O Sonso e a Lei

(Por José Gabriel, 31/01/2019)

marcelite

 

A argumentação – acompanhada por uma ameaça de veto – com que o presidente da República pretende sustentar a sua exigência de uma Lei de Bases da Saúde à medida dos seus desejos, é um rosário de falácias e equívocos.

1- As leis em que se tem fundado o Serviço Nacional de Saúde nunca foram obtidas pelo consenso agora tão desejado por Marcelo. Foram sempre suportadas por convicções e votadas por partidos determinados com objectivos determinados. O próprio PR, tendo sido líder de um dos partidos em causa, e tendo ele próprio tomado posições – ideológicas, claro está – sobre a matéria, sabe disso perfeitamente. Estar agora a exigir um consenso geral, uma votação para a eternidade – quiçá com todos os partidos a votar a favor – configura uma nebulosa e demagógica patranha na qual só são claros os interesses a servir.

2- O argumento de que um tal consenso – parente próximo da noção antidemocrática de “arco da governação” – garantiria uma prolongada vida à Lei é um simples truque argumentativo que, de tão básico, devia envergonhar o emissor – ele – e revoltar o destinatário – nós. Na verdade, qualquer que seja a maioria que aprove a Lei de Bases em discussão, nada impede que outra maioria – seja ela qual for – a venha a rever. Como já aconteceu, de resto.

3- Esta atitude do presidente não é, para quem o conhece, uma surpresa. Nenhuma popularidade e habilidade nos gestos e nas palavras esconde os interesses e posições ideológicas do presidente. Não é que uns e outras sejam censuráveis só por si. Mas os malabarismos retóricos com que sobre eles lança uma nuvem de ambiguidade têm limites. Ultrapassando-os, Marcelo evidencia o que muitos sabiam e ouros intuíam: é um sonso.

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14 pensamentos sobre “O Sonso e a Lei

  1. Vetar o diploma em questão, aprovado pela maioria representativa que suporta o governo e sobretudo pelas razões que apresenta não faz dele só um sonso.

    • Hum.

      Nota. Ó Vitinho, mais um contributo imprescindivel para a sobrevivência da espécie que é a tua, diria mais um grito de alma que, por arrasto, engrandece a malta d’A Estátua de Sal. Não te julgava, desculpa a sinceridade mas as tuas repetidas bacoradas por aqui não o indiciavam, não te julgava, eu próprio, como um cavalheiro capaz de demonstrares numa só frase toda a tua inteligência e genealogia.

      – Afinal, pázinho, o PR é teu irmão e não dizias nada?

      https://pbs.twimg.com/media/DcOfW-9WsAAUgZG.jpg

      É no Montijo, mas não liguem à iconografia.

        • #democracia
          #oceanos
          #baleias
          #frenesim

          vs.

          #tachos
          #panelas

          Nota, insistência. Ó Manuel G., novamente, não te esqueças de mim ‘stá?

          ______

          Ó Rebravo vai pastar, xim?

      • Ricardo F Costa, muito bem a defenderes o nosso querido presidente da republica. Compreende se cada vez melhor porque acabaste com a quadratura do circulo e colocaste no seu lugar o eixo do mal!

  2. Marcelo só engana quem quer ser enganado,quem votou contra o SNS foi o próprio Marcelo ,e todas as patranhas que possa dizer só demonstram o sujeito que è : cínico fingido e hipócrita , em que até dentro do seu partido não podem com ele .,

  3. Excerto da revista Sábado :
    “…Rita Maria Lagos do Amaral Cabral nasceu a 21 de Março de 1954. É a mais velha dos quatro filhos de Maria Elisabeth da Silva Lagos e de Joaquim Emílio do Amaral Cabral. Não admira que a família não apreciasse a originalidade da re lação com Marcelo. Os dois filhos homens, João Paulo e Manuel Gonçalo, casaram com duas filhas do empresário José Manuel de Mello (Rita pertence ao conselho de ética do Grupo Mello Saúde)…”

    Coincidências ….

    • Nota. Poderias ser um tipo ainda mais moderno (se pedisses ajuda), pázinho.

      João Gilberto – Insensatez (How Insensitive) – YouTube

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