O meu nome é desconforto

(Rosa Pedroso Lima, in Expresso Diário, 29/11/2019)

És uma fraude. És preta. Não serves para nada, mesmo morta.” A mensagem surge no telemóvel de Joacine Katar Moreira com um aviso sonoro e a deputada do Livre mostra-a. É uma, mas há mais. Muitas mais, com ameaças mais ou menos veladas, outras de puro racismo, de ódio e de desprezo. Desde que foi eleita para o Parlamento que se habituou a lidar com estas “ondas de ódio”, que lhe invadem também as redes sociais e para as quais, confessa, “não estava preparada”. Mas não mostra medo nem sinais de desistir. “Aguento tudo”, diz ao Expresso.

A vida foi-lhe sempre difícil e agora que aceitou começar a desfiá-la a pedido de muitos jornalistas, torna-se óbvio que há muito se preparou para pisar terrenos minados. “Até o meu pai me diz: ‘Quem ouve as tuas entrevistas, acha que tiveste uma vida horrível.’ E eu digo: mas era horrível, pai. Era mesmo.”

Nasceu há 37 anos, em Bissau, de uns pais tão jovens que a chegada da bebé os apanhou de surpresa e lhes provocou um susto tamanho que ainda Joacine não tinha três anos e já cada um tinha decidido ir à sua vida. A avó paterna, enfermeira pediátrica e mulher de armas, sempre acumulou as tarefas de mãe com as de avó. Acolheu o filho, a nora e a neta na sua casa de matriarca e, na hora da separação do casal, implorou a todos os santos para que lhe deixassem a miúda e seguissem com a vida deles.

E eles seguiram. A mãe voltou a casar e teve mais quatro filhos. Vive agora na margem sul do Tejo, aguentando as contas da casa com o salário de ajudante de cozinha. “Nunca parei de ver a minha mãe a trabalhar”, diz, admirando a “força física” e a resistência de tocar a vida para a frente que a mãe sempre demonstrou. O pai e as quatro madrastas com quem, sucessivamente, foi casando deram mais sete irmãos a Joacine. Há dois anos, o pai seguiu para Londres atrás da última mulher, é varredor de ruas e entrou agora na universidade numa licenciatura em Gestão. Joacine, ao todo, soma agora 11 irmãos, sete raparigas e quatro rapazes, com quem se dá “lindamente” e faz questão de acompanhar nos seus progressos de vida. Os mais velhos têm 32 anos, a mais nova oito.

A arvore genealógica da deputada tem ramos de várias raças, credos e feitios. Entre altos funcionários da elite cabo-verdiana da era colonial portuguesa, mulheres de fibra guineense e um muçulmano de origem libanesa, a família foi-se formando com muitos casos de amor, mas também com traições. Muitos sucessos e falhanços rotundos, que são narrados ao pormenor como um património histórico que não se quer perder. Dos pais, Joacine fala com admiração, imensa ternura, mas também com um toque de paternalismo, como se os papéis da sua história tivessem sido criados ao contrário, dando-lhe a ela a tarefa de os encaminhar na vida.

“São duas pessoas extraordinárias, mas não tenho a pedalada deles.” Sempre os tratou pelo nome — Elsa e Quinzezinho — e não hesita em “dar-lhes na cabeça” quando acha que saem dos trilhos. Sobretudo ao pai, que sendo “dos homens mais inteligentes que alguma vez encontrei” optou por não lidar com a vida como se estivesse sempre num ringue de boxe. “Nunca mostrou ambição especial, não quer que o incomodem, porque o objetivo dele não é enriquecer.” Mas, a filha mais velha é diferente, não é de desistir. “Chateei-o imenso, andei a martelar e há um ano ele, finalmente, inscreveu-se na faculdade”, diz orgulhosa das boas notas do pai, da facilidade com que aprende e do muito que tem pela frente.

Joaquim cumpre o currículo, mas também não falta aos recreios. “Não há semana que não vá a uma discoteca”, diz Joacine com um sorriso aberto. Nesse ponto,tal pai tal mãe, que não desiste de organizar almoços, onde junta meio mundo, sabendo-se a que horas começam, mas não nunca a hora de acabarem. “Nunca consegui acompanhá-los, são muito divertidos e animados. Eu tenho alma de velhota”, diz Joacine, que desiste a meio da tarde das almoçaradas da família, deixando a mãe espantada pelo abandono da festa quando “isto vai começar a animar”. “A verdade, é que me sinto velha. Não tenho pedalada para tanta energia.”

ALMA DE VELHA

Esta “alma de velha” é, em Joacine, quase uma marca de nascença. Ainda andava na escola e já se derretia a ouvir os cantos chorosos de Chavela Vargas, quando os amigos lhe propunham hip-hop, estranhando a tendência para aquelas coisas melosas que a amiga revelava. Gostava de ler, de estar sozinha, de escrever poemas que enchiam os cadernos e cadernos que ainda guarda, mas não mostra.

“Estava sempre a fazer perguntas”, diz Ana Varela, sua colega do colégio interno para onde entrou com oito anos. Ana era mais velha e recorda-se da miúda “calma, muito observadora, que gostava de estudar e de estar na dela” e que, por vezes, tentava aproximar-se do grupo das crescidas para participar nas conversas. “Dizíamos-lhe que ela era muito política, porque quando nos juntávamos para falar de rapazes ou de mexericos de miúdas ela vinha com perguntas difíceis e a querer falar de coisas sérias.” As outras estranhavam as manias e enxotavam, delicadamente, a miúda para os lados da biblioteca.

“É minha filha”, diz Maria Leonor Barbosa. Em Bissau, de onde nunca sequer pensou sair, a avó segue atentamente à distância os passos de Joacine, essa “criança muito bonita, muito inteligente e sempre pronta a aprender”que criou sem problemas, a par com os seus cinco filhos, noras, genros, netos e todos os que viessem para a sua grande casa de Bissau. Para a avó, que pontua cada frase com um riso ou mesmo uma gargalhada, a miúda sempre mostrou tendência para ir longe e o seu papel foi ‘apenas’ o de a deixar ir.

“Era muito fácil de lidar, obediente e muito curiosa”, e Leonor viu nela a promessa de um futuro cheio de coisas boas, que a terra africana nunca lhe poderia dar. Até hoje, é a ela que Joacine trata por mãe. “Uma mulher incrível”, diz Joacine. Com o avô Joaquim Tavares Moreira, ex-locutor de rádio e “um homem muito culto e sempre muito informado”, habituou-se a ouvir longas discussões e conversas intermináveis que ocupavam serões inteiros. “Na Guiné só se fala de política”, e não havendo propriamente um envolvimento direto nos assuntos da nação, o tema moldou a cabeça da miúda que, ainda não tinha idade para entrar na escola e já pedia para aprender. Leonor, mais uma vez, aceitou, e aos cinco anos Joacine passou a receber aulas em casa, aprendendo a ler e a escrever num instante. “Gostava muito e era mesmo uma criança muito inteligente”, diz a avó.

Aos oito anos, envia-a sozinha de avião para a Casa Mãe do Gradil, uma instituição de acolhimento de crianças, governado pelas freiras da congregação espanhola das Dominicanas da Anunciata. O pai já tinha vindo para Portugal e vivia em Alverca, mas a Maria Leonor nem lhe passou pela cabeça entregar a menina ao filho. “A minha avó não quis que eu ficasse com os meus pais. Na ótica dela, não queria ver nenhuma madrasta ou padrasto a interferir, nem na minha alegria nem no meu percurso.”

A ideia de que o futuro risonho passava pelo estudo tornou-se um farol guia. “Dei-lhe tudo para aproveitar o caminho certo”, diz Maria Leonor. E Joacine veio, sem medo, para Portugal. “Vim alegremente. Encarei o colégio como uma oportunidade única e adorei o espaço, os quartos monumentais e, claro, a biblioteca”, recorda. “Se era a minha avó que me estava a mandar, não podia haver problema.” A capacidade de Leonor em convencer a neta era tamanha que chegava mesmo para superar a dor do corte do cordão umbilical. Leonor preparou cuidadosamente a neta para todas as adversidades que, à distância de um continente, era impossível aplainar.

Desde logo, com a gaguez. A miúda sempre foi assim. “Os meus pais dizem que comecei a gaguejar na altura da separação deles”, diz Joacine. Mas a avó nega. “Sempre, mas sempre, foi assim. Desde que começou a falar” que se entupia nas frases, se atrapalhava nas consoantes e todo o seu corpo tolhia no esforço de voltar a articular os sons. A família habituou-se, e Joacine também. “Falar assim nunca a impediu de nada. Na escola sempre foi ótima aluna e não teve vergonha nenhuma”, lembra a avó.

Joacine também se recorda da conversa que teve com a avó antes da partida para a Casa do Gradil. “Era uma mulher muito inteligente e avisou-me de que iria para um espaço desconhecido, com pessoas desconhecidas, mas que não ia para ficar em Portugal. Ia só para estudar e depois regressava para contribuir para o desenvolvimento da Guiné.” A passagem pelo desconhecido tinha obstáculos à vista. “Avisou-me de que a minha maneira de falar era a minha e que eu me devia orgulhar por ser uma menina inteligente. Isso era o mais importante.”

RECUSAR A TERAPIA

“Não deixes de falar assim”, disse a avó, na despedida. E Joacine não deixou, tornando a gaguez uma parte de si, que os outros — todos os desconhecidos que lhe surgiram, surgem e vão surgir na vida — têm de aceitar. Tiago Lila, dos Fado Bicha, foi um deles. Da primeira vez que a viu, a agora deputada “gaguejou dramaticamente” e aquilo provocou-lhe “um desconforto e uma estranheza enormes”. Foi há cerca de dois anos, numa das “conversas às escuras” organizadas para promover a causa das mulheres africanas através da poesia e do debate que o cantor dos Fado Bicha contactou ao vivo com Joacine. “A primeira reação é de rejeição”, assume. Mas deu por ele a ir para casa a pensar naquilo, ao mesmo tempo que “ia ficando sensibilizado com a coragem e com a dignidade que ela punha naquela característica particular”. Ela é assim: “Não pede desculpa, não pede licença, não avisa”, diz Tiago, que passou da estranheza à admiração incondicional. Ao ponto de ter aceitado o convite para compor a letra do hino da campanha e de lhe emprestar a voz e a atitude para um dos vídeos mais vistos das últimas legislativas, com mais de 36 mil visualizações registadas, num partido onde nunca antes isso tinha sido sequer imaginado.

No vídeo, Tiago aparece maquilhado, shorts curtos e salto alto, cantando “quero sem precedente, Joacine presente”. Enquanto todos dançam e um casal de homens se beija na boca, a letra fala que o “poder é da sista”, que pretende dar “um pontapé no estaminé” e ser “a vanguarda na nova casa grande”. “Transgredir a linha fixa” é um dos motes de um hino onde, Tiago declama em espanholês: “Ay insolente, impertinente Joacine! La sociedad va tener que aguentar-te, maricon.”

As críticas à candidata têm direitos de autor. “Era o que as freiras lhe diziam, quando estava no colégio”, diz Tiago Lila que para compor a letra, pediu a Joacine para lhe contar a sua vida, numa longa conversa à mesa de um café. A candidata a deputada aceitou e ele pegou “num caderninho como o seu e tomei notas”, depois, foi só juntar as peças e compor o hino com os pedaços da biografia.

Os Fado Bicha falam na cor da pele, na originalidade do nome (“Juricema? Jupilene? Que raio de nome”), mas nunca na gaguez. Talvez porque o que seria um problema, Joacine fez questão de tornar uma característica pessoal. Henrique Raposo, colunista do Expresso, lembra-se da sua colega do curso de História, do ISCTE, cheia de “fibra e muito ativa na discussão política e cívica”. “Era, obviamente, gaga”, diz ao Expresso, “e a graça dela era mesmo não se encolher por isso”. Nos antípodas políticos da deputada do Livre, Henrique Raposo não hesitou em defendê-la num artigo de opinião, quando as redes sociais explodiram com vídeos de intervenções escorreitas de Joacine, atirando com caçadeiras de canos serrados sobre a alegada mentira da deputada que dizia que era gaga só para captar votos.

“Não é fácil, claro. Mas fica mais difícil para todos, quando você não resolve o seu ‘problema’ e é preconceituoso”, respondeu Joacine no Twitter depois de centenas de mensagens acusatórias. “Esta é a minha forma de falar e o mais importante é que não gaguejo quando penso”, responde. Só tentou a terapia já adulta, com o curso de História acabado e quando, pela primeira vez, não conseguiu superar um teste. Tinha sido chamada a coordenar uma exposição internacional sobre os arquipélagos dos Bijagós que, vinda de Paris, se instalava em Lisboa. Mas quando chegou o momento de divulgar o evento, ficou nos bastidores. “A minha gaguez impediu que defendesse o meu trabalho, porque não tinha eficácia na comunicação.” Viu outras tomarem o seu lugar no palco e, aí sim, temeu continuar para o resto da vida a ser travada no acesso a um emprego que desejava e para o qual trabalhou a vida inteira.

Passou, de facto, muitos anos a acumular pequenos trabalhos, desde a apanha de tomate, à limpeza de quartos de hotel, até à promoção de produtos nos supermercados. Foi assim desde os 16 anos e sem nunca perder rendimento escolar ou falhar na universidade. “Muito empenhada e briosa”, tentava “ser perfeita em todos os trabalhos”, referia a professora de História do 6º ano. Na altura, ninguém referia a gaguez da miúda que fechou o básico com recordes de cinco na caderneta e chegou ao secundário com médias tão altas que teve direito, no final do 11º ano, a uma bolsa de 120 contos (€600), assinada pelo então ministro da Educação, Guilherme d’Oliveira Martins, “no âmbito das medidas de combate à exclusão social e de promoção da igualdade de oportunidades”, diz o despacho oficial.

Joacine mostrou sempre apetência para a História, onde várias vezes teve 19 nos testes, em que aproveitava para ir desfiando a sua veia poética e política. Na prova global do 11º ano (que guarda ainda como recordação) termina uma resposta sobre o Humanismo Renascentista imaginando “sociedades perfeitas onde as leis são em pequeno número e a vida surge colorida”. Outras vezes, não deixava de lado a sua opinião. No 8º ano, falava do Concílio de Trento e dos “senhores da Igreja que tomaram decisões que ainda hoje tendem a envergonhar a Igreja”. O professor achou a resposta “muito incompleta” e travou o esticanço da aluna. “Isto é a tua opinião, e numa resposta de História devemos ser mais objetivos”, escreveu a vermelho o docente.

A ideia de uma vida melhor poder ser alcançada através do estudo foi sempre o seu mantra. “Estudar, estudar, estudar. Era o meu foco. Tinha a certeza de que não tinha resistência física para aguentar uma vida tão dura como aquela que a minha mãe sempre teve.” Fez o curso de História sempre a trabalhar, e seguiu para mestrado. Mas a Academia foi um balde de água fria. “A universidade anulou completamente o meu ânimo. Foi horrível e milhares de vezes pensei em desistir”, diz. O ambiente fechado, burocrático, autoritário estava longe da Escola de Atenas com que sonhava nos tempos do colégio. E, no final, a saída para o mundo profissional, mesmo com um canudo na mão tornava-se mais difícil com a evidente dificuldade de comunicação. Só aí aceitou entrar em terapia da fala. “Desisti ao fim de mês e meio”, confessa. “Os exercícios à frente do espelho, as repetições de sons e a correção dos movimentos de boca”, em vez de ajudarem, causaram-lhe “mais ansiedade” e, sobretudo, retiravam “espontaneidade e alegria” “Rejeitei completamente a terapia. Precisava de entender a minha gaguez, mais do que de a resolver.” E nunca mais lá pôs os pés.

“UM MONSTRO”

“Negra, gaga e pobre.” Joacine Katar Moreira apresentou-se assim, sem “enganar ninguém”, no último comício de campanha eleitoral do Livre para as legislativas de outubro. Nessa noite, poucos acreditavam ainda que alcançaria um lugar em São Bento, e a candidata pôs logo as coisas em pratos limpos. “Não fui escolhida por uma direção partidária, mas por militantes e simpatizantes que acham que esta é a época de desconfortar. Ora, eu sou esse desconforto”, avisou.

Os dados estavam lançados. Joacine prometia uma “mudança”, assumia que “não ia ser fácil” e tornava claro que estava pronta para o combate. “Nós estamos à frente. No século XXI precisamos de um Parlamento para o século XXII e, no Livre, somos políticos do século XXII.” O partido que, até então tinha girado em torno do pacato Rui Tavares e das suas ideias de uma Europa para todos, estranhou a novidade. Mas gostou.

Rafael Esteves Martins estava entre os que olharam com espanto para o discurso da candidata. Doutorando em Londres, pela clássica universidade de Oxford, ainda estava longe de pensar que poderia vir a ser assessor, chefe de gabinete e braço-direito da primeira deputada do Livre e apresentado ao país como o ‘homem que vestiu saias’ no dia da tomada de posse. Naquela noite, três semanas antes da entrada no Parlamento, Joacine “falou durante mais de meia hora, sem teleponto, sem texto e com um discurso de grande rigor”, conta ao Expresso. O impacto em Rafael foi total.“Foi amor político à primeira vista”, garante.

Ele, que tinha sido fundador do Livre e se habituara a participar na vida do partido à distância e online, achou que tinha chegado a hora de mudar. Tinha participado na campanha, colado cartazes e seguido aquela mulher cheia “de garra”. Na primeira oportunidade que tem para falar com Joacine diz-lhe a sangue frio: “Tens noção de que és um monstro?” A candidata estremece perante tão estranha forma de elogiar o seu carisma, a capacidade de comunicação e, sobretudo, a coragem. “Etimologicamente, um monstro é uma coisa que se mostra, mas que não tem referente”, explica Rafael Martins. E Joacine, para ele, “concentra em si uma série de questões por resolver na sociedade portuguesa”. Dar-lhes corpo, voz e presença é “um momento histórico” a que decidiu não querer faltar.

O convite para integrar o gabinete da deputada surgiu em cima da hora e com surpresa total. Já eleita deputada, Joacine convidou Rafael Martins para almoçar. Precisamente no dia em que se reuniu com António Costa, nas primeiras negociações alguma vez tidas na sede do Livre com um primeiro-ministro, prestes a tomar posse. “Foi um bocado surreal porque estávamos à mesa no restaurante e as televisões só passavam imagens dela à saída do encontro”, relata Rafael. Joacine gaguejou muito, mas acabou em sintonia com o futuro Governo nas intenções de prosseguir o “diálogo que consideramos absolutamente necessário à esquerda”.

“Aceitei logo” e ainda a sobremesa não tinha chegado já se mudavam as agendas do professor de Oxford. A tese de doutoramento em Literatura Portuguesa do século XVIII será entregue em abril de 2021, mas será feita entre reuniões políticas, agendamentos parlamentares e tudo o que São Bento lhe vier a trazer. E há sempre muito. Logo no dia seguinte, a deputada estreou-se no “Programa da Cristina”. A seguir foi o Goucha e a TVI, entre perfis, entrevistas e muita polémica nas redes sociais. Ora porque a deputada gaguejava, ora porque o assessor usou saias, ora porque disparava a torto e a direito, a histeria passou a dominar nos comentários online sobre Joacine Katar Moreira.

NO MEIO “DOS BRANCOS TODOS”

Com Daniel Oliveira, o caso azedou mesmo para os lados da esquerda. Bastaram as duas primeiras intervenções de Joacine no Parlamento para o colunista e ex-bloquista vislumbrar uma “conversão súbita do Livre à agenda identitária”. “Onde está o partido de Rui Tavares?”, questionava, concluindo que o partido se radicalizava a olhos vistos e correndo “desembestado e sem direção política por um campo de minas”.

Joacine não aguentou. “Andei a suportar as ondas do Daniel Oliveira, de que a minha candidatura era um tiro no pé, que não servia para nada, etc., etc. Ainda não tinha aberto a boca e já estava a apanhar com críticas”, diz. Desta vez não fica calada e responde, também no Twitter: “Daniel, a sua postura, embora mais polida e mascarada de bom senso, não tem sido muito diferente da de muitos associados à direita e sua extrema na procura de descredibilização constante do Livre e da minha escolha.”

Daniel Oliveira reage com um misto de paternalismo: “Nem comento comparar-me com a extrema-direita. Prefiro acreditar que isto foi fruto do imediatismo das redes.” E Joacine não se fica. “Não foi imediatismo das redes. Nem amadorismo. Inaptidão ou deriva de qualquer coisa. Bom feriado”, responde.

Por vezes, das redes sociais para o mundo real vai um passo de anão. E das críticas anónimas ou de frequentadores habituais de Facebook ou Twitter, as acusações passaram a surgir do interior do próprio partido, com vozes a começarem a levantar-se contra a conduta da deputada. No Parlamento, Joacine forma um núcleo duro com Rafael Martins e Ana Lobato, escolhidos por ela, entre militantes e apoiantes do Livre mas, acima de tudo, da sua confiança pessoal. E começam a surgir os primeiros melindres internos. O partido é novo, não tem aparelho, nem quadros, nem experiência. É como um sapato ainda sem terreno pisado: cria bolhas e mal-estar nos primeiros tempos de utilização.

A deputada faz parte do ‘grupo de contacto’ do Livre, essa direção colegial de 15 elementos, eleitos em primárias diretas por militantes e simpatizantes. Rui Tavares saiu no último congresso das tarefas partidárias executivas e falhou a candidatura a eurodeputado nas últimas europeias. O caminho ficou aberto para uma nova liderança oficial. E Joacine, porque estava no lugar certo e com os holofotes todos ligados sobre si, tornou-se a sucessora natural.

A subida no partido foi meteórica. Ela, que se filiou apenas há três anos, foi convidada no início deste ano a apresentar uma candidatura às diretas do partido que iriam definir os candidatos às eleições que se avizinhavam. Rui Tavares “falou comigo e não tive como dizer que não”. Ela que tinha sempre defendido a necessidade de as comunidades africanas se chegarem à frente e avançar na participação política e cívica, não tinha agora margem de recuo. “A verdade é que sempre considerei a política partidária uma arena perigosíssima. Preferia mil vezes mais ser analista política”, confessa. “Nem sei como vim aqui parar.”

A verdade é que a sorte trocou-lhe as voltas. Quando saíram os resultados das primárias do Livre, Joacine surge em primeiro lugar na corrida às legislativas. “Não estava à espera”, garante, “mas só me restou arregaçar as mangas, interiorizar isto e seguir em frente”. Com um orçamento de 10 mil euros e um microaparelho partidário a suportar a campanha, inventou quanto pôde e rodeou-se de amigos.

A família “achou natural” o que estava a acontecer-lhe. E quando foi eleita e ganhou um lugar de quatro anos no Parlamento só Maria Leonor “ficou muito apreensiva”. Quando a filha/neta lhe ligou a contar que tinha sido eleita, foi dia de festa na Guiné-Bissau. Mas a avó temeu o pior. “Tu aí, sozinha, no meio daqueles brancos todos”, disse a Joacine, avisando-a do perigo. “Eles não se traem uns aos outros.” E, na verdade, ainda não tinha visto nada. Um mês e meio depois de chegar ao Parlamento, o Livre choca de frente com a sua dirigente e primeira deputada eleita. A abstenção de Joacine num voto de condenação dos ataques israelitas sobre a Palestina apresentado pelo PCP leva o partido a explodir em acusações de “contrassenso”, de “falha no trilho” sempre seguido pelo Livre e de quebra de comunicação e de lealdade. Rui Tavares confessa-se “perplexo” e Joacine responde com um “fui eleita sozinha, a direção do Livre nunca me apoiou”, ficando de pé no lugar que conquistou a pulso. Afinal, foi toda a vida assim.




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33 pensamentos sobre “O meu nome é desconforto

  1. “À deputada do Livre
    Carta aberta à Joacine:
    Não existe nenhuma campanha de ódio contra si.

    O que existe é o reflexo do ódio que a Joacine destila em relação à sociedade portuguesa, que lhe deu tudo aquilo que na sua sociedade lhe teria sido negado…

    Como mulher, estrangeira, de cor, e com um defeito na fala, foi em Portugal que descobriu a igualdade, o respeito pela diferença, que descobriu a segurança, fatores que lhe permitiram tirar um curso superior.

    Foi Portugal que a elegeu como deputada.

    Veja como agradece essa igualdade e segurança:

    -Chama aos portugueses racistas, sendo a Joacine de cor e tendo sido acolhida e integrada.

    -Chama-nos machistas, apesar de ser mulher e de ter estudado nas nossas universidades.

    -Chama-nos xenófos apesar de, sendo estrangeira, ter sido inclusive eleita deputada da nossa Assembleia da República.

    A Joacine é uma caricatura e o exemplo crasso e vergonhoso da falta de reconhecido agradecimento, da falta de respeito, e de uma total falta de vergonha !”

    O texto acima não é meu, encontrei-o numa caixa de comentários do I, postado por um tal Zé, mas pareceu-me apropriado.

    De qualquer maneira acho que os skinheads deviam condecorar pessoas como a Joacine, o Daniel Oliveira e outros que tais com a cruz de ferro de primeira classe, com folhas de carvalho e diamantes.

    É que com isto de andarem a chamar racista a toda a gente são a melhor arma de propaganda extrema direita.

    Criar fracturas entre a população, exacerbar os ânimos com insultos generalizados a toda a sociedade, estão criar o caldo de cultura para os ventura e Mário Machado medrarem.

    Até acho que aquelas mensagens insultuosas que mandaram á Joacine citadas no alto do texto, não foram enviadas para que ela se cale, mas para a espicaçar a falar mais, para continuar a insultar o povo que a acolheu.

    Mesmo pessoas favoráveis á imigração em massa começam a ficar saturadas de serem insultadas todos os dias de racista só por terem o azar de serem brancos, ou de não gostarem que a policia seja apedrejada e os bombeiros espancados.

    Aquela da Joacine quase chamar fascista ao Daniel Oliveira foi um momento alto destes grupos extremistas supostamente antiracistas mas tão racistas como os ditos skinheads, com a única diferença de serem racistas contra os brancos – o que é a mesma bosta.

    O frenesim do insulto de racismo, fascismo, machismo etc é tão grande, tal como o frenesim do sangue dos tubarões, que já se chamam racistas uns aos outros.

    Os verdadeiros racistas brancos agradecem. São poucos, mas com estes insultos generalizados á população branca que acolheu os imigrantes já têm mais hipóteses de crescer.

    • Claro, são pouquíssimos, como se nota pelas caixas de comentários por toda a internet, o principal conteúdo são as discordâncias políticas. E a cor e o sexo têm tão pouco a ver com isso que são coisas nunca referidas.

      Mas de quem acha que há emigração em massa não se espera mais.

      • Caro Marques.

        Sim, existem racistas nas caixas de comentários.

        Isso serve de justificação para vocês insultarem todo o povo português, chamando-o de racista?

        Então por essa vossa lógica radical “inteligente” como também há comunistas nas caixas de comentários, somos obrigados a dizer que o povo português é comunista.

        Tamanha estupidez não justifica nada, antes pelo contrário. Prova que vocês só andam á procura de pretextos para insultar e provocar constantemente o povo português.

        • Eu não sei o que quer dizer com “vocês”. Eu falo por mim, privilegiado sem dar por isso demasiado tempo. Fui racista, como outras coisas más, em pequeno grau como a maior parte das pessoas. O problema é que o pequeno grau de quem nada faz contra e até se ri de más piadas estereotipadas acumula-se e faz mossa no dia a dia das pessoas que nos rodeiam a partir do momento em que nascem.
          Nem tem nada de comunista, excepto na origem. Há vários conservadores, na agora velha definição da palavra, que não discordam da existência de racismo e sexismo sistémico, de resto na onda do que permitiu ao mundo desmantelar parcialmente o imperialismo.
          Desmistificando a justificação de estupidez, só me resta dizer que se nos insulto a nós todos, é porque nos gostava de ver a evoluir, incluindo eu próprio em muitas coisas. O fim da história só existe em livros maus.

          • “Vocês” pessoas como você empenhadas na campanha de calúnias contra o povo português.

            Por exemplo, considerarem como racistas e “privilegiados” quaisquer cidadãos de raça branca, só porque sim.

            Existem pretos bilionários e brancos sem abrigo.

            Mas por qualquer razão verdadeiramente fantástica um branco sem abrigo é um “privilegiado” em relação, por exemplo, aos milionários negros que compraram grandes empresas e têm milhares de brancos a trabalhar para eles, na maior parte dos casos explorando-os descaradamente.

            Isto é mas é RACISMO DESCARADO CONTRA OS BRANCOS.

            • Privilegiados em comparação nas mesmas circunstâncias, da mesma forma que um homem em comparação com uma mulher. Ou vê muitos negros em cargos de poder ou nas faculdades?
              De resto, é menos relevante do que a luta de classes, senão anda tudo atrás das mesmas migalhas.

              • Então a Isabel dos Santos é uma vitima em relação aos milhares de brancos porcos que trabalham para ela a ganhar o salário mínimo.

                Coitadinha.

                • Condições iguais. Tipo a ministra Van Dunem face aos seus antecessores, que nunca foram mandados para a terra, ou os jogadores de futebol que quando fazem merda não são perseguidos por serem pretos de merda, ou os gestores de loja que vão para a rua no momento em que se descobre que são ciganos, …

          • Caro Marques.

            Você não “foi” racista.

            Apenas mudou o alvo do seu racismo.

            Do racismo contra os negros passou ao racismo contra os brancos.

            Nem eu nem 90% do povo português alguma vez foi “privilegiado” coisíssima nenhuma por ser branco,

            Os brancos em Portugal têm exatamente as mesmas condições que os negros.

            Eu, por exemplo, ganho á volta do salário mínimo e nunca tive os apoios que a Joacine teve, concretamente a bolsa de estudos. O meu curso sai-me do pêlo.

            Ela foi trabalhadora estudante?

            Também eu.

            Por ser branco fui privilegiado em relação a ela ? Em quê ?

            No choradinho desta crónica, refere que os pais dela, coitadinhos tiveram muita faculdade em criar os filhos. Coitadinhos! Mas que grande racismo sistémico!

            Eles tiveram DOZE FILHOS !!!!!!!!!!!!

            Como se vocês não soubessem que também qualquer família branca de classe média fica na pobreza se tiver doze filhos.

            E se a família branca for pobre fica á FOME se tiver doze filhos, se não tiver apoios doe estado. É por isso que a maior parte das famílias só têm um ou dois filhos.

            Mas vocês fingem que uma família negra cujo pai é varredor de ruas e a mãe é ajudante de cozinha passar dificuldades a criar doze filhos é por “racismo sistémico”!!!!!!

            Andamos a brincar ou quê ?

            A calúnia de que os brancos são privilegiados simplesmente por serem brancos é RACISMO.

            • Teve um subsídio porque teve mérito *e* não tinha possibilidades, o que acontece menos para nós. O relevante não é ela ter 11 irmãos, terem origem noutro país elimina a força do argumento (se é que o tinha), mas sim ser uma das pessoas que tinha uma das melhores possibilidades de promover a diversidade (e, consequentemente, a normalização).
              O privilégio é, entre outros, poder andar na rua sem ter que ter medo de ser assediado para ir para a terra, muitas vezes por alguém de uniforme. Até entrar nas selfies do Marcelo é mais provável.

              • Ai uma mulher negra ganhou a bolsa por ser melhor?

                Mas então, precisamente por Portugal ser um país racista e machista isso não devia ser impossível?

                Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo.

                • Ganhou a bolsa porque se enquadrava nos requisitos E era melhor entre os concorrentes.

                  preto -> escalas de cinzento -> branco

      • Caro Marques.

        Gostei que o senhor se prontificasse a justificar o que eu disse, dando a entender que sou racista com o pretexto surrealista de eu referir o facto de existir imigração em massa.

        O vosso fresesim de insultar toda a gente de racista que a simples constatação de factos do conhecimento público já servem de pretexto ao insulto.

        Assim, para vocês, simplesmente constatar o enorme movimento imigratório é racismo.

        Bem, Portugal está com a maior imigração de sempre.

        A a população imigrante LEGAL é já quase 6% da população total. Com a ilegal deve estar nos 10%.

        Estes números não são estáveis, estão a crescer muito rapidamente. Este ano a imigração cresceu 18% em relação à do ano passado, num ano entrou uma massa de imigrantes equivalente a 1% da população total. Com tedência a acelerar o ritmo.

        Só um mentiroso pode dizer que não existe imigração em massa e insultar de racista quem simplesmente admita os factos é que é ser racista contra o povo português.

        • Isso tem a ver com os números da imigração ou com o afastamento dos portugueses para fora do país e falta de condições para criar filhos?
          Eu não lhe chamei racista, impliquei que já tinha escolhido a conclusão antes de ler. E não lhe chamo racista por dizer que o país é estruturalmente racista, os sistemas têm uma vida própria que inclui regras e costumes que se mantêm por questões de hábito.

          E nem falamos de Joacine. Como o Pedro, há pessoas de esquerda que ficam concordam que o discurso, e fundamentalmente a forma, não ajudam a convencer ninguém, mesmo achando que tem razão evidente – do pouco que li, que estará longe de ser a maior parte.

          • Eu referi um facto, existe imigração em massa.

            Em momento algum referi as causas nem se é boa ou má.

            Basta referir factos para ser logo catalogado de racista, para engrossar a estatística fake do “racismo estrutural”.

            O problema é que, como não existe a mínima prova do vosso famoso “racismo sistémico” têm de inventar qualquer coisa.

            É o que podem arranjar.

          • Não é só uma questão de forma.

            A narrativa do “racismo sistémico” é simplesmente fake.

            Não existe qualquer prova que sustente essa campanha de difamação contra o povo português.

            Nunca apresentam nenhum argumento credível, quando vos pedem provas fogem sempre ao assunto.

            A única “prova” é chamarem racista a quem simplesmente não concorde com as vossas afirmações.

            Depois dizem que não falam com racistas e com esse pretexto acabam com a conversa.

            Essa é que é a vossa “prova”.

            Lançar calúnias infundadas e fugir quando vos pedem para as provar.

            • Uma coisa é as pessoas serem racistas, outra é o sistema. E o sistema é aquele que assume que quem é diferente tem maior probabilidade ser pior empregado, de cometer um crime, de ser pior aluno só por isso.
              Provas não tenho, há quem as tenha, mas não é o meu trabalho decorar as fontes. Tenho só o que vi, como nunca ter visto alguém num estádio dizer a um jogador espanhol ou colombiano ir para a terra dele.

              • As vossas provas são fake.

                E a melhor prova que são fake é a Joacine ter tido uma bolsa de estudos.

                Uma mulher negra nunca teria uma bolsa de estudos num país racista e machista estrutural.

                Muito menos seria eleita e nem lhe dariam a cidadania.

              • Lá está você a justificar os vossos insultos ao povo português com uma minoria de marginais.

                Então diga lá, por haver muitos negros a fazer assaltos temos de concluir que as comunidades negras são criminosas sistémicas?

                Aliás, um branco tem muito mais medo de entrar num bairro de ciganos ou de negros, porque não é mandado para a terra dele, mas há fortes possibilidades de ser mandado á facada para o hospital para lhe roubarem os ténis.

                • Uma minoria apoiada silenciosamente na repressão pela aceitação de todos os outros que nada fazem e acham mal que alguém faça, seja a polícia ou o governo.

                • A diferença é que chamo-lhe nomes, você fica irritado, mas vai à sua vida. Alguém diz a um negro para ir para a terra dele e fica a temer pela vida o resto do dia.
                  Percebe a diferença?

                • > Aliás, um branco tem muito mais medo de entrar num bairro de ciganos ou de negros, porque não é mandado para a terra dele, mas há fortes possibilidades de ser mandado á facada para o hospital para lhe roubarem os ténis.

                  Se calhar deviam arranjar-lhe empregos e integrá-los invés de os meter num gueto e deixá-los no desemprego.

      • Caro Marques.

        Para terminar, relativo á sua insinuação de que eu ser racista apenas por reconhecer o facto da imigração estar a aumentar a um ritmo de 18% ao ano.

        Em nenhum momento eu fiz nenhuma afirmação racista ou até contra a imigração.

        Posso não dar saltos de alegria como vocés, que por qualquer estranha razão parece que querem que o mundo inteiro venha para cá e consideram sempre os números de dezenas de milhares ou até de milhões demasiado poucochinhos.

        Mas é-me simplesmente indiferente. Não considero a imigração um perigo, estou-me simplesmente nas tintas. E como eu muitos portugueses, que simplesmente começam a ficar saturados de serem constantemente chamados de racistas apenas por referir factos óbvios e connhecidos de toda a gente, como simplesmente haver muitos imigrantes.

        Segundo os números oficiais foi batido o recorde de sempre de imigração. Se não gosta de números vá chamar racista ao seu professor de matemática.

  2. “Criar fracturas entre a população, exacerbar os ânimos com insultos ” Pois, dantes era a outra de classes, agoira é a guerra dos sexos.

    • Thomas Piketty (@PikettyLeMonde
      ) on the consequences of depoliticisation: “If the only thing the modern nation-state can do is to control borders, the unsurprisingly the political conflict will be entirely about border controls and immigration”.

      • Bonito texto do Pikety.

        Não tem nada a ver com o que estamos a falar mas fica sempre bem citar um autor famoso.

        É que eu não disse se a imigração de massas é boa ou má. Apenas referi o facto óbvio que existe, sendo logo insinuado que por causa disso serei racista.

        Típico.

        É assim que vocês constroem a MENTIRA de que existrá racismo sistémico contra os negros.

        Mas sabe que mais? Mesmo que alguém seja contra a imigração isso não quer dizer que seja necessariamente racista. Podem haver dezenas de outras razões para ter essa opinião.

        Mas vocês vivem dessas calúnias para manter a ficção mentirosa do “racismo sistémico”.

        • Porque não era para si. Mas, independentemente disso, falamos disso, bom ou mau, porque o resto não é discutível.
          Mas fico à espera de um vídeo da PSP a agredir idosos brancos.

          • ??????

            Você anda mesmo a gozar ó racista da treta?

            Desde quando a PSP não agride brancos?

            Até eu já fui agredido pela PSP.

            Vocês são mesmo os nazis da esquerda.

            • É, não houve diferença nenhuma 1quando foi agredido um adepto da instituição e quando a polícia bateu em tudo o que mexia na Jamaica.

          • Videos de policias a agredir brancos há muitos.

            Mas como vocês são fanáticos racistas anti-brancos o ódio que têm ao nosso povo não vos deixa ver.

  3. Epá, vi isto algures (talvez sirva para alimentar os neurónios, que especialistas em tudo já há por aqui).

    Sabes, pá, eu acho mesmo que vivemos dias estranhos.

    Estranhos para mim, e para outros marmanjos alinhados ou desalinhados com este estilo de vida, que se habituaram a viver rodeados de alguma normalidade sócio-cultural, estética, sócio-política, estética!, sócio-económica e sócio-o-que-tu-quiseres. Da mesma forma, imagino, lá terás as tuas razões para considerares que sempre viveste, ou assim te deste a conhecer no Ouriq, cercado de uma qualquer normalidade individual e sócio-cultural que tu lá saberás qual é (aqui há tempos falavas que eras de esquerda e tal, a tua esquerda, para que os pacóvios, como eu, e os mais ilustres terráqueos, como eu também, fizessem um esforço e te entendessem). Seja, menino.

    Ora, vem tudo isto a propósito de um post que, há dias, o Eremita na surra publicou sobre o magno problema de uma coisa chamada Livre. Do Livre de que ele foi votante, recordo-me saudosamente dos encómios no Ouriq ao insuperável mestre-escola Rui Tavares, o #talismã, mas, como às vezes acontece, infelizmente, sucede que me pareceu, repara na importância daquele mas lá atrás!, que se estava era a querer falar do Livre da Joacine praqui e pracolá. Pois eu, como sempre humildemente como imaginas, acho que o melhor edital, ainda sobre o assunto, foi escrito pelo Luís-Aguiar Conraria e, lamentavelmente, não o vi afixado por aqui e noutros lugares do estilo.

    E vem tudo isto para te dizer, a propósito, que me parece que és o protótipo destes dias estranhos em que vivemos. Que comentas e comentas, que te consideras engraçado, e que, ao fim da jornada, te despedes amuadinho educadamente e dizes que te vais embora… Saiba-se lá do quê, acho eu que em virtude de te faltar uma superfície qualquer onde pores os pés.

    E assim é encadeando as peças: gostas, ou já não gostas?, da Joacine porque és de esquerda, gostas-gostas que eu sei que gostas do José Sócrates porque és de esquerda, acasalas com a personagem Valupiana e com a bonecada do estilo porque és de esquerda, desenterraste hoje o defunto Jugular, imagine-se!, aparentemente porque és de esquerda, que canseira a minha.

    E eu fico sentadinho a ver-vos a dissertarem sobre as Joacines a própria e as outras deste mundo, a ver-te por aqui, no Ouriq, outros na blogosfera e outros há ainda, maioritariamente em silêncio!, passeando pelo #Twitter a sua idolátrica e todo o seu esplendor.

    A ver e a pensar.

    Quem sabe se o Rafael, os rafaeles do Livre, não são o assunto, afinal, que convém evitar pois foi ele reflectido num espelho qualquer, surpreendentemente?. e assim, consciente ou inconscientemente, quando dão por vós, já o esconderam? Tens a certeza de que ele não se esconde em ti, Caramelo?

    Enfim, vai lá, mas tem cuidado: não te queimes.

    […]

    Caso resolvam retirar a connfança política
    à sua deputada, é irónico que o Livre de Rui
    Tavares enfrente o mesmo problema que o
    Bloco de Esquerda enfrentou com o seu
    eurodeputado Rui Tavares. Bem sei que as
    situações não são exactamente análogas,
    mas as diferenças favorecem Katar Moreira,
    que, tendo sido cabeça de lista e o principal
    rosto do partido durante a campanha, goza
    de uma legitimidade eleitoral que Rui
    Tavares não tinha quando concorreu, como
    independente, nas listas do Bloco de
    Esquerda ao Parlamento Europeu.

    Mas, caso a confiança política lhe seja
    retirada e Joacine Katar Moreira
    abandonasse mesmo o Parlamento, seria
    irónico vê-la ser substituída por Carlos
    Manuel Teixeira. É que, se Joacine é mulher,
    negra e gaga, Carlos é homem, branco e,
    para compor o ramalhete, um excelente
    orador. O contraste não podia ser maior.

    Finalmente, ficámos ontem a saber que o
    Livre falhou o prazo para entrar no debate
    sobre a Lei da Nacionalidade. Mais uma
    ironia. No único debate televisivo em que
    participou durante a campanha, Joacine
    Katar Moreira referiu a mudança da Lei da
    Nacionalidade como uma das principais
    bandeiras do Livre. Para ser honesto, é
    mesmo a única ideia dela de que me
    lembro nesse debate. Tendo o seu assessor
    declarado que não a deixava trabalhar mais
    do que oito horas por dia, é impossível não
    pensarmos que, se calhar, aquelas horas
    não chegam. O que é irónico. Parece que o
    assessor, que já disse apenas fazer o que lhe
    dá na “real gana”, terá de assessorar mais.
    Mas percebo-o. Passar a ferro saias de
    pregas é tarefa delicada e demorada. Ainda
    mais com a proverbial falta de jeito dos
    homens para as tarefas domésticas. Com o
    tempo que se perde, não sobra muito. A
    não ser, claro, que tenha uma empregada
    que lhe faça o serviço. O que também não
    deixaria de ser irónico.

    Fonte: P., 27.11.2019, p. 6.

    • Nota. Epá, e eu vi isto no Aspirina B…

      Lapidar
      2 Dezembro 2019 às 16:07 por Valupi 3 Comentários

      «Nós estamos sempre a ser surpreendidos, neste momento, pelo passado. Porquê? Porque chegam as pessoas e fazem uma interpretação que nunca nos tinha ocorrido, e aí está o passado a surpreender-nos. Naturalmente, daí nasce um movimento para redefinir o futuro, só que o futuro acontece antes de chegarem ao fim e vem o futuro a surpreender-nos.»

      […]

      Afinal o que quer o Valupi?
      2 de Dezembro de 2019 às 20:19

      4 DE OUTUBRO DE 2019 ÀS 14:07

      … e o fascista do Adriano Moreira lá continua, Valupi: já enterrou o Salazar, o Marcello Caetano, o Franco Nogueira, o Lucas Pires e, agora, foi a vez do Freitas do Amaral… Se o Manuel Monteiro, o Paulo Portas ou a Assunção Cristas não se põem a pau ainda vai aos seus funerais.

      Vai dar banho ao cão, pá!

      Glup!

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