A extra ordinária Operação Marquês

(Por Valupi, in Blog Aspirina B, 04/06/2019)

José Sócrates

Depois de 4000 páginas de despacho acusatório, 53 000 de investigação, 77 000 de documentação anexa, 8000 de transcrições de escutas telefónicas, 13,5 milhões de ficheiros informáticos, 103 horas de vídeos de interrogatórios e 322 de depoimentos áudio de testemunhas, o que será mais extraordinário na “Operação Marquês”? Haverá respostas para todos os gostos, agendas e ódios, mas duvido que alguma ultrapasse em espanto e relevância esta: não se ter constituído como arguida Maria Adelaide de Carvalho Monteiro e não se ter constituído como arguido qualquer outro elemento dos XVII e XVIII Governos para além do respectivo primeiro-ministro. Isto é, as pontas da suposta investigação – que supostamente começou com a denúncia de dinheiro recebido da sua mãe por Sócrates na CGD e que terminou com uma acusação onde se diz terem existido supostos crimes cometidos em Gabinetes Ministeriais e Conselhos de Ministros – não constam no processo.

Algo similar aconteceu no “Face Oculta”. Num caso construído sem provas e baseado no relato em segunda mão de Ana Paula Vitorino, alegou-se que Mário Lino acedeu a um pedido ilícito de Vara mas o ex-ministro alegadamente cúmplice nem sequer foi constituído arguido. Porquê? Porque se calculou que, sem provas, sem prejuízo para o Estado, sem mais nada a não ser uma conversa que se diz ter existido com um certo sentido subjectivo, não seria possível fazer-se a Mário Lino o que se ia fazer a Vara – nem se podia fazer a Vara alguma coisa sem por tabela Lino ter de levar igual ou até pior. O temor e tremor de acusar e prender um ex-ministro exclusivamente com provas indirectas e sem qualquer possibilidade de o relacionar com algum proveito material, ou outro, arriscava boicotar a vingança destinada ao asqueroso socialista que tinha ousado ir para o BCP como administrador depois do caos para onde o banco foi arrastado por Jardim Gonçalves e Paulo Teixeira Pinto.

Num certo dia de um certo mês de 2013, Rosário Teixeira e Joana Marques Vidal encontraram-se, a sós ou acompanhados por outros procuradores, e decidiram que era desta que o inimigo nº 1 da oligarquia portuguesa ia ser apanhado, linchado e enterrado. Nessa reunião, adivinho, tomaram decisões sobre a mãe de Sócrates e sobre os ministros e secretários de Estado ligados a Sócrates. Seria possível deter a frágil senhora, levá-la algemada para ser interrogada pelo Carlos Alexandre e de lá ter de mandá-la na ramona para uma prisão feminina qualquer? Isso causaria demasiado ruído mediático, correndo-se o risco de gerar antipatia contra a PGR e simpatia a favor de Sócrates.

Pelo que se decidiu logo ali, imagino, que a pessoa que se iria apontar como tendo sido cúmplice principal de uma transacção fraudulenta no mais grave caso de suspeita de corrupção da História de Portugal iria ficar de fora do processo. E quanto às dezenas de ex-governantes que iriam ser apontados também como cúmplices de decisões supostamente vendidas por milhões vindos do Grupo Lena, do BES ou de quem a acusação se lembrasse de inventar? Idem, aspas, não haveria logística para serem investigados e nem tal era preciso, antes pelo contrário. A aventura seria triunfal mesmo que apenas decapitasse uma das cabeças da Hidra, a mais apetecida. Aumentar o número de arguidos com responsabilidades nos Executivos socráticos traria mais atrasos, mais dúvidas, mas riscos de se perceber que toda essa gente estava a ser presa para ser investigada, devassada e assassinada política e socialmente. Ter Sócrates como troféu de caça, mesmo que dali por não sei quantos anos ele acabasse condenado apenas por fraude fiscal, era só o que interessava garantir. A “Operação Marquês”, logo a partir da sua detenção para ser interrogado, iria ser a sua condenação instantânea sem ser preciso ficar dependente dos volúveis juízes. Os restantes alvos seriam atingidos por associação e contágio.

A “Operação Marquês” iria ser excepcional, algo nunca antes visto na Justiça portuguesa quanto aos recursos disponíveis e quanto ao caudal criminoso das violações do segredo de justiça e dos direitos fundamentais. A PGR só iria avançar se tivesse a certeza de conseguir blindar a acusação mesmo antes de se poder saber qual viria a ser o seu conteúdo. Aceitar arquivar o inquérito caso a investigação nada encontrasse não era uma opção. O suspeito teria de ser tratado como condenado a partir da sua constituição como arguido; a matéria de facto era um tópico quase indiferente, algo se iria apanhar de certezinha absoluta, e o trânsito do dinheiro já chegava para o gasto. O que importava era o simbolismo, o choque e pavor, a exibição da presa derrotada, ferida de morte. Para tal era necessário garantir não só a cumplicidade como a activa colaboração do juiz a quem competia a defesa das liberdades e garantias dos cidadãos. Carlos Alexandre era perfeito para esse papel de carrasco – e não havia alternativa, não havia risco de calhar um juiz que tivesse a mania de querer ser isento. O Ministério Público da santa Joana olhava à volta e via o Presidente da República, o Governo e a maioria parlamentar a pedirem acção impiedosa contra o monstro que os apavorava e que não admitiam ver como candidato à Presidência, via a comunicação social dominada pelos impérios da direita pronta para iniciar um fogo de barragem épico com a sua ubíqua indústria da calúnia, via o magistrado judicial responsável pelo Tribunal Central de Investigação Criminal a arder de desejo para ser a arma divina que limpa o mundo do pecado e dos políticos demoníacos, via um ano eleitoral a chegar para umas legislativas onde era preciso debilitar ao máximo um PS que tinha trocado o manso Seguro pelo bravo Costa. Era desta, 40 anos depois do 25 de Abril voltaríamos a poder assistir a um regime de excepção para julgar criminalmente opositores políticos.

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É tentador ver na entrevista que Carlos Alexandre deu à SIC, em Setembro de 2016, o maior escândalo alguma vez protagonizado por um juiz em funções. Nela, ouvimos referências directas a um arguido num processo ainda sem acusação onde o próprio era juiz de instrução – ou seja, onde se tinha comprometido com o Estado a defender a Constituição e os códigos legais para respeitar os direitos desse mesmo arguido. Para além de ser o processo mais importante na história da Justiça portuguesa por estar em causa uma suspeita de corrupção sobre um primeiro-ministro, o registo usado para violar o dever de reserva a que os juízes estão obrigados misturava a intenção de publicitar a culpabilidade de Sócrates com o culto da sua augusta e proba pessoa de Mação, que ficava como bastião popular e rural contra os corruptos da elite e da cidade. Infelizmente, essa estouvada e torpe manifestação de soberba está longe do que é o supremo escândalo relativo à sua figura e papel na “Operação Marquês”. A suspensão do Estado de direito começou logo após a detenção dos suspeitos quando decretou a prisão preventiva de Sócrates e declarou ter pena de não poder impor uma pena ainda mais grave logo naquela fase inicial e sem sequer se saber quais os eventuais crimes em causa. Continuou com o prolongamento da prisão em Évora, concordando com Rosário Teixeira no deboche de se considerar demasiado arriscado passar Sócrates ao regime de prisão domiciliária sem o uso humilhante de uma pulseira electrónica – e isto apesar do Tribunal da Relação já ter excluído o perigo de fuga. Culminou com uma entrevista à RTP onde considerou uma farsa o sorteio informático que designou Ivo Rosa como o magistrado que liderará a fase de instrução criminal, assim despejando sobre todo o sistema da Justiça portuguesa uma calúnia maximamente agravada pelo seu estatuto. Pelo meio, conseguiu a mudança do Tribunal Central de Instrução Criminal do Campus de Justiça para as instalações da antiga sede da Polícia Judiciária, cuja leitura tanto pode ser vista como gesto político e/ou sintoma de paranóia, e ainda disparou ameaças genéricas para outros magistrados não identificados alertando ter uma excepcional memória. Last but not least, descobrimos que a relação com um certo amigo e o seu dinheiro, numa mixórdia de promiscuidades incríveis tendo em conta que ambos são magistrados, era um bocadinho diferente do que tinha apregoado na TV quando quis condenar na praça pública um cidadão à sua guarda.

A extraordinária responsabilidade, complexidade e cautela exigidos numa investigação com as consequências da “Operação Marquês” pedia um juiz com este perfil pacóvio, justiceiro, megalómano e estúrdio? Ao contemplarmos o modo como o seu desprezo pela Lei e pelos direitos de outrem foram validados pelo Conselho Superior da Magistratura, e ao percebermos que esse órgão é uma entidade corporativa onde a Assembleia da República e o Presidente da República se demitem estrategicamente da sua soberania quando há comunhão de vontades contra o bem comum, ficamos na posse de um retrato onde é todo o regime que apoia e protege Carlos Alexandre. Um retrato onde é cristalino o desprezo pela descoberta dos factos e a condenação dos eventuais criminosos, caso contrário jamais se deixaria de fora uma cidadã sem a cumplicidade da qual não teria existido a descoberta do crime (dizem eles), e ainda menos se deixaria sequer sem investigação as dezenas de governantes que tomaram decisões apenas para que Sócrates enriquecesse de modo ilícito (dizem eles). Em que outros casos cidadãos dados como coniventes em actos ilegais ficam impunes por causa da idade, sexo ou relação familiar com outros delinquentes?

Por que raio a mãe de Sócrates, designada como a ponte entre Carlos Santos Silva e Sócrates para a lavagem de dinheiro vindo da corrupção, nem sequer como arguida foi constituída? E se o Ministério Público acha que existiu um Governo em Portugal que manipulou negócios de milhares de milhões de euros, envolvendo centenas de decisores entre responsáveis executivos, administradores bancários e accionistas da PT e do BCP, só para que um primeiro-ministro pudesse ir para Paris estudar e ficar numa casinha com um soalho ao seu gosto, como é que essa inominável e indescritível perversão da República Portuguesa fica sem investigação e condenação judicial?

A “Operação Marquês” nasceu de uma legítima suspeita a respeito da circulação de dinheiro usado privada e ocultamente por Sócrates, a qual teria de ser investigada necessariamente. Porém, a violação do Estado de direito marca os antecedentes e desenvolvimento da investigação, onde há igualmente legítimas suspeitas de espionagem ilícita sobre Carlos Santos Silva e Sócrates, legítimas suspeitas sobre abusos de poder no Ministério Público antes da abertura formal do processo, legítimas suspeitas sobre manipulação ilícita do sistema de Justiça de modo a garantir que fosse Carlos Alexandre a conduzir o processo até à acusação, legítimas suspeitas de actos criminosos cometidos pela equipa de procuradores de Rosário Teixeira ao violarem o segredo de Justiça, legítimas suspeitas da inexistência de integridade em Carlos Alexandre ao aceitar ser juiz num caso em que à partida já considerava culpado o arguido sem lhe conceder o direito a um processo justo. Tendo em conta que este caudal de violências foi festejado e reclamado como triunfo supremo por parte de Passos Coelho e Cavaco Silva aquando da campanha para a continuidade da sua Procuradora-Geral da República, a heroína a quem fizeram uma estátua de elogios e agradecimentos, fica evidente que a dimensão de linchamento e assassinato de um inimigo político não só supera como torna irrisória a dimensão judicial de se averiguar se um certo cidadão cometeu actos ilegais, seja lá qual for a sua gravidade.

Neste sentido, a “Operação Marquês” é o maior triunfo da direita decadente desde o estabelecimento do Cavaquistão. Ver o PS e a esquerda a colaborarem com este festim sórdido e odiento exibe um regime onde é necessária a destruição de Sócrates por razões de Estado.


Fonte aqui

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18 pensamentos sobre “A extra ordinária Operação Marquês

  1. Belíssimo artigo.
    Se os portugueses andassem mais atentos a toda esta bandalheira.!
    E os políticos que dizem : à política o que é da política à justiça o que é da justiça que pensem duas vezes! A justiça é ministrada por homens, juízes, mas em nome do povo. E quem representa o povo ? Os políticos que o povo escolheu. Então a esses cabe no fim a JUSTIÇA. Logo : á política cabe a justiça !

  2. PROSA CONCUBINA (e não é que, decorridos 7 anos, não passou do prazo)…

    Não há, hoje, em Portugal, amante mais amante de um desastroso ex-primeiro-ministro que o Valupi. Quem é o Valupi? Não se sabe. Provavelmente, Valupi será um programa de computador que serve para debitar automaticamente defesa e argumentário favorável a José Sócrates, apesar do rasto de desatinos e desaforos, fraudes e tretas com que nos consumiu. Pode José Sócrates escorregar no oblívio, finalmente, substituído pela Realidade e por haver mais gente que não ele-imprescindível para Valupi? Poderá ele descansar finalmente o esqueleto envernizado de Armani na cloaca do esquecimento e desamparar-nos a loja? Não. Valupi não deixa. Valupi tem a certeza de que Sócrates é divino ou, pelo menos, o divino jacobino que haveria de vir para consolar quem? Valupi. Portugal progrediu: aborta mais e tem os seus gays à solta graças a quem? Ao Primadonna, nosso berlusconi sem estudos mas com esperto. Valupi considera doente e imbecil toda a gente que leu em Sócrates nada mais que uma demência sociopata autocentrada, uma deriva manipulatória grotesca, quotidiana, massiva, através das TV, ao longo de seis anos esmagadores de permanente injecção de uma cara e de uma voz que se nos impunham violentadores até à náusea. Valupi despreza gente que abomine ter sido vítima da mais reles charlatanice e do assédio sistemático com treta perpetrados por uma voz com um discurso plasmado ao momento, demasiado parecidos com a tortura gota a gota, através dos media. Haver gente para além do Primadonna é igual nada para o anónimo programa de computador Valupi. Sócrates é que é tudo. Por isso, o grande abichador de comissões nas PPP, o grande negociador e promulgador instantâneo do Freeport, o enorme e honesto estudante na Independente, é ele o Messias, Amante do Concubina Valupi, e por ele, Valupi todo se prostra em tusa, espectáculo nunca visto de submissão apaixonada a merecer tese. De todas as vezes, a linguagem valupiana começa épica: descreve a demissão de secretário-geral do PS que abandona o País «para um recolhimento privado», isto é, em valupiês, o iluminado incompreendido faz-se eremita e ingressa no jacuzzi, nos restaurantes e na vida lustrosa da Paris Cara, coitado. A Pátria fica para trás. Não, não mereceu a atempada ‘generosidade’ da Mota-Engil por grossos serviços prestados ou da Martifer pelo mesmo ou do BES por muitíssimo mais que o mesmo. Não. Foi despojar-se todo para debaixo de uma ponte à beira-Sena, a fim de meditar candidamente no que havia feito. Entretanto, o que fazem os maus, os reles, os obcecados e imbecis, ao menor faro a nome do Amante Sócrates? Dedicam-se à «obsessiva perseguição» caluniosa. E Valupi, que deve ter uma considerável hemorróida por dedicação, conclui isto: «Sócrates continua a ser a principal personalidade na política portuguesa.»
    Amém!

  3. A extra ordinária Operação Marquês (ou Os Portugueses são estúpidos?, no original)
    4 Junho 2019 às 16:40 por A Estátua de Sal

    Estado de Direito, Justiça, Operação Marquês, Politica Nacional, Sócrates, eheheh, confesso que engoli mas… deixa-me cá postar n’A Estátua de Sal a ver se lhe pegam.

    Os Portugueses (ainda) são estúpidos, pá?
    31 Maio 2019 às 16:40 por Valulupi

    • Adenda. Antes não falhava era o pilim ao tipo, estou de acordo que não poderia faltar à festança como dizia a Dona Constança: Paris, Paris, SciencesPo, para as baguettes, brasserie, cozinha italiana, ui!, farpela da moda, um prêt-à-porter aqui e um pronto-a-vestir ali, no closet, e umas migalhas para a mamã*, Heron Castilho, férias à grande e à espanhola, gregas, semanas, quinzenas ou um mês em Vale de Lobo pago em cash à mafioso, Ltrapinhos em Los Angeles, ó LA e o pilim sempre a cair!, havia a Sofia que passou a viver sob o céu alentejano sem dinheiro para isso, no problem, guito para os filhos, coitados!, favores e pilim eem troca de favores da amiga da Suiça, idem para a amiga da UL a das garrafas de vinho fechadas dentro de envelopes (o João Perna tem umas cenas giras a dizer sobre isso). Agora, o que não é surpresa, continua a não falhar o pilim para o exílio na Ericeira, para pagar dez ou quinze anos de advogados divertidos, concubinados entre si porque o afundanço colectivo é mais estridente, houve até havia um assessor para preparar o cenário onde o lindinho ia falar depois de acabar de votar (este gajinho anda em fuga no #Twittert, ouvi dizer)… e continuam a pingar umas migalhas para o sorvedouro do Valulupizinho.

      Asterisco. Divirtam-se entretanto, pás, qu’isto é que é serviço púbico.

      • Só um tipo que despreza o Estado de Direito pode considerar, como tu o fazes, ser essa pulhice do CM serviço público, RFC. Parecias-me mais bem formado, mas quando toca a Sócrates ficas possesso perdes toda a compostura. Ainda gostava de saber porquê. Deve haver uma explicação mais do foro psiquiátrico do que político, presumo.

        • Notas, duas ou três ou quatro.

          Tem calma, pá!

          1. Primeiro pensas em abstracto o que é o estado de Direito (e não, não, são as tangas do Valulupizinho servidas ao taximetro que, nesta altura do campeonato, servem uma pevide para salvar o José Sócrates). Antes pelo contrário eu te digo, e olha que a minha conversa tem anos, pois a infinita vaidade do tipo abonecada por doses de cobardia servidas a esmo como quem esgravata, idem, a sobrevivência de um blogue como o Aspirina B que passou a ser garantida por meia-dúzia de grunhos que constituem a sempitera pandilha dos alcoólicos que frequentam tal (magnífico?) estabelecimento é que servitam, e muito, para tornar mais claramente ridículo, ao longo do tempo, o logro com que a realidade o confronta. Depois de pensares, assumes que tens um mito dentro dessa cabeça e que, para ultrapassares essa fase dolorosa, nada melhor que, no seu anterior lugar, experimentas construir uma casinha sem telhado em que, com cuidado, metes no seu interior algo com forma de gente e deixas estrebuchar vociferando contra os seus fantasmas até se enlear nas suas mentiras, vitimizando-se ad aeternum, como se fosse uma qualquer barata tonta… Isto feito assim, antes tarde do que nunca, passas então a observar o que acontece e vai escrevendo tudinho no canhenho d’A Estátua de Sal… (e eu prometo qe leio).

          2. Se o fizeres, se prometeres que o fazes!, depois tens autoridades para analisares neste caso concreto, rigorosamente, o papel dos bandidos do MP, do Rosário Teixeira, do bandido Carlos Alexandre, dos polícias e dos titulares da nossa classe política. Deal?

          3. Sobre o CM, cito-me, simplesmente eu consigo olhar para a importância da chamada imprensa popular, que sempre existiu e que, no caso de José Sócrates, desempenhou um papel insubstituível quase sempre a labutar sozinha. Simples, reforço. Aos tipos do CM, à Delícia Cabrita e, até, à Manuela Moura Guedes serão devidos agradecimentos, portanto, digamos que por parte da sociedade portuguesa (embora eu não os/as siga, evidentementemente). Mais e ainda, se quiseres: venham esses agradecimetos do PS, ou dos restantes partidos que fazem p espectro polútico lusitano, das instituições e dos portugueses que, de alguma forma, são ou tentam ser considerados ilustrados. É isto que penso e digo-o há anos, que queres?

          4. Entretanto, aproveita também para reler o artigo da Fernanda Câncio na Visão* quando a madame, numa jogada poliédrica com que, aparentemente, resolveu expiar as suas culpas, se referiu à ex-mulher (?) do Carlos Santos Silva. Ciro de memória, quando esta lhe confidenciou que bem tinha avisado o marido por confiar cegamente num amigo com o estilo e o ego do José Sócrates que, como uma cruz!, acabaria por os destruir (como acabou por acontecer com eles, e com outros/as antes e depois, né?).

          5. Em resumo, pois, sinceramente não entendo que, com tanta água a correr debaixo da ponte, te erices publicamente com este assunto. Ainda assim, sendo simpático, digo-te que o problema está de facto desse lado, e entende isto pois que, tal como o René do Alô, Alô qu’hoje até declama Camões, eu só o digo uma vez (por agora, é claro).

          Asterisco. Está lá no meio do Jugular, o artigo da Fernandinha, segue a barra lateral de mais um blogue que morreu em paz consigo (o CC morreu com estilo, muito).

          O processo Marquês e eu

          Falar? Calar? Qual a melhor forma de lidar com a calúnia? É possível ganhar uma guerra assim, ou travá-la é já perder? Faço-me estas perguntas há um ano e cinco meses. Decido agora falar. Sem esperar milagres, talvez esperando nada. Mas chega.

          […]

          https://jugular.blogs.sapo.pt/user/fernandacancio

          [Depois come. vê a bola e dorme e, amanhã, acorda qu’eu vou é bazar.]

          • Fiquei esclarecido. Tu achas que escutas telefónicas às tuas conversas com a tua mãezinha devem ir parar à TV do CM e que isso é normal num Estado de Direito que se preze. Podes falar da Câncio, dos fatos Armani, da mulher do SS, do que quiseres. Mas NADA, repito NADA, justifica tal procedimento. E quem acha que existe justificação para tal, ou se esforça por a querer encontrar – como é o teu caso -, nada fica a dever aos valores que devem separar a barbárie da civilização. Desculpa lá, esta última foi a doer, mas é o que penso.

  4. Eh!Eh! Não falhas, merda seca! Fala-se em Sócrates e aí estás tu, qual cão faminto a roer raivosamente o osso.
    Consomes-te, “pázinho”.
    Já agora, faz o favor de veres se está tudo como deve ser, acentos e vírgulas nos lugares respectivos, sim?

    • Adenda da adenda, 13:01, qu’os corajosos do Aspirina B estão outra vez de ressaca.

      […]

      A Acusação descreve o vaivém de dezenas de milhares de euros entre José Sócrates e a mãe, Maria Adelaide. A 2 de abril de 2014, sete meses antes do antigo PM ser detido, Adelaide tentou sensibilizá-lo. Precisava de dinheiro e, avisada para não usar essa palavra ao telefone, usou a figura do “terreno”. Disse querer “um bocadinho de terreno para uma horta biológica” e desabafou: “tens tanto terreno, tu!…”

      De imediato, José Sócrates – que não tinha nada em seu nome, nem terrenos – enviou o motorista com um envelope de dinheiro à casa da mãe, em Cascais. Ela agradeceu. Tal como tinha feito um mês antes, após se lamentar estar “depenadinha”, novamente usando sentidos figurados ao telefone.

      De acordo com o Ministério Público, o dinheiro que Sócrates enviava à mãe era proveniente de Santos Silva, que recebia nas suas contas as verbas que o antigo PM recebia no âmbito dos subornos. Os lamentos de Adelaide tiveram outro episódio, em setembro de 2013. Avisou o filho de que queria ir de férias para Porto Santo mas “preciso daquilo”, “estou à rasca”. Ou seja, não tinha dinheiro. “Não te esqueças de mim”, recordou mais tarde.

      O fluxo de dinheiro entre José Sócrates e a mãe tinha os dois sentidos. A 3 de novembro de 2014, dias antes de ser preso, foi escutado a perguntar ao banco o saldo de Adelaide no sentido de lhe pedir um empréstimo pelo período de “umas semanas, até receber o ordenado”.

      A 10 de novembro de 2014, Sócrates liga à mãe para combinar a entrega de mais um envelope: “as coisas” que ela tinha pedido. Adelaide ficou feliz e disse ao filho que já tinha reservado um casaco. “Fez muito bem”, respondeu ele.

      No CM a.k.a. serviço púbico (e qee «Não te esqueças de mim», Valulupi…), online

      • Olha, nem de propósito!

        Quem é que gostavas de escutar?
        5 Junho 2019 às 19:55 por Valupi

        Nota. Não é que eu e o Valulupi andamos mais uma vez sintonizados, agora a propósito da incocação da senhora-mãe, coitada!, Maria Adelaide de Carvalho Monteiro de seu nome? Porreiro, pá!

        https://pbs.twimg.com/media/D7_FXg-XYAAU0N3.jpg

        [… esta performance artística é de moi, que o bronco Valupiano não pesca nada de nada.]

  5. Nem oito nem oitenta.
    Um PM não assina contratos com empreiteiros ou empresas, ainda que de amigos.
    Duvidosamente o poderão condenar pelo vindo a público sobre isso.
    Quanto a grandes obras públicas para ser pagas pelo governo anos depois de iniciadas ou feitas,
    nenhum partido das oposições as criticou. Ou a um projecto TGV para Lisboa-Madrid, com mil passageiros diários todo o ano em média diária, em cada sentido, ou o aborto de um NAER em modelo Bat’ Ota.
    A outra questão, tem pouco de política.
    Dado o percurso profissional e político do cavalheiro, a sua parca pensão política, de que vive o senhor?
    De que viveu toda a vida?
    Claro, ninguém está impedido de viver sustentado por um amigo ou amigos.
    Não é pecado, nem crime político, Vale?

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