brutais dificuldades futuras, não passa de um foguete pifío? E ele com a criança nos braços?

    • Nota. Eu diria antes quase o mesmo, mas isso sou eu que, por mim, não confio na plena sanidade mental do Carlinhos há algum tempo: trata-se de um posto com frases completamente desgarradas que encontram ligação se polvilhadas de um medo infantil. Concedo que se aproveita vo período em que diz que cós eleitores das Esquerda/s têm várias opções para não integrarem co rebanho em que os caneleiros que acompanham António Costa os querem enfiar, o que eu tenho dito e repetido. Quanto ao resto… O PR prepara o caminho à Direita, hum? Os 60% ou 70% dos portugueses que se dedicaram à orgia da anual bacalhauzada com grelos regada a vinho tinto, no Natal, preparam-se agora para votar Marcelo Rebelo de Sousa: esta é uma tese original com’ó caraças, glup!…

  2. Tudo isto é surrealista.

    Mas alguém pensa que pode derrotar o Marcelo ?

    E sendo ele um esteio da geringonça para quê todo este frenesim em o deitar abaixo ?

    A esquerda nunca esteve tão bem desde o 25 de Novembro de 1975, os partidos da esquerda radical são aceites e influenciam a governação como nunca o puderam fazer desde o prec.

    Se tivessem possibilidade de eleger um presidente de esquerda estava bem.

    Mas assim, enfraquecer o Marcelo não vai permitir eleger um presidente de esquerda mas vai dar mais força à direita mais radical.

    Acho que já que são Leninistas (apesar de não saberem que o Lenine derrubou o democrata Kerensky e não o czar!!!!!!!!) ao menos deviam ler os livros dele.

    No livro Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo Lenine postulou a aliança com os “companheiros de estrada” mesmo “burgueses”.

    Os capitalistas hão-de vender-nos a corda com que os havemos de enforcar disse lenine.

    Mas já vi que os seguidores do Trump de esquerda herdaram a sua falta de ética mas não a sua habilidade. Neste caso infelizmente.

  3. “por ele (Marcelo) ou com ele, não haverá outra ditadura”

    – quem ainda insiste em afirmar isto depois do que Marcelo fez nos Açores e depois de prometer que faria o mesmo a nível nacional: dar posse a um governo com (ou até do) Chega, um partido que todos os que têm olhos e ouvidos e 2 dedos de testa já perceberam que é racista e fascista – só merece uma coisa: que a realidade lhes dê um estalo no focinho tal com como os Proud Boys deram um estalo no focinho do regime de Washington (e segundo o FBI, até à tomada de posse de Biden estar terminada, o golpe ainda pode acontecer, daí estarem já mais militares em DC do que no Iraque).

    Continuar hoje a insistir na asneira de que Marcelo, a via verdade para o Chega chegar ao poder, é um garante da Democracia ou da Constituição (e nem me façam falar da inexistência de fiscalização Constitucional do período experimental aprovado pelos NeoLiberais vestidos de ovelha com lã cor-de-rosa), é de uma cegueira tão grande como os que durante décadas olhavam para a corja fascista instalada no CDS e lhe chamavam “centrista”. Agora que esses ” centristas” estão quase todos no Chega (só faltam o Nuno Melo (apoiante dos Franquistas do Vox) e Luís Nobre Guedes (que “se pudesse votava no Bolsonaro”) sairem do armário), ainda restam dúvidas?

    Voltando a Marcelo, a partir do exemplo anterior, convinha que abrissem os olhos a tempo, em vez de esperarem pela chapada. É que para o papel de Papen, já chegou o original em 1933 a dar posse ao Ventura de então, que não era André mas era Adolf, e que em vez de ciganos, riscou o disco e mobilizou elitorado a falar de judeus… e não só ganhou o debate de “ideias” de então, como ganhou as eleições. Tendo em conta que Marcelo disse, perante o assunto Chega/Ventura, que as “ideias” fascista e racista, não se proíbem, mas combatem-se, e que os partidos inconstitucionais não se ilegalizam, mas aceitam-se violando a Constituição só porque alguém votou neles, então é isso mesmo que Marcelo será para a história de Portugal: um Papen. E para os que acham exagero, eu reforço a ideia: em 1933 também ninguém falava ainda em fazer fornos para queimar judeus, falava-se “apenas” na ditadura dos alemães de bem, e em colocar na linha os “malandros” e “ladrões” dos judeus.

    As palavras são acções. As “ideias” fascista e racista são crime. A Constituição protege-nos desses crimes. Mas Marcelo não cumpre nem faz cumprir a Constituição. Portanto concluo que SIM, com Marcelo heverá outra ditadura. Para tal basta o mestre (da vigarice) André convencer um número suficiente de lunáticos, e ter ao seu lado um ainda mais lunático líder do PSD sedento de poder e sem qualquer vergonha na cara. Tanto pode ser Rio, que lhe deu a mão nos Açores e dará a nível nacional, como pode ser Passos, a pessoa que pariu Ventura e o acarinhará como a mãe que é da besta. Ou qualquer outro do PSD, daqueles que de P têm muito e SD têm nada, que nunca abriram a boca contra Orbán no PPE, nem contra Ventura nos Açores. O partido de Sá Carneiro virou o partido de só carneiro. E Marcelo não é excepção.

  4. ????

    Ó Marques, eu vi o Nobre Guedes a dizer que não queria nada com o Chega usando até a vossa aldrabice de o Ventura querer a pena de morte (não quer).

    Não vejas fascistas em todo o lado que retiras o sentido à palavra e um dia, quando vierem mesmo ninguém te acredita porque és motivo de risota.

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