Está a pensar na dívida pública? Pense outra vez: como a crise grega ameaça Portugal

(João Silvestre in Expresso Diário, 29/06/2015)

João Silvestre

            João Silvestre

Os cofres do Estado estão cheios e há dinheiro para viver até final do ano sem ir ao mercado. Para enfrentar a onda de choque vinda da Grécia, é uma grande ajuda. Até porque, num caso limite, o Banco Central Europeu (BCE) pode intervir para travar um eventual ataque especulativo. Só que há mais vida além do Estado.

Na economia portuguesa, há empresas e famílias endividadas que poderão sofrer com uma subida dos juros na zona euro. Além disso, qualquer acontecimento que perturbe o andamento da economia europeia terá reflexos em Portugal e o poder de fogo da política monetária está no limite.

1 – Dívida pública

O canal mais óbvio de contágio da atual turbulência na Grécia e de um cenário limite de saída do país da zona euro – o Grexit – são as taxas de juro da dívida pública. As yields foram a via de transmissão da ‘doença’ da dívida quando a crise começou nos finais de 2009 e é para onde todos olham atualmente.

À falta de taxa de câmbio, cujas variações refletem entradas e saídas de capitais num país, a fuga dos investidores em casos de pânico na zona euro acaba por manifestar-se nos ativos do país, a começar nos juros da dívida pública. Quando há o risco de desagregação da zona euro, a yield (taxa de rentabilidade) acaba por ter, na verdade, uma importante componente de risco cambial: quem troca dívida grega por alemã está a assegurar que se o euro acabar tem marcos e não dracmas.

Tendo o Estado uma almofada que ronda atualmente 14 mil milhões de euros e que permite viver até final do ano sem ir ao mercado, o risco para Portugal está contido. Não há pressão e isso dá segurança e tempo. Até porque o BCE tem hoje instrumentos que não tinha em 2010 – como o OMT que permite compras de dívida para travar ataques especulativos.

Mas quaisquer oscilações bruscas no mercado de divida têm sempre reflexos, não só para os emitentes como o Estado português, mas para quem tem dívida em carteira. Pequenas subidas dos juros podem significar perdas em termos de cotação.

Os juros da dívida a 10 anos subiram cerca de meio ponto percentual no arranque da manhã de hoje e, à hora de fecho desta edição do Expresso Diário, estavam em 3,083%. O spread face às bunds (isto é, a diferença entre as taxas de juro das obrigações do Tesouro portuguesas e alemãs) aumentou para 2,4 pontos percentuais.

2- Taxas de juro

Pior que a dívida pública, que tem hoje mecanismos de proteção reforçados na zona euro, é a dívida de empresas e famílias. Portugal tem uma dívida externa maior que a Grécia e, nesse aspeto, está mais exposto aos humores dos investidores internacionais. Dos 406,6 mil milhões de dívida externa bruta no final do ano passado, a dívida pública representava menos de metade (168,5 mil milhões). Já os bancos deviam 83,3 mil milhões de euros e outros setores, onde se incluem as empresas, 46,5 mil milhões de euros.

Uma subida geral das taxas de juro no espaço da moeda única terá consequências inevitáveis sobre o financiamento externo dos bancos e das empresas portuguesas. Isso traduz-se também, de forma indireta, nas taxas cobradas nos créditos bancários que tenderão igualmente a subir. E, aqui, não há mecanismos do BCE ou outros que travem a subida.

Para a banca, são péssimas notícias já que o crédito malparado está atualmente no valor mais alto de sempre – 5,432 mil milhões de euros nas famílias (4,4% do total) e 13,4 mil milhões nas empresas não financeiras (15,7%) – e uma subida dos juros tenderá a agravá-lo. A economia não só terá novo crédito mais caro, como também terá revisões para cima das prestações dos atuais empréstimos.

Entre bancos, no mercado interbancário europeu, e nos diferentes instrumentos de financiamento das empresas – como mercado monetário, por exemplo – são esperadas igualmente perturbações que podem afetar bastante uma economia endividada como a portuguesa.

O economista suíço Charles Wyplosz, do instituto IMD, diz ao Expresso que o elo mais fraco são os bancos porque se “presume que estão fracos” e “os bancos fracos podem enfrentar falta de confiança”. Mas avisa que é “necessário ver o que acontece à medida que o referendo se aproxima”.

3 – Taxa de câmbio do euro

Um dos espelhos mais imediatos de qualquer perturbação na zona euro é a cotação da moeda única. O euro está neste momento no valor mais baixo das últimas três semanas contra a moeda norte-americana em 1,111 dólares por euro. A fuga de capitais para o exterior da zona euro é visível mas há igualmente movimentos entre países da moeda única. O banco central suíço foi obrigado a intervir novamente no mercado cambial para travar a valorização do franco.

Para a economia portuguesa, um euro mais baixo é uma boa notícia para as exportações que assim se tornam mais competitivas nos mercados internacionais mas também no mercado europeu face a produtos que venham do exterior. As importações, no entanto, ficarão mais caras e aqui inclui-se o petróleo que vem de fora da zona euro.

4- Bolsa

Os mercados financeiros são sempre os mais rápidos a reagira. A Bolsa de Lisboa caiu hoje 5,22%, com a banca em destaque pela negativa com o BCP a perder mais de 11%. Na dúvida os investidores preferem jogar pelo seguro e colocar o seu dinheiro em aplicações menos expostas à turbulência.

A descida do PSI-20 durante alguns dias não tem, por si só, consequências imediatas na economia real. A menos que se transforme numa descida prolongada e de montante significativo. Aí os estragos podem ser maiores. Os investidores sofrem perda de valor dos seus ativos, o que tem consequências em termos patrimoniais mas também em variáveis macroeconómicos como consumo (no caso dos particulares) ou investimento, e as empresas tem menos valor e maior dificuldade em financiar-se no mercado de capitais.

Ao mesmo tempo, os mercados financeiros refletem a situação da economia e vários dias, semanas ou mesmo meses em queda têm consequências no comportamento de empresas e famílias.

5 – Economia europeia

O Programa de Estabilidade do governo aponta para um crescimento médio das exportações de 5,5 mil milhões entre 2015 e 2019, o que está associado a um crescimento anual da procura externa também superior a 5%. Já o cenário macroeconómico do PS conta com um valor médio anual na ordem dos 5,8%. Basta, por exemplo, que as exportações cresçam apenas 3% ao ano para que o andamento do PIB diminua em cerca de um ponto percentual.

E, claro, estas coisas tem vários efeitos de “feedback”: se há menores exportações, as empresas investem menos, contratam menos, os fornecedores têm uma quebra de procura, não investem e não contratam. O PS avaliou um cenário, menos grave que um Grexit mas com perturbações em termos de taxas de juro e menor procura externa, e calculava que o PIB continuaria em terreno positivo mas com um crescimento bastante menor.

6 – Efeito psicológico

É o impacto menos tangível e o mais difícil de controlar, mas é impossível evitá-lo. As expectativas são uma variável fundamental nas decisões económicas, seja a decisão de um empresário de investir numa fábrica, seja uma família a escolher o local de férias.

Se as empresas esperarem menor procura ou maiores dificuldades de financiamento, tenderão a adiar ou a reduzir as intenções de investimento. Da mesma maneira, as famílias que esperarem menores rendimentos no futuro ou um maior risco de isso acontecer (maior probabilidade de desemprego, por exemplo) também vão cortar no consumo de bens duradouros ou ponderar melhor determinadas mudanças estruturais (como mudar de casa).

Os estragos psicológicos provocados por uma eventual saída grega dependerão sempre da intensidade do problema e da sua duração. Para Wyplosz, o mais importante de um Grexit é que implica uma mudança psicológica permanente. Significa “que o euro não é um compromisso irrevogável” e que “os mercados irão absorver esta mudança e isso pode vir a perseguir-nos no futuro”.

Suicida-te ou morre para aí

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 30/06/2015)

         Daniel Oliveira

                        Daniel Oliveira

Os gregos não têm de escolher o suicídio porque têm medo da morte”. A frase, bem significativa, é de Jean-Claude Juncker, que, de caminho, apelou ao voto “sim”. “Sim”, entenda-se, é pedir aos gregos que, em troca de dinheiro para pagarem mais dívidas até dezembro, continuem a austeridade que destruiu o país nos últimos anos. Sem uma única cedência europeia e sem um passo para impedir que a Grécia viva isto de seis em seis meses. Isto, meus amigos, é que é o suicídio.

Ninguém pode nunca mais dizer que Tsipras é um radical. Todas as pessoas sérias reconheceram que o seu Governo fez, durante a semana passada, inimagináveis cedências. Cedências que custariam, muito provavelmente, tal como a troika renascida pretendia, a queda do Governo. E que apenas tentava salvar os mais pobres do massacre e dar os primeiros passos para a resolução do problema da dívida, pelo menos trocando a dívida ao BCE por dívidas aos juros mais baixos praticados pelo Mecanismo de Estabilidade Europeia. Na semana passada, percebeu quem quis perceber, as instituições europeias e o FMI deixaram muito claro que o seu objetivo não era chegar a um acordo aceitável. Era levar a uma humilhação tal que se traduzisse na queda do Governo grego ou uma rutura que expulsasse a Grécia do euro. Tudo o que vivemos nos últimos meses foi uma farsa.

A UNIÃO EUROPEIA, CADA VEZ MAIS AVESSA A QUALQUER MANIFESTAÇÃO DE DEMOCRACIA, MONTOU UM CERCO A UM ESTADO MEMBRO, PARA QUE O CAOS FAÇA A DEVIDA CAMPANHA. JÁ NÃO HÁ UNIÃO NENHUMA. HÁ UMA POTÊNCIA QUE SE COMPORTA COMO INIMIGA DA DEMOCRACIA NOS ESTADOS

Perante um programa em que a Europa não recua em nada do que falhou na Grécia, mantém metas impossíveis, insiste na austeridade e não tenta resolver outro problema que não seja o de pagar as dívidas de curto prazo, Tsipras só podia, de facto, escolher entre o suicídio e o risco de morte. O suicídio era assinar este acordo e, mantendo alguma vergonha na cara, demitir-se no dia seguinte, como era desejo da Europa. Era capitular e entregar a Grécia a mais meio ano de destruição sem fim à vista, endividando-se cada vez mais para pagar dívidas. O risco de morte era assumir o que é evidente: as instituições europeias não querem um acordo e a Grécia tem de pôr fim a um caminho sem futuro.

Só que Alexis Tsipras fez mais do que isto. Sabendo da escolha brutal que é pedida aos gregos, sabendo que ou aceita um acordo para o qual não foi mandatado, traindo tudo o que disse e defendeu, ou põe a Grécia num conflito que pode degenerar na saída do euro, passou a palavra ao povo soberano. E apelou ao voto no “não”. Se os gregos se renderem, é provável que o Syriza se demita. Se forem à luta, o primeiro-ministro está legitimado no seu combate. Estando tudo nas mãos dos gregos, seria normal que a Europa esperasse para saber o que querem. Mas a União Europeia, cada vez mais avessa a qualquer manifestação de democracia, montou um cerco a um Estado membro, para que o caos faça a devida campanha. Já não há União nenhuma. Há uma potência que se comporta como inimiga da democracia nos Estados.

Não espero que o poder que vigora na União compreenda a importância de manter um vínculo firme entre as decisões dos Governos dos Estados membros e os povos europeus. Da última vez que um líder grego falou de referendo Bruxelas organizou o golpe de Estado e fez cair Papandreus. Só que, ao contrário do PASOK, o Syriza tem forte apoio popular e a sua força política não depende da benção dos burocratas de Bruxelas e das chancelarias europeias. Depende, como deve acontecer em democracia, de soberania popular. E é aí que Tsipras está a tentar ir buscar as suas forças. Cito de novo Paul Krugman: “Foi um ato de loucura monstruosa por parte dos governos credores ter empurrado a coisa até este ponto. Mas eles fizeram-no, e não posso de todo culpar Tsipras por se virar para os seus eleitores, em vez de se virar contra eles.”

Telemóvel para o meu cão

(José João Louro, in Facebook, 29/06/2015)

caotele

Parece que os chineses inventaram telemóveis para cães.

Muito bom e ajuda muito. Neste país de estranhos lobbies o que mais me dava vantagem era um telemóvel para o meu cão . Treinava-o para meu secretário e punha -o a atender telefones atendendo ou mordendo conforme as conveniências.

Quando as agências de comunicação me telefonassem marcando encontros em bares de grandes hotéis com gravadores escondidos nas cuecas eu aproveitaria e mandaria o meu cão atender distribuindo sorrisos a uns e outros. Se o Corregedor da Fonseca me quisesse convencer a eu ir para as Áfricas catar piolhos mandava o meu cão ladrar três vezes como aviso. O Corregedor compreendia o sinal e deixava-me absolutamente em Paz e sem plano alternativo para sagrar a sua imagem. De resto só o estava a ajudar a melhorar a sua imagem sem ter de comprar saltos altos ou ter de ficar anos nos bicos de pés. Tanto equilíbrio é cansativo meu caro C:F:/A:T:

Quando o Luís Paixão Martins patrão do lobbie LPM com os seus altruístas servidores a Governos e Arcos do Poder me convocasse  para uma reunião em hotel de 5 estrelas mandava o cão com telemóvel e impedia que ele me oferecesse uma Gillete que nunca na vida utilizei. Idem para o Cunha Vaz ou o Luís Bernardo sempre em busca de facilitadores de negócios que se vendam por pouco dinheiro. Coelho para cá Coelho para lá ,Miguel Relvas, Ângelo Correia ou Dias Loureiro .Sociedades de Advogados que preparam todos os negócios Júdice , Zé Luis Arnaut ou António Vitorino ,a todos punha o cão a atender com recomendações para lhe morder os Rabos.

Tudo isto a propósito duma célebre lei dos Lobbies que colocaram o mais incompetente advogado do PSD a elaborar. Quando o homem acabar a Lei o Duarte Lima será condecorado no Brasil por serviços prestados ás grandes multinacionais.

Ainda hoje o meu cão me avisou de um excelente artigo dum imenso Sol na Terra totalmente encomendado pelas agências de comunicação .Nesse excelente artigo elaborado pelo computador de serviço na entrada começa por se alertar que não comentam sondagens. O meu cão ,naif e inexperiente resolveu ler até ao fim .Depois de uma crítica atroz a socialistas que se deixam agradar por troianos ,rematam que votar á esquerda do PS só se for o Livre do Incansável Rui Tavares. Ficam no arrazoado LPM apenas dois partidos na corrida : dum lado a direita experiente e do outro lado os beleza socialistas que detestam o Nóvoa e querem o abraço do bloco central. É tapar o Sol  com a peneira..

O meu cão ,meu querido amigo , atenderia o telemóvel e os morderia a todos. Habituado a subir Lombas o meu cão ficaria eternamente feliz e ainda ia para professor de uma universidade americana daquelas que oferece 2 cursos a quem procura um .

Dentada por dentada ficaria o meu cão feliz e os lobbies ,doces Lobbies finalmente libertados de todas as pressões mediáticas.

José João Louro

Quinta da Lomba

29 de Junho de 2015